Skip to main content


título: habibi
data de publicação: 11/12/2025
quadro: picolé de limão
hashtag: #habibi
personagens: vera e habibi

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem tá aqui comigo hoje é o Banco do Brasil. Na correria do final de ano, com mil coisas aí pra você dar conta e indo atrás dos presentes da família, dos amigos, muitas vezes a gente liga aí o piloto automático e não fica atento a algumas situações do dia a dia. Mas é melhor parar e pensar: será que pode ser golpe? Exemplos: Um vendedor que pega o seu cartão para inserir na maquininha e ela está com o visor danificado… Muitas vezes também, além de estar o visor danificado, eles conseguem trocar o seu cartão, tá? Algumas pessoas acreditam que essas situações são comuns e não percebem aí as falsas intenções.

Com isso, as pessoas acabam aí sendo vítimas de golpes e a gente sabe que os golpistas normalmente são extremamente convincentes, agradáveis, eles têm uma ótima lábia e eles agem de forma muito rápida e se aproveitam aí da ingenuidade, da boa fé e da distração das pessoas, né? Das potenciais vítimas.  Então as dicas são essas, ó: recuse realizar pagamentos em maquininhas com visor danificado… Insira e retire você mesmo o cartão na maquininha. — Não entregue seu cartão na mão de ninguém, vendedor, ninguém… — Se isso, por algum motivo, não acontecer e você: “ah, esqueci, dei na mão do vendedor”, na hora você verifica o nome do cartão pra ver se é o seu cartão, se ele não foi trocado… Desconfie. Quem desconfia, evita golpes. Na dúvida, procure o BB. – 

Saiba mais no link que eu vou deixar aqui na descrição do episódio. — E hoje eu vou contar para vocês a história da Vera. Então vamos lá, vamos de história.

[trilha]

Vera trabalhou cerca de 20 anos num apartamento chiquérrimo de uma família árabe. Ela era ali uma funcionária, que só não fazia comida, porque essa família árabe tinha um restaurante, sempre levavam comida para os funcionários e para eles e tal, para o pessoal comer ali. Essa família era muito grande, às vezes estavam aqui, às vezes estavam viajando em outros países… A maioria dos negócios que eles tinham era fora, que eles tinham um restaurante que também era familiar, então assim, você nunca sabia de quem eram as coisas. O tempo foi passando, uma parte da família se mudou e naquela casa só ficou um homem, mas a Vera disse que quando ficou só ele na casa, ficou mó paz, porque assim, ele saía muito, ele viajava muito, então você não tinha muito o que fazer, o que era ótimo, né? Você estava ali ganhando um salário que a Vera disse que era bom, ela era registrada, tudo certo, tinha os benefícios lá e tinha pouco trampo, então, né? Ideal… Ninguém gosta de trabalhar muito. 

Vera e mais a cozinheira, mais o motorista, eram os funcionários daquele apartamento de luxo deste homem. O tempo foi passando até que este homem conhece uma mulher… Na época, ele ia completar 60 anos e ela, em torno de 35, mais ou menos. — Então, assim, era uma diferença grande de idade. — Ela era muito bonita, brasileira, sem nenhuma ascendência árabe, o que para a família ali não foi visto com bons olhos, né? — E a Vera sabendo todas as fofocas ali, né? — Logo que essa moça foi levada até a casa, ela já tratou os funcionários muito mal… — A gente pode chamar a cozinheira de “Maria” e o motorista de “João”. — Vera, nessa época, já não usava mais uniforme, porque esse chefe dela tinha falado pra ela: “olha, você não precisa mais usar uniforme, né?”. Assim que a moça começou a namorar com esse patrão da Vera, ele começou a mudar… — Gente, a gente tá falando de apartamento de luxo, luxo mesmo. —

Ela falou que os empregados tinham que usar uniforme, que quando eles estavam na sala, os funcionários não podiam transitar por ali, a não ser que eles fossem chamados com um sino. — Tá bom pra vocês? Um sino… — Essa moça começou a chamar ali o patrão da Vera de “Habibi”. . E essa moça começou a chamar ali o patrão da Vera de “Habibi”, Habibi para lá, Habibi para cá… — E aí eu aprendi que “Habib”, sem o i no final, significa amado, querido, com o “i” no final, significa meu amado, meu querido, uma coisa mais íntima. — Até que Habibi avisou Vera que eles iam se casar… E tinha uma fofoca entre os empregados, porque assim, eram os empregados da casa dele, ele tinha outros irmãos, né? Ele tinha pai vivo ainda… A fofoca era: ela só queria casar se fosse em comunhão total de bens e o Habibi tava muito apaixonado e Habibi falou: “Tá bom, vamos casar em comunhão total de bens”. 

