título: lanchonete
data de publicação: 02/02/2026
quadro: picolé de limão
hashtag: #lanchonete
personagens: esmeralda, marido e milton
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei pra mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — Quem tá aqui comigo hoje é o Airbnb. Carnaval com amigos não pode ser inviabilizado… Todo ano é a mesma coisa: grupo grande, mil ideias, todo mundo quer viajar… Aí começa: “Ah, mas eu fiquei em outro lugar”, “ah, mas eu não achei nada”, “ai, mas esse lugar tá longe”, então anota essa dica de ouro: carnaval bom é carnaval com todo mundo junto. E isso pra grupo é no Airbnb. Corre que dá tempo, vai lá, se antecipa, entra no Airbnb, salva suas acomodações favoritas e já manda no grupo com seus argumentos, tá? O argumentinho tem que tá pronto, ó, fala: “gente, casa inteira pra gente, essa casa tem piscina, churrasqueira, todo mundo junto, não vai ter desencontro, não vai ter estresse…”.
No Unidos do Airbnb, carnaval com amigos funciona assim, acorda junto, sai junto, volta junto… Se cada um ficar num canto, num canto, lugar separado, pra dar ruim é dois palitos. Não se encontra depois no meio dos bloquinhos, todo mundo se perde… Vamos fazer o bloquinho? Todo mundo vai junto, ó, andando assim unidinho, todo mundo volta junto. Carnaval entre amigos é muito melhor no Airbnb, dá pra pagar no pix, dá pra parcelar em até seis vezes sem juros no cartão, não tem desculpa… Bora resolver, chamar a galera, já manda no grupo, não deixa ninguém inviabilizar aí o seu carnaval. [risos] — Bora? Unido do Airbnb, amor… — E hoje eu vou contar pra vocês a história da Esmeralda. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]Esmeralda trabalhou muitos anos aí numa empresa e o marido dela trabalhava há muitos anos na empresa do tio. Eles estavam cansados dessa vida CLT e eles queriam ter o próprio negócio… Ali no bairro deles, eles repararam que não tinha nenhuma lanchonete por perto, se você quisesse comer um lanchão gostoso, você tinha que ir um pouco mais longe. Então eles resolveram investir aí e abrir uma lanchonete que a gente vai chamar aqui de “Pônei Lanches”. — E aí assim, né? Como é que você vai fazer isso se você é CLT? Você vai ter que sair do seu trabalho. — Esmeralda foi lá, conversou na empresa dela e eles fizeram um acordo para ela ser mandada embora, receber partes ali, fez um acordo lá, perdeu a multa, enfim… — Eu nem sei se esse acordo é lícito, viu, gente? Mas estou falando aqui o que aconteceu com Esmeralda. — Eles estavam preocupados — Esmeralda e marido — que o tio não quisesse mandar o marido de Esmeralda embora, porque era uma empresa familiar, ele já trabalhava lá há muito tempo e tal.
Mas assim que o cara pediu para o tio, o tio já mandou ele embora e falou: “vou te pagar, vou nem fazer acordo não, vou te pagar todos os direitos, vai lá, segue sua vida, vai ser feliz na Pônei Lanches”. Ela recebeu em torno de 24 mil reais e ele 30 mil reais. Abriram o CNPJ, tudo certinho e eles queriam entrar 50-50. Então a Esmeralda deu os pulos dela lá e cada um entrou com 30 mil reais. — Então veja, eles abriram um negócio com 60 mil. — Alugaram um lugar, fizeram uma pequena reforma, enfim, vamos começar. O dinheiro deu, tudo certinho, fizeram ali um pequeno fundo de caixa de 10 mil reais, então eles fizeram tudo com 50 pau e começaram o negócio… E não é que virou? Porque, assim, não tinha realmente nenhuma lanchonete boa perto. Só que tinha uma coisa: eles só tinham dinheiro para contratar um funcionário, CLT, pagando tudo certinho, né? Contrataram o Milton.
