título: enganada
data de publicação: 22/01/2026
quadro: especial de férias – 2025
hashtag: #enganada
personagens: elaine
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Especial de Férias, Não Inviabilize [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para última história do nosso Especial de Férias. E hoje eu vou contar para vocês a história da Elaine. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]Elaine cresceu aí numa família de religiosos, segundo Elaine, mais sossegados, porém religiosos. Conforme ela entrou na faculdade, Elaine conheceu um outro mundo… Outras pessoas, outros pensamentos e algumas coisas em relação à religião que ela cresceu, ela foi aí questionando. A partir do momento que Elaine começou a questionar, ela não era mais tão bem aceita na família. Ela começou a ser mais criticada… Quando ela rebatia alguma coisa, vinha aquela conversa do demônio. Ela tinha, na época, um namorado que também era da mesma religião e quando ela entrou na faculdade, ela terminou com este namorado. Então, quando ela levava algum outro namorado, ele era tratado meio mal, ela parou de levar os namorados… Mas assim, a convivência dela em família até que era boa, tirando essa questão de religião.
Os pais tinham um terreno muito grande e eles fizeram casa para os três filhos no terreno. Era um terreno com quatro casas, mas casas boas, casas separadas, tinha uma entrada só, como se fosse uma ruazinha… – Eu amo, gente, casas familiares… Eu gosto muito. É como se fosse uma rua e as casinhas, né? De todo mundo, uma casa espaçosa e tal. – Então, era perfeito, a Elaine tinha a casa dela ali, só que tinha aquela questão, né? Se ela fosse levar alguém, tinha que passar pela ruazinha. Então, ela não podia levar os namorados na própria casa porque ali tinha as duas irmãs dela casadas com marido, com o filho, tinha a mãe e o pai… Então, ela sempre foi muito vigiada, então para ela não estava funcionando aquela questão de morar ali, mas era a casa dela, então não era algo que dava para ela mudar. Ela ia levando assim o relacionamento familiar, um pouco conturbado a partir do momento que ela deixou de professar a mesma fé. Ela estava agora sem fé nenhuma.
O tempo passou, um determinado Natal aí, um determinado Ano Novo, e uma das irmãs da Elaine tinha pedido mais uma vez o cartão emprestado. – E aqui a gente já sabe essa questão de emprestar cartão, mas a Elaine me disse: “Andréia, minhas irmãs, elas nunca falharam no pagamento do cartão. Tanto que, de tanto elas usarem, o meu limite aumentou para 20 mil reais”. Então, como ela tinha um bom limite, ela emprestava o cartão para as duas irmãs e nunca teve problema, elas sempre pagaram direitinho. Ou à vista ou parcelado, mas sempre pagaram direitinho. – Em determinado Natal, uma das irmãs pediu o cartão emprestado e isso já era corriqueiro, né? E aí a Elaine falou: “Não, claro, né?” e a Elaine, a única coisa é que ela sempre perguntava para que era, né? E aí uma das irmãs falou: “Olha, eu posso parcelar? São acho que seis ou sete mil reais, é para o conserto do carro do seu cunhado, né? Do meu marido. E eu posso parcelar e tal?”, “Claro, né?”, era um cartão que ela quase não usava, porque é sempre muito econômica, muito dentro da realidade dela.
Festa de Natal, a irmã pediu o cartão e ela emprestou… A irmã tinha acesso direto à fatura, então não era uma questão. Quando ela via, já estava pago… Ela só entrava no dia ali no aplicativo para ver se estava pago ou não e sempre estava. – Então nunca foi uma questão. – Passou o Natal e, no Ano Novo, uma outra galera, umas tias vieram para passar o ano novo ali, todo mundo junto… E a Elaine notou que tinha um clima de segredo… Os pais da Elaine tinham ido para o interior ajudar numa coisa da igreja no ano novo. – Eles passavam num retiro espiritual fazendo voluntariado da igreja, então eles não iam passar o ano novo com os pais, mas tinham ainda as duas irmãs da Elaine, tinha os sobrinhos da Elaine, as irmãs com os maridos, aí tinham algumas primas de longe, enfim, e todo mundo da mesma religião, exceto Elaine ali. – Nesse dia da comemoração de Ano Novo, a Elaine percebeu um clima estranho, assim… Parecia que estava todo mundo meio fofocando, meio, né? E ela falou: “Eu tenho uma prima, Andréia, que ela é azeda, mas ela é boca de sacola, ela fala, ela não consegue guardar. Então eu fui chegando nela, perguntando uma coisa ali, outra coisa aqui…”.
