título: aba
data de publicação: 21/11/2024
quadro: picolé de limão
hashtag: #aba
personagens: beatriz e amigo
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii… — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem está aqui comigo hoje é Liv Up. O primeiro publi deu tão certo que eles voltaram. — Sim, voltaram… — A Liv Up se orgulha de oferecer refeições congeladas saudáveis, de forma prática, com um cardápio incrível. — Inclusive tem aí refeições veganas e vegetarianas. — O mais importante: refeições completas. São marmitinhas, porções individuais com proteínas e acompanhamentos para complementar as refeições do seu dia a dia. Tem também docinhos e salgados para a hora que bater aquela fominha, sabe? Para você fazer aí vários lanchinhos durante o dia.
Todas as refeições da Liv Up são nutricionalmente equilibradas e feitas com ingredientes de verdade, sem aditivos e conservantes. Comida boa, comida de verdade, saudável, que cabe na sua rotina e o mais importante: cabe no seu bolso. A Liv Up tá com uma promo incrível na Black Friday. — Eu vou deixar o link certinho aqui na descrição do episódio e fica comigo até o final que tem sim cupom de desconto. — E hoje eu vou contar para vocês a história da Beatriz. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]Beatriz tem um amigo muito, muito, muito, muito amigo, assim… Sabe esses caras que você tem amizade de, sei lá, dez anos e vocês se dão super bem, vocês saem juntos, vocês marcam as baladas juntos, enfim… Férias de 2022, a Beatriz ela tinha acabado de pedir as contas do emprego dela, ela fez um acordo e o dinheiro que ela pegou ela usou pra poder terminar a casa dela com a mãe dela. Ela achou que ali onde ela estava de trampo já não estava bom, então foi uma coisa boa para ela ter feito isso, ter saído desse emprego. O dinheiro que ela pegou ela usou pra terminar a reforma da casa com a mãe e ela estava ali em busca de um outro trabalho — ali na batalha — procurando mesmo para poder se empregar novamente. Esse amigo da Beatriz falou pra ela: “Meu, a gente alugou uma casa na praia e cada um pode levar uma pessoa”. — Então, veja, sei lá, dez pessoas, alugaram uma casa e cada um podia levar um convidado. Então seriam 20 pessoas nessa casa, praticamente um BBB… [risos] —
E esse cara, que é super amigo da Beatriz, falou: “Você não quer ir comigo?”, ela falou: “Eu estou sem grana nenhuma e tal, né?” e ele falou: “Bom, a gente vai, você vai comigo no meu carro… Lá pra comer é o quê? É um macarrão, umas coisas… A gente já fez essa compra. Essa compra da casa, para todo mundo comer, então você não precisa se preocupar com isso e voltar você vai voltar comigo. Então, assim, a única coisa é que, sei lá, se você quiser comprar uma coisa na praia e tal, sei lá, tem que ter pelo menos esse dinheirinho, né? Mínimo”. — E aí, assim, eu, Andréia, não iria… Porque você viaja sem dinheiro na dependência dos outros é complicado, né? Porque a gente não sabe o que pode acontecer e você sem um real. — Então, Beatriz pegou lá 100 reais… — Eles iam passar dez dias… — Ela pensou: “Se eu gastar 10 reais por dia na praia, tomo um matte, como um biscoito e tal, volto pra casa”. — E a comida da casa, segundo o amigo dela, já estava comprada. —
Assim foi, Beatriz foi no carro com o amigo dela e tudo tranquilo, assim… Eles foram, chegaram na casa e, realmente, cada um tinha levado um convidado, mas assim a gente não sabe o combinado das outras pessoas com o convidado que levou. Eles chegaram ali era umas 09h da manhã, então já foram para a praia e voltaram só umas 16h da tarde. Beatriz já estava faminta porque, assim, não tinha nada de R$10. — Porque é tudo bem mais caro na praia, né? — Pegou uma batatinha dali — de alguém que estava junto, sabe? , ela meio que ficou beliscando a comida dos outros ali, né? Isso pra mim já é problemático. E ela falou: “Eu não gastei os 10 de hoje, amanhã eu tenho 20, dá pra eu comer alguma coisinha na praia”. — Então, veja, a cada dois dias só que ela ia poder comprar alguma coisinha na