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título: apoio
data de publicação: 28/11/2024
quadro: picolé de limão
hashtag: #apoio
personagens: fernanda, jéssica e dona mirian

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não estou tô sozinha, meu publiii… — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem está aqui comigo hoje é a Azul Linhas Aéreas. [efeito sonoro de avião decolando] —Amo… — A Azul é a maior companhia aérea do Brasil em números de voos e em cidades atendidas. São cerca de 1000 voos diários para mais de 160 destinos. E a Azul convida a gente para refletir sobre como vivemos a vida no modo rotina. Sabe aquele ciclo que parece que não tem fim, onde os compromissos e as responsabilidades ocupam o nosso tempo todo? Que tempo que sobra pra gente descansar, pra gente arejar a cabeça um pouco? 

O final do ano está chegando e nada melhor do que a gente tentar tirar um tempo pra descansar, aproveitar os momentos de lazer e também fortalecer aí as nossas conexões. A vida é muito mais do que só trabalho e correria diária. — A gente sabe que é difícil, mas a gente tenta, né? — E a Azul está aqui pra te ajudar a desativar o modo rotina e ativar o modo Férias Azul. — Amo. — Você quer saber como ativar o seu modo Férias Azul? Fica aqui comigo até o final do episódio e, enquanto isso, vai navegando aí no site da Azul e conhecendo os destinos, voeazul.com.br. — Você vai se surpreender de verdade com os pacotes e os benefícios de voar com a Azul Linhas Aéreas. — Hoje eu vou contar para vocês a história da Fernanda. Então vamos lá, vamos de história. 

[trilha] 

A Fernanda cresceu aí numa família, ela, Dona Mirian — sua mãe — e sua irmã Jéssica, as três. Então, sempre foi tudo muito difícil ali para Dona Mirian criar a Fernanda e a Jéssica, tudo muito duro… Ela saía para trabalhar, a Fernanda é mais velha, tinha que olhar a Jéssica, enfim, ela cresceu ali no perrengue… Quando as duas já estavam crescidas e trabalhando, era uma época que não era tão fácil de se fazer faculdade, então nenhuma das duas fazia a faculdade, só trabalhavam, Dona Mirian infelizmente teve um derrame, ficou uns dias internada e faleceu… Uma tinha 17 e a outra tinha 22, que é a Fernanda. A mãe faleceu, foi aquele baque, ficou só as duas… Elas moravam de aluguel e tiveram que ir pra uma casinha menor, as duas trabalhando ali, aquela batalha… — E sempre foi aquilo, né? As duas, só as duas… — E a Fernanda sempre teve para si que ela nunca ia querer ter filhos, porque ela praticamente teve que ajudar a cuidar da irmã e viu o perrengue que a mãe dela passou, então ela nunca quis ter filho… Por outro lado, a Jéssica sempre quis ter uma família, sempre quis ter marido, filhos e nã nã nã…

O tempo foi passando, as duas foram trabalhando, trabalhando, trabalhando, pagando aluguel — sempre — e resolveram dar entrada num apartamentinho no nome das duas, tudo certinho, pagando prestação… — Aquela luta, gente, você compra um apartamento e, sei lá, 30 anos para pagar… — E aí uma luta, um perrengue… E a irmã vendo aquele sonho dela de casar e ter filho ir embora, assim, porque às vezes, gente, às vezes não acontece… Às vezes a pessoa não casa porque não quer e às vezes não casa porque, sei lá, é da vida, não casou, né?  — Eu sempre falo que as pessoas não podem resumir a vida delas num único sonho… Você teve o sonho de casar e ter filho e não rolou, mas que outras coisas você fez? Que outras coisas você pode fazer? A vida não pode se resumir a uma coisa só, né? — E a vida da Jéssica foi passando… A gente está falando agora de pós pandemia já. A Fernanda com seus 43, a outra com 38 para 39… Jéssica se viu ali num ponto de falar: “Se eu não engravidar agora, eu não vou conseguir mais” e um desespero para ser mãe e para casar, enfim…

