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título: carinhoso
data de publicação: 24/02/2025
quadro: picolé de limão
hashtag: #carinhoso
personagens: betinha

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publi… — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem está aqui comigo hoje — de novo — é a Hidrabene, a marca cor de rosinha que eu amo. Celebrando aí essa parceria de mais de dois anos, a gente vai lançar um desafio para vocês aí — os ouvintes Não Inviabilize, nossos nãoinviabilizers, amo [risos] —, gente, sério, chegou seu momento, presta atenção… — Você vai compartilhar os seus momentinhos de autocuidado com a Hidrabene no feed do Instagram usando a hashtag #Poneiebene. [risos] — Eu amo demais… — Tem que usar a hashtag “Poneibene” e tem que marcar os arrobas da Hidrabene e do podcast. — Presta atenção, #PoneiBene, tudo junto, sem acento, enfim, hashtag e marcar os arrobas: @hidrabene e @naoinviabilize e segue a gente porque, né? Por favor… — Seguindo essas regrinhas, você vai concorrer a um super kit da Hidrabene, incluindo aí os meus produtinhos favoritos e outros itens de desejo. — Você quer seu kitzinho Hidrabene? Então corre, segue as regrinhas e vem ficar com sua pele linda e macia. — 

Acesse agora o site da Hidrabene: hidrabene.com.br e vai navegando no site pra já a ver todos os produtinhos enquanto você ouve a história, segue a Hidrabene no Instagram para você acompanhar o resultado e também ficar por dentro das novidades. — Porque sim, sempre tem novidade. Eu vou deixar o link certinho aqui na descrição do episódio. — E hoje eu vou contar para vocês a história da Betinha. — Ê, Betinha… — Então vamos lá, vamos de história. 

[trilha]

Betinha tinha o hábito aí de levar o seu cãozinho — que a gente vai chamar aqui de “Tigrinho” [risos] —, de levar o Tigrinho até uma praça de cães. Betinha sempre acordou muito cedo, então ela tinha uma rotina de passar na padaria, pegar um café e levar o Tigrinho no parque de cães. E esse parque de cães ficava numa praça muito bonita, arborizada, sabe assim? Um lugar bem bacana. E, naquele horário que Betinha ia, não ia tanta gente com o cachorro… Tinha às vezes algumas pessoas fazendo exercício físico — mais idosos — que, sei lá, seis horas da manhã estão na praça, era mais ou menos esse horário. E Betinha estava ali com seu cãozinho Tigrinho, não estava na área que era só de cães, sentou ali num banco da praça, aquele solzinho delícia de seis horas da manhã e, de repente, num banco, assim, há uns três metros dela, ela viu um cara. 

Era um cara interessante, bonitão, mas ela continuou ali com o livro dela e com o Tigrinho. Passado um tempinho, esse cara veio mexer ali, brincar com o Tigrinho, tipo: “Ah, oi, bonitinho, nã, nã nã” e ficou ali puxando papo com a Betinha. E ele era realmente bem bonito, cheiroso, um papo muito agradável e Betinha ali, meio que ovulando, ficou interessada nele. Foi pintando um clima… — Gente, seis horas da manhã? [risos] Vocês tem uma energia que eu não sei… Não sei de onde vem. —Eles começaram a se beijar ali na praça, tipo namoradinhos. Betinha morando sozinha, só ela e Tigrinho, falou: “Quero transar com esse cara”. — Gente… Sei lá, uma hora de conversa com o cara? — E aí, Betinha chamou esse cara para o apartamento dela. 

Foi uma loucura, foi ótimo, usaram preservativo, tudo lindo e Betinha já convidou o cara para almoçar. — Já estava ali, eles ficaram algumas horas ali no vamos ver… — E ela falou: “Bom, você não quer almoçar aqui?”, ele falou: “claro, almoço com você”. A Betinha tem um esquema mais livre de trabalho, ela é professora, então tem os horários de aula, enfim… — Ela tem um horário mais flexível, mas até então o cara será que também tinha? — Naquela mesma praça, no final da tarde, tinha algumas aulas de Tai chi, de Yoga e Betinha tinha combinado de ir numa aula de yoga com alguns vizinhos e eles foram e o cara foi junto. E esse cara se entrosou com todo mundo… — Sabe cara agradável? Cara, assim, simpático, que conversa com todo mundo. Então ele, assim, tava ali já de “hahaha” com os vizinhos de Betinha numa boa. —

