título: maurinho
data de publicação: 17/11/2025
quadro: picolé de limão
hashtag: #maurinho
personagens: meire e maurinho
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei pra mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — [efeito sonoros de crianças contentes] Quem tá aqui comigo hoje, de novo, é o Airbnb. Chegar em um consenso, num grupo grande de amigos, pode ser aí um desafio. Ainda mais se vocês estão procurando um lugar pra curtir aí o próximo Carnaval. Posso te dar uma dica? Se antecipa e já joga no grupo de amigos, no grupão, as suas acomodações favoritas no Airbnb e já chega aí com seus argumentos prontos, ó, já mostra, fala: “tem piscina, tem churrasqueira, a gente vai poder curtir e é isso”. No Unidos Airbnb, viagem de carnaval com os amigos é sempre melhor se estiver todo mundo junto. Se está cada um num lugar diferente, putz, marca horário, não acha… Se está no bloquinho, é longe…
Então, cara, sai todo mundo junto, vai todo mundo junto, volta todo mundo junto… E já volto pra aquela piscininha. Carnaval entre amigos é muito, mas muito melhor no Airbnb. Entra agora no Airbnb, faz a sua lista com todas as acomodações favoritas e compartilha no seu grupo de amigos. Já vai dando a dica, fala: “por mim, a gente ia nessa aqui”. — E, ó, vocês podem pagar no pix ou parcelar em até seis vezes sem juros no cartão. — E eu acredito que esse episódio possa despertar alguns gatilhos em relação à maternidade, puerpério, enfim… Ouçam com cuidado. E hoje eu vou contar para vocês a história da Meire. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]Meire, quando terminou ali o seu mestrado, namorava há quatro anos e eles resolveram que eles iam se casar. “Ah, mas vamos casar como?”, “vamos casar só no cartório — bem prático assim — e vamos morar junto”. Eles já praticamente moravam juntos, mas Meire ainda tinha o seu apartamento alugado. O cara já tinha o apartamento dele próprio, então a Meire encerrou o contrato dela de aluguel e foi morar no apartamento do cara. Logo que eles se casaram, Meire ali com seus 38 anos, falou: “Bom, eu quero engravidar… Quero ter um filho” e o cara falou: “nossa, super, também quero. Também tô na vibe, vamos?”, “vamos”. depois de algumas tentativas, uma consulta ao médico e nã nã nã, Meiri engravidou… — Uma felicidade, gente… Olha… — Este homem fez posts de como ele seria um pai, futuro pai, nã nã nã, pai, pai, pai, só post de pai, post com a barriga da Meire, post chorando, post com sapatinho de crochê… O cara parecia que ia ser um paizão.
E a Meire também super curtindo ali à gravidez, fazendo todos os exames, todas as coisinhas que ela tinha que fazer… Ele ia nas consultas… — Gente, tudo certo. — Contaram para todo mundo dessa gravidez depois dos três meses, estava indo tudo bem, até que este homem começa a mudar. Conforme a gravidez ia progredindo, ele foi baixando a bola.— Eu acho que o que aconteceu foi isso, ele foi baixando a bola. — Primeiro que eles pararam de transar… — Mas isso, a Meire falou que também foi uma coisa que partiu meio dela, então não foi só ele, mas ele também não fez muita questão. — Meire notou que depois daquele primeiro trimestre, ele foi se distanciando. Meire estava muito focada nas coisas da gravidez, resolveu dar uma pausa no trabalho dela e se dedicar a isso, né? A gravidez, a tudo que ela precisava fazer. E o marido cada vez mais distante…
Chegamos ao dia do parto, este homem, calado… Ficou junto com a Meire ali, Meire teve o bebê… Ele pegou o bebê no colo, depois devolveram o bebê pra Meire e esse homem sumiu. O bebê nasceu 10 horas da manhã, ele só foi aparecer 8 horas da noite. Assim que Meire completou ali o primeiro trimestre, o médico dela ali do pré-natal, né? O ginecologista dela, obstetra, pediu que ela fizesse um exame chamado “NIPT”, que era um exame de sangue ali para fazer um rastreamento do sequenciamento genético da mãe. — Esse exame ele consegue fazer esse sequenciamento também de alguns pedaços ali da genética do bebê. — Qual era a suspeita do médico? Que a Meire tinha uma alta chance de ter um bebê com três cromossomos 21. E essa trissomia do cromossomo 21 significa que o bebezinho da Meire poderia nascer com Síndrome de Down. — Gente, com Down ou sem Down, é seu filho, né? —