Casaram em comunhão total de bens… [efeito sonoro de sino soando] A família tinha muitos negócios, não só o restaurante árabe ali, né? De comida típica da família deles, como outras coisas, até coisa com petróleo. — Enfim, gente, eles tinham muita grana, né? — A mulher ali falou: “Agora eu tô boneca, né? Tô casando em comunhão total de bens, tô bem, né?”. O tempo passou, a vida da Vera virou um inferno, porque essa mulher era assim: a Vera arrumava a cama, ela fazia a Vera passar a cama. — Gente, passar a cama… Sabe quando você põe o lençol, você põe a colcha, você põe tudo? Tudo, óbvio, era 100% algodão egípcio e nã nã nã, você tinha que passar o ferro na cama pra ficar liso, não podia ter uma ruga, um negocinho, nada. — E aí você vai falar pra mim: “Ah, então, essa mulher já era rica antes de conhecer o Habibi?”, não, ela era da classe trabalhadora. Conheceu o Habibi ela era representante de alguma coisa de médico, assim, sabe? De coisas médicas. E conheceu o Habibi porque também a família dele tinha uma clínica, assim… Então, ela era da classe trabalhadora, nunca foi rica, né? E agora ela tava tendo comportamentos, assim, extremamente complicados, né? 

E a Vera falou: “Andréia, eu não saía porque eu precisava daquele dinheiro e eu já tava acostumada com aquele trabalho, né? Então, agora eu tinha que passar a cama deles, eu tinha que passar as roupas dela… Eu já passava do Habibi, mas ele nunca reclamou… A dela, nossa senhora, tinha o método certo, tudo… Tudo ela arranjava uma coisa, sabe? Tinha que botar a mesa de um jeito e tal”, e como eles comiam as comidas do restaurante, tinha sempre um funcionário que, por volta das 11, 11 e pouco, ia levar as comidas do dia pra casa. A cozinheira lá da casa fazia um prato ou outro, pegava aquela comida, ajeitava e dividia o serviço com a Vera ali, das outras coisas, né? E ela não queria que as embalagens de alumínio ficassem expostas na cozinha. Então, você tinha que colocar tudo muito rápido em travessas e já jogar no lixo as embalagens de alumínio, que às vezes dá para você reaproveitar ou deixar metade para comer depois… Não. Então, ela tinha muitas coisas chatas mesmo, né? E aí o Habibi praticamente duas vezes por ano dava uma bolsa de grife para ela, dava uma joia para ela… 

E essa mulher foi afastando o Habibi de todo mundo da família dele, não deixava mais ele ir nos almoços que tinha de domingo… Quando eles iam para o barco — porque a família do Habibi tinha um barco, né? — Quando eles iam para o barco, o Habibi não deixava os outros irmãos também irem, ela quis isolar o Habibi e conseguiu, porque o Habibi era muito apaixonado… E a Vera falou que ela fazia vozinha: “Ain, Habibi, eu te amo tanto, Habibi… Eu queria isso, Habibi”. E o tempo foi passando… Ela tentou muito engravidar do Habibi, mas ela não conseguia e ela foi ficando frustrada. E o Habib ele quase não parava em casa, ele gostava de festa e tal e ele, depois de uns anos, mesmo muito apaixonado, foi dando aquela loucura nele de querer sair de novo e ela ali segurando, às vezes saía junto e o Habibi sempre bebeu muito energético… Com quatro anos de casamento, Habibi saiu, passou mal na rua e Habibi morreu… 

Alguém ligou e ela começou a gritar no celular ali… Vera foi, viu ela gritando, pegou o celular e aí a pessoa explicou que o Habibi tinha caído na rua e estava falecido… — Eu não sei também quem foi essa pessoa que deu a notícia por telefone, né? — A Vera desligou o telefone, pegou as informações de para onde estavam levando o Habibi… — Porque como ele faleceu na rua, o SAMU veio e não conseguiu reanimar, o SAMU não leva… — Estava sendo recolhido para ir para o IML. Vera desligou o telefone, estava com as informações, ia começar a ligar para a família, né? Porque o Habibi tinha pais vivos ainda, né? Era um apartamento duplex e, conforme a Vera desceu, ela ouviu lá de cima uma musiquinha: [cantarolando] “hum, hum, hum, hum, hum, hum, hum, hum, hum, hum”, [risos] e aí a Vera subiu e ela estava se trocando, ouvindo uma musiquinha, dançando… [risos] — Ela estava dançando, [risos] botou a musiquinha baixa, mas ó aqui com os bracinhos para cima: [cantarolando] “Hum, hum, hum, hum, hum, hum, hum, hum”, [risos] curtindo…  —