praia. — Bom, voltaram… Fizeram lá um macarrão que é o clássico da praia e todo mundo comeu e, terminando de comer, uma das meninas falou assim: “Bom, a comida de hoje a gente fez e tal, era o que a gente tinha combinado de trazer… Agora, pra amanhã, a gente vai se cotizar pra ver o que a gente vai comprar”. — Gente, eles compraram a comida só do primeiro dia ali… Dia a dia eles iam comprando a comida… O que eu acho meio burro, né? Porque você está na praia, você tem que perder um tempo pra ir no mercado? Mas tinha um cara lá no grupo que não ligava pra isso, talvez não gostasse tanto de praia, de pegar a grana e ir pro mercado. –
Eu acho realmente que o amigo dela não foi amigo, porque a partir do momento que você falou que ela não ia gastar e agora ela tem que gastar, o que você tem que fazer? A Beatriz ela não tinha levado dinheiro mesmo, né? Se eu que convidei e falei: “Olha, vamos que você não vai gastar, a comida já está paga”, eu vou ter que azeitar e entubar isso, então eu vou ter que pagar minha parte e a parte da minha amiga que eu convidei, vocês concordam? O cara ficou na dele, como se não fosse com ele… A hora que chegou ali na Beatriz, tinha que dar 30 reais, que eu acho que era a comida de dois, três dias… — Pelo menos não era só de um dia, né? — E ela deu 30 reais ali, tentando fazer conta, porque tinha bastante, mas tinha bastante, gente, então o dinheiro era também pra você comprar umas cervejas e tal… Acho que 30 é pouco, né, gente? Porque você vai beber vai comer… Pra 3 dias? Mas foi isso ali que foi combinado e ela deu… Ainda bem que ela deu. Ela tinha 100, então agora ela estava com 70.
Pra comer na praia já não ia dar, ela não levou uma bolacha… Porque você podia ter levado também, Beatriz, sabe? Uns pacotinhos de bolacha na mochila… — Porque aperta uma fominha… Um pacotinho de uva passa… Eu amo uva passa. Você já põe na boca ali já, é um docinho, [risos] já dá uma passada um pouco da fominha. — E ela ficou meio chocada e aí ela falou com o amigo dela, né? Porque é isso, eles são muito amigos, e aí o amigo falou para ela: “Mas eu falei para você trazer um dinheiro para comprar umas coisinhas”, umas coisinhas que seria na praia, né? Não ali. E ficou por isso mesmo… Eles queriam fazer passeios, a Beatriz não podia fazer os passeios porque ela não… — E também passeio aí eu acho que é supérfluo… — A Beatriz perguntou para o amigo se ele ia no passeio, ele falou que ia e ela ficou meio chateada porque só ia ficar ela na casa, e aí alguém falou para ela: “Aproveita então e já cozinha o macarrão, já vai fazendo as coisas”. — Gente, a Beatriz achou isso errado… Eu não achei errado, achei prático… Você não tem o dinheiro pra ir no passeio, você vai ficar na casa… Dá essa força, né? Já cozinha o macarrão da galera, vai fazendo ali… Quatro panelas que você cozinha de macarrão, você perde um tempo… E se tiver uma panela só… A cada oito minutos você vai fazendo ali, vai pondo nas travessas, sabe? Faz essa… —
Eu acho, assim, quando você está no coletivo, não importa se você gosta daquelas pessoas que estão ali ou se você não gosta, você tem que participar, tem que fazer também alguma coisa, porque senão o povo pega ranço de você, todo mundo pega. E aí eu não sei se o povo achou ela meio chatinha, como é que foi, começaram a cantar uma música e olhar muito para ela e rir, que é aquela música: [cantarolando] “Sai da minha aba, sai para lá”, sabe? Eu amo essa música… E aí ficavam as brincadeiras, assim, “Ah, sai da minha aba”, “tá na minha aba” e a Beatriz acha que esse amigo contou pra todo mundo ali que ela tinha ido na cola dele. Bom, ela deu 30 reais, 30 reais, 30 reais… Então Beatriz ficou com 10 reais, gente… E faltava ainda mais um dia pra eles voltarem. Faltando esse um dia, o amigo dela simplesmente virou para Beatriz e falou — vamos falar um lugar aí, Espírito Santo, sei lá — “Bia, eu resolvi que daqui do Espírito Santo eu não vou voltar, eu vou pro Rio com uma parte da galera daqui”. Ele não perguntou: “Você tá bem? Tudo bem?”, ele só falou isso.