Dali da praça ele se despediram, né? Ainda bem, né? [risos] Que o cara foi embora pra casa dele. Trocaram ali contatos e, a partir daquele dia, esse cara começou a frequentar a casa da Betinha diariamente. — Isso era, sei lá, depois do dia 15 de maio de um ano aí, X. — Ele começou a dormir lá e aí Betinha foi conhecendo mais esse cara, né? — Gente, assim, eu não entendo vocês… Vocês conheceram o cara ontem, como é que ele vai já de mala e cuia pra casa de vocês para dormir? — Ele tinha alguns hábitos: Ele acordava cinco horas da manhã pra ler a Bíblia, então das 5 às 6 era o horário dele, particular, de estudo da Bíblia. E ele fazia orações sempre antes de comer qualquer coisa. — Sabe gente que reza antes de comer? Então, era esse cara aí… Então, vejam, fofíssimo, né? — E nesses dias ele foi contando a vida dele, que ele estava morando de favor com uma tia, que ele estava desempregado e só fazia um dinheirinho ou outro com apostas em futebol. — Gente, vocês sabem, [risos] chegou ali pra mim na frase “desempregado”… Por isso que ele tava ficando lá o dia inteiro. —

Ela ficou muito tocada com a história triste dele, né? — Sempre tem uma história triste. — Ela tinha consciência que o cara tava desempregado, tirava algum dinheiro com apostas aí e que também ele era extremamente religioso — toda hora era coisa de Bíblia —, Betinha sabia que não era uma coisa assim para ter um romance sério, que talvez, sei lá, em breve eles se separariam. O cara era engraçado, gentil, carinhoso, então a Betinha foi deixando o tempo passar, tipo: “Deixa a vida me levar” e o fofíssimo foi ficando… Teve um domingo que a mãe da Betinha falou: “Poxa, você não veio na minha casa aqui nenhum dia, quero ver o Tigrinho, passa aqui e nã nã nã” e ele estava lá… Ele não dormia lá todo dia, por exemplo, quando ela ia trabalhar fora, por exemplo, — que era raro porque ela fazia ali um home officezinho dando as aulas dela —, ele saía com ela e se não dava pra ele ir, ele ia, sei lá, pra casa da tia dele. 

Mas nesse dia, domingo, ele estava lá e a Betinha achou ok levar o cara na casa da mãe dela. Era domingo, pensa, família reunida, o cara conheceu a família da Betinha, se deu super bem com todo mundo, o pessoal gostou dele… Super carismático. — A palavra é essa, “carismático”. — O cara sempre ali, sempre carinhoso, sempre gentil… Os dias foram passando, até que a gente chegou no dia 12 de junho e, como eu disse para vocês, a Betinha não via esse relacionamento como algo de namorados, entendeu? Mas era dia dos namorados. E de 11 pra 12 de junho o cara dormiu lá, então acordou ali a Betinha super carinhoso, beijando as costas dela, fazendo carinho no cabelo dela, sabe assim? Bem, bem, bem romântico. Fez o café da manhã pra Betinha, enfim… Aquele dia, a Betinha tinha que levar o Tigrinho no petshop… — Els tavam nisso aí há uns 20 dias? — O petshop não vinha buscar, então ela ia sair, ficar umas duas horinhas fora e voltar e como era cedo, ela falou: “Bom, eu vou levar o Tigrinho pro banho” e ele não fez menção de ir junto, meio que ele ia ficar por ali porque era dia dos namorados, né? E todo fofo, ele que chamou o carro de aplicativo na conta dele e pagou… 

O Tigrinho é pequeno então foi no colo dela porque não era muito perto o petshop… Então sabe assim? Carinhosíssimo, carinhoso. O horário do pet ali era 09h, então quando foi ali, 11h, Betinha já estava voltando, pensando ali o que ela faria de almoço, o que eles iam comer nesse almoço de Dia dos Namorados. Conforme ela foi chegando em casa, Betinha reparou que as portas da casa dela estavam escancaradas… Assim que ela entrou, ela tomou um choque: O cara tinha roubado tudo da casa dela. Levou o computador que ela usava para trabalhar, para fazer as aulas, levou a televisão, levou caixas de som, perfumes, maquiagens, eletrodomésticos, liquidificador, essas coisas… — Levou tudo, gente… Ele deve ter parado um carro lá na frente e fez a limpa na casa da Betinha. —

