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título: live
data de publicação: 04/11/2024
quadro: picolé de limão
hashtag: #live
personagens: leila

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]


Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. E hoje eu não tô sozinha, meu publiii… — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem está aqui comigo hoje é a Hashtag Treinamentos. A Hashtag é uma das maiores empresas de treinamentos da América Latina, focada em fazer você se destacar no mercado, seja aí para virar uma referência na sua empresa ou para se destacar em um processo seletivo. E entre os dias 05 e 11 de novembro vai rolar a Black Friday da Hashtag Treinamentos, onde você poderá aprender as principais ferramentas e habilidades do mercado de trabalho, desde planilhas e análises de dados até a linguagem de programação. 

Isso tudo com treinamentos de Excel, Power BI, inteligência artificial, Python, análise de dados, full stack e muito mais aí, sem nenhum pré-requisito. Do básico ao avançado. — Ou melhor, ao nível que a tag chama de “impressionador”. — Acima do avançado… Você vai ter tudo isso aí na Hashtag Treinamentos. E nessa Black Friday, a Hashtag vai fazer a maior promoção de cursos que você já viu. Todos os cursos vão estar aí com mais de 50% de desconto. [efeito sonoro do meme “eu estou passada, chocada”]. Eu vou deixar o link certinho aqui na descrição do episódio para você ser avisado aí assim que a oferta for liberada e você já garantir o seu desconto. E hoje eu vou contar para vocês a história da Leila. Então vamos lá, vamos de história. 

[trilha] 


A Leila ela é uma cabeleireira [risos] e, assim, quem é de internet aí vai lembrar da cabeleireira Leila, [risos] CabeleileilaLeila. Um belo dia Leila foi para o litoral com as amigas e lá no litoral elas estavam na praia lá e tal e tinha um cara num dos quiosques olhando e ele estava olhando muito, muito para Leila. Leila achou esse cara interessante e começou a trocar olhares com ele e ele fez um sinalzinho tipo “vem cá”, na mesa e tal. E aí ela foi na mesa lá que ele estava na praia, ali no quiosque e ele se apresentou, ela se apresentou, eles começaram a conversar, ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela pediu uma caipirinha e eles conversaram mais, trocaram telefone e aí as amigas queriam ir para um outro ponto da praia e a Leila ficou interessada nele e convidou para ir junto. E ele falou: “Ah, vou, né?”, ele pôs a mão no bolso e falou: “Ai meu Deus, minha carteira ficou no carro”. —  Primeiro sinal já… — “Preciso acertar aqui no quiosque para eu ir com você”. A Leila foi e pagou a conta do cara… Ele tinha tomado quatro cervejas, tinha a caipirinha dela, outra caipirinha que ele pediu e a Leila pagou e ele foi junto com a turma. 

Então, assim, as amigas da Leila viram isso, ela pagando a conta do cara e elas já ficaram no ranço. — Porque é isso, gente… Amiga é isso também, tem hora que pega ranço aí do seu querido, do seu boy e pega mesmo. — E aí elas já pegaram ranço: “Esse cara vai vir junto com a gente? E você pagou a conta dele? Esquisito”, mas a Leila falou: “Ai, gente, relaxa, estamos na praia e tal” e aí ficou ali meio que as meninas meio pra lá e ela meio afastada com ele, conversando e tal… E ali ele falou que ele trabalhava numa marina — dirigia barco, lancha, enfim — e que era o último dia dele naquela marina, porque ele tinha saído do trabalho que ele tava. E aí a Leila perguntou: “Mas você saiu do seu trabalho para ir para um outro? Você que pediu para sair? Você foi demitido?”, ele falou: “Não, eu que saí porque eu não estava aguentando mais e tal. E, não, por enquanto vou ficar de boa, assim… Não vou trabalhar por enquanto”. Então, assim, o que a Leila pensou? Pra uma pessoa falar pra você que saiu do trabalho e que não vai trabalhar por enquanto, você pensa a pessoa tem umas economias, né? Vai dar um tempo, sei lá, espairecer e depois procura um trabalho… Se ela não é rica, né? Se ela não é uma herdeira. E aí eles continuaram conversando, trocaram esse contato, não rolou beijo, não rolou nada.

