título: dedinho
data de publicação: 19/12/2024
quadro: picolé de limão
hashtag: #dedinho
personagens: nilda, marido e manicure
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. — E hoje não tô sozinha, meu publiii… — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem tá comigo até o final de dezembro, no último dia, quem? Quem? Quem? A Wise. Conheça a Wise Empresas A conta PJ da WISE, onde você pode gerenciar as suas finanças internacionais em várias moedas. Se você é PJ, possui uma empresa aberta no seu nome — não importa o tamanho da sua empresa — e tem contratos aí com empresas internacionais, a Wise Empresas é feitinha do jeitinho que você precisa pra te atender aí em tudo. Wise Empresas valoriza o seu negócio e o seu faturamento, porque a Wise é o primeiro provedor do Brasil a permitir que empresas recebam pagamentos em mais moedas do que só o real, o dólar e o euro. Com Wise Empresas, além de receber dinheiro em diversas moedas da sua escolha, você pode também enviar dinheiro em 75 moedas diferentes, além de converter seus recebimentos em mais de 40 moedas. Tudo isso na mesma conta e sem pagar taxas excessivas de conversão.
Tem ainda o suporte 24 horas por dia, sete dias por semana em português. — Eu vou deixar tudo explicadinho certinho aqui na descrição dos episódios. — Wise Empresas, receba dinheiro, sem perder dinheiro. E hoje eu vou contar para vocês a história da Nilda. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]Nilda tinha ali seus 24 anos, conheceu um cara que trabalhava perto de onde ela trabalhava, começaram a namorar e, um ano depois, estavam casados. [efeito sonoro de sino soando] Alugaram uma casa, depois de um tempo veio o primeiro filho, depois o segundo filho, e aí, com muita luta, eles conseguiram comprar uma casa para pagar em 20 anos. Aquela batalha, a prestação da casa, mas o cara sempre foi muito trabalhador, era um marido ok… — Não era nada assim, mas tudo bem, era um cara ok, né? — E o tempo foi passando e 20 anos se passaram… Eles quitaram aquela casa com 20 anos, não conseguiram pagar antes — então, assim, ufa, né? — e agora era uma coisa a menos que eles podiam focar em mais coisa pra eles e tal. Os filhos da Nilda agora um com 19 e o outro com 20, desde os 16 anos os dois meninos trabalhavam. Uma família muito estruturada, muito boa. — E um marido médio. —
A Nilda e nem o marido precisavam se preocupar com os meninos financeiramente, eles faziam as coisas dentro das possibilidades deles. — Isso é muito importante também, você acaba ensinando o seu filho a lidar com o dinheiro, com o próprio dinheiro, isso é muito bacana. — Mais um tempo se passou, ali uns dois, três anos, o mais velho já estava até com uma namorada firme, pensando em casar, enfim, quando um dia a Nilda acorda e o marido dela ele tava… — Sabe quando a pessoa está na cama e você vê que ela está respirando, mas ele não se mexia? Ele não se mexia. — A Nilda chacoalhava o marido assim e ele não se mexia, ele tentava, mas ele não conseguia. E ai ela chamou o SAMU — viva o SUS, todo atendimento gratuito,se for nos Estados Unidos você paga 100 mil —, o SAMU veio, levou o marido da Nilda e ele tinha tido um derrame. — Tinha tido um AVC. —
A família ali em cima, todo mundo ali em cima, todo mundo preocupado, né? “O cara teve um AVC, e agora, como é que vai ser?” — “Como é que vai ser o AVC?” [risos], não gosto de fazer esses trocadilhos, mas acaba saindo. — Ele ficou um tempo internado, teve que fazer um pouco de fisioterapia no hospital e continuar com a fisioterapia em casa. E o que tinha acontecido? Ele destro, o lado esquerdo dele tinha ficado paralisado, estava andando agora com dificuldade, ele tinha que ter o apoio na mão direita de uma bengala e o braço dele estava totalmente parado. — Largado ali do lado do corpo. — Ele tinha que fazer fisioterapia, não afetou muito a fala dele e com a fisioterapia a fala voltou mais, mas ele ficou com menos mobilidade mesmo, enfim… Era um casamento que, bem ou mal, sempre teve sexo e depois de um tempo que ele já estava se reabilitando, que a Nilda falou: “Não vou tocar nesse assunto, né?”, ela tentou ali dar uns beijos nele e tal e ele não reagiu.
