título: argentino
data de publicação: 12/01/2026
quadro: especial de férias – 2025
hashtag: #argentino
personagens: roberta
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Especial de Férias, Não Inviabilize [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais uma história do nosso Especial de Férias. E hoje eu vou contar para vocês a história da Roberta. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]Roberta conheceu um argentino muita gente boa… Sabe aquele cara engraçado? “Pero si, pero no”, [risos] amo… Um cara incrível, argentino. E eles começaram um pequeno flerte, até que esse flerte virou uma ficada e essa ficada virou um namoro. Acontece que o argentino tinha uma peculiaridade: Ele estava no Brasil para terminar aí alguns estudos, uma coisa que ele estava estudando, enfim, só que ele não tinha um trabalho. E aí, gente, vocês sabem o que eu penso da pessoa que começa um relacionamento sem um trabalho, sem uma renda… Como é que faz? Fica nas costas da outra pessoa, concorda? É diferente de você já ter um namorado, um marido, uma esposa, uma namorada, que durante o relacionamento perde o emprego. Lógico, um tem que dar força para o outro, mas nesse caso, você não conhece a pessoa, a pessoa fala: “Não estou trabalhando. Vamos namorar?”, você fala: “Opa, boa ideia, vamos namorar”?
Quando a Roberta começou esse namoro com o argentino, ele foi sincero e ele falou: “Olha, eu estou aqui terminando um curso que eu estou fazendo e tal, mas eu não consegui nenhum trabalho aqui no Brasil e é isso. Então, se você quiser ir numa lanchonete, alguma coisa, eu não tenho dinheiro”, ele foi sincero… A Roberta falou: “Não, tudo bem, eu pago”. Toda saída deles quem pagava era a Roberta… E isso começou a pesar, né? A pessoa da classe trabalhadora, você tem que tirar de uma coisa para botar em outra. E aí aqui a gente tem um fator a mais: O cara ficava incomodado dela pagar as coisas dele? Não, mas ele ficava incomodado que as pessoas vissem que era ela que estava pagando. Então, o que a Roberta começou a fazer? Ela passava o cartão para ele e ele fazia o pagamento. Com o cartão dela, com o dinheiro dela…
Ele se viu confortável nessa situação e quando deu mais ou menos uns dois meses e meio de namoro, ele perguntou se não poderia ficar na casa da Roberta, até terminar o curso. Tinha o quê? Mais uns oito meses de curso? — Ê, Roberta… É uma boa ideia, gente? — Roberta falou: “Ah, tudo bem”, porque aí ele estava morando numa república e quem estava pagando esses custos da república? Segundo ele, ele tinha um investimento na Argentina e esse investimento pagava alguma coisa e ele conseguia pagar ali esse pensionato, essa república masculina. Bom, o argentino foi morar então na casa da Roberta… E aí ele ajudava no aluguel, no condomínio? Não. A conta de luz aumentou? Sim. A comida aumentou? Dobrou, porque o bonitinho comia bem… E aí ela falou para ele: “Olha, pelo menos a conta de luz você pode pagar com o dinheiro que você economiza lá da República, né? Que você não está pagando mais” e aí ele falou: “Ah, então agora o meu investimento deu uma parada. [risos] Não está entrando nada de lucro. Então, infelizmente, não vou poder”.
