título: crespo
data de publicação: 29/01/2026
quadro: amor nas redes
hashtag: #crespo
personagens: tainá, dona sônia, tatiana e tiago
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Amor nas Redes, sua história é contada aqui. [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente. Cheguei… Cheguei para um Amor nas Redes. — E hoje eu não tô sozinha, meu pubiili. — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem está aqui comigo hoje é a Ápice. A Ápice é a marca brasileira, quando falamos de produtos capilares, ela acredita na beleza real na autenticidade de cada fio e tem linhas incríveis desenvolvidas para todos os tipos de cabelo. Com foco especial nas cacheadas e nas crespas, amo… A Ápice oferece produtos que valorizam a curvatura natural dos seus cabelos, tratam profundamente e trazem resultados reais. E a Ápice me convidou para falar de um assunto que mexe muito com a nossa autoestima: cabelos. Quando a gente fala de cabelo, nunca é só sobre cabelo, é sobre identidade, coragem, reencontro com a própria essência, principalmente quando a gente fala de transição capilar.
Quando você escolhe passar pela transição capilar, você assume o compromisso de reencontrar quem você é e, para este momento, a Ápice quer estar com você, com fórmulas limpas, conscientes e que respeitam a beleza real, que é a sua beleza. Assuma seus crespos, seus cachos, suas ondas… Assuma a sua história e a sua verdade. A Ápice cuida de cada fase da sua transição com produtos formulados exclusivamente para que os seus cabelos sejam livres e belos. — Eu vou deixar o link da Ápice aqui certinho na descrição do episódio e fica comigo até o final que tem cupom. — E hoje eu vou contar para vocês a história da Tainá. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]Tainá sempre teve muito cabelo e sempre foi um desafio para sua mãe, a Dona Sônia. Tainá tem uma irmã, Tatiana… O manuseio do cabelo da Tatiana e da Dona Sônia sempre foi muito mais fácil do que o manuseio ali do cabelo da Tainá. — E a gente tá falando aqui, gente, da década de 80, onde tinha menos produtos, menos recursos, né? Tecnológicos em relação ao tratamento de cabelo. — Dona Sônia sempre brincou com a Tainá, falando que desde bebezinha ela tinha, assim, olhos muito grandes e muito cabelo e ela falava: “Tainá, você é tão bonitinha, lindinha, bem pretinha, com aquele olhão, muito cabelo, parecia uma amorinha”. Com o tempo, a Dona Sônia foi ali aprendendo a cuidar do cabelo da Tainá e ela fazia vários tipos de trança, não deixava que a Tainá saísse estar com o cabelo bem penteadinho…
A Dona Sônia separava o cabelo no meio ali da Tainá, ia fazendo uma trança embutida de um lado, outra do outro, pra fechar atrás, assim, na nuca. A Dona Sônia sempre trançava o cabelo das meninas, tanto da Tatiana quanto da Tainá, com muito medo de elas pegarem piolho. — E aqui em casa era a mesma coisa, minha mãe trançava o meu cabelo e das minhas primas para a gente ir para a escola com muito medo que a gente pegasse piolho. E tanto Tatiana e Tainá, quanto a gente aqui em casa, a gente nunca pegou piolho. — Ela tinha muito medo também que a professora resolvesse passar o pente fino no cabelo da Tainá e, nossa, ia machucar a Tainá, né? A irmã da Tainá começou a alisar o cabelo quando ela tinha nove anos.
