título: benzinho
data de publicação: 29/12/2025
quadro: especial de férias – 2025
hashtag: #benzinho
personagens: viviane
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Especial de Férias, Não Inviabilize [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para o nosso Especial de Férias. [efeito sonoro de crianças contentes] Nossa primeira história das oito histórias. E hoje eu vou contar para vocês a história da Viviane. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]Viviane trabalhava aí de atendente numa agência de publicidade e ela estava bem feliz ali com o seu trabalho, conhecendo muitas pessoas… Um dia, numa publicação ali aleatória, ela começou a conversar com um rapaz… Ele tinha uma foto linda de perfil, Viviane ali com seus 26 anos, o rapaz tinha 28 anos e eles começaram a conversar. A Viviane começou a chamar esse rapaz de “benzinho”, benzinho pra cá, benzinho pra lá, ele respondia, eles faziam disso uma brincadeira deles, então era sempre o benzinho… E o cara também começou a chamar a Viviane de “benzinho”. Essa história tem alguns anos, mas já tinha—se aí alguns recursos que você podia conversar online com as pessoas, né? Só que este rapaz ele dizia que ele só conseguia mandar texto. — Gente, isso já é um sinal… Se você não consegue nem ouvir a voz de uma pessoa que está conversando com você, que está paquerando, tem alguma coisa aí, né? —
Viviane aceitou e eles começaram a conversar somente em texto ali e a conversa fluía muito bem, o cara era muito legal… Então Viviane estava feliz, né? Curtindo esse namoro virtual que ela não sabia ainda no que ia dar. A Viviane conheceu esse rapaz em março, eles foram conversando meses… Às vezes ele mandava flores, comprava online, né? Mandava entregar e ela ficava maravilhada, assim… Ele sempre mandava flores, mandava ursinho, mandava presentes. Benzinho sempre mimando aí a Viviane. Só que, assim, ela só tinha as fotos dele do perfil e nunca tinha conversado com ele, nem ouvido a voz do benzinho. O tempo foi passando, o benzinho morava em outro estado e Viviane decidiu que nas férias dela, do final do ano, quando a agência fechasse ali, naquele intervalo Natal e Ano Novo, ela ia para o estado do benzinho para conhece-lo pessoalmente.
Benzinho não estava muito animado, estava inseguro, mas, poxa, Viviane já tinha visto ele pelas fotos… Ela sabia que ela queria o benzinho. E agora eles já estavam numa fase de namoro virtual, que já tinha sexo virtual… Tinha que ser agora, né? Agora era para passar para o próximo passo, um namoro físico, Viviane já vendo como é que eles iam viajar para lá e para cá, enfim, romance… Final do ano chegou, Viviane se preparou e avisou o benzinho que ela estava indo. Inicialmente, ela alugou uma pousadinha para ficar ali por uma semana… Era o tempo que ela precisava para encontrar o benzinho pessoalmente, eles ficarem juntos na pousada, porque o benzinho morava com a mãe, então eles teriam uma privacidade ali na pousada e tudo ficaria certo e o namoro começaria, de fato, naquelas férias. O combinado era que benzinho pegasse a Viviane na rodoviária. Horas e horas e horas de ônibus, porque ela não tinha condição de ir de avião, chegou…
Quando Viviane desceu do ônibus, ela deu aquela passada de olho geral e não encontrou o benzinho ali, só que ela viu uma senhora e a senhora estava dando ali com a mão para ela, assim, abanando. E aí ela foi, chegou na senhora e a senhora se apresentou como mãe do benzinho… Disse que o benzinho estava ainda muito tímido e que tinha pedido para a mãe buscar a Viviane na rodoviária. — Achei estranho… — De cara, a mãe do benzinho já levou a Viviane para tomar um café colonial, sabe essas coisas assim? E começou a mostrar vídeos do benzinho e coisas que o benzinho fazia. Então, assim, benzinho era real… Benzinho existia de fato, né? E ela vendo os vídeos do Benzinho com a mãe, achando tudo muito fofo e doida para encontrar o benzinho, né? A mãe do benzinho falou: “Olha, você vai, se instala na pousada, descansa um pouco, que depois eu venho te buscar para a gente jantar em casa, para você encontrar o benzinho”. — Gente, cadê o benzinho? —
Viviane chegou na pousada, tomou banho, se arrumou, descansou um pouco: “Bom, tô pronta, né? Daqui a pouco, sete horas, minha sogrinha tá aqui pra me levar pra encontrar o benzinho”. Deu sete horas e foram lá pra casa do benzinho… Viviane, o coração assim, saindo pela boca, né? Enfim, ela ia conhecer ali o seu namorado virtual. Quando chegaram, a Viviane notou que tinha ali arrumada a mesa para duas pessoas, um clima romântico, tinha flores na mesa… O que ela imaginou? “A mãe vai deixar tudo pronto para eu encontrar o benzinho”, a sogra falou para ela sentar, estava ali um clima de meia—luz e a sogra começou a servir… E aí a Viviane falou: “Escuta, cadê o benzinho?”, nesse momento, a sogra acendeu a luz, porque estava assim, aquele climinha… Eu não consigo comer com meia—luz, eu tenho que comer com tudo aceso, vendo o que eu estou comendo. E aí ela acendeu a luz e começou a chorar… Estão preparados?