Roberta gostando dele, achando que aquilo era só uma fase, porque ele também tinha uma conversa de que tinha um dinheiro dele para sair… — Sempre… Vocês já ouviram isso? Tem gente que sempre tem um dinheiro para sair. Tem um projeto para acontecer e a vida vai seguindo e a pessoa sem nada, sabe? A gente tem que começar a viver também hoje, né? Enquanto o seu projeto não sai, arranja um trampo, argentino. — Pesadíssimo para a Roberta, mas a Roberta amando, assim, o cara, fazendo até hora extra, pegando bico… — Isso que eu não entendo, a Roberta pegou um bico, por exemplo, de sábado, numa escola. Como chama esse tênizinho que bate na parede? É squash? Ela limpava lá, ajudava a ajeitar as bolas, essas coisas. O argentino não podia pegar também um bico desse para fazer uma graninha? Não pegava, falava: “Não me sinto confortável”. Agora, de viver nas custas dos outros, você se sente confortável, argentino? —
Roberta fazendo bico, trabalhando, fazendo hora extra para se bancar e bancar também o argentino. Até que chegamos às férias de janeiro… Quando foi dezembro, o argentino falou: “Olha, eu vou te levar para jantar que eu tenho uma coisa boa para te contar”. Argentino levou Roberta num restaurante legal, quase Natal ali e falou para ela que aquele dinheiro que tinha para sair, tinha saído. — Olha que beleza… — O dinheiro tinha saído, então ele estava com um cartão de crédito, gente, no nome dele. E ele pagou a conta do jantar ali do restaurante. E a Roberta, aí sim que o amor veio, [risos] porque o amor na dificuldade é um pouco mais complicado… Aí que o amor veio de vez. [risos] Ê, Roberta… Ela falou: “Nossa, agora ele vai pelo menos pagar as coisas dele… Ai, vai ser lindo o nosso amor”. Passou o Natal, ela ganhou uma bolsa linda dele de presente… Passou o ano novo e no ano novo ele falou: “Olha, eu tenho uma surpresa para você. Você vai conhecer uns amigos meus argentinos, eu aluguei uma casa em Balneário Camboriú e a gente vai passar lá 10 dias, tem os meus amigos, vamos alugar um barco, é uma casa legal”.
A Roberta estava encantada, além dele bancar tudo, ela ia conhecer os amigos dele, argentinos, eram dois casais que ela conheceu e amou os casais… E foi perfeito… Perfeito. — Voltou, assim, já com data de casamento marcada. — Sério, ele pediu ela em casamento em Balneário Camboriú. — E, não sei, Balneário Camboriú me exala uma energia, [risos] não sei, eu não gosto… Não sei explicar, assim, uma energia estranha, de AlphaVille, uma energia de AlphaVille, eu acho a energia que me passa, Balneário Camboriú. — Ela aceitou o casamento, eles voltaram em 14 de janeiro e esse cara falou para ela: “Olha, eu vou para a Argentina, vou pegar minhas coisas para voltar para cá, porque eu vou comprar um apartamento e a gente já casa assim que eu voltar”. Roberta maravilhada, já vendo como que ela ia fazer para pagar a multa do aluguel dela, né? Porque assim que ele voltasse, ele ia comprar um apartamento, eles iam casar, né? Morar no apartamento do cara. Então, ela estava já fazendo planos, né?
Ele foi para a Argentina no dia 17, quando foi no dia 19 de janeiro, ele parou de responder. Parou de responder, assim, do nada… E Roberta tentava, tentava contato e não conseguia mais falar com ele. O cara simplesmente desapareceu. E aí a Roberta, desesperada, não achava, não achava ele, não tinha… — Esse é o problema, né? O cara morava em outro país. — Ela não tinha contato, ela não trocou contato com aqueles argentinos e só ficaram ali de boa e tal, mas, enfim, ela não trocou contato, era muito tímida, mas ela gostou deles, mas ainda assim não trocou contato. E ela entrou em contato com o curso que ele fez e no curso… — Ninguém pode dar dados assim, gente. — O pessoal falou: “Olha, não posso nem te dizer se ele cursou aqui ou não, eu não posso nem consultar os dados de alguém para você”, enfim, não conseguiu nada. E aí ela começou a ficar desesperada e ele tinha levado as coisas dele, mas tinha ficado alguma coisa ali, uma coisinha ou outra.
A Roberta foi fuçar, tinha uma gaveta ali, tinha uma parte do guarda—roupa com umas gavetas e uma gaveta que ele tinha deixado algumas coisas, alguns papéis, de repente, ela achava algum documento, alguma coisa, né? Quando a Roberta mexeu na gaveta, ela achou uma carta daquelas que vem com o cartão no nome da pessoa e tal, só que estava no nome dela. Fuçando junto, ela achou uma segunda carta que era de um cartão adicional no nome do argentino… Só que ele tinha um nome comum, tipo, sei lá, Juan Carlos Rodrigues, sabe? Sabe todas aquelas contas que ele pagou? Ele tinha conseguido fazer uma conta bancária para a Roberta, ele não movimentou a conta, fazia tipo um mês e pouco que ele abriu a conta, ele pediu um cartão de crédito dessa conta, ele pediu um cartão adicional, que era o que ele usava e a Roberta disse: “Quando eu peço aumento de limite, eu não consigo, mas ele conseguiu um cartão com um limite de 10 mil reais”.