Nessa hora, o que ela pensou? “O cara deve ter saído depois de mim, não fechou a porta e alguém entrou aqui e roubou”. Então ela foi mandar uma mensagem e viu que ele tinha acabado de deixar mensagem para ela ameaçando… Ele ameaçou, tipo: “Se você for pra polícia, eu volto aí”, o cara era bandido. E depois que ele ameaçou, ele bloqueou ela em tudo. Betinha, trêmula, respirou fundo, foi ali na cozinha e só aí… — Aí é que tá, entendeu? — Só aí a Betinha jogou o nome do cara no Google. — Veja, sei lá, tinham 20 dias que eles estavam já juntos. — E aí a Betinha viu uma foto dele bem antiga ali numa página policial, dizendo que ele havia sido preso e tal, com carro roubado, enfim, vários roubos. — Cara ladrão. — O mundo da Betinha desabou, né? Porque ela começou a imaginar os perigos que ela correu. Tipo, não só o financeiro, mas pensa, o perigo físico… 

O cara era um bandido mesmo, assim, que tinha cumprido cadeia e tudo. — Tudo bem, a pessoa pode se arrepender e depois ficar de boa, é para isso que deveria servir o sistema, inclusive, eu acho que todo mundo merece uma segunda chance, mas a gente viu aí que não foi o caso dele, né? — Mesmo ameaçada, a Betinha foi direto para a delegacia e ela foi informada que deveria ir numa Delegacia da Mulher — porque assim, não foi um simples roubo, né? Ela tinha um relacionamento afetivo com esse cara —, e aí ela foi na Delegacia da Mulher e a Betinha foi tratada de uma forma bem humilhante e ela ficou bem chocada, bem revoltada… Até a assistente social que conversou com ela julgou ela… Todo mundo perguntando como que ela tinha deixado um homem que ela não conhecia entrar na casa dela e ficar lá sozinho. — Mas eu acho que isso é uma coisa, Betinha, que não tem como a gente não perguntar, né? Porque eu acho que é também com os nossos erros que a gente aprende, né? Estava tudo muito recente, assim, sei lá, menos de 20 dias, né? —

A Betinha conseguiu uma medida protetiva contra esse cara — é importante falar isso aqui —, só que a medida protetiva só teria validade do momento que eles conseguissem notificar esse cara. — Coisa que ele nunca foi. Por que, né? Tava aí fugitivo. — Foi falado pra ela na Delegacia da Mulher que se ele voltasse na casa dela, era pra chamar a polícia, porque aí, além dele ser preso, ele já seria notificado dessa medida que a Betinha conseguiu. Ela fez o B.O. e, na delegacia ela descobriu que esse cara tinha uma enorme, com crimes de roubo, receptação de material roubado, tráfico de drogas, estelionato e mais um monte de outros crimes. Pensa… Betinha é uma mulher linda, da classe trabalhadora, ela já tinha se envolvido com outros caras, mas nunca, assim, num relacionamento tão intenso, e da vez que ela se abriu e se permitiu se entregar aí pelo menos a um romance, mas sem esperar muito também, o cara vai e me apronta essa… Acho que ele viu a oportunidade, né? Tipo, tava tudo muito fácil… 

E sabe também o que fez a Betinha não desconfiar do cara? Porque ele tinha atitudes assim do tipo: “Ah, ele pagou o carro de aplicativo”, ele tinha comprado o botijão de gás ali da casa da Betinha, outro dia pagou a manicure dela… Mas tirando o botijão de gás aí que é o quê? Uns 80, 100 conto? As outras coisas tudo 20 reais, né? Então, assim, será que ele já estava pensando nisso? Ou ele não ia roubar e na hora resolveu roubar? E, poxa, a Betinha tinha comprado as coisinhas dela com tanto esforço, sabe? E a casa dela era o porto seguro dela até isso acontecer. E aí também a gente tem que reforçar aqui, gente, se a sua casa é o seu porto seguro, é seu santuário, a gente tem sim que parar pra pensar em quem a gente vai colocar dentro de casa, sabe? E aí a história podia acabar aqui, com a Betinha passando mais de mês fora de casa com medo desse cara aparecer lá.