Faltava só mais um dia para Leila ficar na praia, no dia seguinte não deu certo eles se encontraram e tal e Leila voltou ali para capital dela lá que não tinha praia e ele começou a fazer contato. Conversavam muito ali por WhatsApp e conversando demais, porque isso, que aquilo, porque eu amo… Um mês depois que eles se conheceram, ninguém tinha dado beijo em ninguém. Esse cara falou: “Eu posso ir pra aí? Eu queria te ver, conversar pessoalmente e tal”. E a Leila, cabeleireira… Cabeleireiro você sabe como é que é, né? Começa cedo e meio que não tem hora e tal. Ela com o salãozinho dela, um salão pequeno, de bairro, mas, assim, bem movimentado. — O pessoal que trabalha em salão sempre fala: “Não falta serviço”. Se você tem um serviço bacana, ainda mais quem mexe com cabelo e manicure também, né? Com unhas… Você não fica sem serviço. Janaína, quando ela não consegue, parece que morreu um ente da família dela. Apesar que eu acho que dependendo do ente que morrer, ela não ia ficar nem tão chateada como ela fica quando ela não consegue fazer a unha. Então tem disso… O salão não fica vazio se você tem um bom serviço… —

E o salão da Leila era, assim, lotado, então ela tinha bastante trabalho, então era mais complicado pra ela e ele queria vir pra ver a Leila. — E, assim, quinta, sexta, sábado você esquece de quem trabalha em salão. Você pode contar aí alguma coisa com o domingo, se não for época de festas, porque se for época de festas, até de domingo vai abrir… Você pode contar com o domingo, segunda, uma terça que for mais fraco, mas é complicado. — E ela falou: “Se você quiser vir, pode vir, a gente se encontra e tal. Eu tenho uma vida corrida, mas eu dou um jeito”. E a Leila já tava amolecida por ele assim, né? E ele veio… Acontece que quando ele chegou, ele mandou uma mensagem para Leila: “Tô aqui”, ela falou: “Aqui onde?”, ele falou “na rodoviária”. Ela falou: “Ah, legal… A gente pode se ver a noite então, porque essa hora aqui no salão tá pegado, não tenho como sair, nada” e ele falou: “Mas onde eu vou ficar até a noite?”, a Leila falou: “Não sei…”, tipo, pensou, e aí ela falou: “Não sei, como assim? Não entendi”, aí ele falou: “Não, eu vim para ficar com você”. — Então, quer dizer, o cara ele veio para ficar na casa da Leila. —

E aí a Leila ficou meio assim, em choque, porque ela não tinha entendido isso, né? Aí ela falou para ele: “Olha, você pode vir aqui para o salão se você quiser, porque eu não tenho como sair daqui, eu não tenho como te levar para lugar nenhum”. E aí passou o endereço do salão e ele foi lá para o salão. Quando a Leila viu esse cara pessoalmente, que ele chegou no salão, deu aquele frio na barriga dela… Porque internet é uma coisa, né, gente? Pessoalmente é outra. Reacendeu aquilo que ela tinha tido na praia, sabe? Aquela sensação boa. — Então, meio que ali ela esqueceu esse outro sinal que eu acho muito importante é: O cara veio sem te avisar que ia ficar na sua casa, ele veio com uma malinha para ficar na sua casa. Ali era a hora de você falar: “Então, meu querido, eu quero te ver também, mas não tem condição de você ficar na minha casa”, mas como deu aquele frio na barriga da Leila, ela pensou: “Bom, tudo bem”. — Ele ficou ali no salão, ele é uma pessoa muito carismática, então foi conversando e a mulherada ali, todo mundo achou ele um príncipe, um querido, encantador… 

Leila fechou o salão ali sete horas da noite e eles foram para casa dela, ele estava com uma mala… — Não tinha nem como ir para outro lugar assim, né? — Ele chegou, já deixou a mala ali, beijou a Leila e, bom, gente, com aquela malinha, ele ficou 12 dias. Depois de 12 dias ele falou: “Ah, eu vou então porque eu não tenho mais roupa”, porque tinha essa questão também, ele foi ficando na casa dela, ele só foi no salão daquela vez e ele não tinha botado a própria roupa dele na máquina de lavar… — Porque, gente, bota na máquina, põe o sabão, põe amaciante, liga… A máquina vai bater sua roupa, vai enxaguar, vai centrifugar… Se ela não for uma lava e seca, você vai tirar ela da máquina, pendurar no varal e, quando tiver seca, você tira, dobra e quem preferir passar, passa… Esse é o passo a passo da roupa limpa, entendeu? Ela não vai pular sozinha na máquina de lavar… — E aí quando ela falava: “Poxa, por que você não botou sua roupa na máquina?”, ele falou: “Ai, não tenho jeito para isso”. 

