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título: assalto
data de publicação: 02/12/2024
quadro: picolé de limão
hashtag: #assalto
personagens: roseli

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Ops. Mico Meu, haha. [vinheta]

Déia Freitas: Oi gente… Cheguei. Cheguei para um Mico Meu. E hoje vou contar pra  vocês a história da Roseli. Então vamos lá, vamos de história.

[trilha]

A Roseli ela é adepta dos aplicativos de namoro, ela gosta muito, ela acha prático, as vezes ela só quer um contatinho, não quer se apegar, enfim, ela acha prático… Ela não gosta também de ficar enrolando muito. — Mas ela tem algumas regras… — Um: Sempre compartilhar com as amigas ali o telefone do cara e tal, o contato do cara. Dois: Ela sempre vai encontrar num lugar perto da empresa dela, mas que não é na empresa dela, tipo uns dois quarteirões longe da empresa que ela trabalha e nunca na casa dela. Ela nunca fala onde mora. Três: Geralmente ela usa o celular que ela tem do trabalho para os contatinhos. A empresa dela não restringe, mas o que ela faz? Ela trabalha presencial e ela só pode usar o celular que é dela, da empresa, dentro da empresa. Então ela não pode, por exemplo, sair e levar o celular, ela usa ali para vendas e tal.

O ritual da Roseli é: Ela marca sete horas noite, dois quarteirões para frente, numa outra empresa, na portaria em frente, ela sempre marca para o cara passar e pegar ela ali, porque ela finge que trabalha naquela outra empresa. — Que é do mesmo ramo dela, mas não é empresa que ela trabalha. — Todo mundo sai às seis ali do trabalho dela, ela fica lá, marca o ponto e fica lá esperando dar a hora. Então ela se arruma, às vezes ela troca de roupa mesmo, passa um perfume, então ela leva a roupa na bolsa, ela passa o perfume e as amigas já sabem, [risos] que ela tá ali pra guerra. Faz a make e, quando dá umas quinze para às sete, ela manda mensagem para o cara do celular da firma e fala: “Eu já tô chegando”, porque é rapidinho pra ela ir a pé e geralmente ela conversa com os caras ali, sei lá, uma semana no máximo e já marca também. — Porque se for para ficar enrolando, enfim… —

E aí ela tinha já compartilhado o contato desse cara com as amigas e tinha marcado com ele, né? Pareceu um cara muito agradável, um cara desenrolado, muito divertido, um papo ótimo… Roseli pensou: “O cara deve ser muito bom ali na hora do vamo ver” e ela estava empolgada, ela foi realmente ali [risos] com todas as armas de Jorge. [risos] Eles falavam também por voz, por telefone e ela já tinha feito um FaceTime com ele, então já tinha visto ele, ele também já tinha visto ela e estava tudo certo… — Não ia ter nenhuma surpresa, né? — Deu quinze pra sete, Ela falou com ele no telefone da firma, desligou o telefone da firma — que era uma norma —, deixou o telefone na mesa dela e foi embora. Descendo a rua, algo aconteceu… — Qual é o medo que todo mundo aí, homens e mulheres, porque mulheres têm outros medos também quando elas estão na rua, mas esse é um medo de praticamente 100% da população brasileira. — Ela tá andando ali na rua, Roseli, toda arrumada, na bolsa dela o seu celular pessoal, o perfume dela caríssimo, que ela comprou em seis prestações, só usado umas duas vezes. — Era um momento especial, né? — A carteira com R$110 e algumas tranqueiras, uma escova de cabelo, enfim, na bolsa… E ela não estava com o celular na mão, que não vai vacilar, né? — Você que mora numa grande cidade aí, você não vacila quando você está na rua com o celular na mão, né? Ou pelo menos não deveria. —