Arrumou um cara, casou, botou esse cara dentro de casa… — De fato, nem casou, juntou… — Então a Fernanda já teve que aguentar isso, porque, assim, as duas pagam a casa das duas, né? Então, a Jéssica também tem direito. Então a Fernanda já teve que aguentar um cara que ela nem curtia tanto dentro de casa e, assim que a irmã engravidou, porque era um projeto de vida dela, o cara, ó, deu no pé, foi embora… Aparecia muito raramente. O bebezinho nasceu, [efeito sonoro de bebê chorando] ele registrou, ele paga 300 reais de pensão, não pega a criança nunca… E a criança já tá agora com dois anos — fez dois anos naquele rolo da pandemia, enfim — e agora a Jéssica acha que a criança é da Fernanda também. Às vezes a Jéssica quer sair e ela já faz planos pensando assim: “A Fernanda vai ficar” e a Fernanda ela não tem o menor interesse… Ela falou: “Andréia, eu amo o meu sobrinho, mas eu não vou… Eu não vou entrar num esquema de ter agenda para o meu sobrinho”.

A Jéssica conta como rede de apoio com a irmã, mas ela falou: “Em nenhum momento ela parou para pensar no que eu queria, que eu já não quis ter filho para não ter dor de cabeça, para não ter que cuidar de mais ninguém, porque eu já cuidei da minha irmã…”. E, nesse meio tempo, a Fernanda conseguiu fazer uma faculdade e a Jéssica não, e agora ela tem essa oportunidade de fazer uma faculdade, né? Com bolsa e tal. Ela quer ir depois do trabalho à noite, então, assim, a criança fica na creche e depois a noite a Fernanda vai ter que buscar e ficar com a criança. E aí a Fernanda falou: “Escuta, pode parar… Não me inclua na rotina do seu filho. Eu não vou ser o seu marido, eu não vou fazer parte da criação do seu filho, de levar, buscar e ficar… Não vou, não quero”. E aí, falando assim, a Fernanda soa como um monstro, né? “Como assim você não quer dar o suporte pra sua irmã que é mãe solo?”, mas foi ela que quis, sabendo de todos os perrengues que ela ia aguentar… — Porque o cara já não era decente, sabe? —

Quando ela foi por dentro de casa, a Fernanda falou pra ela, falou: “Você sabe que isso não vai durar, você tá vendo…”, mas ela tinha um projeto, ela queria ter um marido nem se fosse só por um tempo e ter um filho. E agora a Jéssica incluiu 100% da Fernanda na rotina dela. E aí agora a Fernanda, que sempre teve uma vida sossegada — quer dizer, depois que cresceu adulta, sossegada do tipo: não tem criança —, a Fernanda está pensando em pedir uma transferência da empresa dela, tipo, do Sudeste que ela trabalha para o Nordeste, que é onde a empresa tem filial e que ela sabe que ela vai conseguir, para única e exclusivamente não ter que ser a babá do seu sobrinho e poder levar a vida dela. Mas ela falou: “Andréia, não é justo comigo também, que eu tenho toda a minha vida aqui… Eu não consigo comprar outra casa, a gente não pode vender essa casa porque a gente está pagando as prestações, né? E minha irmã também nunca vai topar, porque é das duas ali, né? Então eu teria que fazer esse bem bolado de ir, continuar pagando a minha parte da parcela sem morar na casa, me enfiar num aluguel porque a minha empresa não vai pagar uma casa para mim em outro estado, eu que estou pedindo a transferência… Então, quer dizer, eu vou ter uma vida mais apertada economicamente, mas eu vou me livrar dessa obrigação que a minha irmã e praticamente todo mundo que tá em volta acha que eu tenho obrigação”.

E aí a Fernanda diz que ouve muito das pessoas assim: “Ah, mas você precisa ver que ela não tem ninguém, ela é sozinha com a criança” e falou: “Tudo bem, mas ela já sabia disso… E ninguém vê o meu lado? Que eu não tenho interesse em criar a criança? Eu detesto trocar fralda… Tive que trocar muita fralda do meu sobrinho porque ela acha que eu… Sabe? Que eu que eu tenho que estar nesse projeto dela. Filho é um projeto dela, não é meu. Por mais que eu ame o meu sobrinho, é meu sobrinho, quero, sei lá, pegar ele uma vez por semana e levar para tomar um sorvete. Eu não tenho que ter essa obrigação com o filho da minha irmã e ela acha que eu tenho”. Então, a Fernanda está muito revoltada porque, assim, primeiro que as pessoas não entendem, todo mundo acha que ela é uma pessoa ruim e não, ela dá o suporte… Por exemplo, ela paga umas coisas do sobrinho e tal, é o suporte que ela quer dar, né? E a irmã não… A irmã quer o suporte da presença, de cuidar… Gente, desculpa, mas eu achei surreal também ela querer fazer uma faculdade e achar que de segunda à sexta—feira a Fernanda tem a obrigação de pegar a criança na creche, ficar com a criança até 23h da noite. Porque pega na creche, tem que dar comida, tem que dar banho, tem que trocar… Ô, gente… 