A Vera ficou horrorizada, desceu, terminou ali de ligar, avisou o João, o motorista que ia ter que levar a viúva do Habibi para os lugares e tal. Família árabe, eles são muito apegados a família… Então, assim, o velório era uma gritaria, uma choradeira e Habibi ia ser enterrado, mas tinham uns rituais, umas coisas que eles iam fazer… — A Vera não ficou muito tempo, os funcionários só passaram, eram muitos funcionários porque eram muitos negócios, né? — E a viúva lá do lado do caixão… O Habibi não tinha filhos, era tudo dela, Vera pensou: “Vou ser demitida, né? Porque sempre implicou comigo, agora então ela vai botar outra pessoa aqui, sei lá” e a Vera já foi se preparando para ser demitida. E a Vera falou: “Andréia, empregado só sabe das fofocas e algumas coisas a gente só tem umas partes da histórias… Então, até aqui eu contei tudo que eu via, né? E aí, daqui pra frente, eu só tenho trechos dos acontecimentos que era o que eu conseguia ver lá do apartamento ou que a empregada do irmão do Habibi me contava”. 

Habibi há, sei lá, uns 12 anos antes de conhecer sua esposa, tinha feito vasectomia… Por quê? Porque ele gostava de transar com garotas de programa sem preservativo. — Vera sabia há muito tempo, mas ela nunca contou pra esposa do Habibi, porque a esposa do Habibi tratava ela igual lixo. — Ele pagava 3, 4 vezes mais num programa para que a moça aceitasse. — Algumas aceitavam, outras a Vera disse que não aceitavam… — Ele fez vasectomia para não ter um filho. E ele contou para a esposa dele que ele tinha vasectomia? Não contou… E ela estava tentando engravidar dele. — Não conseguiu porque ele era vasectomizado. — Outra coisa que ele não contou para a esposa, só que aí também a Vera não sabia e ficou sabendo pela moça que trabalhava na casa do irmão do Habibi, é que todos os negócios da família estavam no nome do pai… O apartamento era corporativo, o carro era corporativo, quem pagava os empregados ali era o pai dele e o Habibi ganhava uma mesada.  — Habibi não tinha salário, Habibi não tinha emprego, Habibi tinha uma mesada… —

A mulher ficou desesperada porque ela recebeu um aviso de que eles estavam dando quatro meses para ela sair do apartamento… Então, ela começou a procurar advogado. De uma hora para a outra, ela ficou sem dinheiro, porque ela gastava o dinheiro do Habibi, que era uma mesada, o pai ia dando, ele ia pedindo e o pai ia dando… Os funcionários continuaram recebendo e também recebendo a comida do restaurante, então ela tinha o que comer, mas ela não tinha dinheiro nem para pagar o advogado. E o que ela falou? “Eu vou vender as minhas bolsas” e começou a tentar vender as bolsas de luxo e as joias que ela ganhou e descobriu que tudo que o Habibi deu para ela — um cara milionário — era falso… Bolsa falsa, joia falsa, ela não tinha nada…  A Vera falou: “Ela sempre me tratou como lixo mesmo, assim, uma pessoa desprezível, mas do dia que eu vi ela descobrindo que as bolsas e as joias eram falsas, eu fiquei com dó dela, porque ali ela percebeu que ela não tinha nada. Ela tentou dar o golpe numa pessoa rica, a pessoa rica morreu e deu o golpe nela”. 

Perceba: Se ele tivesse ficado vivo, ela tinha tudo, porque ele tinha tudo que o pai dava. O pai dele tinha que ter morrido para ele começar a ter coisa, mas o pai dele vivão… E ela ficou feliz porque achou que ia herdar o apartamento, as coisas, mas era tudo em nome da empresa do pai e da mãe, que são os donos. De tudo… Os filhos recebem mesadas. Habibi realmente não trabalhava. E, a partir do momento que a Vera ficou sabendo que ela ia ter que sair de lá e que ela não ia herdar nada, a Vera parou de passar a cama dela [risos] com ferro, parou de fazer as coisas pra ela… Limpava a casa toda, não limpava o quarto dela, que era o quarto do casal, a suíte ali e ela cobrava e a Vera só falava assim: “ah sim, vou limpar sim”, não limpava… Elas começaram — ela e a Maria [risos] —, começaram a deixar as embalagens de alumínio, [risos] a servir a comida na embalagem de alumínio… [risos] E ela foi ficando muito brava. E, assim, ela tinha quatro meses pra sair de lá, né? Com um mês e meio, ela saiu da casa e ainda ela queria levar umas coisas que eram da casa e aí a Vera também falou: “Não, você não pode levar, você espera aqui que eu vou ligar pro Fulano”.