Benzinho era um sobrinho dela, que era gay e ela usava as fotos do benzinho para encontrar meninas na internet. — Tá bom para vocês? — Viviane ficou passada porque ela tinha feito sexo virtual com o benzinho, ela tinha recebido nudes de benzinho que a mulher pegava pela internet… — Não era o pênis de benzinho, eram pênis aleatórios… — A mulher chorando, confessando que o benzinho era sobrinho dela, que o benzinho era gay, que nem morava naquela cidade e a Viviane tentando sair daquela casa e a mulher trancou a porta. — Gente, a mulher trancou a porta… — Porque queria que a Viviane entendesse o que ela estava passando, que ela estava apaixonada pela Viviane. A Viviane começou a gritar e a jogar as coisas no chão, aí a mulher assustou e abriu a porta e a Viviane saiu correndo. — Viviane comprou uma semana de pousada, gente… Uma semana. Como é que ela ia ficar na mesma cidade que essa mulher? —
A mulher, no outro dia cedo, mandou flores para a pousada, enquanto a Viviane tentava trocar aí a sua passagem para voltar embora e deixar a pousada, deixar tudo… Viviane conseguiu trocar a passagem, conseguiu pegar o ônibus ali no dia seguinte — ela ficou foi enfiada na pousada, não saiu nem para ir na esquina — e voltou para a casa dela, para a vida dela. Passada uma semana, ela ainda de férias, quem que aparece na casa dela? A mulher… Elas tinham trocado, enquanto era o benzinho, né? Correspondência, tudo… A mulher sabia onde a Viviane morava e a Viviane falou assim pra mim: “Andréia, eu não tinha nem como bater naquela mulher, acho que ela tinha uns 60 anos, sei lá. Era uma senhora já, assim. Não tinha como dar um cacete nela e falar pra ela sumir da minha vida”. Então ela acha que a mulher veio umas quatro vezes atrás dela, porque algumas vezes ela tinha, assim, a sensação de ver a mulher de longe ou ela podia estar cismada também, né, Viviane? — Gente, olha o nível de perseguição… —
A Viviane ficou traumatizada, assim, ficou um bom tempo sem sair de casa, um bom tempo sem sair com ninguém e jamais trocou mensagens virtuais, assim, com mais ninguém. — Olha o trauma… — Piores férias da vida de Viviane. Eu acho que eu ia ficar tão apavorada a hora que a mulher trancou a porta e não deixou a Viviane sair… Meu Deus do céu, que pesadelo, hein, Viviane? E essa foi a história de férias de nossa amiga Viviane. O que vocês acham?
[trilha]Assinante 1: Oi, gente, eu sou a Yasmin e falo de Dublin. Muitas vezes a gente conhece alguém na internet e se envolve na conversa e vê coisas em comum e acaba não vendo sinais de que isso possa ser uma roubada… Então, essa história foi muito boa pra acender aquela luz na nossa cabeça e observar os sinais. Hoje em dia, a gente consegue jogar a foto da pessoa no Google e ver se é um fake, se aquela foto é usada por outras pessoas com outro nome, você também consegue, claro, sempre fazer visita chamada, áudio, entendeu? Então, antes de encontrar alguém certifique—se de que é aquela pessoa é quem ela está falando. E também não dá o teu endereço, não vai na casa da pessoa… Graças a Deus a Viviane está bem, ela conseguiu escapar, mas poderia ter sido muito sério, muito pior. Beijinho, tchau tchau.
Assinante 2: Oi, aqui é a Camila, eu moro em Dublin e eu estou chocada com a história do Benzinho. Que plot twist é esse? O benzinho era uma senhora… Gente, não pode ser que tem gente fazendo uma coisa dessa. Assim, agora essa coisa dela estar te perseguindo meio assim, talvez é o caso de ir na polícia fazer um BOzinho, explicar, dar o endereço dela e falar: “ó, tem essa pessoa aqui talvez me perseguindo”. Ou é o caso de mandar uma mensagem pra ela e falar assim: “minha senhora, não tá rolando, entendeu? O que a senhora deveria fazer é parar de mandar a foto do seu sobrinho pras pessoas e mandar a sua… Procura uma pessoa que é a mesma coisa que você, tem um monte. Confia”. É complicado…
[trilha]Déia Freitas: Então é isso, gente… Um beijo e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Especial de Férias é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]