“Ah, mas é a oportunidade que ela tem de fazer a faculdade”, ela tem filho… Ela optou, não optou? Ela não escolheu? Então, nesse ponto, eu concordo muito com a Fernanda… Mas eu acho também que a Fernanda poderia, sei lá, fazer umas concessões, mas ela disse que a irmã não tem limites assim… Então ela já tentou fazer um pouco, mas não, a hora que ela viu, ela já está atolada, já está com a agenda da criança, fazendo coisas da criança. A Fernanda tá seriamente pensando em ter uma vida pior financeiramente, porque ela vai ter que pagar um aluguel, vai ter que sair da própria casa, vai ter que deixar os amigos que ela curte, as coisas que ela faz pra ir trabalhar em outro estado apenas para não cuidar do sobrinho o tempo todo. E aí a irmã está muito revoltada porque ela vai perder a oportunidade da faculdade… Ela tinha que já estar começando, né? Já ter mandado documentação, ia a pagar só uma parte, enfim… E não vai fazer, porque a Fernanda falou: “Não, não vou… Não vou buscar na creche… Não vou ficar até 23h todo dia para você estudar. Sinto muito”, “Mas como que eu vou conseguir estudar?”, “Não sei, você paga uma babá, leva na faculdade, enfim…”.

É muito triste também você não ter uma rede de apoio, mas a Jéssica sabia já de como a Fernanda queria levar a vida dela, ela falou: “Andréia, não é justo eu ter que interferir nos meus planos. Teve umas férias aí que a minha irmã tirou e queria ir com as amigas uma semana para Porto Seguro e eu falei: “Tá, e quem é que vai ficar com o bebê?”, “Poxa, como assim você não pode ficar para mim?” e ela falou: “Não, não vou ficar uma semana, não vou ficar uma semana… Desculpa. Leva ele junto. É seu filho, leva ele junto pra Porto Seguro”. Então, gente, assim, eu não sei… Eu entendo muito o lado da Fernanda, acho que ela podia ser um pouco mais maleável, Eu falei pra ela: “Você mudando de estado, a sua família… Sua única família é sua irmã e seu sobrinho, então você vai ser muito distante deles assim, né? Então pra você isso compensa? Ficar longe da única família que você tem sendo que você podia ficar aqui, tentar situar a sua irmã?”, mas ela falou: “Andréia, eu já tentei, eu já falei com todas as letras, eu já… Mas ela marca as coisas e depois ela deixa o bebê”, que gente pode dar o nome aqui de “Davi”. “Ela deixa o Davi e sai… E não é que ela faz isso sempre, ela é uma boa mãe… Mas ela precisa entender que eu não faço parte desses planos, assim. Teve um sábado que eu queria ficar em casa, fazer minha unha, fazer cabelo, fazer essas coisas, ela sabia que eu ia ficar em casa, mas eu ia ficar em casa pra fazer minhas coisas, né? E aí ela deu no pé, saiu, me deixou com o Davi e, assim, a gente sabe como é criança, né? Não dá para você parar e fazer suas coisas… Você tem que ficar de olho, você tem que entreter, você tem que dar jantar… Depois o bebezinho faz cocô, você tem que limpar, você tem que dar um banho… Então, assim, o único sábado do mês que eu tinha pra mim, pra eu fazer minhas coisas, pra pintar a raiz do meu cabelo, para fazer minha unha, eu não consegui fazer porque a bonita saiu… Saiu. Chegou só no outro dia”.

