título: avó
data de publicação: 15/01/2026
quadro: especial de férias – 2025
hashtag: #avo
personagens: nádia
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Especial de Férias, Não Inviabilize [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais uma história de férias. — Quem estava aí com saudade do Luz Acesa? Sim, ele chegou… — E hoje eu vou contar para vocês a história da Nádia. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]Nádia sempre teve uma família muito grande, vários tios, vários primos, a mãe dela, o pai… E, durante o final de ano, todo mundo gostava de viajar… Só que tinha uma coisa: Nádia tinha uma avó muito difícil, muito complicada. Nádia disse: “A minha avó ela atormentou muitas pessoas da minha família, ela era extremamente racista, não era uma pessoa bacana, mas ainda assim era um parente que a gente tinha que conviver”. Nádia morava nos fundos da casa da avó dela por parte de pai, pai branco, mãe negra… — Então vocês já viram, eu já contei aqui minha história para vocês. — Avó da Nádia não falava nem com a Nádia, nem com o Kleber, irmão da Nádia, nem com a mãe da Nádia, que a gente pode chamar aqui de “Marta”, enfim, com ninguém, só com o filho dela. Já era uma relação muito complicada, só que ainda assim, quando todo mundo ia viajar, alguém ficava para ficar de olho nessa avó.
Ver se ela estava bem, se ela não caiu, mas ela não deixava entrar na casa. — Então, veja que pessoa bacana… — Dessa vez, a galera tinha alugado um rancho, Nádia falou: “Olha, não vou, não sou a pessoa da montanha. Se fosse uma praia, a gente ia tirar aqui no dois ou um para ver quem ia ficar, mas como é um rancho, eu fico aqui, fico sozinha, fico de olho na vó, né?”, mesmo a avó aí sendo essa pessoa, sempre ficava alguém. Eram férias, era ali aquele período entre o Natal e o Ano Novo, então ela estava realmente em casa. Ou ela escrevia ou ela jogava um pouco, ou ela assistia um pouco de televisão. E sempre, da janela dela, ela via ou a avó ali olhando para ela feio pela janela, ou avó ali saía para varrer um quintal, fazendo as coisinhas ali que a avó fazia. Dona Marta tinha deixado várias coisas congeladas para ela comer no ano novo, porque a avó não ia dar nada para ela, do mesmo jeito que uma das filhas da avó, uma das tias da Nádia, tinha deixado tudo preparado para a avó.
Na véspera de Ano Novo, a Nádia fez uns pães de queijo e foi oferecer para a avó e a avó saiu ali na janela e falou: “Não quero, sai daqui”, era desse jeito… A Nádia voltou, comeu os pães de queijo, foi chegando a noite e ela resolveu tomar um banho, vestir uma roupa para passar o ano novo, mesmo que sozinha, mesmo que sem festa, sem nada… Esquentou as coisas que a mãe dela tinha deixado, o pai dela tinha deixado um espumante para ela, então ela estava feliz que ela ia poder tomar uma garrafa inteira de espumante sozinha… — Então assim, gente, estava tudo ótimo para a Nádia. — [efeito sonoro de fogos de artificio. — Quando deu meia—noite, muitos fogos, era uma época que ainda tinha horário de verão, então meia—noite ainda eram 23 horas… — Então, aqui em casa também a gente esperava dar uma hora para comemorar o Ano Novo, porque aí sim era Ano Novo, enfim, né? — A Nádia ficou esperando e, besse intervalo entre meia—noite e uma hora do horário de verão, ela escutou um estrondo, um barulho muito alto, assim, na casa da avó dela e ela correu lá, só que a avó dela não deixava entrar, ela falou: “Meu Deus, minha avó caiu, aconteceu alguma coisa”.
