título: denis
data de publicação: 18/12/2025
quadro: picolé de limão
hashtag: #denis
personagens: mariana, denis, cibele robson
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não estou sozinha, meu publii… — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem está aqui comigo hoje é a Ápice. Se você procura produtos que valorizam a curvatura natural dos seus cabelos, que tratam profundamente e trazem resultados reais, a Ápice é feita pra você. Marca brasileira de produtos capilares que acredita na beleza real e na autenticidade de cada fio. Com linhas desenvolvidas para todos os tipos de cabelo, com foco especial nas cacheadas e nas crespas. A Ápice está com uma super novidade: a nova manteiga capilar da linha Crespo Power e a manteiga tem aí um diferencial incrível, ela funciona como tratamento e também como finalizador… O que te dá aí praticidade sem abrir mão da performance.
Tem mais: A manteiga conta com o efeito teia — eu nunca tinha ouvido falar disso, gente —, esse efeito garante alta performance capilar, facilitando a aplicação, promovendo uma melhor distribuição do produto nos fios e com isso, isso, maior rendimento. A nova manteiga capilar da linha Crespo Power foi desenvolvida para oferecer nutrição intensa, devolvendo aí aos seus cabelos a maciez, o brilho e a força que eles precisam. A nova manteiga capilar da linha Crespo Power chegou para transformar a sua rotina de cuidados aí com os seus cabelos. — Eu vou deixar o link certinho aqui na descrição do episódio e fica comigo até o final que tem o quê? Tem cupom, tem cupom, tem cupom. — E hoje eu vou contar para vocês a história da Mariana. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]Mariana terminou aí a faculdade, conseguiu um emprego muito bom, resolveu sair da casa dos pais e alugar ali uma kitnet para ela. A vida indo muito bem, um trabalho bom, ela fazendo inglês agora, morando sozinha, que era uma coisa que ela queria muito… Mariana agora com seus 29 anos. — Então assim, gente, vida da classe trabalhadora a todo vapor, fazendo as coisinhas dela, Mariana vivendo bem. — Um dia, Mariana foi com algumas amigas num show, aniversário da cidade, o prefeito chamou uma pessoa para cantar lá de graça, mas também tinha várias festas privadas na cidade… Ela foi numa dessas festas e lá ela conheceu um garçom… — Que a gente vai chamar aqui de “Denis”. — O Denis tava lá, não deu em cima da Mariana, mas a Mariana achou ele muito bonito e ficou olhando, né? Ficou paquerando ali… Denis percebeu, mas continuou fazendo o trabalho dele ali, né? Servindo as pessoas e nã nã nã…
E Mariana: “Bom, eu vou esperar, eu vou ficar nessa festa até o final pra ver se eu consigo o telefone desse garçom, né?” e uma das amigas da Mariana foi lá, perguntou se ele tinha namorado, se ele era casado, ele disse que não e, no final, Mariana pediu o telefone do Denis. Eles começaram a conversar, eles começaram a sair… — Denis era garçom em vários eventos assim. — E a coisa foi ficando séria… Tanto Denis quanto Mariana estavam se gostando, sabe assim? — Eles começaram a ficar mais, às vezes dormiam lá na Mariana… Denis morava com alguns amigos, então assim, não dava para eles ficarem lá na casa dele, né? Era mais fácil ficar na casa da Mariana. O tempo foi passando e a Mariana percebeu que geralmente ele usava as mesmas roupas, ele tinha poucas roupas… — Isso é uma questão? Não… Ou ele podia ter muitas roupas iguais, né? Por exemplo, eu quando eu gosto de uma camiseta, eu compro umas duas ou três e eu uso, parece que eu tô usando a mesma camiseta todo dia, mas é igual. [risos] Tipo Turma da Mônica. Então, depende também, né? —
Eles se viam só uma vez por semana, porque o Denis ele é garçom e final de semana é a época que ele mais trabalha, assim, né? Então eles se viam ali pelo meio da semana. — A Mariana foi notando que ele ou era minimalista ou ele tinha realmente poucas roupas. Quando eles saíam, que não era tantas vezes, porque eles se viam muito pouco, uma vez por semana, bom, é uma média, né? Dividiam a conta, ele nunca pediu dinheiro pra ela, nada… Então, assim, a Mariana ali não percebia que, sei lá, ele tinha poucas roupas porque, ah, ele tava passando necessidade… Nada disso. Denis tinha um carro velho, mas que levava ele pra todos os lugares… Geralmente o carro dele tava uma bagunça, tinha ali algumas coisas no banco de trás, mas enfim, Mariana sentava ali na frente e tudo certo. — O carro serve pra isso, pra te levar de um ponto a outro, né? Não precisa ser uma coisa de luxo. — Denis é um cara leve, sabe um cara que não te dá problema, que não cria DRzinha, questão? É um cara agradável de se estar junto, é um cara bacana de se conversar, é um ótimo namorado.
