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título: 1° de abril
data de publicação: 05/11/2024
quadro: picolé de limão
hashtag: #abril
personagens: márcio e jaci

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem tá aqui comigo hoje é a TAG Livros. E se eu te convidasse para conhecer aí histórias de amor, de amizade, de família, histórias criminais, de traição, de corações partidos, histórias sobrenaturais, histórias aí que misturam ficção e realidade? Você aceitaria meu convite? — Eu acho que sim, né? — Eu conheço lugar com histórias perfeitas aí para quem adora uma narrativa bem contada. — Pra você, né? Que já é ouvinte aí do nosso podcast Não Inviabilize. — 

Eu te convido para conhecer a TAG, um clube de assinaturas que te ajuda a encontrar o tipo de livro que combina e com você, com o que você gosta. E todo mês você tem uma descoberta diferente, um livro de ficção incrível na porta da sua casa. [efeito sonoro de campainha tocando] Com a TAG você tem duas modalidades de assinatura: o Clube TAG Inéditos, que manda best sellers mundiais em primeira mão e eles chegam na caixinha antes mesmo de chegarem nas livrarias. — Gente, isso é chic demais, é bom demais. — A outra opção é o Clube TAG Curadoria, que manda preciosidades da literatura todo mês. — Sim, todo mês um curador icônico escolhe o livro que chegará para você. — Já teve Fernanda Montenegro, já teve Emicida… — 

O curador do mês é o Itamar Vieira Junior, autor do hit “Torto Arado”. — Gente, que livro ele escolheu, hein? — Os livros chegam em uma caixinha super caprichada com revistinhas sobre o livro, box colecionável e um presente sempre muito especial. — Spoiler: Nesse mês é um planner, gente, ai, eu amo o planner… Um planner lindo. — Acessa agora o site da TAG e vai lá escolher o clube que mais combina com você. — Gente, vai lá descobrir o prazer da leitura, por favor. — Vem ler com a TAG, eu vou deixar o link certinho aqui na descrição do episódio e fica com a gente até o final que tem cupom sim. E hoje eu vou contar para vocês a história do Márcio. Então vamos lá, vamos de história. 

[trilha] 

O Márcio trabalha aí numa grande empresa, onde ele se sente à vontade para ser quem ele é. Desde quando ele se entende por gente, ele é gay… Essa nunca foi uma questão, isso nunca atrapalhou o trabalho do Márcio, enfim… As relações dele com a família também no começo foram um pouco tensas, mas depois deu uma melhorada, enfim. E o Márcio tem uma melhor amiga — que a gente vai chamar aqui de “Jaci” —, o Márcio e a Jaci eles são muito amigos, muito amigos… E a Jaci, vez ou outra, tá aí com um namoradinho aqui, outro namoradinho ali, mas enfim, nada muito sério, a Jaci é muito despachada, muito descolada, enfim… Um dia o Márcio resolveu pregar uma peça em 1 de abril. — Eu detesto… Acho que talvez quando eu era jovem, devo ter participado de algum, já caí em muitos… Porque as pessoas eu não sei, elas gostam de testar as coisas, né? Então eu acho que aqui é um caso desses. —

Eles estavam ali conversando, rindo, quando o Márcio propôs uma coisa: “Amiga, eu queria fazer um post nas redes sociais dizendo que a gente vai se casar, eu e você, e que eu deixei de ser gay”. — Não acho isso uma brincadeira legal, porque na minha opinião isso abre margem pra muita coisa ruim, abre uma brecha que não precisa ser aberta. Minha opinião. — A Jaci, amiga do Márcio, ficou cabreira, falou: “Amiga, pra quê?” “Não, eu quero fazer essa pegadinha de 1 de abril, vai ser engraçado. A gente posta uma foto nossa junto, eu faço o texto e posto no meu perfil, se você quiser compartilhar…”, “Não, não vou compartilhar. Tô com os contatinhos aí, não vou compartilhar”, ele falou: “Mas não tem problema, porque depois eu vou fazer um segundo post e vou editar a legenda e vou dizer que é 1 de abril”. Isso no Facebook. Tiraram a foto, Jaci ainda falou: “Vê lá o que você vai fazer, hein? Pra quê isso? 1 de abril, amanhã já é 2 de abril, pra quê isso?”. — Bom, enfim, o Márcio queria pregar essa peça. –