E aí ele virou pra ela e falou: “Mas é só botar na máquina”, tipo: “Você faz rápido”, sabe? — Se é só botar na máquina, ô seu… Eu não posso falar aqui o que eu queria… [risos] Por que você não botou? — Com 12 dias ele foi embora… A Leila mesmo vendo os sinais, tava apaixonada. Ela estava apaixonada. O cara foi lá pro litoral onde ele morava, eles continuaram conversando e depois de mais umas três semanas, ele falou: “Ai, Leila, eu não aguento mais ficar longe de você e nã nã nã… Por que a gente não mora junto?”. E aí a Leila falou: “Mas eu tenho minha vida aqui”. Por que o que a Leila pensou? Que ele estava convidando ela para morar com ele no litoral? Aí a Leila falou: “Eu tenho meu salão, tenho minha casa aqui e meu apartamento, não tenho como”, aí ele falou: “Mas eu posso ir morar aí”, você não conhece nada sobre o cara… O cara está sem emprego, como você vai colocar esse cara dentro da sua casa? E muito apaixonada a Leila colocou esse cara dentro da casa dela.

Muita gente não pensa como eu, isso eu já tive até dor de cabeça no Twitter porque eu falei como que você assume um relacionamento sério com uma pessoa que não trabalha? Em nenhum momento eu falei: “Ah desempregados não podem ter amor, não podem ter carinho, não podem namorar”… Você sendo homem ou mulher, como que você assume um relacionamento sério… Quando a gente está num relacionamento sério é o quê? Para que aquilo evolua para, sei lá, morar junto, casar, constituir família… Mesmo que você não tenha filhos, uma família é você e a pessoa, sabe? E aí, quando você vai ter uma vida em comum e você não é um herdeiro, as pessoas precisam equilibrar essas contas, né? Senão sobra tudo para uma pessoa só. Por exemplo, se você é uma mulher e você não tem uma renda e você vai namorar sério e vai depender daquele cara, vai morar junto com aquele cara, você esta dependente financeiro de alguém… Que vai ter um controle maior na sua vida e você não tem um real que é seu. Se acontecer alguma coisa dentro da casa que você está morando com essa pessoa, você não tem dinheiro para pegar um ônibus e sair dessa situação. Pra vocês perceberem como as relações não são iguais: Quando você, mulher, está desempregada e você depende de um homem, esse homem pode te dominar ainda mais… Quando você, mulher, trabalha e este homem é que não trabalha e não tem uma renda, ele vai continuar sendo a pessoa que domina a relação… Consegue entender como não é igual para os dois? E é por isso que eu falo, principalmente pras mulheres, como que você vai namorar uma pessoa que não trabalha? Por que o que vai acontecer? Esse homem que não trabalha ele vai ter mais tempo pra te controlar. Ele, de certa forma, vai querer cuidar dessas finanças sendo você a única provedora daquele lar…

Você vai continuar dominada por aquele cara que não trabalha e que, às vezes, por questões que a gente sabe da estrutura que a gente vive, que o mundo é machista, não é nem só o Brasil, o mundo é machista, ele vai querer mostrar que ele manda, porque ele sabe que ali dentro de casa só quem põe o dinheiro é você. Sem contar que você vai ficar sobrecarregada, muitos homens que não trabalham eles não cuidam da casa, não fazem os afazeres domésticos. Você vai ter jornada dupla e, se tiver filho, jornada tripla… Com um cara que não trabalha. E aí a Leila botou esse cara dentro da casa dela, ele sem trabalhar… Ela ainda perguntou pra ele: “Mas você veio pra cá e você tem uma reserva de dinheiro e tal?”, ele falou: “Eu tenho um pouco pra me virar”, mas esse pouco a Leila nunca viu. Chegou o final do mês, ela não paga aluguel porque o apartamento é dela, mas ela paga o financiamento, que aí tudo bem, é só dela, o apartamento é dela… Mas e o condomínio? — Parcela do financiamento não acho certo dividir porque o apartamento é só da Leila, então ela que tem que arcar, mas o condomínio, você está morando ali… Se é 300 de condomínio, vocês são dois, é 150 cada um. Se chegou uma luz ali de R$110, é 55 cada um. Se tem ali uma internet, uma TV a cabo, que é 200, é 100 cada um. Você foi fazer uma compra no mercado, a compra do mês deu 800? É 400 cada um. Então pelo menos uns mil você tem que ter ali se a despesa da casa é 2.000 e são só duas pessoas. — Começou a sobrecarregar para Leila, porque, a conta de luz aumentou, a água não porque já vinha junto com o condomínio, mas a despesa do mês aumentou.