E aí, na próxima consulta, a Nilda resolveu trazer esse assunto para o médico na frente dele, do marido mesmo. Ela falou: “Olha, será que ficou alguma questão, não sei, né?”, e aí o médico explicou, falou: “Olha, tem casos que o homem fica impotente temporariamente, tem casos que é permanente”, mas o médico falou — e o cara junto não querendo falar sobre o assunto —, e aí o médico falou pra ele: “Olha, mas você pode ficar tranquilo, porque sexo é 10%, 5% é penetração… Você pode fazer todas as outras coisas, tem oral, você tem mão, você tem dedo”, o médico brincou, “Você pode por uma prótese peniana, você pode ficar tranquilo que você tem como ter uma vida sexual saudável, né? Você não está morto, você só perdeu um pouco da sua mobilidade”. — Um médico muito, muito bacana mesmo. — “Bom, então é isso, eu só precisava saber, sei lá, se não está com alguma dor, se eu posso, sei lá, mexer nisso”. [risos] “Olha, da minha parte médica está liberada, agora você tem que ver o psicológico dele. Às vezes ele não está querendo também, né?” e ele junto ali, só que sem querer falar nada.
Chegaram em casa e a Nilda foi conversar sobre isso, né? Falou: “Olha, a gente não precisa fazer muita coisa, mas eu quero seu carinho, quero ficar com você e tal”. E aí ele falou que ele mal conseguia andar, estava se arrastando, que ele não se sentia bem… — E eu acho, gente, que tem muito a ver, né? O cara tem que estar se sentindo bem também para ele ter tesão, mesmo que seja para usar a boca, para usar a mão, enfim, ele estava ali, saindo de um derrame, fazendo fisioterapia e começando agora a muito contragosto, aceitando ir fazer uma terapia e a Nilda querendo, né? Falou: “Poxa vida, né?”, enfim… — Mais um tempo se passou, um ano mais ou menos de fisioterapia, melhorava muito a questão dele da fala, das coisas, mas o braço e a perna ainda e — provavelmente o pênis, não sei — e desse um ano ele não transou, não quis fazer nada com a Nilda. — Absolutamente nada. — E a Nilda estava chateada, né? Mas ao mesmo tempo ela entendia. “Bom, já falei com o médico, o médico já falou que ele não tem nenhuma limitação quanto a isso, é só ele querer… Mesmo que o pau dele não funcione mais, eu aceito outras coisas, sabe?” [risos], mas enfim, ele não queria dar abertura.
Até que um dia, Nilda que sempre fez a unha no salão, agora a manicure dela que a gente vai chamar aqui de “Janete”, atendia em casa. Janete começou a fazer a unha da Nilda ali na casa dela e a primeira vez que ela viu o cara, ela ficou cabreira porque viu o jeito que ele estava andando e ele estava muito mal, né? Janete fez a unha ali e toda semana ela ia. E, geralmente, quando ele saía, por exemplo, para ir comprar pão, ele demorava umas duas horas para andar até a padaria e voltar e ele queria ele ir comprar o pão — Então a Nilda falava: “A gente comia até bolacha porque sabia que esse pão ia demorar duas horas pra voltar”, [risos] enfim… — Janete foi ali estreitando o relacionamento com a Nilda e um dia ela não aguentou e falou: “Por que seu marido se arrasta desse jeito aqui dentro?” e ela falou: “Como assim se arrasta? Ele ele teve um AVC, né? Ele ficou com sequelas”. Aí a Janete falou: “Mas eu já vi ele andando bem melhor. Ele anda de bengala sim, mas eu já vi andando rápido na rua, andando quase, quase 100%. Ficou com a perna meio jogando? Ficou, mas eu vi ele andando rápido, aqui ele se arrasta dentro de casa”.