O tempo foi passando e Mariana foi sentindo a necessidade de conhecer esse amigos do Denis onde ele morava. — Sei lá, pra você ter uma ideia quem são essas pessoas, onde ele mora, né? Eles já estavam juntos há uns seis, sete meses… Então assim, queria conhecer onde você vive. Sete meses juntos, né? Vamos dar mais esse passo, né? A Mariana com 29, o Denis com 31, então assim, todo mundo adulto, maduro… Vamos ver aí esse lugar onde você mora… Tudo bem, ah, você tá com vergonha? Porque a Mariana pensava isso: “você tá com vergonha porque é um lugar simples e tal? Não precisa ficar com vergonha, só quero saber onde você mora… Se acontecer alguma coisa, tipo, eu não sei nem onde te procurar, não sei nem quem avisar, enfim, né?” e o Denis enrolando… E não apresentava, não apresentava, não apresentava esse lugar… Mariana, conversando com as amigas, começou a achar que de repente ele tinha uma família. “Deve ser casado, deve ter filho”.
Talvez você, [risos] eu, a gente não teria essa disposição, mas Cibele, que é uma grande amiga da Mariana, uma pessoa que atualmente não está trabalhando. [risos] Mas tem um marido que a sustenta… Cibele resolveu, sem contar para Mariana, seguir o carro velho do Denis, para saber aonde o Denis ia, onde ele morava e se tinha uma mulher lá, se tinha crianças lá… Cibele resolveu seguir Denis um dia que ele estava saindo da casa da Mariana. Ela sabia que o Denis dormia lá, no meio da semana, quando era de manhã, Mariana saía para trabalhar, o carro dele estava ali na rua, ele pegava o carro dele e ia para a casa dele, porque ele era garçom e normalmente ele não trabalhava de dia no meio da semana, ele ia pra casa dele, né? Cibele de manhã, antes de Mariana sair, trocando mensagem com ela: “Oi amiga, já saiu? Bom dia e nã nã nã”, já estava lá na porta e viu o carro do Denis e ficou no carro dela, esperando para seguir.
Eu faria isso? Não faria, gente… Porque, assim, a Mariana não pediu nada para ela, ela que quis descobrir sem Mariana pedir nada. Ela viu Mariana saindo e logo depois Denis saiu com o carro… E a Cibele foi seguindo. Mesmo porque o Denis nem conhecia o carro da Cibele, conhecia pouco a Cibele até, então ela pôde ir seguindo ele assim suave, de boa. E aí ele foi pra lá, foi pra cá e Denis parou em um parque… O Denis parou num parque, desceu ali do carro, tirou o tênis que ele tava, botou um chinelo, ficou um pouco ali no parque, parecia que ele tava mexendo no celular, fazendo as coisas e tal. Ciebele pensou: “Tá dando o horário dele, sei lá, pra ele ir a algum compromisso e ele tá enrolando aqui” e ele tinha um chinelo no carro… Isso era o quê? Umas oito e pouco. Botou o carro numa sombra e ficou ali. E a Cibele no estacionamento dentro do carro dela, com o ar—condicionado ligado, mas ali, né? Quando deu umas dez e meia, o Denis saiu ali de cima do carro, trancou o carro e foi caminhando pela rua. “Pronto, agora eu pego ele, mas tá de chinelo, tá assim, despojado”.