E o que a Elaine descobriu? Que toda a família ia para uma pousada… 12 pessoas, sendo oito adultos e quatro crianças e estava todo mundo combinando essa viagem de férias escondido da Elaine, porque ninguém queria que a Elaine fosse. E a Elaine ficou muito chateada, porque tirando essa questão da religião, todo mundo sempre fazia comemoração junto ali, almoçava, enfim… Uma irmã tinha mentido que ia para a casa da família do marido, a outra que ia encontrar a mãe no retiro… – Então, assim, só ela, gente, não estava sabendo. – Naquele dia, ela ficou muito abalada… Isso aconteceu na noite do dia 31, ela ficaria de férias o mês de janeiro todo, então poxa, não era nem questão que ela ia estar trabalhando, nada, né? E ela falou: “Andréia, ninguém ali da minha família tem pet pra falar ‘ah, precisava ficar alguém cuidando dos pets’, porque se fosse isso e eles tivessem me falado, eu até ficava”, mas ninguém tinha pet”, então era mesmo uma questão dela não ser chamada.
Dia 3 de janeiro essa galera foi inventando uma coisa ou outra e, quando ela viu, ela estava sozinha, nesse dia a Elaine chorou, porque ela falou: “Poxa, minha família realmente meio que não me quer mais junto, né? Estão fazendo coisas sem mim, estão mentindo para mim”. Só que enquanto ela estava chorando, ela viu ali a fatura do cartão dela e ela foi olhar: “Devem ter comprado coisa para viagem”, só que era oito mil, gente, não batia coisa para viagem nesse valor. E ela olhou e não tinha nada na fatura. Nessa hora, deu um estalo na Elaine e ela falou: “Eles vão usar o meu cartão para pagar a pousada”, porque eles falaram que eles iam parcelar, que podia ser 7 ou 8, sei lá… “Até 10 mil se minha irmã jogar ali, né? O cartão é 20, enfim”. E aí, neste momento, a galera tinha saído, sei lá, fazia uns 40 minutos, 50 minutos… Elaine resolveu fazer uma coisa: Elaine pegou o seu telefone e ligou para a operadora do cartão e Elaine bloqueou o seu cartão de crédito. [risos] Ela falou: “Bom, se eles realmente vão usar o meu cartão na pousada, eles vão chegar lá e vão ter que se virar e pagar de outra forma”.
Elaine ficou esperando, aí eu falei para ela: “Mas e aí, como é que você estava?”, ela falou: “Andréia, minha tristeza até passou. [risos] Porque realmente eu fiz na maldade. Porque ninguém sequer me falou, mentiram que era para coisa do carro. Agora, se for coisa do carro mesmo, eles não vão nem usar o cartão, porque, inclusive, o meu cunhado foi com o carro. Então, não consertou, não passou no cartão, e aí, de repente, o carro que precisava de um conserto de oito, dez, sei lá, mil reais, não precisa mais?”. A Elaine ficou ali, fez a unhazinha, passou um cremezinho no cabelo. – Sabe quando você pega aquele dia pra você fazer coisinhas pra você, né? – Ela fez as coisinhas, de repente, ela tava, ela falou: “Andréia, passei um creme no cabelo, que aí você fica um tempo, você tira, você lava e depois você passa outro creme e fica mais um tanto. Então eu tava nesse [risos] vai e vem de creme e não ouvi o celular. E quando eu ouvi, tinha, sei lá, umas 12 ligações na minha irmã. E aí eu já sabia o que era, mas eu atendi e falei: “Meu Deus, o que aconteceu? Aconteceu alguma coisa? Tem um monte de ligação aqui”.
E a irmã dela falou: “Elaine, pelo amor de Deus, vê o que aconteceu no cartão, eu não estou conseguindo passar”, “você está vendo o negócio do conserto do carro do fulano?”, ela falou: “É, tô, mas não tá passando o cartão”, e a irmã tava com uma voz muito desesperada, e ela escutou alguém fazendo: “shhh”, sabe assim? Pro pessoal não conversar. [risos] Então eles realmente estavam na pousada. Ela falou: “Vou ver, vou ligar no cartão”, desligou e foi tirar o resto do creme, passar outro creme. [risos] Falou: “Andréia, demorei uns 15, 20 minutos, e aí liguei para minha irmã e falei: ‘Olha, o cartão realmente deu um problema lá e eles vão me mandar outro, mas esse aí agora está inutilizado. Então vê aí com o homem se você pode pagar de uma outra forma ou se ele pode esperar o cartão novo chegar, porque daqui eu não tenho como fazer mais nada'”. [risos] A rmã dela ficou desesperada… E a irmã da Elaine sabia que ela tinha 13 mil na conta, né? Poupança dela, economias, e a irmã tocou nisso, falou: “Ai, você não pode me emprestar, né? E agora como que eu vou fazer aqui? O cara já começou a mexer no carro”, mentindo… Não é religioso? Por que que mente? Ó, a religiosa, né?