Eu sempre falo aqui: Quando você termina um relacionamento, troca a fechadura. Quando você mora com algum colega de escola, colega de trabalho e a pessoa saiu, troca a fechadura. Sempre troca, gente… Você vai gastar R$100? Mas é R$100 pra você ter uma paz de espírito. Ela ficou fora e o cara começou a mandar mensagens pra Betinha de números, assim, aleatórios… Falando que era viciado, que ele só roubou a Betinha porque os traficantes estavam atrás dele, olha as conversas… E o cara ficava trocando de número, assim, uns 20 números diferentes mandando mensagem pra Betinha, pedindo perdão e inventando essas histórias. Uma hora que ele roubou porque os traficantes iam matar ele, outra hora que ele roubou porque ele tinha dívidas de jogo, enfim, mil histórias… E até hoje, às vezes de madrugada, o telefone dela toca e, se cai na caixa postal, é uma pessoa respirando, sem falar nada. — Provavelmente é ele. — 

Sempre que a Betinha tá começando a esquecer essa história, esse cara manda mensagem ou faz isso de ligar de madrugada. — Eu acho que o primeiro passo você já deu, de realmente colocar essa história pra fora e entender dessa autorresponsabilidade, da gente saber onde foi que a gente errou e não fazer mais, resolver. Não é que você nunca mais vai colocar um cara dentro da sua casa, mas você vai analisar melhor as condições desse encontro e também a pessoa que você está levando para dentro da sua casa, que é o seu porto seguro, né? Eu acho que num momento ou outro da vida, todos nós baixamos um pouco a guarda, tipo: “vamos viver isso”, ah, sei lá, “não tem problema” e pode ser que a gente tenha a sorte de não acontecer nada ou pode ser que a gente ainda tenha a sorte de só ser roubado, porque podia ser bem pior… O que vocês acham?

[trilha] 

Assinante 1: Olá, nãoiviabilizers, meu nome é Raíza, eu falo de Buenos Aires, Argentina, Betinha, tenho muita dificuldade de reaprender isso aí que você fez porque você agiu nada mais nada menos do que o comportamento de um de homem padrão, né? Que ele leva mulheres, conhecidas ou não, para a própria casa para viver a sexualidade do jeito que bem entende. Eu acho que se você fosse um homem e fosse na delegacia, o tratamento ia ser bem diferente, ninguém iria ter estranhado por nenhum momento de você ter levado uma pessoa que você não conhecia para dentro da sua casa, né? Eu fico com a impressão que esse discurso, ele é um discurso machista aí bem disfarçado de conselho de autoproteção feminina. Então, o que eu tenho pra te dizer, Betinha, é que você deu um baita azar e eu lamento muito pelo que você passou, mas não deixa que isso impeça de que você viva a sua vida e a sua sexualidade do jeito que você quer, tudo bem? Um beijão. 

Assinante 1: Olá, Deia, olá, todo mundo, eu sou Léo do interior de São Paulo, Lorena. Betinha, eu acho que diariamente nós fazemos apostas e escolhas, né? E você apostou num cara incrível que você conheceu na rua? Sim, mas você se deixou viver uma paixão que não é todos os dias que acontece. Então, se perdoe e se permita viver novas experiências na sua vida. Uma dica é só aí trocar o telefone, se possível mudar de casa e realmente reforçar esse boletim de ocorrência com todas essas esses stalkers que você está vivendo, né? E se cuidar… Mas, assim, se perdoa, porque tá todo mundo suscetível a isso e quem te julga provavelmente faria igual. Um beijo, um abraço e fica bem. 

[trilha] 

Déia Freitas: Você quer concorrer aí a um super Kit Hidrabene? — Incluindo os meus produtinhos favoritos e outros itens de desejo? — Para isso, você só precisa compartilhar uma foto no seu feed do Instagram com seus momentos de autocuidado com a Hidrabene, usando a #Poneibene e compartilhando, obviamente, um momento seu de skincare com o produtinho Hidrabene e você vai marcar a Hidrabene no Instagram, @hidrabene e @naoinviabilize para a gente acompanhar aí e ver a sua carinha macia que eu quero. Eu vou deixar essas instruções na descrição para você não errar e também segue a gente e segue aí a Hidrabene para você acompanhar o resultado e saber se você ganhou aí o kitzinho que eu amo. Vai ser um kit incrível, né? Como tudo que a Hidrabene faz. Então, ó, quero vocês de cara linda usando a #Poneibene que eu amo [risos] e marcando a gente, marcando a Hidrabene e marcando o podcast, tá? Valeu, Hidrabene, te amo. Então é isso, gente, um beijo e eu volto em breve. 

[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]