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título: aranha
data de publicação: 19/01/2026
quadro: especial de férias – 2025
hashtag: #aranha
personagens: joaquim

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Especial de Férias, Não Inviabilize [vinheta]

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais uma história do nosso Especial de Férias. E hoje eu vou contar para vocês a história do Joaquim. Então vamos lá, vamos de história. 

[trilha]

O Joaquim se juntou aí com uma galera e alugaram uma casa para passar aí o final de ano na praia. Eles ficariam na praia dez dias… Fizeram um grupo para decidir como que ia ser feita a compra… — Se cada um ia levar uma coisa ou se ia juntar o dinheiro e uma pessoa comprava… — E um casal lá se ofereceu para pegar o dinheiro de todo mundo e comprar as coisas para comer, fizeram uma lista lá pra 16 pessoas — deu uma grana, porque, gente, pra alimentar 10 dias 16 pessoas, vai dinheiro, ninguém querendo gastar com coisa de praia ali, até coisa pra churrasco levaram, enfim, né? Era pra comprar um monte de coisa — e esse casal foi no mercado, comprou todas as coisas e, no dia, cada um ali foi com o seu carro… Então tinha carro que tinha quatro pessoas, outro tinha dois e tal e esse casal estava sozinho no carro, uma vez que as compras todas estariam no carro deles ali e ia ocupar todo o carro. 

A casa foi cara, quem alugou a casa foi o Joaquim, mas ele falou: “Andréia, eu sou esperto também, a gente combinou todo mundo de ninguém passar o cartão para ninguém… Então, todo mundo depositou na minha conta e eu depositei na conta da pessoa da casa e era uma casa que eu já tinha ido, que eu conheci os donos, então não era golpe”. E o pessoal foi chegando, foi se acomodando e o casal ali que tinha feito a compra demorando… Demorou, demorou, demorou, enfim… Chegou o casal com a compra ali, né? “Ah, então vamos lá, todo mundo ajudar a esvaziar”. Quando chegaram no carro do casal, eles estavam com uma cara, assim, péssima e sem brincadeira: tinham 12 pacotes de macarrão, dois fardos de salsicha e dois pacotinhos de pão de forma.  —Gente… [risos] Cadê o café, cadê o leite, cadê? Até o molho, se for fazer macarrão e salsicha só, não tinha molho… Eles só trouxeram isso. —

E o dinheiro que foi arrecadado, eles colocaram na lista: “picanha”. — Gente, foi uma grana… — E aí o casal começou a falar que quando o dinheiro entrou na conta deles, eles estavam devendo e aí o banco comeu o dinheiro deles, que não era deles, né? Era dos outros e eles não tinham dinheiro pra comprar as coisas. — Só que assim, se você sabe que a sua conta tá negativa, como é que você vai falar que você que vai comprar as coisas? Não tem como, gente… — E começou uma briga, gente chorando, gente gritando, enfim, não tinha nada, eles tinham colocado na lista leite, café, bastante pão de forma, não dois pacotes, são 16 pessoas por 10 dias… Então eles fizeram um cálculo ali, gente, foi uma grana, uma grana… E eles gastaram tudo ou, sei lá, cobriu a conta… E aí, começou uma briga… Até, assim, alguém lá de trás jogou uma cadeira de praia. [risos] — Eu amo cadeirada. [risos] —

E aí o casal também começou a rebater e a briga foi ficando séria — e aqui eu acho que a gente vai entrar numa zona cinza —, o Joaquim me disse, que vale salientar, que ali, naquela turma, não tinha nenhum bandido, [risos] não tinha ninguém violento, mas tendo em vista que a casa era uma casa muito afastada e teria que andar, sei lá, uma hora para achar um mercado grande e imagina as filas, né? Nessa época de festa, Ano Novo, a galera foi ficando enlouquecida… Porque de qualquer forma, eles teriam que ir no mercado, mas e agora, com que dinheiro? Se todo mundo deu a grana ali. Como esse casal começou a ficar arrogante, chegou uma hora que alguns caras que estavam ali pegaram esse cara e falaram para ele: “Olha, você tem duas saídas: Você vai entrar agora no site do seu banco e devolver o dinheiro para a gente ou eu vou botar fogo no seu carro… Com salsicha, com tudo dentro”… Enquanto um falava isso, o outro foi lá pegar uma mangueirinha dentro do carro para tirar a gasolina… 