Esse cara comia muita carne — carne é caro —, tinha dia que a Leila falava: “Não, agora a gente está no final de mês, vamos fazer um omelete aqui, né?”, “Mas você trabalhou ontem até 21h00, como que você não tem dinheiro pra comprar um frango que seja?”, Como você não tem dinheiro para comprar um frango, meu querido? E a Leila apaixonada foi meio que relevando… Só que tinha a questão que o trabalho do cara era na lancha, como é que você vai dirigir a lancha na cidade, né? [risos] — A não ser que seja um lugar que tenha, sei lá, um iate clube, com represa, aí pode ser que tem uns ricos lá que tem lancha na represa, mas acho raro… Acho bem raro. — Não tinha trabalho pra ele na capital, e aí ele falava isso, ele falava: “Olha, não tem trabalho aqui pra mim, não estou trabalhando porque não tenho trabalho”. Mas você está indo pra lá, você sabe que não tem o mar lá, né? Não vai acontecer de do mar mover, ir até lá para você ter seu trabalhinho de lancha, sabe? Não vai acontecer isso… Então você já mudou para casa da Leila sabendo que não tinha mar, entende?

E a Leila falava: “Olha, aqui não tem mar, você tem que arrumar uma outra coisa pra fazer” e sempre que ela cobrava que ele procurasse um emprego, fizesse pelo menos esse movimento de procurar um emprego, eles brigavam. Um ano ele morando junto com a Leila, sem trabalhar um único dia, sem lavar um único copo, sem guardar uma colher na gaveta. Nada. Leila mesmo gostando dele, sobrecarregada já, meio que de saco cheio…—  E eu acho que a pessoa… Todo mundo é assim, né? Quando você está num relacionamento, que aquele relacionamento já não está tão bom para você, eu acho que a outra pessoa percebe que você está ficando de saco cheio. Eu não sei também porque cada um é de um jeito e eu, por exemplo, se eu tô num relacionamento amoroso, eu vou lutar para que aquilo dê certo. Se eu tenho um parente que eu acho que ele me pediu ajuda e eu acho que eu devo ajudar, eu vou lutar para que aquilo role. Se eu estou trabalhando, quando eu quero que aquele trabalho saia, que aquela relação de trabalho dê certo, eu vou lutar por aquilo. Como é lutar? Você está sempre ali falando: “Fulano, então, e aí? Vamos conversar sobre isso? Vamos melhorar?”, então, quando eu estou nessa de fazer o movimento para que as coisas se acertem, que aquilo funcione, beleza… A partir do momento que eu largo de mão, começa o meu movimento para eu me desvencilhar daquilo. 

Nem todas as pessoas são assim, mas enquanto eu estou lutando, é porque eu acho que aquela pessoa merece que eu lute por ela, seja no trabalho, em qualquer lugar, no amor… A partir do momento que eu largo mão, você pode me dar aí… Que eu sou lenta também, [risos] de 3 a 6 meses… Sou muito lenta. Mas aquilo já acabou para mim, já acabou lá atrás quando eu larguei de mão. Seja no trabalho, seja família, amigos… Então se eu estou ali lutando por aquela amizade, ainda tem coisa. A partir do momento que eu falar: “Quer saber? Deu para mim”, abro mão e dali seis meses aquilo acabou, eu enterro e acabou mesmo. É assim que eu sou. Ela estava de saco cheio, mas ela não fazia esse movimento… Nem de abrir mão e nem de lutar… Ela ficou meio que paralisada. E foi aí que esse cara mudou… Esse cara virou uma seda, virou um amor… Começou a fazer as coisas dentro de casa… A Leila chegava e tinha até comida pronta. O cara tinha limpado a casa… — Quer dizer, então ele sabia fazer… Esse cara tinha lavado a louça, lavado a roupa toda, tinha feito comida… — E aí isso deu um gás novo na Leila, porque ele estava outra pessoa. 