Tainá estava com 5, Tatiana estava com 9 e já começou a alisar o cabelo. Tainá olhava a Tatiana com aquele cabelo lisinho, balançando, esvoaçante, assim, ao vento e falava: “meu Deus, eu quero muito” e a Tatiana fazia um rabo de cavalo, ficava bonito, assim… “Meu Deus, quando vai chegar o meu momento? Com nove anos eu posso fazer? Então, quando chegar nove anos, eu vou querer alisar igual a minha irmã”. Tainá fez nove anos e a primeira coisa que ela pediu pra Dona Sônia: “Me leva pra alisar o cabelo” e lá foram elas para o salão… A Tainá estava muito animada. Nesse salão, o cabeleireiro já foi péssimo, já falou que o cabelo da Tainá era muito difícil, já chamou de cabelo ruim, aquelas coisas, né? Foi a pior experiência da vida da Tainá. O cara ia falando: “Olha, o produto não tá pegando nesse cabelo não, hein? Nossa, menina, que cabelo duro… Olha, mãe, tá difícil esse cabelo, hein?” e Tainá tinha nove anos, gente…
Tainá queria muito chorar, mas ela se manteve ali firme, sem chorar, porque ela tinha muito medo também que a mãe interrompesse ali o tratamento no meio. E ela não chorou, falou que ardeu muito e tal, né? E o cara puxava muito com o pente, com a escova pra ver se alisava o cabelo dela e a Tainá aguentou tudo porque ela queria, segundo ela, ficar bonita. Quando tudo acabou, a Tainá olhou no espelho e ela não se sentiu bonita… Ela se sentiu estranha. O cabelo parecia que não encaixava no rosto dela e parecia uma peruca, não ficou igual ao cabelo da irmã dela… Ficou artificial, ficou muito escuro, estava preto… Ela não tinha o cabelo preto, tinha o cabelo castanho. — Estava preto, estava artificial, estava muito estranho. — Tainá falou: “Bom, eu acho que é isso, eu tenho que me sentir feliz então?” e elas tinham uma festa depois que elas saíram ali do salão. Só que no caminho, aquele calor, a umidade, o cabelo dela foi armando…
Agora, ele não tinha mais cachinho, não tinha nada.. Ele tava sem forma, liso, mas assim, esticado e totalmente armado… Tainá na festa se sentindo muito mal, muito estranha com aquele cabelo, ela queria chorar mas ela não podia: “não, eu tenho que aguentar que eu quero teu cabelo liso”. Em a partir dos 9 anos, Tainá sempre que ia em diversos salões, porque a mãe dela, Dona Sônia, foi trocando pra ver se conseguia achar um salão que realmente conseguisse alisar o cabelo da Tainá e ela ouvia absurdos. Tainá começou a entender que o cabelo dela, quando crescia, a raiz crescia ali, crespa, e ela teria que voltar no salão e passar por tudo isso… E, ao mesmo tempo que ela não queria ter aquele cabelo crespo, ela sabia tudo que vinha junto… As ofensas, as humilhações que ela passava nos salões.
Com 11 anos, um dia, Tainá foi fazer o alisamento no cabelo e o cabelo dela teve um corte químico… Tainá perdeu quase todo o cabelo do topo da cabeça, foi desesperador. Para tapar aquele buraco no meio, tinha que pegar as duas partes que sobraram ali para tentar fazer um coque para tapar aquela falha de cabelo quebrado que tinha ficado no topo da cabeça da Tainá. Uma fase tão traumática que a Taina não consegue ver as fotos daquele tempo… Tainá, agora com 12 anos, a Dona Sônia falou: “Tainá, é melhor a gente voltar a trançar o seu cabelo”, e aí elas voltaram a fazer tranças ali no cabelo da Tainá. E Tainá não ficava sem trança, então tirava a trança para lavar, lavava o cabelo, hidratava, secava e já refazia as tranças de novo. Dona Sônia, precisava de um dia pra trançar o cabelo da Tainá, fazer direitinho, com calma. Tainá tinha tanto pavor do cabelo dela mais natural, que ela não olhava no espelho, porque agora ela tinha uma parte que estava crescendo, depois daquele corte químico, tinha a parte alisada, então assim, sem as tranças, a Tainá não se olhava no espelho.
Tainá dormia com uma meia calça na cabeça. — Não era uma época que tinha touca de cetim ainda, né? Hoje todo mundo usa de boa. — De tanta vergonha, quando ela ia dormir na casa de alguém, mesmo que tivesse calor, ela se escondia embaixo das cobertas para que ninguém visse que ela estava de meia na cabeça. E assim foi até que Tainá fez 17 anos, Tainá se questionava, e se ela quisesse fazer uma viagem com as amigas? Ela não podia levar a dona Sônia para trançar o cabelo dela, como que ela ia fazer? Também tinha o dia de trançar o cabelo, que era um dia que ela não ia conseguir fazer nada, que ela não podia marcar compromisso, que ela não podia marcar nada, porque ela perdia o dia ali trançando o cabelo, né? Com 18 anos a Tainá: “Até não posso ficar também refém das tranças, né? Minha mãe perde o dia inteiro trançando meu cabelo, então vou voltar a alisar”.