E aí a Elaine falou pra ela: “Mana, meu dinheiro está investido, eu só posso tirar daqui três anos, não tenho como… Mas, assim, conversa com o cara, o mecânico, ele vai ficar com o carro aí. [risos] Então, ele tem uma garantia”. – Sonsa também, hein, Elaine? [risos] Amo. – E aí já começou um choro no fundo e tal, Elaine falou: “Bom, vê aí o que você vai fazer. Beijo, tchau” e desligou… Depois de umas cinco horas, cinco horas e meia, toda a galera estava de volta, inclusive com o carro. E aí todo mundo de cara feia, de cara fechada e a Elaine: “Nossa, mas vocês não iam para a casa de Fulano? Vocês não iam no retiro? O que aconteceu? Vocês voltaram? Está todo mundo bem?”. [risos] Cada um entrou para a sua casa… Uma das irmãs dela estava muito em cima das crianças, porque criança fala, né, gente? Só que aí tinham três primas que foram junto e o que essas primas fizeram? Ia todo mundo passar no cartão, só que essas primas já tinham dado dinheiro para uma das irmãs da Elaine e essa irmã tinha usado o dinheiro para outra coisa, não tinha para devolver agora…
E aí Tia Palmira descascou no áudio no grupo da família: “porque vocês são os irresponsáveis, vocês pegaram o dinheiro das minhas filhas e chegou lá na pousada não tinha pousada nenhuma”, porque, gente, sem cartão, você pode até fazer, sei lá, uma pré-reserva, tem lugar que não pede para você botar um cartão, né? E aí chegou lá na hora o cartão não passou, gente? O que não falta em férias é gente querendo pousada de última hora, então eles não iam ficar sem hóspedes, né? E aí a Elaine jogou lá no grupo: “Que pousada? Que viagem?”. Virou uma lavação de roupa suja, uma xingaiada… E ela só olhando no grupo, e aí ela escreveu lá assim: “Estou muito decepcionada com vocês, eu ficaria muito feliz se eu tivesse sido convidada”. Aí também as tias já falaram: “Aí, está vendo? Quiseram esconder, não são de Deus, por que esconder?”, virou uma briga generalizada no grupo da família que acabaram com o grupo da família. [risos] E a Elaine falou para as irmãs, falou: “Eu estou muito decepcionada com vocês, eu até cancelei aquele cartão agora, não vai ter mais cartão. Então, cada um que faça as compras aí de vocês, da maneira que vocês podem, sem usar do meu cartão, porque se eu não servia para ir me divertir com vocês, então também não sirvo nessa hora das contas, né?”.
E aí climão, os pais falaram que ela estava sendo muito rígida, sendo que os rígidos são eles, né? Toda a família. E ela falou: “Não, estou muito magoada, não quero mais saber”. [risos] E até hoje eles não sabem que foi a Elaine que bloqueou o cartão de propósito. E aí, assim, gente, horas de viagem com bebê pequeno, com criança… [risos] Então, não é todo mundo que faria isso que a Elaine fez, ela falou: “Andréia, eu tive na hora, me deu uma raiva, eu fiz e depois eu fiquei muito em paz”, [risos] então, arrependimento zero… Você faria isso? Você cancelaria o seu cartão de crédito para ninguém conseguir passar as férias na pousada? [risos] E aí voltaram e ficaram em casa e, assim, brigaram muito as famílias entre elas lá, brigaram muito, muito… [risos] O que vocês acham?
[trilha]Assinante 1: Oi, nãoinviablizers, aqui quem fala é a Débora, de Montreal. Elaine, tô pronta pra passar o pano pra você… Zero dó deles terem feito horas de viagem à toa, ido e voltado com criança, com idoso… Assim, se ao menos tivessem sido sinceros com você, falado pra que seria o cartão, não, mas vai lá, né? Mas usar o cartão de crédito pra passar férias em família, sem te convidar, sendo que você é da família? Não, não… [risos] Fez e foi pouco ainda. Tá certíssima. Um beijo.
Assinante 2: Oi, gente, eu sou a Letícia de São Paulo. Impor limites em quem te desconsidera e te desrespeita não é zona cinza, eu acho que seria zona cinza se ela cancelasse o cartão de dando certeza que isso ia prejudicar a irmã. E não foi o que aconteceu, né? Tô muito feliz que ela colocou limite nesse povo falso, que mente e desconsidera, e depois ainda quer que ela banque o rolê deles, né? Meus parabéns, Elaine, você é a minha heroína, você é uma inspiração pra mim.
[trilha]Déia Freitas: Segunda-feira estamos de volta com a nossa programação normal. Um beijo e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Especial de Férias é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]