Daqui para a frente, tudo o que eu contar aqui são suposições da Leila… Dentro deste quadro de amor algumas coisas aconteceram, então ele fez um movimento de ir todo final de semana trabalhar lá no litoral, na coisa dele de lancha. Só que ele não trazia dinheiro pra casa, mas até aí ele estava fazendo o movimento… Leila achou isso bom. Durante a semana ele fazia tudo dentro de casa… Ele estava melhor, inclusive, sexualmente. E dentro desta nuvem de amor que ele criou em volta da Leila, ele começou a falar muito de estabilidade, de segurança, “se me acontecer alguma coisa”, “eu estou voltando agora a dirigir lancha para os outros, se me acontecer alguma coisa, eu não quero te deixar desamparada”, sendo que ele nunca amparou [risos] a Leila… Quando ele amparou a Leila? Vai deixar a Leila desamparada sendo que nunca pôs um real dentro de casa?

Mas ele começou esse discurso no meio dessa nuvem de amor, e aí ele falou: “Eu vou fazer um seguro de vida no seu nome”, “Não, não precisa, imagina… Faz da sua família”. E até então, um ano e meio depois, a única coisa que a Leila sabia dele é que ele tinha uma irmã e que as vezes a Leila falava com ela quando ele estava falando com ela, enfim, num FaceTime da vida… A Leila falou: “Faça em nome da sua irmã… Se acontecer alguma coisa, você tem os seus sobrinhos e tal e você deixa sua irmã amparada”. Ele falou: “Não, eu posso por mais de um beneficiário… Vou pôr metade para minha irmã, metade para você” e assim ele fez. Ele falou: “Você não quer fazer um também?” e a Leila fala: “Não”, ele falou: “Faz, boba… Eu estou fazendo e você faz também. Você põe a sua mãe” — porque a Leila também só tinha a mãe dela, que morava também em outro lugar longe e tal — , “você põe metade para sua mãe, metade para mim”. Leila achou estranho? Achou, mas no meio da nuvem de amor, no meio daquela fumaça inebriante de afeto, a Leila falou: “Tá bom”. Cada um fez um seguro pro outro, ele continuou indo de final de semana trabalhar. A Marina que ele estava trabalhando, fazia muitas postagens e ele era marcado nas postagens, então ele realmente estava trabalhando… 

Colocava dinheiro em casa? Nunca, nem um real… Depois de 90 dias, esse cara falou pra Leila que tinha uma surpresa para ela. — Qual era a surpresa? — Ele ia levar a Leila num passeio de lancha. E a Leila ficou animada, ela nunca tinha andado de lancha e tal, falou: tão “Poxa, muito legal…”, era uma lancha que ele estava cuidando de um ricaço lá, que o ricaço veio, o ricaço passou o sábado na lancha e, no domingo, a lancha ia ficar ainda a disposição do cara, só que o cara não ia usar e ele pediu lá e o cara falou: “Tudo bem, você pode dar uma volta com a sua namorada, não tem problema”.  Mesmo você trabalhando para alguém na Marina, todas as saídas dos barcos é tudo controlada, então ele pediu realmente para poder usar essa lancha. Tanto que quando a Leila chegou lá, ele preencheu um papel, enfim, para sair com a Leila na lancha. — E a Leila entrou na lancha animada, ele tinha levado vários packzinhos de cerveja… — É prudente beber só os dois na lancha? Não sei… — E, assim, eu falo para vocês… Primeiro que eu não gosto de mar, mas eu jamais iria para um passeio de lancha com o cara que me fez fazer um seguro de vida no nome dele. A minha bandeira já está lá em cima, apitando, com sirene, com tudo… —

E aí a Leila foi, essa coisa do seguro já tinha esquecido… — E agora aqui a gente tem que voltar lá no salão. —  Salão de cabeleireiro tem todo tipo de história, todo tipo de história… E um dia a Leila estava lá fazendo o cabelo de uma cliente e a manicure fazendo a unha de uma outra cliente e essa outra cliente estava falando que um dia ela estava com o marido no carro e ele começou a ficar agressivo com ela no carro. — Ele nunca tinha ficado, enfim, uma história lá… — E o jeito que ela achou de se defender, porque parece que estavam voltando de um sítio e ele estavam numa estrada… Ela abriu uma live, ela não falou que ele estava agressivo, nada… Ela falou: “Gente, a gente tá numa estrada, vocês vão me acompanhar até a gente chegar num posto de gasolina em algum lugar, que eu quero comprar uma água… Vamos ver quanto tempo vai demorar”. Quando ele viu que estava a live ali, ele não podia fazer nada. — Ou até então ele podia, mas ele não fez. — E quando eles estavam na lancha, a Leila falou: “Andréia, é uma coisa muito impressionante assim o que eu vou falar? Mas, assim, só eu que passei, eu sei… Enquanto ele estava dirigindo a lancha, conversando comigo, a gente estava rindo, estava tudo bem… Quando a lancha estava muito, muito longe da praia, a fisionomia do rosto dele foi mudando e eu não sei explicar para você, mas era um misto… Era um misto de raiva com desprezo, eu não sei te explicar, mas parecia que eu estava, sei lá, com uma pessoa completamente desconhecida”. 