E aí a Nilda ficou achando a Janete maldosa ali, mas ficou com uma pulguinha. Ela falou: “Será? Ele sai daqui todos se arrastando, às vezes eu fico olhando ele virar a esquina, ele vira a esquina com a bengala ali que eu quase vou atrás de tanto desespero”. E aí ela resolveu passar da esquina e olhar o marido e viu que o marido tava mancando, mas não daquele jeito que ele fazia em casa. E aí a Nilda pensou o que? “Poxa, ele exagera em casa porque ele quer ser cuidado”, botou isso na conta do amor. Eles tinham terminado de pagar a casa e tinham um dinheiro então, agora que seria da prestação entrando ali na conta do cara, pelo arranjo que eles fizeram ali, era ele que pagava a parcela. — Mas o dinheiro era dos dois, né? Porque a Nilda estava pagando todas as outras contas. — E a Nilda falou: “Poxa, agora eu fiz as contas aqui, já dá pra gente comprar um carrinho e vai ser ótimo, porque aí pra eu te levar na fisioterapia, pra te levar nos lugares, vai ser ótimo. Vamos comprar um carro” e ele não queria. E os meninos também botando uma pressão — todo mundo ia usar o carro —, e aí ele não queria, não queria e a Nilda resolveu olhar a conta e viu que o dinheiro entrava, mas saía da conta pra uma outra conta. E aí se você tem conta nesse banco que a gente pode chamar aqui de Pônei Econômica, o extrato da Pônei Econômica — e aqui eu deixo a dica que o banco precisa melhorar isso —, quando você vê ali entradas e saídas de dinheiro, no extrato em si não sai o nome de quem você recebeu o dinheiro, de quem você mandou o dinheiro… — Você tem que clicar, é tipo uma parte linkavel, assim, e você clica pra ver. — Então, você tirando o extrato ali, você vai ter que entrar lá no banco para saber ou entrar no site, enfim… E a Nilda teve que fazer essa correria na Pônei Econômica, porque era uma conta conjunta, mas ela não tinha nem o cartão da conta, nada, mas ela sabia tudo… Pra saber para onde estava indo o dinheiro da parcela da casa, que agora não tinha mais casa pra pagar, né? E aí tinha o nome de uma mulher, ela não conhecia aquele nome, deu uma forçada ali no marido e ele confessou… — Ele tinha uma amante desde antes de ter o AVC. — Essas demoradas que ele dava, tipo “ah, duas horas pra ir, duas horas pra voltar da padaria”, ele ia para casa da amante…
A Nilda botou ele pra fora e ele foi morar na casa da amante. Só que a amante não queria mais ele lá — porque uma coisa é você ter só o dinheiro e um pouco do cara indo lá, outra coisa é você ter o cara 100% cuidando, né? —, e aí ela veio fazer escândalo na porta da Nilda e, no meio do escândalo, ela falou que ele ainda era muito homem, que ele comia ela com o dedinho, que a Nilda era uma baranga, que ele não transava com ela, mas que ela era a esposa, ela tinha que aceitar ele de volta, senão ele ela ia fazer um boletim de ocorrência por abandono e a Nilda falou: “Vai, pode ir… Pode ir, vai lá. Eu tenho provas aqui que eu cuidei dele até agora, que ele está totalmente reabilitado… Ele tá mancando? Tá, mas quanta gente não manca, não anda de bengala? Ele pode fazer tudo. Se ele não está fazendo tudo na sua casa, não é um problema meu, mas aqui eu não quero mais”. Eles tiveram que dividir a casa porque realmente ele ia precisar do dinheiro e a Nilda sabia que ele ia precisar de dinheiro, porque não ia dar certo de ele ficar na casa da amante. — A amante não quis, viu, gente? Mesmo sendo comida com o dedinho, ela só queria o financeiro… Para cuidar do cara ela não quis. —