Ele virou a esquina, Cibele foi atrás e ela viu que tinha uma fila… Cibele viu que ele entrou naquela fila e ela voltou, entrou no carro e foi embora e ficou intrigada com aquilo. No dia seguinte, Cibele foi conversar com Mariana, sondou um pouco ali como seria o final de semana dela e tal. Nesse ponto, Robson, marido da Cibele, já estava sabendo que a esposa dele — que não bate bem das ideias, segundo Robson — estava seguindo o namorado da amiga. Robson falou: “Cibele, para com isso, se mete com a sua vida… A Mariana não pediu pra você seguir ninguém, o que você tá fazendo?”, deu um sermão na esposa e a Cibele falou: “Robson, você tem que ir comigo”. Por quê? Porque ela queria seguir de novo o Denis. Até então, Mariana não estava sabendo de nada… Mariana falou como seria o final de semana do Denis, onde ele ia estar de garçom, e aí a Cibele pegou o Robson e foi para a porta desse lugar onde o Denis estaria de garçom, porque o Denis ia sair de lá e não ia para Mariana, Mariana ia para a casa da mãe dela em outra cidade. Dali, ele ia ter que ir pra casa, de qualquer maneira, e a Cibele ia descobrir — agora, junto com seu marido, né? Carregando seu marido junto, porque seria à noite, né? — onde o Denis morava.
Denis terminou o seu turno, Cibele e Robson dentro do carro lá, atrás do carro velho. — Porque o foco era o carro velho ali, né? Eles tinham essa identificação para poder seguir o Denis. — Robson falando um monte pra Cibele: “Onde já se viu? A gente aqui atrás do cara, o cara não fez nada, você tá tratando o cara que nem um bandido” e falando horrores… E aí o Denis entrou no carro e começou a dirigir, finalmente ele ia para a casa dele e a Cibele ia descobrir se tinha uma esposa, se tinha filhos e o que era aquilo. Denis dirigiu por um tempo e Denis parou num posto de gasolina. Denis desceu, Denis estava com uma toalha e uma escova de dentes… Denis entrou num banheiro do posto de gasolina e, provavelmente, tomou banho. Saiu de cabelo molhado, entrou no carro, pegou umas coisas, saiu do carro, desceu o banco do carro, botou um travesseiro e uma coberta e dormiu dentro do carro.
Cibele tinha visto antes ele entrar numa fila desses restaurantes populares de comida… Cibele, incrédula, fez ainda o Robson descer e o Robson ir lá falar com os frentistas. — Porque tinha uns três carros ali… — Robson foi, jogou a conversa fora e o frentista acabou falando que aqueles carros, aqueles caras, falou até o nome do Dennis e dos outros dois rapazes, eles moravam no posto… Eles dormiam dentro do carro e era seguro, o dono do posto deixava eles colocarem o carro ali e eles tomavam banho no posto. Naquele momento, a Cibele estava descobrindo que o Denis não tinha uma casa, ele estava morando no carro. Robson também tava chocado… “Mano, o cara, ele é muito alto—astral, gente boa, assim… O cara mora no carro?”. Robson ficou mal, Cibele também ficou mal, porque ela tava pensando que ele era casado, alguma coisa assim, né? Agora eles estavam ali, debatendo se contavam ou não pra Mariana.
Cibele queria contar e Robson achava que não, porque assim, o cara ele devia estar com vergonha, não ia querer contar, né? E aí você vai e você conta? Cibele ficou insistindo, fazendo a cabeça do marido e ele falou: “Não, eu vou te proibir de contar pra Mariana isso”. Isso tudo eles lá no carro, no posto ainda… E aí a Cibele falou: “Tudo bem, eu não posso contar então? Então você vai lá, bater no vidro do carro e fala: “Ô, Denis, tá por aqui?”, dá um oi, faz com que ele te veja, porque aí ele se mexe também e conta pra ela, que eles estão juntos, sei lá, nove meses, quase dez meses agora… Desde os sete meses de namoro que ela quer ir na casa dele, ele não deixa. Então assim, ele tem que contar. Se eles vão ter um namoro sério, ela precisa saber, né?”. O Robson foi lá, bateu no vidro, o Denis ficou muito sem jeito e aí ele falou: “Ah, vim aqui abastecer com a Cibele e tal, a gente reconheceu o seu carro e tal”, porque era um carro velho, mas assim, sei lá, uma cor meio diferente, era um carro que chamava atenção um pouco.