Dois caras de moto passaram pela Roseli, fizeram o retorno e vieram voltando devagar. — Óbvio que era um assalto, porque assim que o cara estava chegando, ele já tirou algo da cintura que Roseli julgou ser uma arma e já falou: “Perdeu, perdeu, perdeu”, algo assim, que ela não lembra nem se foi a palavra “perdeu”, mas ele falou algo que ela entendeu que ela estava sendo assaltada, ela foi abrir a bolsa para pegar, sei lá, carteira, celular e ele chamou ela de “comédia”, alguma coisa assim e pegou a bolsa toda, levou a bolsa toda da Roseli… Roseli entregou a bolsa com toda dor no coração, tinha tudo na bolsa e eles foram embora com a bolsa dela. — Inteira. — Ela até teve coragem de olhar pra trás, pra ver se eles iam jogar a bolsa. — De repente, pega a carteira, o celular e joga a bolsa, estava o perfume, a roupa dela. Mas eles não jogaram, levaram a bolsa dela inteira. Roseli ficou ali desnorteada, e ela foi ali socorrida, tinha uma sorveteria que o cara deixou ela entrar, ela ligou pra casa dela, um tio dela veio buscar… 

E aí, assim, você tem que fazer o boletim de ocorrência, mas ela não tinha visto a cara dos caras, porque também, gente, se você for assaltado, não encara os caras, você pode tomar um tiro na cara. “Ah, mas eu quero ver pra reconhecer”, e se você faz um reconhecimento e você erra? — Eu vejo um monte de casos desses de gente que reconhece pessoa errada e vai parar inocente na cadeia. Então, o que vai adiantar ali, né? É correr atrás de você fazer seus documentos de novo e é importante que você faça boletim de ocorrência dos seus documentos, porque se alguém ousar e cometer um crime, sei lá, usar sua identidade, até você explicar, você pode ficar preso também, enfim… Então, a minha dica é: Não encare o bandido, de jeito nenhum, entrega suas coisinhas e é isso. E foi isso que a Roseli fez. — O tio veio, eles fizeram B.O…. Só que assim, quando você chega na delegacia — ela estava com o tio dela —, para fazer um B.O., às vezes tem outras coisas mais graves na frente que a polícia realmente vai passar na frente. Se chega um PM com uma ocorrência, vai passar na frente, enfim… E aí ela foi ficando até que ela foi chamada para fazer esse B.O., fez o B.O., mas assim, meio que a polícia já também nem fala que vai achar, porque é muito difícil, né, gente? É muito difícil… A polícia está aí com um monte de homicídio, coisa para resolver, enfim, não dá para resolver tudo… E é isso. 

Ela não lembrava realmente essa coisa de IMEI do celular, só o número ali, só o número do chip, enfim. E aí bloqueou o chip e fez o que dava para fazer. E aí ela voltou para casa arrasada, já era começo de madrugada e aí ela lembrou do cara. E agora? Ela estava sem o celular dela pessoal, ela tinha o contato do cara lá no celular da firma… Como que ela ia avisar ele? E ela sempre dá o pessoal dela, tipo, depois desse primeiro encontro, no primeiro encontro ela só dá o celular da firma. E aí ela lembrou que eles tinham conversado de várias maneiras e ela tinha conversado com ele também pelo Instagram, só que no Instagram, ele tinha um Instagram que era só assim… Sabe quando a pessoa tem um Instagram de carros? Só de foto de carro, essas coisas, enfim… E ela não conseguiu descobrir nada dele pelo Instagram, né? Mas também ela não estava muito interessada porque era um contatinho, ela queria só sair com o cara, enfim… — Não queria casar, namorar, nada. — E ali na madrugada mesmo, ela mandou uma mensagem falando: “Olha, desculpa, eu fui assaltada, levaram minha bolsa inteira, meus documentos, meu celular, todas as minhas coisas e não deu pra eu te encontrar. É verdade e tal”, mas ela achou que o cara não fosse acreditar nela, né? 

