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título: influencer
data de publicação: 20/11/2025
quadro: picolé de limão
hashtag: #influencer
personagens: carol

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei pra mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem tá aqui comigo hoje é o Banco do Brasil. Novembro é o mês da Black Friday, mês de descontos especiais, quando muita gente aproveita pra comprar os produtos que queria aí há um tempo. — Você pesquisa, você aguarda e você compra… — Mas nem todo mundo está com boas intenções. Os golpes estão cada vez mais sofisticados e o Banco do Brasil te ajuda a se proteger. Recebeu um e—mail como oferta imperdível, mesmo que mencione uma empresa famosa? Desconfie… Pode ser um golpista tentando te atrair. Quem desconfia, evita golpe. Dica fundamental: sempre confirme a promoção nos canais oficiais da empresa. Acesse o site ou aplicativo oficial para verificar se a oferta é verdadeira.

Nunca, nunca, nunca, nunca clica em links recebidos por e—mail, SMS ou mensagens para fazer a compra, porque isso pode sim ser golpe, gente. — Fica aí esperto. — Erros e alterações de grafia no nome da empresa indicam que a página é falsa, assim como a falta de opções de telefones ou canais de contato… Também são sinais de alerta. Quem desconfia, evita golpes. Na dúvida, procure o BB. Saiba mais no link que eu vou deixar aqui na descrição do episódio. E hoje eu vou contar para vocês a história da Carol e acho que a gente tem que prestar atenção nos detalhes. — Eu vou pedir para a Karina separar comentários de pessoas do direito para a gente ter um parecer técnico mesmo da coisa. — Então vamos lá, vamos de história.

[trilha]

Carol, engajada no seu trabalho, uma pessoa muito atuante na firma, uma vez elaborou um evento — foi responsável por um evento da empresa que ela trabalha e que ela ganha muito bem, que ela está muito feliz nessa empresa — e, neste evento, ela conheceu um cara… Este cara estava na equipe que ela contratou, ele era a pessoa que coordenava ali as pessoas do buffet. — Ele não era um dos garçons ou garçonetes; ele era tipo o chefe ali da equipe. — Ele se apresentou como sócio desse buffet, então ela tinha que lidar com ele ali o tempo todo para ver se todo mundo estava sendo servido, se estava correndo tudo bem no evento e nã nã nã. Rolou um clima ali, eles trocaram telefone, Carol com os seus 31 anos e esse cara com seus 28 anos. Então, assim, mesma faixa, né? Começaram a se falar e marcaram um primeiro encontro. Saíram, tomaram um chope, conversaram, terminaram a noite na casa da Carol e foi tudo maravilhoso. Ele dormiu, né? No dia seguinte, ele falou: “Nossa, que legal… Eu estou começando na internet na área de influencer”. — Ele já tinha um perfil ali com cerca de 3 mil pessoas e, hoje em dia, é muito importante, a gente não pode deixar de lado os microinfluencers. Tem gente que tem poucos seguidores, mas que tem uma capacidade muito bacana de engajar. Então, vão falar “o cara só tinha 3 mil seguidores”, mas é um começo, né? Se a pessoa quer começar nessa área, não sei, né? —

“Você mora, nossa, num espaço muito legal e tal… Posso fazer uns vídeos daqui?”, Carol achou que não tinha problema. Começaram ali um namorico porque ninguém falou em namoro sério e sempre que o cara estava lá, ele postava vídeos. Ela via alguns ou outros. Assim, às vezes ele dava a entender que ele estava morando lá, mas não estava. — Reparem. — Ele tinha esse trabalho, né? De gerir essas pessoas em eventos e tal. Um dia ele falou para a Carol, reparem, via mensagem, que ele estava a beira de um burnout, de uma estafa, que ele estava muito ruim da cabeça e que ele ia sair desse emprego. E a Carol: “Mas e aí, como é que você vai fazer, né? Vai sair do emprego? Não é melhor você procurar outro primeiro?”, porque, gente, pelo menos a minha vida toda foi assim… Eu só saí de um emprego quando eu tinha outra em vista ou pra fazer algum bico, porque eu dependo 100% da minha renda de trabalho pra sobreviver, né? E eu acho que 99% das pessoas rolam desse jeito, né? 