Ele ficou super sem jeito, falou “oi”, saiu do carro ali e tal… Robson não tocou no assunto, só conversou amenidades e falou: “Ah, tamo indo e tal, tchau” e o Denis ficou ali. Uns três dias depois, a Mariana ligou para a Cibele para falar que o Denis tinha dito que eles se encontraram no posto de gasolina e Mariana estava estarrecida porque o Denis contou para ela que fazia mais de dois anos que ele morava no carro. Cibele contou tudo que ela tinha feito, que ela tinha seguido ele, que ele tinha parado no parque, que ele tinha ido no restaurante de um real… Mariana falou: “meu Deus, você ficou seguindo meu namorado?”, tiveram até uma pequena discussão, mas depois Mariana perdoou e tudo certo. Por que o Denis morava no carro? Ele fazia os bicos ali dele de garçom, ele estava com o nome sujo e ele não conseguia alugar um lugar para ele morar… Ele ainda não tinha conseguido juntar esse dinheiro para poder morar em algum lugar.
O marido da Cibele ficou tão estarrecido que ele, sozinho, procurou o Denis, falou: “Cara, vamos alugar um lugar? Eu pago pra você seis meses de aluguel até você se reerguer… Por minha conta, você não precisa me devolver. Vamos achar um lugar?”, só que o Denis não aceita… O Denis não aceita. O Denis continua morando no carro e Mariana agora tem uma dúvida… Ela queria chamar o Dennis para morar com ela. Metade das amigas dela acha que sim, tem que chamar pro cara, sei lá, se reerguer, mas aí ele vai estar morando na casa dela, né? E metade acha que não, que se ele entrar na casa dela, nunca mais ele sai. Depois, se ela quiser terminar, como é que vai ser? Ele vai voltar a morar no carro? Ele não aceitou o dinheiro do Robson. — De jeito nenhum, não aceita. — Mas morar com a Mariana, ela acha que ele vai aceitar, porque assim, eles vão morar juntos, né? Tipo, vão dar um passo a mais no relacionamento.
Cibele é do coro — ela e o Robson — de que sim, então ela tem que chamar ele pra morar com ela e dar esse outro passo, porque praticamente vão morar junto, é casado, né, gente? E metade das amigas acha que não, que tipo, mano, o cara mora no carro, você vai chamar o cara pra morar com você… É uma responsa e tal. E aí eu fico pensando, é muito difícil… Eu já trabalhei como voluntária bastante tempo com o Padre Júlio, com pessoas em situação de rua, a gente atende aqui, eu e a Janaína, né? Algumas pessoas em situação de rua que a gente dá comida, shampoo, ração pros cachorros, enfim… Eu tirei um pianista que tava morando na rua, tem várias reportagens dele na internet,e eu tirei ele da rua, hoje ele mora num apartamento, eu que pago tudo, mas ainda assim é muito difícil reinserir ele novamente na sociedade, emprego. Hoje ele faz um curso para aperfeiçoar, porque ele é pianista de ouvido, né? Então agora ele está estudando partitura e tal… Ainda assim é muito difícil reinserir esse cara, que hoje em dia o podcast que custeia, no mercado novamente…