Milton ficava na chapa, fazia os lanches ali, fritava as batatas e Esmeralda tinha que fazer os sucos. — No final, ela acabou deixando só suco de laranja, porque era muito para ela fazer vários sucos. Por quê? Ela tinha que fazer o suco, servir as bebidas, servir as mesas, limpar e cuidar do caixa… — O marido dela ficava parado no balcão apenas conversando com as pessoas. [risos] Tipo o hostess do lugar: “Tudo bem? Seu lanche está bom, meu querido?”, só isso que ele fazia. No balcão ainda tinha umas sobremesas ali… Quando alguém estava indo embora e queria levar um pudinzinho a mais, você já está ali no caixa, você não pega o pudinzinho? Não, ele chamava Esmeralda… A pessoa desocupou a mesa, você, seu inútil, não pegava um pano para passar na mesa e deixar limpo ali para o próximo cliente… Não, quem tinha que fazer isso era esmeralda, às vezes ela estava lá no caixa, cobrando, cobrando, cobrando, e ela tinha que parar e ir lá limpar a mesa, porque não tinha mesa e ela falava para ele, ele falava: “vou fazer” e não fazia, gente…
Um casamento aqui de 11 anos. Segundo casamento dele e segundo casamento de Esmeralda, ambos com filhos já casados, então assim, os dois com uma vida boa, tranquila, mas cada um trabalhando ali no seu emprego, foram ser sócios… E aí ela descobriu que ele não fazia nada, absolutamente nada. Aí você vai me perguntar: “mas e em casa, Andréia, ele fazia alguma coisa?”, não, não fazia, mas assim, Esmeralda sempre gostou da casa dela, do jeitinho dela, então chegava no final de semana, porque eles dois trabalhavam fora, então não sujava muito. Então ela dava conta sozinha, ela nunca nem pediu… E a gente sabe aqui que a grande revolução feminina, digo isso assim, com muita alegria, é a máquina de lavar louça. Então assim, Esmeralda falou: “Andréia, botava tudo na lava—louça, passava um pano na casa, uma casa pequena de dois quartos e tava feito… Roupa a gente jogava tudo na máquina, tanto eu quanto ele, e ele também botava sabão lá, dava tudo certo”.
Então, assim, não é que o cara era um folgado em casa, era normal assim, né? Na Pônei Lanches ele não faz nada… E a lanchonete está faturando, porque a cidade é pequena, é novidade, eles fazem os lanches gostosões assim, com nomes divertidos e tal, e a galera está gostando. Sabe lanchonete que o lanche vem ali embrulhado no papel, as fritas vêm na bandeja em cima do papel? Uma coisa mais moderna. Só que a Esmeralda ela não tá aguentando mais… Teve um dia que ela tava tão cansada, limpando mesa, fazendo caixa, que ela começou a chorar. Milton saiu lá da chapa e foi ajudar a Esmeralda. A esposa do Milton trabalha na área da limpeza e ela faz bico às vezes, pega algumas faxinas extra e aí ela começou a pegar pelo menos uma vez na semana pra fazer uma faxina mais pesada na lanchonete porque a Esmeralda não tá dando conta mais. A Esmeralda já não é uma jovem, sabe?
Teve um dia que ela estava tão sobrecarregada que ela começou a chorar eo Milton veio, ajudou, uma outra moça que era cliente pegou o pano e limpou as mesas… E ele lá falando: “não, Esmeralda, calma”. Como não Esmeralda, calma? Ele não faz nada, gente… Ele não faz nada. Até o Milton: “Esmeralda, você tá levando isso aqui nas costas sozinha”. E um dia a Esmeralda falou para ele que queria fechar a lanchonete, porque se só ela trabalha, para ela não está sendo vantajoso mais e ela falou: “Andréia, a empresa que eu saí, como a minha área é da contabilidade, você precisa de ter confiança e tal, o meu chefe falou: “se você quiser voltar, você pode voltar”. E aí ela foi conversar com o marido e ele falou: “jamais, isso aqui eu vou levar até o final da vida”, só que ele não faz nada, nem no caixa ele mexe, assim, pra fazer uma cobrança, nada… Diz ele: “ai, é que não está acostumado com o pix”.
Ela foi ficando sobrecarregada e um dia alguns parentes dele foram lá, porque assim, ela sempre teve um bom convívio com a família do marido, né? Conversando com uma prima do marido dela, ela descobriu que no tio lá ele não fazia nada… Quando ele pediu para ser mandado embora, foi uma alegria, todo mundo queria se livrar dele, mas como era parente, ficava assim: “vamos arranjar briga em família” e, quando ele pediu para sair, foi uma alegria… O tio pagou até um bônus para ele nunca mais voltar, sabe esse tipo de coisa? Então, assim, a família já sabia que ele era um encostado, mas não tinha também por que falar isso para a Esmeralda, né? Porque até então ele trabalhava com o tio, mas ela não sabia se ele realmente, de fato, fazia alguma coisa, né? Só sabia que ele trabalhava no escritório com o tio, fazendo as coisas ali da parte administrativa, mas ele não fazia nada… E é aqui que chegamos na ideia da esmeralda.