E aí o cara foi ficando assustado, porque ninguém ameaçou ele, nem a esposa, mas falaram que iam sim botar fogo no carro dele, e ele falou: “Meu carro não tem seguro”, uns já gritavam: “queima, queima”, olha que perigo, gente… E o Joaquimestava paralisado, só vendo o que ia acontecer. E aí o cara entrou no aplicativo do banco e realmente ele não tinha dinheiro na conta e os caras falaram: “Faz um empréstimo… Vê aí, tem limite de empréstimo” e tinha… E aí, o que fizeram? Porque eles fizeram um rateio, né? Então, digamos que, sei lá, deu mil reais cada um… Então, ele falou: “Você tira os seus mil reais, eram 16 pessoas, então 15 mil, você vai passar para a conta do Joaquim”, aí o Joaquim: “Para mim?”, ele falou: “É, porque a gente passou o dinheiro da casa para você e não teve problema, então ele vai fazer o empréstimo para você”. E o Joaquim ficou preocupado, porque falou: “Depois já pensou se o cara faz uma queixa, alguma coisa e o dinheiro está na minha conta, né?”. 

E aí o cara fez o empréstimo, conseguiu ali transferir o dinheiro para a conta do Joaquim e estava todo mundo tenso, porque não era um valor pequeno, talvez não desse, mas ele conseguiu ali, transferiu o dinheiro para a conta do Joaquim e a galera falou: “Agora você pega o seu carro, seu macarrão, sua salsicha e vaza”. — Iam botar fogo no carro do cara? Joaquim disse: “Andréia, sinceramente não sei, capaz que iam sim, porque todo mundo estava muito puto, muito revoltado”. Joaquim falou: Em nenhum momento ameaçaram nem ele e nem a esposa, mas o carro eu acho que eles iam botar fogo sim”. Assim que o cara saiu de lá, não sei se ele ligou para o banco, o Joaquim não sabe se foi o banco dele que segurou a transação… Quando o Joaquim olhou na conta, estava estornado o valor… O valor entrou na conta dele, ele conferiu, passou ali 10, 15 minutos, estornou o dinheiro da conta dele. — E aí, gente, este povo enlouqueceu… —

E, você sabe, eu tenho muito medo de pessoas confinadas, porque era um lugar longe, né? Junto, assim. Porque dá uma hora que, sei lá, se um fica nervoso, todo mundo fica nervoso e, sei lá, rola uma besteira, né? Ou uma violência, sei lá. E aí o Joaquim pegou o telefone e ligou pro cara e o cara atendeu e já atendeu gritando, xingando: “Eu quero que vocês vão se foder, bando de filha da puta. Eu não vou dar dinheiro nenhum” e o Joaquim, assim, chocado, colocou até no viva—voz pra galera ouvir, né? E aí uma das meninas, que a gente pode chamar ela de “Fernanda”, enquanto ele tava gritando, ela botou o celular dela perto e começou a gravar. E o Joaquim falava: “Mano, você pegou nosso dinheiro, você pegou nossos 15 mil e deu no pé e agora você fez um estorno, cara? Que que é isso?” e ele falou: “Fiz mesmo, vocês são um bando de filha da puta que não sei o que lá”, a Fernanda gravou tudo…  E aí assim, eles estavam na praia, a salsicha tinha ido embora no carro do cara [risos] e agora eles teriam que ir no mercado com um novo dinheiro, cada um botando um pouco para comprar o mínimo para comer.

Eles iam passar dez dias ali comendo não da maneira que eles queriam, porque todo mundo já tinha dado a grana, né? E não era um conhecido, era um parça da galera, um amigo realmente, assim… E o cara realmente pegou essa grana e depois quis, tipo, “ah, morreu o assunto”, só que no grupo ali tinha três advogados… Eles acabaram conseguindo fazer um BO de apropriação indébita e depois entraram com um processo e, cara, assim, se dedicaram… [risos] Se dedicaram até que o cara pagasse… E ele teve que pagar a dívida e as custas do processo, mas demorou, assim, tipo, anos, sabe? E aí o Joaquim me escreveu porque ele falou: “Andréia, eu não consigo entender… O cara, sabe, nossa amizade, todo mundo muito unido. Como que por causa de 15 conto, que era uma coisa que assim, se ele falasse: “Gente, estou passando necessidade, preciso de 15 conto, a galera ia se organizar e ia ou dar ou emprestar o dinheiro para ele. Ele não precisava fazer isso. Por que ele fez isso?”. E depois, assim, só foram conversar com o cara na justiça e ele quis alegar que, realmente, porque todo mundo tinha os comprovantes, né? De depósito do dinheiro que foi dado pra ele. 