Então. quando você cai na rua, quando eu digo “caia” é você vai morar na rua, é muito difícil você sair… Então eu entendo a dificuldade do Denis de conseguir sair sem apoio, né? E eu acho que se fosse qualquer outro cenário, eu falaria pra Mariana: “Não coloca dentro da sua casa”, mas eu acho que nesse cenário, o cara é gente boa, o cara é um excelente namorado… Nesse caso, eu acho que sim, eu concordo com a Cibele e com o Robson, eu acho que ela deveria chamar ele para morar junto. Se fosse qualquer outro cenário, eu diria não, mas eu sei de perto, pelas pessoas que a gente aqui auxilia, o quanto é difícil você sair da rua… Porque não é só sair da rua, é toda uma estrutura. Não é só você, como o Robson ia fazer, né? Pagar um aluguel… Não é só isso, é muita coisa que engloba. Então, a Mariana tem essa dúvida, ele não aceita ajuda, tipo, você dar um dinheiro pra ele alugar uma coisa, ele não aceita…
Ele tem a rotina dele, ele toma banho no posto, ele come no restaurante popular, ele toma banho todo dia, ele tem pouca roupa, porque no carro não tem como você ter muitas roupas, mas ele nunca tá amassado, ele é garçom, ele tem as roupas dele de trabalho, ele vai nessas lavanderias que tem, tipo, com nome de sabão em pó, que você paga, põe a roupa lá, lava… Ele lava a roupa dele assim, nesse tipo de lavanderia. Ele está sempre limpo, sempre alinhado, sempre de bom humor… Eu acho que esse cara merece uma chance, gente… Indo contra tudo que eu falaria, tipo: “vai botar o cara dentro da casa dela”, sabe? Mas ele trabalha… Eu, olha, pra mim é sim. [risos] Então, assim, eu tô com a Cibele e com o Robson, eu acho que a Mariana deve chamar ele pra morar junto, ser casado mesmo. Ela gosta dele, ele gosta dela, tem grandes chances dele aceitar, mas pode ser também que ele diga não, ela não sabe.
Mas eu acho que sim, de todas as pessoas, acho que o mais abalado é o Robson, [risos] o marido da Cibele… Ele não se conforma do cara dormir no carro, já ofereceu até um quarto na casa dele com Cibele: “Cara, vem morar aqui um tempo até você se reerguer” e Robson está inconformado. Eu, com todas as variáveis e casos que eu conheço, eu acho que o Denis merece essa chance… E se o relacionamento depois não der certo,
né? Aí, cada um por si… Se ele vai voltar a morar no carro não pode ser uma questão da Mariana se o relacionamento não der certo, né? Mas tem tudo pra dar certo. Eles se gostam, eles se dão bem. Ele nunca pediu nada pra ela, ele sempre dividiu as contas quando eles saem… Você percebe que é um cara honesto, um cara que tá aí batalhando e que não conseguiu vencer a rua ainda.
Aí vocês vão me perguntar: Mas por que ele mora no carro? Ele veio do sul para o sudeste e ele veio com um trabalho certo. Esse trabalho certo, quando ele chegou… — Eu acho que eu vou falar a real dele, porque é uma coisa que está acontecendo muito. — Restaurantes, geralmente churrascarias, vão lá no sul, pegam pessoas pobres, que são garçons lá, atendentes lá, trazem para trabalhar em restaurantes chiques, fazem um alojamento que você mal consegue ficar, não te pagam salário e, quando você vê, você está praticamente escravizado. Inclusive, esses dias teve uma reportagem na televisão de uma churrascaria chique que fez isso com acho que cinquenta e poucas pessoas. — Ele veio nesse cenário, ele conseguiu sair desse restaurante que ele não recebia salário… Com um pouquinho de dinheiro que ele tinha, ele conseguiu ficar um tempinho numa pensão, só que a realidade das pensões masculinas também é muito cruel. Ele conseguiu ser garçom em umas festas, ganhar um pouco mais e comprou um carro velho, um carro bem velho, mas que roda, que anda, que tem as janelas. E aí ele começou a dormir no carro.