Carol teve essa conversa com ele por troca de áudios ali e, no dia seguinte, ela foi mandar um bom dia pra ele e ela viu que os áudios que ele tinha mandado, ele tinha apagado, mas ele disse pra ela que ele tinha essa mania de apagar conversa… Ela ficou meio cabreira: “Será que ele tem alguém? Será que ele tem uma namorada e aí tá apagando pra namorada não ver o nosso diálogo?”, sei lá, né? Só que ele começou a ficar muito tempo na Carol, até que pessoalmente ele perguntou se ele não poderia ficar algum tempo na casa da Carol. — A palavra que ele usou foi “um tempo”. Carol estava apaixonada, mas assim, um pouco ressabiada, porque ela não está acostumada a dividir o espaço dela, né? “Poxa, o cara, sei lá, né? Está numa estafa, está meio mal e é uma companhia agradável, então tudo bem”. Ele saiu da casa dele — ele dividia um apartamento com outras quatro pessoas — e foi morar na casa da Carol. 

No dia que ele foi para a casa da Carol, a Carol estava trabalhando, deixou a chave com ele, fez uma cópia da chave para ele e ela mandou uma mensagem: “Que bom que você está aí, que a gente vai estar junto.”. O tempo foi passando, esse cara, micro—influencer, né? Fazia o café da manhã pra Carol… — Então pensa, gente, quem não gosta de alguém que faz o café da manhã pra você? — Postava… Ela não deixava mostrar o rosto dela, mas ele, tipo, sabe, o cara romântico? Ele era influencer romântico. Ele caminhando com a bandeja, chegando na cama com o suco de laranja e o ovo e o pão pra ela, sabe? Ele, todo dia, postava alguma coisa a respeito de conteúdo ali na casa da Carol, né? Carol com uma diarista, indo uma vez por semana. Com um mês que o cara tava ali, ela notou que a casa tava muito bagunçada, então ela contratou essa diarista pra ir duas vezes na semana. — A gente vai chamar essa diarista de “Sandra”. — Sandra indo agora duas vezes por semana e Carol dando uns toques pra ele, assim, né? Quando ela chegava: “olha, você tem que deixar mais arrumadas as coisas, porque tem a Sandra… Eu que tô pagando sozinha, você já viu como é que você vai fazer?”.

Nesse translado dele de sair da casa que ele morava pra ir morar com a Carol, ele também saiu do emprego dele. — Saiu do emprego dele… — Agora, Carol tinha dentro de casa um micro influencer que tava querendo começar essa carreira, mas que não tinha renda, que era uma pessoa que ela conhecia pouco, mas que era, sim, uma pessoa muito agradável. Tirando esse problema da bagunça, naquele começo ela não teve nenhum estresse, mas quando foi passando um, dois, três meses, ela foi questionando ele em relação às contas, porque já que eles estão ali, então eles têm que dividir as contas, né? Nesses dois dias que a Sandra trabalhava, quando ela chegava, ela fazia alguma coisa de estética, porque a Sandra faz também sobrancelha, uma limpeza de pele leve, a unha do pé… Sandra uma trabalhadora, gente, tá aí na batalha e fazendo as coisas dela. E antes ela ia uma vez por semana, agora ela estava indo duas vezes na semana. —

O tempo foi passando, esse romance alcançou seis meses, sete meses… Com oito meses, esse cara começou a ficar estranho. Ele só era romântico quando ele fazia as postagens, que eram o conteúdo dele da internet. Nessa época, ele tinha passado de três mil seguidores para oito mil seguidores, mas ele tinha comprado seguidores. — Carol me falou: “Andréia, não foi com o meu dinheiro, mas ele me disse que ele comprou seguidores porque ele precisava comprar seguidores. Então, como ele comprou, não sei”. Com oito meses já e ele sem contribuir com nada — agora não sendo tão fofucho assim —, Carol também começou a ficar mais chata com ele. Com nove meses, Carol pediu que ele saísse… Ele falou: “tudo bem, eu posso sair, mas eu não tenho como sair assim, eu preciso de um tempo” e a Carol falou: “Quanto tempo?”, “Uns dois, três meses”. Nesse meio tempo, eles ficaram bem e, assim, mal algumas vezes… — Sabe assim? Um vai e volta, porque o cara estava morando lá na casa. —