Nisso, a avó dela apareceu na janela e falou: “O que você quer?” e ela viu que a avó dela estava bem e voltou para casa. Deu uma hora da manhã, Nádia tomou o restante ali do espumante dela e foi dormir. No outro dia de manhã ela acordou e já era ano novo e sempre dá uma animada na gente assim, né? “Ai, dia primeiro…”. Ela tinha combinado de encontrar uma amiga e almoçar na casa da amiga para não ficar tão sozinha, né? E aí ela falou: “Vó, eu vou na casa da minha amiga, mas já volto”, porque ela ia tipo uma hora, quando era três horas, ela ia voltar pra vó dela não ficar sozinha. A vó dela só apareceu na janela e falou: “Tá bom” e Nádia foi, almoçou, preocupada com a vó, voltou, falou: “Vó, cheguei”, a vó só apareceu na janela, olhou feio pra ela e vida que segue. Nádia seguiu a rotina dela até o dia 10, quando a família voltou…
Quando Dona Marta chegou com o Kleber e o marido, os três viram a idosa na janela… Como que ela aparecia na janela? Sempre na janela de vidro com vidro fechado. A família da Nádia voltou, foram direto para a casa lá dos fundos, porque como ela não gostava da mãe da Nádia, da Dona Marta, enfim, vamos pôr um nome nesse pai, o “Seu José”. E aí o Seu José tinha a chave lá da casa, a Nádia também tinha, tinha uma chave da casa lá dentro, mas ela nunca usava, né? Ele foi lá falar “oi” para a mãe. Assim que Seu José destrancou a porta, o cheiro que saiu daquela casa era algo, assim, que não dava para explicar, um cheiro de podre… Ele não conseguia entrar na casa. Voltou para casa, pegou toalha, pegou pano. Nisso, Dona Marta já estava ligando para a polícia e a Nádia ali sem entender nada, porque ela não sentiu cheiro nenhum, mas a casa estava toda fechada e a avó dela realmente não saía, ela aparecia na janela com o vidro ali.
E veio a polícia, chamaram o carro de cadáver e a mulher tinha morrido… Ela tinha caído no box, tinha quebrado o box todo e ela tinha morrido de uma maneira muito horrível dentro do box… Só que assim que aconteceu o barulho, lembra? A Nádia foi lá e perguntou: “Vó?” e ela apareceu na janela e falou que estava tudo bem. Durante os dez dias, o que Nádia viu de uma rotina normal era, na verdade, o espírito da avó dela que permaneceu naquela casa até que os filhos fizessem o inventário e vendessem. E aí, eles se mudaram para outro lugar… — Nádia disse que a casa era muito boa, a casa que ela morava nos fundos também era muito boa e quem comprou, comprou para morar. Tipo, o casal morar na frente e a mãe da moça mora nos fundos. — O que ela ficou sabendo é que depois de um tempo eles venderam e o lugar virou tipo um ponto comercial, a casa foi demolida… Porque provavelmente a avó dela, que era péssima, tinha ficado lá dentro da casa. Nádia passou dez dias das suas férias vendo o espírito da vó dela, a assombração da vó dela, que aparecia várias vezes na janela de vidro, como sempre. Ela não fez nada de diferente, não assustou a Nádia, ela estava sempre de cara feia, como ela sempre fazia, não estava com uma cor diferente, não estava…
A Nádia falou: “Podia até estar um pouco diferente, mas eu reparava? Não, porque eu mal olhava para ela também, era só o meu papel, era saber se ela estava viva… E eu falhei no meu papel, porque ela morreu entre meia—noite e uma hora do dia primeiro, foi quando ela escutou o barulho que era dos vidros quebrando ali do box”. — Eu tenho pavor de box de vidro… É isso. — Essas foram as férias da nossa amiga Nádia, o que vocês acham?
[trilha]Assinante 1: Saudação aí pra todos os ouvintes do Não Inviabilize, meu nome é Bárbara, sou paraense, mas morando em Lima. Fiquei intrigada com o fato de o cadáver ter ficado inodoro, porque 10 dias? Não deu pra sentir um cheiro, não tava dando bicho? Nenhuma baratinha? Eu acho que essa casa é muito bem vedada, né? Eu até queria, inclusive, saber como foi feito esse projeto dessa casa, por que não passou nenhum bicho? Eu conheço a história de uma pessoa que morava vizinha de um apartamento, que tinha uma pessoa morta lá dentro e era insuportável a quantidade de bichos, baratas e o fedor… Enfim, fica aí o meu questionamento, né? E uma tristeza que essa senhora tenha sido uma pessoa tão ruim, a ponto da neta não poder entrar na casa pra verificar o que aconteceu.
Assinante 2: Oi, galera do podcast, eu me chamo Elizabeth, de Belém do Pará. E como umbandista, acredito que o fato que aconteceu com o espírito da avó se deu porque ele não sabia que tinha desencarnado. Isso acontece quando as pessoas morrem de repente, acidentalmente, por exemplo, que aquele espírito não é preparado pro desencarne, ao contrário de uma pessoa que morre por uma doença. É por isso que a avó continuou vagando, o espírito da avó continuou vagando ali pela casa, tendo a sua rotina normal, aparecendo pra neta do jeito que ela aparecia quando era viva, resmungando do jeito que ela resmungava quando era viva e ninguém percebeu que a avó já estava morta há tanto tempo.
[trilha]Déia Freitas: Um beijo e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Especial de Férias é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]