Ele quis alegar que ele tentou negociar pra devolver e ninguém aceitou, o que foi mentira, porque ele sumiu, né? E aí eu falei pro Joaquim: “Bom, Joaquim, passou anos, mas vocês receberam e tal dinheiro de volta… Mas me conta, como é que foi essa estada de 10 dias, né?” [risos] Eles compraram Pôneiojo, muito ovo para fazer ovo cozido, ovo mexido e tal… E na estrada, enquanto eles estavam voltando do mercado, eles compraram dois cachos de banana, eles falaram para o cara na ida e falaram: “Olha, a gente vai no mercado, quando a gente voltar, a gente quer esses dois cachos de banana” e compraram… Comeram miojo, ovo, banana, não compraram leite, só compraram café e um pacote de chá lá. E era isso, pão, ele falou que o pão que estava mais barato não era o de forno, era de cachorro—quente, e aí tudo fazia lembrar salsicha, mas não tinha cachorro—quente. Compraram tipo pão, compraram margarina e café e era isso… E aí eles vieram com os cachos de banana, colocaram lá na cozinha e tal e todo mundo arrasado, gente, porque você ia passar o ano novo comendo Pôneiojo. — E sem bebida alcoólica, detalhe… Tiveram que comprar ainda uns galões de água, porque a gente sabe que na praia às vezes a água não é boa… —

Isso tudo estava no orçamento daquela outra compra, né? E aí o Joaquim falou que um belo dia eles estavam lá, tipo, três dias, assim, de perrengue, já comendo mal… De repente, eles olham, assim, para do lado da pia da cozinha, uma aranha imensa, que provavelmente estava no cacho de banana… Aí, uma gritaria. [risos] Uma gritaria, gente, já chorando, falando: “Meu Deus, por que eu vim para cá?”, [risos] porque aí começa aquela descarga que dá no corpo… [risos] E o povo todo uns chorando, outros gritando… E aí não conseguiram matar a aranha porque ela pulava e aí com a vassoura conseguiram jogar a aranha para o lado de fora, que é onde tinha uma varanda gostosa com cadeira… Aí eles fecharam a janela, botaram um pano embaixo da porta e aquela porta dos fundos que dava para uma área gostosa nunca mais foi aberta. [risos] E a porta da frente eles também não deixavam aberta, porque achavam que a aranha podia dar a volta… [risos] Ai, perdão. [risos] 

E aí alguém falou lá que era uma aranha, sei lá, armadeira, sei lá, uma coisa assim… Uns falavam que era uma aranha inofensiva que só pulava, que só que era enorme e outros falavam que ela matava. Na dúvida, ninguém abriu mais a porta. Enfim, aí o pessoal que estava dormindo no chão não queria mais dormir no chão, por que e se a aranha achar um buraquinho para passar? [risos] Enfim.. [risos] Foi um final de ano péssimo, o Joaquim falou, péssimo… Ele tava com uma namorada que não gostava de pisar na areia, ele só descobriu quando chegou lá, então ela também fez da vida dele um inferno, ele falou: “Olha, foi um final de ano, assim, péssimo, a gente voltou pra casa, sei lá, no dia 6 de janeiro, ninguém, sabe, ninguém conversando, [risos] todo mundo mal”. [risos] E todo mundo sacudindo as coisas com medo de ter trazido a aranha na mochila, nas suas coisinhas, sabe? A aranha eu acho que deve ter ficado lá, né, gente? Porque atrás tinha um monte de natureza, uma varanda… A aranha ficou lá. A aranha foi a que mais [risos] teve a vida melhor. Um beijo, aranha. [risos]

Eles fizeram outras viagens? Sim, mas só assim, ah, onde tem hotel, cada um paga o seu hotel e vamos… Nunca mais fizeram esse tipo de viagem com rateio, com divisão de coisas. Todo mundo ficou traumatizado. [risos] Eu amei… [risos] O que vocês acham?

[trilha]

Assinante 1: Olá, nãoinviabilizers, me chamo Jéssica, moro no Recife e essa história é bem cabulosa, como se diz aqui, no sentido de que foram vítimas de estelionato, né? O que eles encorreram e aconteceu com eles foi um estelionato puro e simples, né? Mas a história ficou aqui pra ser contada, não é mesmo? [risos] Boa tarde, boa noite, bom dia pra vocês. 

Assinante 2: Oi, nãoinviabilizers, me chamo Daiane, sou de Morro do Chapéu, Bahia. Amigo, que cilada que esse cara colocou todo mundo e que falta de consideração… E o que eu mais achei surreal é a capacidade que ele teve de ter a cara de pau, de ainda ir para as férias tendo pegado, roubado o dinheiro da galera toda. Que cilada, hein? Meu Deus do céu, que horror. 

[trilha]

Déia Freitas: Gente, cacho de banana sempre tem aranha… É a casa delas. Ela mora ali. Você que é o errado, entendeu? Então a aranha só tava ali, sabe? Vivendo, fazendo as coisinhas dela de aranha. [risos] Eu amo… Bom, é isso, gente. [risos] Um beijo. Eu volto em breve. 

[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Especial de Férias é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]