“Se ele me responder eu até recorto aqui a parte do B.O contando como foi, mas sem mostrar meus dados, né?” e ele não respondeu… Ela acordou, de qualquer forma, ela tinha que ir trabalhar, ela olhou o Instagram e ele não tinha respondido e ela resolveu mesmo assim recortar parte do B.O e mandar pra ele, falar: “Olha, por favor, acredite em mim e tal, eu não fiz de propósito, não marquei com você e te larguei lá”, enfim… E ela estava chateada, de ter perdido as coisas, óbvio, mas também do cara achar, sei lá, que ela tinha deixado ele na mão. Roseli foi trabalhar, chegou na firma, contou pra todo mundo, enfim, “puts, será que não dá para pegar as câmeras da rua? Nossa, não sei o que lá” e a Roseli falou: “Ah, que vai adiantar, né? Sei lá, de repente, eu identifico o cara, o cara não fica preso e vem atrás de mim, então deixa quieto. Enfim, vou fazer minhas coisas e tal”. E aí ela sentou na mesa dela… Ela bateu o ponto, mas assim demorou uns 40 minutos para sentar na mesa dela para trabalhar, porque eu estava contando pra todo mundo, do assalto, do B.O., enfim, né? 

Quando ela sentou na mesa dela, ela ligou o celular da empresa, tinha umas ligações do cara… Então tinha umas ligações, tipo… Umas sete… Eles marcaram sete, umas sete e vinte, depois uma quinze para as oito, mas não tinha como você deixar recado naquele celular, então ela só viu o que tinha ali as ligações, né? E quando ela abriu o Whatsapp ela viu que ele tinha mandado: “Gata, cadê você? Tô indo embora e tal”, mas ele não foi grosseiro nada, né? E aí, quando ela estava se preparando para responder o cara, o avatar dele ali, a foto dele sumiu, o cara bloqueou a Roseli… Então ele ficou realmente bravo que ela não apareceu e, provavelmente, ele não acreditou na parte do B.O que ela mandou, ele pode achar que foi uma montagem, sei lá né? E aí a Roseli já arrasada, quando toca esse telefone da firma, uma chamada desconhecida… — Só que era um telefone de vendas, então o telefone que tocasse ela atendia, era o trampo dela, muito arrasada, enfim, assaltada e sem o boy que ela queria ficar. — 

Quando ela atende, era o boy… Era o cara. E aí, gente, [risos] olha o que o cara falou pra Roseli… “Oi, Roseli, tudo bem?”, ele estava com uma voz muito séria, “eu só queria falar para você que foi mal, a sua bolsa e suas coisas estão na porta da sua empresa, na portaria da sua empresa. Acabei de deixar na portaria da sua empresa”. [risos] Sim, a Roseli foi assaltada pelo cara que ia encontrar… O cara não reconheceu ela, ela não reconheceu ele… Ele passou por ela de moto, porque o cara ia dar carona pra ele até lá o ponto de encontro, eles viram a oportunidade e assaltaram a Roseli. Roseli ficou em choque… Primeiro, foi assaltada pelo cara que ela queria sair. Segundo, a portaria que ele deixou as coisas, era da outra empresa… Ele não sabia onde ela trabalhava, ela mentia que trabalhava lá. E aí ela teve que conversar com o gerente dela ali, pedir saída, pedir 15 minutos para correr lá na portaria da outra empresa para pegar as coisas dela. E aí ela chegou lá, o segurança lá da portaria já estava ligando os departamentos para tentar achar quem era a Roseli… E aí ela falou que que era ela tal, que ela perdeu a bolsa na rua e aí o cara tipo fez ela falar o RG dela, o nome da mãe, o nome do pai, fez ela desbloquear o celular e ele devolveu a bolsa para ela e a bolsa estava intacta… 