Esmeralda tá nessa vida, com esse marido, sem fazer nada, sobrecarregada, já teve uma crise de estafa e ainda assim teve que ir trabalhar, porque ele não fazia nada, o Milton falou: “Ou a gente fecha aqui ou sei lá, você manda alguém para cá para me ajudar, porque o seu marido não está fazendo nada” e ela foi para lá doente, enfim… Esmeralda quer tirar do caixa o dinheiro que ela investiu, então os 30 mil reais e pedir para sair da sociedade e falar que não precisa dar nada para ela, mas aí ela já tirou os 30 mil. Porque o marido já disse que se ela quiser sair da sociedade, ela vai sair sem nada, porque ele não quer abrir mão da lanchonete, não vai vender e não vai dar nada para ela. Sendo que ela que faz tudo, ela que cuida de tudo… E agora ela já está no ponto até de querer se divorciar. — Teve um dia que ela estava com a coluna travada e lá limpando mesa, porque ele não faz nada, ele fica no balcão, gente… Ele fica no balcão da Pônei Lanches. —
E o pior é que todo mundo gosta dele, porque chega lá na lanchonete, ele tá lá: “Oi, tudo bem? Tá gostoso aí o seu lanche? Você está gostando do seu lanche?”, “oh, boa noite meu querido, senta aqui”, mas não limpa uma mesa… Todo mundo conhece mais ele do que a própria Esmeralda. — Esmeralda quer fazer isso, ela quer tirar o dinheiro dela do que entra do caixa ali e ela falou: “Andréia, sei lá, eu consigo juntar. Em seis meses eu junto esses meus 30 mil aí e saio fora. Peço pra tirar o meu nome, passo pra ele 100% aí do CNPJ e volto a trabalhar na empresa que eu trabalhava”. E aí ela tem certeza que a lanchonete vai falir, a não ser que ele contrate uma outra pessoa, mas se ele não cuida nem do caixa, né? A probabilidade de ele tomar um golpe ali é grande também, né? O tio dele não vai aceitar ele de volta, já botou outra pessoa no lugar dele, já, assim, puxou outra pessoa da família que já estava na empresa, então, assim, não tem como, e aí ele vai ficar desempregado porque ele é um inútil.
Então ela está pensando em tirar o dinheiro dela e, na sequência, já se divorciar. Sendo que também ela tira ali da lanchonete só o dinheiro para pagar as contas da lanchonete e as contas da casa e eles não estão tirando dinheiro para eles… Nem ele, nem ela. Então, pra ela juntar esses 30 mil, ela ia tirando, assim, sei lá, metade, que seria a metade dela. Então não sei se é zona cinza também… Porque deixando a metade dele. Mas e ela trabalhando mais? Não seria justo ela pegar mais? Porque ele não faz nada, gente, ele não faz nada, ele só fala “boa noite, meu querido, tá bom o seu lanche?”, só isso… Esmeralda disse que se arrependeu muito, muito, muito de ter saído do emprego dela e de ter feito sociedade com o marido, talvez se fosse com outra pessoa, ela falou: “Andréia, se fosse com o Milton, eu estava feliz, porque o Milton trabalha 50% ali, ele é o chapeiro, e eu trabalhando os outros 50%, sabe? Se fosse sociedade, eu e Milton, mas com ele…”.
E tem ainda uma outra questão: o marido dela quer ampliar, quer alugar o lugar do lado para aumentar a lanchonete. — Ou seja, receber mais gente é mais trabalho para a Esmeralda. — E, nesse ponto, a Esmeralda já não está pensando mais no lucro, em crescer, expandir, porque assim, o cara não faz nada… E a questão da esmeralda é mais essa também: “Tudo bem, Andréia, a gente expande, eu contrato mais duas pessoas, CLT, tudo certinho… É justo que só eu trabalhe numa sociedade que é 50-50? Ele só fica no balcão?”. Ah, eles vão para lá ao mesmo horário? Sim, mas ele não faz nada, ele não pega uma vassoura, ele não pega um pano para passar em uma mesa, ele não cobra, não faz nada no caixa, nada, nada de nada… Então o cenário é esse, gente, Esmeralda quer tirar os 30 pau dela do caixa sem que ele saiba realmente, assim, porque se ele souber, ele não vai aceitar.