Quando eles estavam muito longe, não era alto mar, porque dali ela conseguia ver a praia, ele começou a fazer vários questionamentos para Leila, do tipo: “Por que você sempre ficou me cobrando um trabalho?”, “Por que sempre você ficou jogando na minha cara que você pagou isso e aquilo?”, “Você acha que eu sou um bosta?” e ela não estava entendendo porque, assim, estava tudo bem… — Estava tudo muito bem e, de repente, ele mudou. — Conforme ele ia dirigindo aquela lancha pra longe da praia, ele ia ficando agressivo. E aí a Leila lembrou dessa cliente que fez isso na estrada do sítio e pegou o celular e abriu uma live. — Mas 30 pessoas são 30 testemunhas… — E virou o celular para ele e falou: “A gente está aqui numa lancha, eu estou aqui com Fulano e a gente vai dar uma volta aqui e voltar para a praia, eu quero que vocês me acompanhem, eu estou aqui nessa lancha com ele” e ficou ali conversando, algumas pessoas foram respondendo e o sinal estava bom, mas ela estava com medo que ele fosse mais para lá. E aí ela falou: “Fulano já tá bom, já, a gente já pode voltar… Vamos voltar? E não sei o que lá. E aí, votem aí, vocês querem que eu volte?” e tinham já umas 45 pessoas ali, de amigos, né? E as manicures lá do salão… 

E o pessoal ali, inclusive a manicure que ouviu a história… E essa manicure a gente pode chamar aqui de Neide. E aí, Neidinha foi lá e Neidinha escreveu: “Tá fazendo live? Tá igual a Márcia?” — que era a cliente —, “É, Neidinha, eu estou exatamente igual a Márcia”. Então, quer dizer, ela conseguiu pela live alertar a Neidinha caso acontecesse alguma coisa e ele ficou muito sem graça. A Leila falou o nome da Marina, falou o nome do lugar que ele estava trabalhando, estava tudo ali e ela falou: “Vou marcar aqui, ó…”, marcou o lugar que ele estava trabalhando e aí ele voltou com a lancha… Quando ele voltou, ela praticamente quase pulou na água e ela desceu dessa lancha, pegou as coisas dela lá que ela tinha deixado lá no escritório dessa Marina, desse lugar que ele tinha trabalhado e virou para ele e falou: “Eu nunca mais quero te ver” e ele estava ali no trabalho dele, ele ficou quieto e depois ele mandou umas mensagens e tal. A primeira coisa que ela fez quando ela voltou no dia seguinte foi cancelar o seguro, mandou pra ele o cancelamento do seguro e falou pra ele: “Pode colocar outra beneficiária aí no seu seguro que eu não quero mais saber de você. Suas coisas estão aqui, eu vou botar num transporte e vou mandar para você suas coisas todas” e mandou pra Marina, porque não tinha para onde mandar. — Ele mandou o endereço e mandou lá pra Marina as coisas. —

Pagou uma grana, pegou um táxi lá que ficava perto do salão, mandou pelo taxista de confiança e ele falou: “Eu deixei as coisas lá na Marina. Ele não tava lá, mas o pessoal falou que eu podia deixar lá, que ele ia pegar as coisas”. A Leila ela escutou a nossa história “Suspeita” e ela tem uma suspeita que ele faria alguma coisa com ela, indo mais pra longe assim no mar, porque o seguro tinha sido feita três meses antes, mas tinha uma carência lá, sei lá, de 90 dias pra alguma coisa. Ela lembra desse prazo 90 dias nos papéis que ela assinou, mas ela não lembra bem o que era… Então ela acha sim que esse cara ia fazer alguma coisa para ficar com esse dinheiro do seguro. — É tudo suposição? É, mas se a gente tirar essa parte da história o que sobra também é lá trás ela sustentando o cara por um ano e tanto. — E essa é a história da Leila, ela acha que ela escapou por causa da live e eu acho que pode ser também, né? Então fica aí uma boa ideia também… Não sei. E se o celular não tivesse pegado? 