Pegou a fotinho e fez um texto dizendo: “Olha, depois de muitos anos, eu me encontrei e encontrei o amor da minha vida, que é a Jaci e nós vamos nos casar. Todo mundo sabe que a gente sempre foi melhor amigo e surgiu este amor”, fez um texto lá muito bonito de casal apaixonado e postou… O primeiro comentário foi do próprio Márcio… Sabe o emoji de risada? — Que tem a carinha com a risadinha que tem lágrima chorando? — Chorando de rir? Ele postou essa carinha ali. Ele achou que as pessoas fossem entender e, conforme as pessoas fossem rindo ali, ele ia comentando “1 de abril”. — Podia ter colocado o 1 de Abril lá no final do texto pelo menos? Podia, mas não botou. Quis fazer a brincadeira completa. Brincadeirona. Quis fazer essa brincadeirona. — Começaram os comentários… Alguns amigos — gays também — bravos, xingando o Márcio, falando: “Que palhaçada é essa? Que que é isso, cara? Que tipo de post é esse?” e o outro falando: “Eu tô te mandando mensagem no privado”, uma parcela dos amigos preocupados — eu estaria nessa parcela, eu nem comentário ia fazer, só ia mandar no WhatsApp dele assim: “Apaga”, “apaga”, era só isso que eu ia mandar, “apaga”. — 

Só que aí começaram as mensagens de comemoração, de parabéns, colegas de trabalho… — Não todos, mas alguns… — Familiares… Gente que estudou com o Márcio, gente que ainda estudava com o Márcio — que ele ainda fazia uma pós graduação —, muitas pessoas dando parabéns e falando: “Agora sim, finalmente você entendeu… Deus te endireitou”, “Nossa, quanto orgulho”, familiares falando: “Que alívio, nossas festas serão melhores”. — Muita gente… — O chefe do Márcio deu uma curtida e botou várias palminhas… Mas ali, gente, você que falou que você ia casar, que você estava feliz, que agora você era hétero… Então e aí? E agora? Foram tantos comentários de gente chocada e de gente feliz, que o Márcio resolveu apagar o post. Ele apagou o post e não sabia mais como agir, porque afinal, ele deu aquela abertura, então agora não tinha, por exemplo, como ele ir nos colegas de trabalho e falar: “Você está feliz porque eu não sou gay?”, porque ele disse que ele estava feliz, né? — Eu não… Realmente não entendi a finalidade dessa brincadeira. Mesmo. E olha o tanto de transtorno que isso causou. —

Porque antes de apagar o post, o Márcio printou todos os comentários, e aí agora ele não sabia se ele devia falar com um por um… — Tinha tio dele no meio, tia, primas, algumas pessoas do curso dele da faculdade, colegas de trabalho, enfim, muita gente, gente… Gente do Clube do Livro que ele participava… Mas foi o que eu falei pro Márcio: “Seu texto não era só assim: “Ai, estou casando, deixei de ser gay”, você disse que estava feliz, você disse que tinha encontrado o seu caminho. Então, como é que você vai cobrar as pessoas agora? Bando de homofóbico? Sim, acho que muitos ali, mas muitos também devem estar: “Bom, se é isso que ele quer, parabéns então”, sei lá, eu ia ficar chocada, não ia nem consegui comentar. Mas e aí, né? — O Márcio teve uma crise de ansiedade, uma crise de choro… A Jaci estava dando aula, então quando ela viu, ele já tinha apagado… E aí ele foi contar pra ela e a Jaci falou: “Cara, você é burro? Olha o texto que você fez… Óbvio que ia acontecer isso”. 

E aí o Márcio falou: “E agora o que eu faço, Jaci?”, a Jaci falou: “Finja que nada aconteceu… Como é que você vai agora tirar satisfação com um por um? Uma brincadeira ridícula que você fez. Tudo o que você postar agora vai complicar as suas relações na faculdade, vai complicar suas relações no trabalho… Seu chefe botou palminha… E agora a gente não sabe se é porque ele está comemorando que você não é mais gay ou se ele está comemorando porque as palminhas é porque você disse que estava feliz, a gente nunca vai saber, porque se você perguntar para ele, daqui há um tempo, um ano que seja, você vai ser demitido”. O Márcio percebeu a besteira que fez e resolveu ficar em silêncio, mas aí ele chegava nos lugares e muita gente vinha dar parabéns para ele ainda pelo casamento, e aí ele falava: “Pô, cara, era 1 de abril, era brincadeira” e as pessoas ficavam muito sem jeito, mas em nenhum momento ele tirou satisfação. Só que aquelas pessoas que ele pintou, ele ficou com ranço.

Tem gente que a gente não vai conseguir que a pessoa deixe de ser homofóbica ou racista, enfim, não vai conseguir, a gente não vai conseguir. Qual é o nosso objetivo com esse tipo de pessoa? Que a pessoa fique tão constrangida, que ela não tenha coragem de emitir uma opinião pública sobre isso. Porque mudar a gente sabe que essa pessoa não vai mudar, só que a partir do momento que você faz um uma brincadeira dessas de 1 de abril, você abre uma brecha para que essa pessoa mostre para você quem ela é. E aí também é um caminho sem volta… Então, gente que escreveu lá: “Nossa, graças a Deus”, sabe assim? “Nossa, ainda bem, que estava ridículo”, sabe assim? “Ah, vai parar de se agarrar com macho”, essas pessoas que o Márcio printou, obviamente ele não ia mais conseguir ter a mesma relação, nem que fosse só de “bom dia”, sabe? Então, ele abriu esse bueiro, entendeu? Que tem batalhas que a gente não não consegue vencer inteira. Ah, algumas pessoas vão entender e vão parar de ser racistas, de ser homofóbicas? Até vão, mas tem muita gente que só vai fingir. E aí o nosso objetivo com essas pessoas é que elas tenham úlcera, infarto, sabe? De tanta raiva de não poder ser o monstro que elas são, pessoalmente, assim, publicamente, entendeu? Só que aí, quando você dá essa brecha, “raaarw”, a pessoa se solta… 