E aí a Beatriz ficou em choque, falou: “Mas como que eu vou voltar?”, ele falou: “Tem uma galera aqui, vê se alguém vai subir também e pega carona”. — Gente, não foi esse o combinado… Mas é aí que eu falo, se Beatriz está um pouco mais preparada, o que ela faz? Pega a mochilinha dela e vai para a rodoviária, meu amor… Sem depender de ninguém. Já corta esse cara da sua vida. — A Beatriz ficou ali, em choque, ele saiu um dia antes do pessoal ir embora da casa… — Ele te falou no dia anterior: “Estou indo”, você tinha que voltar, você não tinha nem mais dinheiro. Não tinha como você ir com ele… O que você faz ali já naquela hora? Você já sai perguntando quem pode te dar carona. Porque, assim, não é uma questão de orgulho mais, você tem que meter o louco, sabe? Tem que ser cara de pau. — A Beatriz ficou quieta, ficou chateada, foi pra praia ali e não falou com ninguém. No outro dia cedo — que era o último dia, dia de ir embora, né? —, ela não sabia que horas eles iam embora, só sabia que aquele era o último dia. — Gente, o que você faz? 06h da manhã você tem que estar em pé, concorda? Você não sabe a hora que a galera vai embora. —
Beatriz acordou 09h da manhã e só tinha uma mina na casa. Eles já tinham arrumado tudo, eles já tinham limpado tudo… — Quer dizer, ela nem ajudou nisso. — E aí essa mina que tava lá, era uma mina que estava esperando o namorado dela que mora numa cidade vizinha vir buscar ela de moto… — E era pra cidade vizinha, quer dizer, não ia nem pro lado que a Beatriz ia. — E a Beatriz ficou com numa casa que tinha que desocupar até as 11h00 da manhã… — Você não acorda nove e pouco, Beatriz… No dia que você vai embora, que você não tem carona… — E ela não teve coragem de falar nada para essa menina, pegou a mochila dela e foi chorando pra praia com 10 reais… Aí também é a hora, gente, que você liga para um amigo, liga para sua mãe, liga para um parente, fala: “Gente, me manda aí 100 reais, 200 reais… Não sei quanto custa uma passagem de ônibus para voltar, né?”. Beatriz ficou na praia, na areia, chorando… — Chorando… — E algumas pessoas vieram e tal, e ela meio que não falou, né? E aí a Beatriz resolveu ir para a rodoviária com 10 reais… — Eu ainda sem entender o raciocínio da Beatriz, que já podia ter… Esse sofrimento já podia não ter passado… Já que você não ia pedir carona, ligasse para alguém da sua família, né? —
E aí a Beatriz, em vez de ligar para alguém da família, porque a mãe dela, como eu, tinha falado pra ela: “Não vá, você não tem dinheiro, não vá. A gente gastou tudo o que a gente tem nessa reforma, ainda estamos devendo… Não vá” e ela foi. Então ela não quis ligar para a mãe. E aí a Beatriz, da rodoviária, ligou para aquele amigo falando que não tinha conseguido carona, e aí ele meio aborrecido falou que era para ela ver lá no guichê quanto era a passagem, que ele ia mandar o dinheiro da passagem para ela. E, no fundo, ela escutou as pessoas que estavam com ele, que eram algumas pessoas daquela casa, cantando: “Sai da minha aba, sai para lá”. — O cara foi péssimo, mas Beatriz, não faça mais isso… Gente, é para todo mundo isso, não faz isso… Se não tem dinheiro para ir, não vá, porque você vai depender das pessoas e as pessoas são imprevisíveis, sabe? Então não faz isso… Vai numa outra vez, vai ter outra chance de ir para a praia, sabe? —
E aí ela se sentiu humilhada, porque realmente o cara foi péssimo e ela comprou a passagem e voltou… E depois disso o cara nunca mais falou com ela e bloqueou a Beatriz em tudo. — E aí eu não entendo também, porque assim, quem descumpriu o combinado foi ele, mas muita gente acha que a Beatriz, tipo, foi na aba mesmo, então aí o cara meio que se cansou aí. Uma amizade de dez anos, gente, acabar assim? Sendo que pra mim ele estava mais errado… Ela foi errada e tal de ir, mas você vai naquela confiança, é seu amigo, né? Que convidou… Não foi ela que se ofereceu para ir, né? Foi ele que convidou. Então pra mim ele é o errado 100% dessa história, né? Ela só confiou no amigo e tal e foi na aba, mas o cara falou: “Vem”, entendeu? Bateu no peito e falou: “Joga pro pai”. Então, assim, se ele chamou essa responsabilidade para ele, ele tinha que arcar com ali até o fim, é o que eu penso. — E aí uma amizade de dez anos acabou assim, numas férias, que já no segundo dia a Beatriz já estava tensa porque tinha aquele rateio para comprar as coisas.