Nesse tempo, ele passou a dormir no outro quarto — então, depois que ela comunicou que gostaria que ele saísse —. mas de vez em quando eles ficavam, de vez em quando ele fazia um conteúdo romântico para ela e postava. — Obviamente, porque o cara era influencer. — O tempo foi passando: dez meses, onze meses, um ano, um ano e um mês e a Carol falou: “Bom, agora chega, agora realmente eu preciso que você saia” e ela estava disposta a trocar fechadura, tudo, mas o cara saiu numa boa da casa. — Aí vocês vão me dizer: “poxa, ela sustentou o cara 100% das coisas”, pagando comida, mantendo ele 100%, só não pagando as coisas dele de internet. Ela falou que, às vezes, ela não sabe como ele tinha dinheiro… Deve ter algum dinheirinho guardado, né? Ele comprava uma camisa, alguma coisa, e postava dizendo que uma loja ou uma marca tinha mandado para ele e era mentira… Mas ela via isso e falava: “eu não sei, Andréia, como funcionam as coisas na internet, muita coisa do que a gente vê é mentira. Às vezes, ele estava abrindo um espaço para outras marcas. Eu não achava que isso era um problema”. 

O tempo passou, quatro meses depois, Carol recebeu um papel de um advogado… Este cara estava fazendo um pedido de união estável e pedindo uma pensão para a Carol. Ele alegava que a Carol pediu que ele saísse da casa dele, pediu que ele abandonasse o trabalho dele e vivesse exclusivamente fazendo as coisas do lar para ela, sendo, tipo, marido dela e do lar. Que, nesse período, ela impossibilitou que ele tivesse uma renda, que ela bancava tudo e que ele fazia os trabalhos domésticos. E ele tinha provas do quê? Dos cafés que ele fazia, dos almoços que ele fazia. Carol ficou em choque. — Em choque, em choque, em choque. — O advogado da Carol falou: “meu Deus, eu preciso de provas de alguma coisa” e ela foi olhar, o que tinha no WhatsApp? Carol falando que estava feliz que ele estava lá: “Ai, que delicinha aquele almoço que você fez” e as coisas que ele falava, que davam a entender que ele sabia que ele estava ali fazendo as coisas dele de influencer e tal, ele escrevia e apagava. — Para vocês terem uma ideia da sordidez desse cara, porque assim, quando você apaga uma mensagem no WhatsApp, fica lá, “mensagem apagada”, né? Ele apagou do WhatsApp dela. —

Ela não sabe se foi no WhatsApp Web, enfim, todas aquelas mensagens apagadas. Então, ele deixou uma coerência de conversa ali que parecia realmente que ela estava incentivando que ele ficasse em casa. Mas quem ela tinha de testemunha? Ela tinha a Sandra e Sandra falou: “Não, eu vou de testemunha para você.” Os pagamentos que a Carol fazia para a Sandra eram misturados com coisas que ela fazia de estética, então o advogado do cara, instruído pelo cara, com as informações que o cara passou, disse que a Sandra não era uma diarista, que a Sandra era uma pessoa que fazia serviços de estética na Carol, como a Carol não emitia nenhum recibo… — Como uma pessoa que é diarista, ela pode ter os seus direitos preservados e também a pessoa que a contrata pode fazer tudo direitinho, porque a Carol, assim, contratou a Sandra, mesmo quando ela ia uma vez só na semana, era de boca, e aí, ela fazia o pagamento, às vezes em dinheiro vivo e depois que começou o Pix, o Pix… — Quais os direitos da diarista? O que você tem que fazer para ser certinho? Carol não tinha isso… E realmente, a Sandra era a pessoa que fazia a estética dela.

Resumindo aqui, ela teve que entrar num acordo ali e ela pagou para este homem um ano de pensão de um salário mínimo. — Tá bom pra vocês? Tá bom pra vocês? — Este cara queria até direitos sobre as parcelas do apartamento que ela pagava quando eles estavam juntos, sobre o décimo terceiro que ela recebeu, sobre o fundo de garantia dela nesse período que eles estavam juntos… — Tá bom pra vocês? — Então, eu, assim, eu fico cada dia mais desprotegida. E aí, eu acho, eu, Andréia, tá? A Carol acha que não, mas eu acho… Eu acho que ele fez de caso pensado, e eu acho que não deve ser a primeira vez que ele faz isso. Ele deve ter conseguido fazer acordos antes de chegar na justiça porque realmente esse é o primeiro processo que ele tem aberto, né? Porque o advogado da Carol conseguiu ver que ele não tinha nenhum outro processo, né? Porque podia até usar isso como se o cara já tivesse feito isso outras vezes, como um método dele, né? Mas é o primeiro processo. 