Ele conseguiu gastar 14 e pouco no cartão… Então, todo aquela iate, mulheres, [risos] lembra do pica—pau? Iate, casas, mansões… [risos] Tudo aquilo que ele pagou em Balneário Camboriú e no jantar que ele levou a Roberta, foi a Roberta que pagou. Com o cartão feito no nome dela, com os dados dela, com tudo dela, ou seja, o argentino sumiu, porque eu acho que ele imaginou que a Roberta ia descobrir, mas ela falou: “Andréia, eu só ia descobrir quando eu precisasse, sei lá, fazer alguma coisa que usasse meu nome, e eu ia descobrir que meu nome estava sujo. Sei lá, o banco, eu não tinha nem acesso a nada do banco, não fui eu que fiz essa conta” e Roberta está até hoje esperando o retorno do argentino que nunca mais voltou depois dessas férias e ela está na justiça contra esse banco, essa operadora do cartão, porque ela quer entender como ele conseguiu fazer essa conta no nome dela e o advogado falou que tem um agravante, que o agravante que complica um pouco para a Roberta é que, assim, não foi uma pessoa, um terceiro desconhecido que fez tudo isso, foi alguém que morava com ela. Então, eles podem alegar que ela estava junto, que ela, sei lá, de alguma forma participou e agora não quer pagar, entendeu?
E tem mais: Ela não conseguiu localizar o argentino ainda… Para poder responsabilizar o argentino de alguma forma, não conseguiu. Ela sabe que o nome dele realmente é Juan Carlos Gonzalez porque estava no cartão adicional, mas como ele sendo argentino, como é que ele conseguiu fazer um cartão adicional? Não precisa dos dados da pessoa fazer um adicional? Então, assim, agora ela está na justiça. Piores férias da vida da Roberta, ela disse. E sem contar o trauma, né, gente? Porque ela estava apaixonada pelo argentino, estava amando e o cara realmente sumiu, desapareceu e ela desconfia até que ele não tenha feito o curso, porque quando ela foi lá no curso, tudo bem que eles não podem dar os dados, nada, mas a moça, sabe assim, tipo: “Ah, um argentino? Tipo, tinha argentino aqui?”. Estranho, né? Mas, enfim, histórias de férias aí com golpe do argentino em cima da Roberta.
E até agora a Roberta tenta achar, ele não tinha… Detalhe: ele não tinha redes sociais. Ela tenta achar o casal, um dos casais nas redes sociais, mas também não encontra, enfim, gente… Roberta está aí agora, já tem uns anos essa história, mas está na justiça ainda, porque aí o banco enrola, faz um agravo de não sei o que lá e vai indo e ela pagando advogado para tentar resolver e a dívida que, sei lá, na época era 14 mil, se ela tiver que pagar, já está bem mais alta. O que vocês acham?
[trilha]Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, eu me chamo Wendel, sou de Manaus, Amazonas. E, Roberta, que trauma essas férias, viu? Essa história é um grande alerta pra que a gente lembre que a gente não deve confiar nem na nossa própria sombra, quanto mais em alguém que a gente acabou de conhecer, né? Lembra também a gente que o dinheiro conquistado através do suor do nosso trabalho é muito precioso, gente, e não deve ser compartilhado com qualquer pessoa, né? Eu espero que a Roberta consiga resolver essa situação aí na justiça, né? Se a justiça for falha, que a lei do retorno aí encontre esse argentino picareta aí. Um beijo e até a próxima.
Assinante 2: Oi, eu sou a Estela, moro em Basel, na Suíça. São muitas as histórias de mulheres dando chances para homens sem trabalho. que já tem aquela bandeira vermelha… Quando é que isso vai mudar? Não é possível que nós mulheres sejamos tão carentes que precisamos desse tipo de homens nas nossas vidas. É hora de dar um basta.
[trilha]Déia Freitas: Então é isso, gente… Um beijo e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Especial de Férias é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]