Com o dinheiro que ela tinha na carteira, com o perfume dela, com a roupa e com o celular. Agora não se sabe se ele só se ligou que a assaltada era a Roseli quando ele viu a mensagem no Instagram ou se, de repente, ele foi abrir a carteira e viu um documento. — Mas será que eles olham o documento? Acho que eles nem se interessam, assim, né? Quando é esse tipo de assalto, assim, que você pega uma bolsa, o celular… — E aí ela com muito medo voltou pro trabalho e não teve coragem de contar pro tio, mas contou ali pras amigas e as amigas falaram: “A melhor coisa que você tem que fazer é dar baixa nesse B.O., falar que encontraram sua bolsa e já era. Não fala que é ele, não fala que você tem o contato… Ele já te bloqueou em tudo, ele já te explicou o que aconteceu e sumiu. Então, não vai mexer nisso, deixa quieto, né?”. E assim a Roseli fez, assim, ela teve tudo que era dela de volta e ficou por isso mesmo… Ela deu baixa lá no B.O., falou que achou a maioria das coisas, enfim, X, e seguiu a vida. E quando ela entrou no aplicativo, também não encontrou mais ele. — Provavelmente também deve ter ficado um tempo sem entrar, sei lá… E não foi que ele marcou um encontro com ela pra assaltar ela, entende? Foi uma oportunidade que eles viram ali… Provavelmente eles assaltaram e o cara foi embora com a bolsa e ele ficou lá na portaria da outra empresa pra esperar a Roseli. —

E é isso, gente, essa é a história da Roseli que ela acha que é um Mico Meu porque no final ela acha que é uma história muito engraçada, assim, da desgraça da vida amorosa dela e porque também ela teve tudo de volta. Então, assim, ela acha que o prejuízo foi só [risos] emocional e uns aninhos de terapia a mais, né? Eu sei lá, eu acho que eu não sei o que fazer, ia eu entrar muito em pânico, mas eu também não ia contar, eu acho… Eu não ia contar, eu acho. Por que pra quê, né, gente? Você vai caçar uma coisa maior… Se já devolveu tudo o que é seu, sei lá…Tem algumas batalhas que eu acho que a gente não precisa entrar, sei lá… Então eu acho que ela agiu certo a Roseli, de fazer as coisinhas no off e tá com as coisas dela, enfim, né? E o cara pediu desculpa. [risos] “Desculpa te assaltar, não foi minha intenção, [risos] foi uma oportunidade… Mas também, você não pode ficar andando assim em rua deserta sozinha”. [risos] Ainda deu um toque… [risos] Ainda prestou um serviço aí de informação de segurança pra Roseli. [risos] Ai, gente, eu sei que é péssimo. Desculpa rir, mas assim, a Roseli ri, tanto que ela quis colocar no Mico Meu, então tá aí a história dela no Mico Meu. O que vocês acham?

[trilha]

Assinante 1: Oi, Déia, oi, nãoinviabilizers, tudo bem? Meu nome é Tatiana, sou de São Paulo, capital. Roseli, que date foi esse, hein? Tem que tomar muito cuidado com aplicativos de relacionamentos… Que essa história fique como de exemplo para todos, né? Mais uns anos de terapia para poder compreender tudo o que aconteceu e nada como conhecer pessoas pessoalmente, né? Como faziam os maias e os astecas, [risos] então acho mais seguro. Beijos a todos. 

Assinante 2: Olá, nãoinviabilizers, aqui é a Luciana Paula, do Rio de Janeiro, capital. Roseli, mana, eu fiquei pensando: Será que foi um assalto de oportunidade como a Déia falou ou se esse cara não planejou o assalto justamente para financiar o date com você? Fiquei pensando sobre isso… [risos] Por que ele foi com outra pessoa, né? Não sabemos se ele era o garupa ou se ele era o motorista, mas duas pessoas numa moto para um date, né? Pode ser uma carona, mas pode ser que isto tenha sido planejado mesmo. E, de certa forma, pensando aqui, ele até que foi empático ao devolver as suas coisas, [risos] seu dinheiro, sua bolsa, porque outro assaltante poderia ter medo de você denunciar…. Porque ele te bloqueou, mas acho que seria fácil encontrá-la ou acessá-la caso você quisesse denunciar. Eu teria feito como você, teria deixado isso pra lá, já devolveu, tá tudo certo e vida que segue. Beijos, Roseli. 

[trilha]

Déia Freitas: Um beijo, comentem lá no nosso grupo do Telegram, sejam gentis com a Roseli e eu volto em breve. 

[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmai.com. Mico Meu é um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]