O cabelo dela já tinha crescido aquela parte do corte químico, ela já tinha entendido que o cabelo dela era uma curvatura 4C, já tinha agora lançado produtos com efeitos melhores de alisamento: “Quer saber? Eu vou alisar”. Só que agora, além de alisar, ela tinha que fazer escova… Então Tainá virou refém do quê? Da chuva, do frio, o medo, né? Então ela tinha sempre uma blusa com capuz ou um guarda—chuva, ela não podia pegar chuva de jeito nenhum no cabelo. E aí tinha a questão da oleosidade da escova, né? Que conforme os dias vão passando, seu cabelo vai ficando mais oleoso. — Então pensa, ela teria que lavar de novo, mesmo que tivesse com produto do alisamento, ela tinha que fazer escova… Então assim, era sempre um processo. — Com 18 anos ali, insatisfeita, ter que ficar fazendo escova, era um trampo aí, nossa, uma chuvinha que caía, não podia tomar chuva.
Com 19 ela falou: “mãe, posso voltar pras tranças? Você faz as tranças em mim?”, “tá bom, vamos voltar pras tranças”. Com 20 anos a Tainá entrou em uma universidade de ponta no curso de dança contemporânea e ela era a única menina negra da turma e uma das poucas das alunas que eram pobres ali… A maioria do curso era branca com grana e elas não entendiam porque que Tainá tratava o cabelo assim como uma questão, elas não entendiam que a Tainá tinha um dia do cabelo, pra trançar o cabelo e tal. Tainá num curso que você tem que ter total consciência corporal e essas coisas, era um tema que gritava ali… Queria usar também nas aulas adereços, nas apresentações e nada dava certo no cabelo dela. Tainá com 21 anos: “Vamos tentar só alisar a raiz e deixar as pontas mais enroladas?”, mas também ela não podia ir pra praia com os amigos… Nada dava certo.
Com 22 anos, Tainá estava num estágio e, de repente, ela viu uma moça negra retinta, linda, com o cabelo natural. Quem era essa moça? Mariana. Mariana tinha um cabelo maravilhoso, Tainá começou a conversar com a Mariana sobre o cabelo e a Mariana falou: “Se você usar os cremes certos, você pode manter o seu cabelo natural”, mas ainda era uma época que não tinha tantos cremes, não tinha nada tão específico assim para cabelo crespo 4C como era o da Tainá. Ainda assim, ela estava vendo a Mariana na frente dela com o cabelo natural e vendo que era possível. E, a partir daquele momento, Tainá decidiu que ela ia passar um ano sem fazer nada no cabelo. Só ali, sei lá, fazendo as tranças de manutenção, para deixar crescer e deixar o cabelo dela natural. Só que, nossa, era um trabalho, porque conforme ia secando, a raiz ia estufando, então antes de secar completamente, ela tinha que prender o cabelo… Um caos.
Passou um ano, Tainá ainda não tinha coragem de cortar… Um dia ela chegou, tinha ido numa festa, lavou o cabelo, deitou, o cabelo secou e, no dia seguinte, ela não conseguia fazer penteado, não conseguia prender, não conseguia fazer nada. Tainá tava arrasada, ela foi pra academia com aquele cabelo, se sentindo super estranha. “Quer saber? Quando eu voltar pra casa, eu vou cortar esse cabelo. Tô cansada, chega”, assim que ela chegou em casa, ela avisou a mãe… Tainá tem a Tatiana mais velha e tem um irmão mais novo, o Tiago, que o cabelo nunca foi uma questão porque ele sempre manteve o cabelo curtinho e ela avisou os dois: “Eu vou cortar o meu cabelo, não quero nem saber, eu vou cortar. Vocês me ajudam?”. Além de surpresos, eles ficaram, assim, com medo, né? Tipo, como assim você vai cortar o cabelo em casa e a gente vai cortar? E se der errado? Parecia uma coisa muito radical. E se desse errado ela ia ficar frustrada e a culpa ia ser dos dois, né? Tainá falou: “tá bom, ninguém quer me ajudar? Eu vou cortar o cabelo sozinha”.
E tava fácil de ver a transição ali, de onde era o cabelo dela natural crespo e o restante que já tava cheio de química, cheio de coisa. Tainá foi pra frente do espelho, pegou uma tesoura ali da mãe dela e começou a cortar… E ela resolveu começar pela frente, bem o cabelo ali da testa, que ela falou: “Que aí depois eu não me arrependo, não tenho como parar de cortar”. Tainá, sozinha, foi cortando o cabelo e, gente, aquilo foi mágico… Ela ia cortando e ela ia se sentindo melhor. Só que aí ela não conseguia cortar a parte de trás. Nisso, o Tiago já tava olhando, já tava achando que tava ficando incrível, e aí o Tiago foi lá ajudar a cortar o cabelo da Tainá. Conforme o Tiago ia cortando, ele ia fazendo uma cara de alegre, assim, falando: “Tainá, tá ficando lindo”. Assim que o Tiago terminou de cortar o que faltava, a Tainá correu pro banheiro, foi lavar a cabeça de novo, já passou um creme de pentear ali e, assim que ela olhou no espelho, ela se sentiu ótima.