A Nilda pegou a metade do dinheiro dela, deu entrada numa outra casa, um pouco menor, num bairro um pouco mais afastado, se mudou com os meninos — para essa casa, que agora era só dela —, ele pegou o dinheiro dele, foi morar com a irmã dele lá e não sabe o arranjo financeiro que ele fez. Ele não precisava pagar mais pensão, porque os dois filhos adultos também, cada um seguiu a sua vida, mas foram aí pelo menos um ano e meio, quase dois anos da Nilda cuidando do cara com AVC, querendo fazer sexo com ele, do jeito que fosse — com as limitações que fosse — e o cara com limitações porque agora não estava conseguindo ter ereção e tal, tava lá no dedo, na amante e dando dinheiro da parcela da casa pra amante. — Então a Nilda falou: “Eu me arrependo todo dia de quando eu vi ele deitado na cama ali agonizando, de ter chamado o SAMU”, ô, Nilda… [risos] Aí também não, né? [risos] “Devia ter deixado morrer”. [risos] É errado, Nilda, é muito errado. —
Então, ele se reabilitou, agora ele que viva a vida dele… Porque ele se arrastava dentro de casa. Se não fosse a Janete falar que tinha visto ele na rua andando bem melhor e ela não sabia… A manicure não sabia de amante, nada, ela só não entendeu por que o cara se arrastava dentro de casa daquele jeito e na rua ele estava andando bem melhor, né? Ela ficou com essa dúvida. [risos] E aí por trás disso, a Nilda acabou querendo comprar esse carro que aí agora não comprou até hoje, porque os meninos ajudam ela a pagar a prestação da casa, enfim, não conseguiram comprar o carro, mas o carro também era mais pra levar o cara pra baixo e pra cima porque ele tem realmente a mobilidade reduzida, mas não tanto quanto ele estava aparentando, né? Então você vê, o cara esperto, ele queria ficar com os cuidados da esposa porque ela fazia tudo… A Nilda falou: “Andréia, até comida na boca dele eu dava, mesmo ele comendo com o garfo na mão direita que ele sempre comeu, eu dava comida na boca dele… Tinha dia que ele estava chateado, eu dava comida na boca dele. Vê se amante quis?”, a amante não aguentou um mês, foi fazer barraco lá na frente da casa da Nilda, falar que ia denunciar ela por maus tratos, por ter abandonado o cara na rua.
Falou: “Vai, eu não abandonei ele na rua, eu mandei ele pra sua casa. Você não tá com ele há anos? Ele não tá te comendo com o dedo aí? Então é isso”. Não dá para confiar, né? O cara doente continuou sendo traíra. O que vocês acham?
[trilha]Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, aqui é a Lorena, do Rio Grande do Norte. É por histórias como essa e tantas outras que as mulheres estão cada vez mais desacreditadas nas relações com os homens. Quando o cara realmente quer, ele se esforça, se movimenta, com bengala, mancando, mas ele faz acontecer e, quando não se importa, ele não tenta nem o mínimo… Não importa o quanto esteja magoando a sua companheira, o quanto ela seja compreensiva e que tenha diminuído para caber na caixinha dele. Nilda, que bom que você encerrou esse ciclo, recomeçou a sua história. Espero que sirva de exemplo para todas nós, que a gente pare de dar desculpas para a falta de ação dos homens. Não é sobre a gente, acho que isso diz muito. Enfim, um abraço.
Assinante 2: Oi, pessoal, aqui é a Deyse de São Luís do Maranhão. Mais uma vez um homem não surpreendendo de forma alguma que é: não valorizando a esposa que tem em casa. Uma esposa que até comida na boca dava pra ele quando nem tinha necessidade, porque a mão direita dele estava funcionando normalmente, né? E aí você vê que ele dava tudo, dinheiro, satisfação no sexo pra outra e para a mulher nada, ficava em casa chupando o dedo… E graças a Deus mais uma vez uma manicure aí nas histórias salvando uma mulher de um casamento falido.
[trilha]Déia Freitas: Wise Empresas é o primeiro e único provedor no Brasil a permitir que as empresas gerenciem seus ganhos internacionais em várias moedas, tudo em uma conta só e sem pagar taxas excessivas de conversão. Se você é PJ, tem uma empresa aberta aí em seu nome e tem clientes no exterior, abra agora a sua conta PJ na Wise Empresas. Wise Empresas, receba dinheiro, sem perder dinheiro. Clica no link que eu deixei aqui na descrição do episódio pra você saber mais. — Valeu, Wise, pela parceria aí de dezembro. — Um beijo, gente, e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]