O Márcio se arrependeu amargamente da sua pegadinha de 1 de abril, onde ele envolveu a Jaci. Muita gente também foi dar parabéns pra Jaci e a Jaci também já era mais direta e falava: “Isso aí é coisa daquele idiota do Márcio, isso nunca existiu, o Márcio é gay”. Depois de uma semana, o Márcio fez um post numa Parada Gay e escreveu: “Viado” e era ele, assim, todo feliz na Parada Gay. — Parada do Orgulho LGBTQIA+. — E aí teve 12 curtidas e dois comentários, o pessoal fingiu, enfim… — Ainda bem que não foi lá escrever: “Nossa, lamento”, sabe? Não teve o sem noção que escreveu “nossa, lamento”, “ué, cadê a moça que ia casar?”, não teve. — Foi um recado que ele resolveu dar pra dizer: “Olha, era 1 de abril”. No mesmo dia, quando ele tirou o post, ele postou lá um fundo colorido escrito “1 de abril”, mas só isso também… Quase ninguém curtiu, ninguém viu e ele não sabe se as pessoas não quiseram interagir, se também já tinha passado o horário do engajamento dele, enfim… — Ele fez uma brincadeira totalmente desnecessária, que eu acho que é um desserviço, eu falei isso para o Márcio, né? Ninguém precisa brincar de cura hétero quando a gente tem muita gente que acredita de fato nisso e faz da vida das pessoas um inferno e até causa mortes por isso, né? —

E ele teve que azeitar e entubar sim muitas opiniões que apareceram naquele post porque eram relações de trabalho, eram coordenadores de curso, enfim… Brincadeira boba… Falar que terminou relacionamento, que mãe morreu ou fingir que morreu ou fingir que é hétero e depois falar “1 de abril”… Não precisa, né? O que vocês acham?

[trilha] 

Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, eu sou o Vitor de São Paulo. Márcio, eu tenho muita empatia com você, porque eu sou muito a pessoa que vive fazendo brincadeira e dando um susto nos outros, só que na internet isso pode dar muito ruim, porque você não controla quem vê, quem não vê, a forma como você fala, como as pessoas podem interpretar, né? Etão não façam isso… Já que você fez, entre os seus amigos e familiares eu acho que serve como uma peneira, sabe? Para quem você dá abertura da sua vida, pra quem você dá intimidade, saber quem realmente está torcendo por você. Mas as pessoas do trabalho, eu acho que a solução seria fazer o contrário, começa a fazer posts mostrando como você tem orgulho, como ser LGBTQIA+ te traz momentos felizes com seus amigos, pessoas que te inspiram, sabe? É uma forma de você falar sobre o assunto de uma forma legal. Beijo; 

Assinante 2: Aqui é a Stephanie de São Paulo. Bom, não sei nem o que dizer, porque existem brincadeiras que, acredito eu, que não se fazem. A gente não pode as vezes dar margem para a opinião das pessoas, porque querendo ou não, a gente abre muito isso. Isso às vezes tem um impacto muito negativo na nossa vida. No caso dele, ele ficou com uma angústia por uma situação que ele mesmo criou. Acredito que fique aí de conselho: Não faça brincadeiras sobre sua sexualidade, porque isso só diz respeito a você. Beijo. 

[trilha] 

Déia Freitas: A TAG é um clube de assinaturas que conduz aí os associados por um passeio muito gostoso pelas muitas possibilidades da literatura, enviando livros de vários gêneros e histórias diversas, fazendo com que você se apaixone pelos livros, por uma história, por um autor e tome gosto de vez pela leitura. — Gente, o ano vai começar, vamos começar já lendo? Vamos fazer esse compromisso? Todo mundo com o livrinho na mão. Delícia… — Assine os planos anuais da TAG e, com o nosso cupom exclusivo: PICOLEDELIMAO100 — “Picolé de Limão” tudo junto, maiúsculo, sem acento e “100” em numeral —, você ganha frete grátis por um ano, o ano inteiro você recebendo aí a sua caixinha linda da TAG com seu livro incrível. — Com frete gratis, sério? — Escolha o clube que mais combina com você e vem ler com a TAG. — Valeu, TAG, pela parceria. — Um beijo, gente, e eu volto em breve.

[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]