E eu acho que ele fez de caso pensado, porque quem apaga as mensagens dizendo “eu posso morar aí?”? Porque foi ele que se convidou. Era ele que não tinha emprego, não procurava emprego… E ele alegou que a Carol não deixava ele trabalhar, que ele era uma pessoa do lar, que ela tirou ele do emprego e da casa que ele tinha. — E a gente está falando aqui da Carol, que é uma pessoa que trabalha numa empresa muito grande, que é muito bem esclarecida, inteligente e que jamais achou que fosse cair numa dessa e caiu, gente… Eu cairia? Quem não cairia? — E com as conversas que ele tinha e com as coisas que ele filmava, que ele fazia na casa, que era o básico do básico, que era uma comida pra ele poder postar, o entendimento que se chegou ali nesse acordo é que ela deveria pelo menos fazer uma compensação desse ano e um mês que ele passou praticamente prestando serviços pra ela, sendo o maridinho dela numa união estável. O que vocês acham? 

[trilha]

Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, aqui é a Carol, sou advogada de São Paulo. É necessário pensar muito bem antes de decidir morar junto com alguém com o qual se tem um relacionamento. Se você decidir morar junto, é necessário se resguardar. Muita gente fala em contrato de namoro, que é um documento particular no qual os namorados declaram que não têm uma união estável, mas isso só vai ter validade em juízo se efetivamente não houver uma união estável, ou seja, se vocês estiverem morando juntos só de forma temporária, por questões circunstanciais, e mantiverem uma independência financeira, além de não terem a intenção de constituir uma família no futuro. Se for essa sua situação, faça o contrato de namoro e arquive prova de todos esses fatos que eu falei antes. Agora, se vocês moram juntos porque têm a intenção de cohabitar, existe uma união pública e duradoura, vocês têm a intenção de um dia se casar e existe uma dependência financeira, sinto—te informar, mas você tem, sim, uma união estável, ou seja, pensa muito bem antes de colocar dentro da sua casa uma pessoa que será sua dependente financeira.

Assinante 2: Oi, nãoinviabilizers, meu nome é Vanderleia, eu sou de Belo Horizonte. No caso da história da Carol, parece que o rapaz agiu de caso pensado e criou toda a estrutura pra pedir os direitos dele no final do relacionamento. Mas de maneira geral, união estável é um instrumento, um instituto pouco seguro no direito brasileiro. Muitas pessoas que deveriam ter direito ao patrimônio, não conseguem o reconhecimento e outros que agem de má fé, como esse rapaz, conseguem… Então vou bater na tecla: formalizem a situação jurídica de vocês. Se você namora, faça contrato de namoro. Se você realmente quer constituir família, faz a escritura de união estável com regime de bens ou se case com a pessoa. Pode parecer mais trabalhoso, mas é muito mais seguro. Não more com ninguém sem papel assinado, isso é ilusão, isso é engodo, isso é bobeira… E sobre a questão da diarista, é muito bom você ter um recibo ali, pode ser feito a caneta, mas constando que você pagou e que foi em relação a diária do trabalho doméstico, isso é bom pra você e isso é bom pra pessoa que você contrata também.

[trilha]

Déia Freitas: A Black Friday chegou… E, nesse momento em que o nosso foco está voltado em aproveitar as promoções, as ofertas, o Banco do Brasil vem te trazer um alerta: Desconfie de e—mails recebidos com ofertas ditas imperdíveis. Sempre busque os perfis oficiais das lojas ou digite o endereço diretamente na barra de pesquisa. Quem desconfia evita golpes, na dúvida, procure o BB. — Saiba mais no link que eu deixei aqui na descrição do episódio. Valeu, Banco do Brasil, pela parceria… Vamos aí evitar golpes. — Um beijo, gente, e eu volto em breve.

[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]