Então, ah, foi se divertir um pouco? Foi espairecer um pouco? Mas, gente… Ao mesmo ponto que a irmã está revoltada que não vai fazer faculdade, a Fernanda está revoltada porque para ela poder ter paz, ela vai ter que mudar completamente a vida dela. Porque ela não quer ser parte ativa na criação do sobrinho. Ela quer ser a tia legal que vê uma vez por semana, sabe? Só que elas moram juntas, né? Então é mais difícil… Então, não sei, gente, como eu não tenho filho e não tenho essa questão na minha vida, eu fico muito dividida… Porque ao mesmo tempo que eu entendo que a Jéssica merece sair, passear e tal, eu entendo também que a Fernanda não queira ser esse apoio, essa rede de apoio da irmã com o sobrinho… Ainda mais que é uma coisa constante assim, né? E o que a Fernanda falou: “Andréia, porque assim, a gente divide a casa, mas a partir do momento que tem uma criança na casa, tudo passa a ser em torno da criança… Então todas as portas, geladeira, tudo tem aquela coisinha para não abrir… E aí tem brinquedo pela casa toda, e aí ele risca as paredes… Quer dizer, o apartamento também é meu e parece que tudo é dela agora, porque ela tem um filho, ela tem prioridade em tudo e eu estou aqui vivendo só um pouco. Então, assim, a minha ideia é e eu até falei pra, falei: “Vamos ver o que a gente consegue fazer com o financiamento e, de repente, cada uma pegar a sua parte e comprar sua casa, porque depois que o bebê nasceu…”. 

E, gente, criança em casa realmente a rotina vai mudar, não tem como a Fernanda ter a rotina que ela tinha antes quando não tinha bebezinho, né? É uma alegria na casa? Eu acho, é uma alegria na casa, Mas também tem todo esse outro lado, né? Então Fernanda está errada? Fernanda é um monstro? Não acho que ela é um monstro. Acho que ela poderia fazer uma concessão ou outra? Acho. Mas como ela disse: “Andreia, só quem convive sabe. Só quem tem a convivência do dia a dia com a minha irmã sabe o jeitinho que ela faz as coisas… A hora que você vê, você já está levando a criança pra creche, já está sem seu espaço na geladeira pra por nada, porque ela já utilizou tudo pra pôr coisa da criança e ela faz os planos todos envolvendo você cuidando da criança”. O que vocês acham?

[trilha]

Assinante 1: Oi Déia, oi, pessoal do Não inviabilize, aqui é a Milene, de Toronto, Canadá. Fê, eu entendo muito o que você está passando, eu cuidei de duas irmãs pequenas também, com diferença de idade de 20 anos e mais, então eu entendo mesmo que não foi uma escolha sua e como isso afeta a sua vida pessoalmente, mas eu acho que essa mudança de vida drástica que você quer fazer cabe uma conversa antes. Até agora você e sua irmã se deram super bem… A infância de uma criança ela dura tão pouco… Eu sei que você tem um amor excepcional pelo seu sobrinho, que você quer o melhor para ele, mas acho que numa conversa você consegue explicar para sua irmã até onde você está disposta a cuidar do seu sobrinho. Desejo mesmo que vocês se resolvam, que as coisas se resolvam para você e que antes de tomar qualquer decisão, uma boa conversa vale mais que tudo. Um beijo. 

Assinante 2: Oi, Déia, oi, nãoinviabilizers, aqui é a Kalinka de Três Barras, no Paraná. Fernanda, concordo com 100% o que você pontuou e fiquei pensando por que você não sugere para a Jéssica fazer nesse primeiro momento uma faculdade online? Tem muitas opções e iria achar um ponto de equilíbrio, tanto para você que não quer se responsabilizar tanto assim pelo Davi quanto para a Jéssica, que não vai ter necessidade de ir presencialmente para a faculdade todos os dias da semana, né? E também, eventualmente, quando o Davi crescer, depois ele se tornar mais independente, ela vai poder fazer essa faculdade presencial, né? Não vai impedir que ela siga esse sonho dela de graduar. 

[trilha] 

Déia Freitas: Se você quer ativar o seu modo férias, mas não sabe por onde começar, a Azul te oferece a experiência completa, desde o aéreo, hospedagens, transfers e muito mais. — Eu sou testemunha da Azul e, gente, é babado, é muito bom. — Você consegue comprar o aéreo, as hospedagens, o transfer, sem contar aí a variedade de destinos, são mais de 160 opções para você escolher onde vai curtir as suas férias e a experiência azul começa antes mesmo da chegada. A magia acontece desde o embarque, já que a Azul conta com uma equipe especializada em pessoas, para você curtir a sua viagem da melhor forma. — Valeu, Azul, tô sempre voando por você aí. — Um beijo, gente, e eu volto em breve. 

[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]