A partir do momento que aquele homem escutou no exame ali, com quatro meses de gravidez, que o bebê… — Vamos botar o nome do bebê de “Maurinho”. — A partir do momento que aquele homem escutou no exame ali que Maurinho poderia nascer com Síndrome de Down, este homem mudou. Ele não falou nada em relação a isso, o discurso dele é: “Não, tudo bem, né? Vindo com saúde e nã nã nã’, mas ele não postou mais absolutamente nada nas redes sociais. Ele estava postando tudo, fazendo um diário de pai, de repente, sumiu e muitas postagens ele arquivou… — Ou apagou, Meire não sabe. — A partir do momento que ele soube que tinha a possibilidade do Maurinho nascer com Síndrome de Down, este homem mudou e foi se distanciando, se afastando e a Meire focada ali em estudar tudo, em ler tudo, em ver como dar a melhor qualidade de vida pro seu filho, né? Que é o que todo mundo quer… — Você quer ter um filho que você quer poder dar uma qualidade de vida pra ele. —
De cara, ele já viu que realmente o Maurinho tinha Síndrome de Down e este homem só pegou o filho no colo aquele dia. — Na maternidade. — Este homem nunca mais pegou o próprio filho. — Seu bebezinho, o Maurinho, no colo. — Isso destruía a Meire, porque a Meire via na cara do marido a rejeição dele com o Maurinho. — Eu concordo 300% com a Meire… — Ela falou pra mim: “Andréia, era uma violência o que o meu marido fazia com o Maurinho, ele simplesmente não tocava no próprio filho, não olhava para o próprio filho. Foi assim o primeiro ano, até que eu não aguentei mais… Ele estava louco para ir embora, era isso que ele queria, até que eu falei pra ele pra gente se separar”. E este homem falou: “A gente vai se separar sim, pra onde você vai? Porque este apartamento aqui é meu, de antes da gente casar. Eu vou continuar morando aqui, então você precisa ver oonde você vai morar com o seu filho”. “Seu filho”, não o filho dele. Meire, que tinha dado uma pausa no trabalho, teve que se organizar, ficar na casa deste homem por mais seis meses até ela conseguir alugar um lugar para ela e para o Maurinho.
Ele falou para a Meire que não estava preparado, “ah, não estou preparado para ser pai”? Não, não estava preparado para ter um filho. Não vou usar as palavras que ele usou, mas enfim, não estava preparado para ter um filho como o Maurinho. Que era isso, que ele tinha o direito de não querer ser pai do Maurinho. — Ele falou isso… — Que ele ia pagar pensão e que só, mas que ele não queria contato com o próprio filho de um ano de idade. Meire sofreu muito… O Maurinho, sabe, um garoto incrível… Tá com 10 anos agora, é um menino sensacional. Desde um ano, Meire tem o apoio das tias, da mãe dela, da família, sabe? Pra poder colocar o Maurinho nas terapias… — Porque você tem que levar de um lugar pra outro, você tem que fazer as coisas, né? — E ela precisando trabalhar, porque sim, ele pagava a pensão, mas não era lá essas coisas e também ele não pegava o filho pra nada. — Dava mil desculpas… Não via o filho. —
O Maurinho tentava abraçar esse homem e esse homem rejeitava os abraços do próprio filho. [voz embargada] — Aí, se eu rezo aqui, eu nem acredito em nada, hein? Mas se eu rezo aqui pra ele morrer, eu que sou ruim… O que eu queria que que acontecesse com ele? Que ele morresse, era isso que eu queria… Que ele morresse, só isso. Porque como que o seu filho vai te abraçar, seu desgraçado? E você rejeita um abraço, seu filho? — Com 5 para 6 anos, o próprio Maurinho disse que não queria mais encontrar o pai. — Pra vocês verem o nível da rejeição desse homem. E pra ele foi o quê? Um favor, né? — Meire se cercou ali da sua família, basicamente só mulheres para ajudar a criar o Maurinho. O Maurinho é um garoto muito bem criado.
Chegamos na pandemia, Maurinho muito bem protegido, muito bem criado, passou ileso. Todos os parentes da Meire também, todo mundo se cuidando… Até que chega a notícia de que na pandemia este pai Faleceu. — Hehe. Ah, ó, que tristeza… Ó, estou desolada. O pai do Maurinho morreu na pandemia. Eu lamento todo mundo que perdeu seus entes queridos na pandemia, que época maldita, que sofrimento… Mas eu não vou ser hipócrita aqui, não, tá? Foi Deus que quis. Nesse caso específico. Mentira, nem acredito nisso, mas ó, sério, gente… Eu, desde que eu li essa história, o começo dessa história, eu torci pra que ele morresse. De que forma? Qualquer forma… E ele morreu. — Maurinho tratou dessa morte do pai na terapia… Engraçado como é criança, né? Pro Maurinho, o pai já meio que tava morto, né? Então agora meio que materializou uma coisa que ele já sentia, um luto que ele, um bebezinho de 5 anos, uma criancinha já estava vivendo, sabe? Por conta desse… Enfim, né?