O cabelo dela tava curtíssimo, uns três dedos de cabelo assim, né? Ela tava se sentindo linda. E aí a Tainá colocou um brincão lindo, fez uma make e foi pra faculdade… E lá foi uma festa só, ela nunca ouviu tanto elogio, a galera falando que ela tava muito linda. “Nossa, Tainá, você tá muito linda… Ficou lindo o seu cabelo”, foi ótimo… Ela se sentiu incrível e ali foi um ponto de virada. Essa transição capilar dela foi o que fez ela se reencontrar com ela mesma, com a sua imagem, com a sua figura. A Tainá falou que era como se fosse uma pessoa nova que ela via ali no espelho, ela começou a se cuidar mais porque ela se sentiu mais bonita, né? Ela e a Mariana são amigas até hoje e uma coisa engraçada que a Tainá falou é que ela, gente, passou uma época tendo pesadelo, que ela dormia e sonhava que tinha alisado o cabelo e ela teria que esperar muito tempo agora para fazer a transição de novo, aí ela acordava assustada, botava a mão e falava: “ai, ufa, não alisei o cabelo”. A Tainá sabe que não é pra todo mundo que a transição é assim, né? Às vezes a pessoa não gosta e tal, mas no caso dela, foi libertador e foi assim, mudou realmente a percepção que a Tainá tinha dela mesma. O que vocês acham?
[trilha]Assinante 1: Oi, gente, eu sou a Aline de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Eu fiz a minha transição capilar em 2015, porque eu era muito viciada em cabelo liso, em prancha, em progressiva, porque eu não entendia como o meu cabelo natural funcionava. E quando eu comecei a ver aquele movimento de autoaceitação das pessoas falando que combinava mais que era natural, para mim era tudo muito novidade. Aceitei, eu tentei me manter na tesoura, né? E ouvi algumas coisas que não foram muito agradáveis, mas persisti e hoje eu amo o meu cabelo, hoje eu amo a minha identidade, hoje eu amo o que nasce de mim, o que sai de mim. Eu aprendi a lidar com ele, eu aprendi a viver com ele e amo meu cabelo.
Assinante 2: Olá, meu nome é Luciana Paula, eu falo do Rio de Janeiro, Capital. Entendo o processo de transição capilar como um processo de reconstrução da autoestima, onde muitas vezes ele vai ser demorado, vai ser longo, às vezes doloroso, porque a gente aprende que só um tipo de cabelo é bonito desde a nossa infância… Eu passava por relaxamento, por química, desde os dois anos de idade… Na gravidez do meu filho eu usava a escova progressiva e aí eu passo a fazer uso das tranças. Com três meses após o nascimento dele, faço um corte químico e começo a fazer relaxamento no formato de soltura de cachos, entendendo que não conseguiria lidar com o meu cabelo natural. Vou espaçando cada vez mais o uso da química e aí entendendo como meu cabelo é, como é a textura dele natural e gostando disso. Hoje eu tô há 3, 4 anos sem nenhum tipo de química, eu amo meu cabelo, eu sei lidar com ele, eu aprendi, eu reaprendi a lidar com meu cabelo e sempre estimulo as minhas e os meus a passar pelo mesmo processo. Mas entendendo que é muito individual e que pode ser demorado pra cada um.
[trilha]Déia Freitas: A Ápice quer estar contigo no seu momento de reencontro com os seus cabelos, te oferecendo fórmulas limpas, conscientes e que respeitam. a sua beleza real. Passar pela transição capilar pode ser difícil, mas a Ápice te incentiva a assumir seus cachos, suas ondas, seus cabelos livres e a sua beleza. E usando o nosso cupom: “TRANSICAO15” — “transição” sem acento e sem cedilha, em maiúsculo e 15 em numeral —, você ganha 15% de desconto em qualquer produto ou linha Ápice. — Corre que o nosso cupom tem tempo limitado… O cupom está aqui na descrição do episódio também. Clica no link, já bota o seu cupom e já vai garantir seus produtos Ápice que são sensacionais. — Valeu, Ápice, te amo… Um beijo, gente, e eu volto em breve.
[vinheta] Quer sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Amor nas Redes é um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]