Ainda bem que ela levou 100 reais e deu, que era 30 reais a cada três dias ali, tipo dez por dia e tal. E no último dia sobrou uns dez reaizinhos ali, porque no último dia ninguém nem comeu lá, todo mundo foi embora cedo. Então, achei que faltou mesmo essa preocupação na Beatriz… Eu sou uma pessoa totalmente preocupada, eu já nem ia… Mas se eu vou e o cara falou pra mim: “Eu vou para outro lugar, você não tem como voltar”, eu já estava desesperado, desesperada… Não, a Beatriz foi para a praia, voltou, depois dormiu, acordou tarde… Então, assim, essa parte também não entendo. E é isso, a amizade deles acabou aí porque o cara fez um convite e depois pulou fora, né? Porque pulou fora. Você tem o compromisso, você levou a pessoa, você tem que trazer a pessoa de volta, gente, não é assim, não… Então, essa é a história aí da Beatriz, até hoje ela é muito sentida porque eles eram muito amigos e o cara apagou ela da vida, bloqueou ela em tudo. Quando ela chegou na cidade deles lá, que ela foi mandar mensagem falando: “Ai, eu cheguei, valeu pela passagem e tal”, ela já estava bloqueada em tudo.
[trilha]Assinante 1: Oi, Déia, oi, gente, aqui é Catarina, moro em Portugal. Bia, não é culpando você, até porque para mim o é responsável seu amigo, mas eu fico me perguntando até onde a gente se coloca nas situações. Primeiro que não era nem para você ter ido, né? Mas uma vez que você foi e você viu no dia seguinte que você já deu R$30 para uma comida que já é fora do combinado do cara, era para você no dia seguinte pegar os 70 que sobraram e ir para a rodoviária. Não era para você ter se submetido ao resto. Não vou nem entrar no mérito de não buscar caronas, de não acordar mais cedo, de não procurar e ainda de ter aceitado calada todas as piadinhas. Mas você poderia ter tomado a atitude antes. A gente também tem responsabilidade… Não é culpa, mas responsabilidade. Se cuida, um beijo.
Assinante 2: Oi, Déia, oi, nãoinviabilizers, eu sou o Iago, de Fortaleza. Enquanto eu estava ouvindo a história, eu alternei muitos momentos em que eu ficava do lado da Beatriz e que eu ficava do lado do amigo dela… Mas eu concordo muito que se você não tem condição de ir, não vai, sabe? Porque a pior coisa que existe no mundo é você depender de alguém para alguma coisa, sabe? Eu também acho que o combinado não sai caro e o que o amigo dela fez foge total de qualquer padrão de normalidade, né? O cara tinha combinado uma coisa, que ia com ela, que ela não precisava pagar, então ele deveria ter assumido tudo. O conselho que eu dou para a Beatriz é não ficar mal com esse afastamento, porque se o cara que foi capaz de fazer isso, sabe, de não se importar se ela não tinha dinheiro, de ir embora e deixar ela lá, é uma amizade que, de toda forma, já não ia valer a pena. Um beijo, gente.
[trilha]Déia Freitas: Não esquece: A Liv Up oferece opções de marmitas congeladas verdadeiramente saudáveis, com ingredientes frescos e naturais, sem conservantes, feitas especialmente para você que não abre mão de se alimentar bem. São mais de 40 sabores de marmitas. — Sério… — Das combinações aí mais tradicionais até as diferentonas… E tem também as opções sem carne, né? — Pra mim, amo… — E para os ouvintes aqui do podcast Não Inviabilize, usando o nosso cupom: NAOINVIABILIZE — tudo junto, sem acento, em maiúsculas —, você ganha 15% de desconto na primeira compra. É só acessar aío link que eu deixei aqui na descrição dos episódios. — Liv Up, eu te amo. — Um beijo, gente, e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta][cantarolando] Sai da minha aba, sai pra lá, sem essa de não poder me ver… Sai da minha aba, sai pra lá, não aturo mais você… Sai da minha aba, sai pra lá… Pior que até a Beatriz gosta dessa música também, né, Bia? [cantarolando] Da minha aba, da minha aba, da minha aba, tam tam, da minha aba.