E aí ela acabou deixando as coisas lá, que eram tipo, sei lá, uns objetos, algumas artes e a Vera falou: “Depois vai sobrar pra mim, então você espera aqui que eu vou ligar pro dono da casa, você só pode sair daqui, eu tive ordens, com as suas coisas”. Gente, o cara enganou? Será que ele enganou? Eu acho que enganou, porque primeiro ele não contou que tinha feito vasectomia… Segundo, ele realmente dava a entender que as coisas eram dele, mas eram do pai dele. Ele era rico, mas o pai era rico, né? Ou não? O fato é que quando o Habibi passou dessa pra melhor, e Habibi fazia realmente todos os gostos dela, mas assim, dava bolsa falsa… Se ela gostava de uma. bolsa, ele depois falava: “não, vou mandar trazer para você”, sabe assim? De Dubai… “Vai vir de Dubai. Sua bolsa vem, ó, vai vir de Dubai… A sua bolsa… Espera. Eba, eba, eba, bolsa”… [risos] E aí ele comprava acho que na 25 de março, não sei onde assim… Porque eu também não sei reconhecer uma bolsa falsa ou uma bolsa verdadeira. Eu sei dizer a costura, o couro e tal, mas uma réplica bem feita, eu não sei diferenciar e ela provavelmente também não sabia, né? 

Porque quando foi vender as bolsas para ter um dinheiro, vender as joias, era tudo falso… A única coisa que ela tinha era a aliança do dedo dela, que aí não sei, não sabemos, né? Vera não sabe se ela vendeu, se ela não vendeu, mas ela saiu de lá com a aliança no dedo. A Vera não foi mandada embora, ela foi transferida lá para o restaurante e hoje ela trabalha ainda no restaurante num cargo de chefia. Nenhum funcionário foi mandado embora, foram remanejados. E o apartamento, ela não sabe se foi vendido, se foi alugado, mas eles não ficaram lá, né? Foram trabalhar no restaurante.  — Gente, eu tô passada, porque assim, o cara tinha tudo e não tinha nada. Tinha nada, tinha nada, era um liso, um liso com o dinheiro do pai. — O que vocês acham?

[trilha]

Assinante 1: Oi nãoinviabilizers, aqui é Juliana e eu falo de Porto Alegre. Gente, precisamos desmistificar isso de que as pessoas ricas, muito ricas, não sabem o valor do dinheiro. A gente não pode, nós da classe CLT, trabalhadora, classe média, achar que a gente vai se juntar com os ricos e que eles não sabem quanto eles estão abrindo mão ou quanto eles estão nos provendo luxo, entre aspas, porque eles sabem e sabem muito bem. Além do mais, se forem pessoas do ramo de negócios, que empreendem, enfim, essas pessoas sabem muito bem o valor do dinheiro. Quando a gente acha que está fazendo relacionamentos e fazendo um bom negócio, dando um golpe, na verdade, quem pode estar levando um golpe, somos nós. Então, atenção… É isso, um beijo. 

Assinante 2: E aí, galera, aqui é a Karen de Curitiba. E o que foi essa história de novela, hein? Foi uma grande prova de que gente ruim atrai gente ruim. E a melhor parte é que a bolsa que era pra ser de Dubai, era do “DuBairro” do lado. [risos] Viu só, gente? Às vezes a grama do vizinho só parece mais verde porque é grama artificial mesmo. Um beijo.

[trilha]

Déia Freitas: Fique atento às situações do dia a dia, tente dar sempre uma respirada na correria… Dá aquela paradinha, olha quando você foi fazer uma compra, presta atenção no seu cartão, nas coisinhas ao seu redor… Tenta dar essa parada, sabe? Ai, tá ali frenética, buscando os presentes de Natal? Para, respira… Desconfie sempre dos desconhecidos que se aproximam aí com a boa lábia, cheia de boa intenção, “não, me dá aqui o seu cartão que eu te ajudo”, sabe isso? Não entrega o seu cartão na mão de ninguém e não utilize seu cartão em maquininhas com o visor danificado. Botou lá o cartão, viu que tá estranho aqueles números? Não põe senha, gente… Não põe senha. Desconfie, quem desconfia evita golpes. Na dúvida, procure o BB. Saiba mais no link que eu deixei aqui na descrição do episódio. — Valeu, Banco do Brasil, pela parceria. — Um beijo, gente, e eu volto em breve. 

[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]