E aí ela fala: “Tá bom, eu te dou aí a sociedade”, porque ele já disse isso uma vez: “Então, me dá a sua parte e você pode sair. Sem nada”. Então, quer dizer, o cara já não tem caráter… Porque se ele vê que só ela tá trabalhando, né? E ele ainda acha que ela tem que sair sem nada? Então, assim, é errado, talvez, ela pegar o dinheiro do caixa? Eu tô nessa, hein… [risos] Ai, meu Deus, a moral, né? Tô nessa, Esmeralda, com você… Eu acho que é isso. Não tem outra forma, gente, ele não aceita que a Esmeralda saia com grana dessa sociedade, sendo que ela faz tudo. E eu acho que ela tá certa também em querer o divórcio, porque ela acabou descobrindo ali, trabalhando com ele, quem ele é, né? Ainda mais ele querendo que ela saia sem nada. E vamos acompanhar aí os próximos capítulos, porque Esmeralda acha que a lanchonete vai falir. E Milton já falou: “Se você realmente for sair, eu não confio dele me pagar meus direitos”, porque às vezes ele reclamava até de pagar o vale de transporte do Milton, dar o dinheiro ali, né?
“Se você realmente for sair, eu quero que você faça, antes de sair, as minhas contas, porque eu vou sair também”, então já vai perder Milton nessa, né? O que fazer? Como sair? Ela quer sair, mas ela quer os 30 mil dela intactos… É errado? Vocês acham errado?
[trilha]Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, aqui é a Larissa de São Paulo. O primeiro passo, Esmeralda, é você realmente formalizar o divórcio com esse seu marido, né? Você descobriu um lado dele que realmente é bem complicado assim, né? Aparentemente ele te vê como a esposa, também dentro da sociedade, e essa esposa que precisa fazer tudo, né? Tanto em casa como na sociedade, né? Então realmente eu não acho que é um homem pra você continuar construindo sua vida, então o divórcio é a primeira ação. Segundo, eu realmente não iria por essas vias de fazer um caixa dois ou de fazer nada ilícito, tá? Porque você tá na razão, você tem o dinheiro que você colaborou, você ajudou a construir um negócio, quiçá você construiu o negócio praticamente sozinha, então, assim, use a sua razão e vá pelos meios legais. Melhor coisa. Um beijo.
Assinante 2: Oi, nãoinviabilizers, aqui é a Nayara de Santa Luzia. Esmeralda, independente do que você estiver pensando aí sobre o seu casamento, procure um advogado pra ele te orientar melhor dos seus direitos aí dentro dessa sociedade, porque se você fez tudo direitinho, contrato social, etc e tal, já tem CNPJ, com certeza você tem direito a ir em um prolabore, você tem direito a sua parte e ninguém é obrigado a ficar de sociedade com uma pessoa o resto da vida. Você pode a qualquer momento decidir desfazer aquela sociedade, o que não significa que você tem que sair de mãos vazias daquilo. São os seus direitos, é o dinheiro seu também, você também investiu esse dinheiro. Então, eu acho que um advogado vai poder te orientar melhor sobre o que fazer, sobre quais medidas você pode tomar, sem que você precise de entrar numa zona cinza. Eu acho que não tem necessidade disso se você for bem orientada, mas esteja preparada para isso impactar diretamente no seu casamento. Então o meu conselho é esse, sabe? Esteja preparada e consulte um advogado. Beijos, fica com Deus!
[trilha]Déia Freitas: No Airbnb você encontra os preferidos dos hóspedes, as acomodações mais bem avaliadas por quem já ficou por lá. Entra agora no aplicativo do Airbnb, faz a sua lista de acomodações favoritas para o carnaval e já compartilha no seu grupo de amigos. Assim fica muito mais fácil escolher, reservar e garantir que todo mundo vai ficar juntinho nesse carnaval. Não esquece, você pode pagar no pix ou parcelar em até 6x sem juros no cartão. — Corre, gente, dá tempo de ter um carnaval incrível ainda. — Não inviabilize o seu carnaval. — Valeu, Airbnb. — Um beijo e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]