Era mais barato e era mais seguro dormir no carro do que dormir em pensão masculinas. O Denis nunca usou drogas e ele foi tentando viver… Já veio com o nome sujo de crediário da mãe, do pai que usou, sabe assim? O nome… Então, gente, é uma realidade que se você não tem uma ajuda, é muito difícil você sair, real, assim. A questão é: Mariana deve dar essa ajuda e dar esse passo a mais, né? Aí vocês vão falar: “Ah, mas o cara é um fodido”, é um fodido, mas é um cara que tá tentando, né? E é um cara que é gente boa, que todo mundo gosta, que é honesto… Então, assim, duvidas, né? O Robson já tentou emprestar dinheiro, dar dinheiro, alugar ele o lugar… Nada, ele não aceita nada, porque ele falou: “Não vou, não tô aqui pra explorar ninguém… A hora que eu conseguir fazer as coisas, eu vou conseguir. Vou juntando um dinheirinho, né?”, mas é difícil, gente… É muito difícil. Então, sei lá, eu acho que a Mariana deve sim dar essa chance. E vocês, o que vocês acham?
[trilha]Assinante 1: Oi, gente, aqui é a [inaudível] de Salvador. Será que o que Dennis precisa agora não é ser tratado como uma pessoa e não como alguém a ser resgatado da própria vida? Denis é um cara que trabalha, que se cuida, que é leve, uma ótima companhia, um ótimo namorado, um ótimo amigo, uma pessoa respeitosa, digna, com uma postura altiva, que está passando por uma situação difícil… Quem disse que agora ele precisa que as pessoas resolvam os problemas dele por ele? Talvez ele só precise ser tratado como uma pessoa e apoiado nos seus próprios projetos de decidir quais são os próximos passos. Se ele quiser continuar morando no carro e investir em outra coisa, talvez ele prefira. Talvez ele não conseguiu ainda conceber a transição da rua para uma casa por algum outro motivo, mas o que ele precisa agora talvez não seja de salvadores da pátria, talvez ele precise só ser respeitado e tratado como uma pessoa, independente da situação pela qual ele está passando. Ele está passando por uma crise e o apoio que as pessoas podem dar pra ele talvez não seja salvar ele da vida dele mesmo, e sim estar com ele, com carinho, com afeto e sem essa ânsia de resolver a vida dele por ele. Disponibilize apoio pro que ele quiser fazer, não pro que você acha que ele deveria fazer nesse momento.
Assinante 2: Oi, gente, aqui é a Catarina, moro em Portugal. Mariana, eu sou muito a favor de ajudar. Acredito que pessoas esforçadas que tenham bom caráter merecem todo tipo de suporte, porém, ele nunca lhe pediu suporte. Ele não lhe contou nada, só foi contar mesmo quando ele percebeu que seus amigos sabiam, então seja por vergonha ou qualquer outra coisa, ele não queria lhe contar e ele não aceitou as ajudas do Robson. Então, você poderia sentar e conversar com ele para ver quais são os planos dele de futuro e o que ele acharia de dividir a responsabilidade de uma casa com você, sem que ele sinta que está sendo alvo de piedade. Para além disso, vale a pena também fazer um contrato de namoro para resguardar os dois, inclusive, para ele também não achar que você está achando que ele talvez esteja querendo tirar vantagem, sabe? Mas vai com cautela e só se você realmente quiser. Não vá por pena. Um abraço e boa sorte.
[trilha]Déia Freitas: Conheça a nova manteiga capilar da linha Crespo Power, funciona como tratamento e também como finalizador, além de ter aí o incrível efeito teia, que distribui melhor o produto por todo o cabelo e tem um melhor rendimento. Todos os produtos da Ápice têm alta performance, que combinam ativos naturais exclusivos em fórmulas inovadoras, adotando os princípios do veganismo — amo, amo, amo —, livre de crueldade animal. E usando o nosso cupom de desconto: “PICOLE15” — “picolé” em maiúsculo, sem acento, 15 em numeral —, você ganha mais 15% de desconto em qualquer produto ou linha Ápice. Fica ligada que o cupom é limitado… Aproveita para deixar aí os seus cabelos ainda mais maravilhosos. — Sério, gente, a Ápice é incrível e é uma delícia, você vai passar no seu cabelo, você vai amar. — “Ai, Déia, mas eu sou lisa, eu não sou cacheada”, tem para você também… Tem para todo mundo, entra lá, todas as curvaturas de cabelo, você vai achar um produto Ápice para você. — Valeu, Ápice, pela parceria, eu estou muito, muito, muito feliz que vocês chegaram aqui no podcast. — Um beijo, gente, e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]