O Maurinho tá ótimo, Meire também. Em nenhum momento, nunca, ela se arrependeu de ter tido o Maurinho. Sim, ela se arrependeu de ter casado com este homem. — Porque realmente, quando ele descobriu. que o Maurinho tinha Síndrome de Down, ele mudou realmente, assim, passou a ser um homem muito cruel, assim. — E é isso, gente, não lamenta. Olha, aquela coisa de: “ai, Andréia, você tem que ser uma pessoa melhor”, não sou, sou uma pessoa pior… Tem coisa que eu escuto nesse podcast aqui, porque a realidade é dura, é isso, eu me torno uma pessoa pior. Não tem como você ser melhor diante de um homem desse, sabe? Como que eu vou ser melhor? Não tem como ser melhor. Então, assim, lamento por todas as pessoas. que perderam seus entes queridos, que faleceram na pandemia, menos para esse cara. Esse cara, olha… Não vou dizer aqui que lamento, porque eu não lamento.
O que ele fez com a Meire, o que ele fez com o Maurinho, sabe? Do menino correr para abraçar ele e ele rejeitar, botar a mão assim, ó, quase com nojo no filho, empurrar. Aí me fala, se a Meire pega uma cadeira, dá nesse homem, tá errada? Vou eu fazer vaquinha pra soltar a Meire da cadeia. É isso, sabe? Então, não vou aqui falar que fiquei triste, porque eu não fiquei. Acho que para o Maurinho, desculpa, gente, foi melhor que esse cara morreu… Imagina ele crescendo sabendo que seu pai está ali, seu pai não gosta de você. Tem nojo de você… Porque uma vez ele usou essa palavra. Então assim, tá morto agora, sei lá onde que ele tá, no inferno… Não tem como essa história pra mim ser uma história boa, sabe? O que a gente tem de bom nessa história? A união das mulheres pra criar uma criança. Maurinho, uma criança sensacional, uma criança incrível. Meire. batalhadora, tá aí, mãe solo. Sei lá, gente, olha…
E aí tem uma coisa, esse homem morreu e aquele apartamento que ele praticamente expulsou a Meire, agora é do Maurinho. Um beijo… [risos] Bom, é isso, gente. Maurinho, proprietário, criança linda, maravilhosa, crescendo super bem. É isso… Olha, eu fico mal. Fico mal, porque assim, por mais que ele tenha morrido, foi pouco, acho, sabe? Você não faz isso com criança. Não mexe com criança, como diz a Inês Brasil, sabe? Pela criança eu dou a Vida, é isso… O que vocês acham?
[trilha]Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, aqui é a Priscila, de São Paulo. Meire, eu acho que às vezes a gente não percebe como o cara lá de cima se aproxima da gente… E às vezes vem na forma de um serzinho que a gente gera. Maurinho veio pra te dar mais força, pra te unir mais com as mulheres da sua família, sempre as mulheres da família juntas. Você é uma pessoa abençoada. Pense sempre nisso. Que o Maurinho continue fazendo vocês muito felizes e tenho certeza que ele vai ser um cara incrível, maravilhoso, cheio de coisas boas pela frente. E a respeito do genitor, a única coisa que eu tenho para falar é: aqui se faz, aqui se paga. Não tem essa de quando morrer a gente se acerta, é aqui e agora. Um beijo.
Assinante 2: Oi pessoal, meu nome é Dani, sou aqui da Paraíba. Sou mãe de Benício, uma criança linda de 3 anos com Síndrome de Down. Essa história mexeu muito comigo, porque assim que eu tive o Benício, a equipe de enfermagem veio me perguntar se eu sabia já do diagnóstico dele e principalmente se o pai já sabia. Na hora eu não entendi porque que vieram perguntar isso e uma das enfermeiras me falou que era muito comum quando o pai descobria após o parto, que a criança possuía a síndrome, de abandonar. Tipo, na hora, ele virar as costas e rejeitar a criança. E ela viu casos até de mãe fazer isso também, abandonar a criança no hospital. Isso na hora me deixou sem chão, arrasou meu coração porque eu só sabia naquele momento amar meu filho. A gente nem pensava em síndrome, em nada, só queria estar com ele, pegar ele no colo, tanto eu quanto meu marido. Então, infelizmente, isso é algo muito comum e eu só desejo muito amor e muita força para essa família.
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[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]