Ela falou: “Andréia, eu pensei nessa possibilidade… Se o celular não tivesse pegado, eu ia botar pra gravar e fingir pra ele que era uma live, que ele estava ali dirigindo a lancha e tal, não podia ficar olhando muito”, então ela ia fingir que era uma live. E pelo menos ia ter um vídeo gravado, sei lá… Mas ele também podia jogar seu celular no mar, porque eu acho que quando a gente grava assim não vai para a nuvem direto, vai? Enfim, não sei, as chances diminuiriam, né? Mas a sorte é que ela conseguiu fazer essa live, porque o cara mudou… Ela falou: “A fisionomia dele mudou”. É estranho isso, né? Mas acho que não é a primeira vez que eu falo de algo assim aqui no podcast. Eu não vou lembrar porque a gente já passou de 800 histórias… Gente, sabe o que é isso? Contar 800 histórias aqui no podcast? A gente já passou de 800 histórias, mas eu lembro de alguma coisa assim… Ou algum e—mail que eu já li e não contei ainda, que a pessoa mudou a fisionomia mesmo, parecia que era uma outra pessoa. Então imagina você, o pânico naquela lancha… Você não ter pra onde correr. 

E eu falei pra Leila, falei: “Você sabe nadar?”, ela falou: “Sei nada”, como que você entra numa lancha numa sem saber nadar? Falei: “Você estava de coletinho?”, ela falou: “Não, não estava de colete, nada. Nem vi se tinha colete lá dentro”. Como que sai assim também Leila? Na lancha dos outros… Então, não se coloca em perigo… Você não sabe nadar? Já não vai na lancha. Já tira a lancha da sua opção. Eu não sei nadar, eu vou na lancha? Não vou na lancha. Só fui na lancha uma vez, eu, meu pai e minha mãe, enfim, eu já contei essa história aqui, né? E foi um terror. E eu não sabia nadar, meu pai não sabia nadar, minha mãe não sabia nadar. Se o homem da lancha tem uma coisa ali, era uma família morta… Inteira. Então, não se bota nesse tipo de perigo, gente… Sabe? Fala: “Desculpa, obrigada aí o convite, mas não sei nadar, não vou na lancha”, “mas tem o colete”, “Não, não me sinto bem… Não vou”, se fosse a intenção dele dar cabo nela por causa de seguro, ele podia fazer outra coisa. Se era a intenção dele mesmo, jamais saberemos, porque graças a Deus ou graças ao universo, sei lá, graças a vida, a live, nada aconteceu com a Leila.

Sem contar essas questões financeiras, porque realmente ela afundou quando ela botou esse cara na casa dela, não sobrava um real pra nada… Não conseguiu guardar dinheiro, atrasou parcela do apartamento, enfim… E depois que ele saiu da vida dela, tudo voltou aos eixos de novo. Então é isso, gente, é isso… A gente não sabe o que ia acontecer, mas a Leila escreveu porque ela acha que ela seria morta por esse cara. O que vocês acham? 

[trilha]

Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, oi, Déia, aqui é a Daniele de São Luis do Maranhão. Serve de alerta para muitas mulheres e muitas pessoas que passam por tipos de situações de violência e que podem utilizar a internet como ferramenta de proteção. No caso da Leila, ela não passou por essa violência, porém, eu acho que só suspeita já basta para a gente utilizar esse tipo de ferramenta, como foi a live. E eu fico muito feliz que não tenha acontecido nada com a Leila. Muito bom, Leila, que você lembrou dessa questão da cliente e que você conseguiu voltar em segurança para a marina, né? Um beijo e até mais. 

Assinante 2: Olá, Déia, olá, nãoinviabilizaders, é a Priscila, falo de Niterói, Rio de Janeiro. Fico muito feliz com a sorte, se é que a gente pode de dizer assim, que a Leila teve de saber do relato da cliente dela, de como ela se livrou da situação de abuso e violência que ela sofreu com o marido na viagem e de ela ter lembrado de usar essa mesma ferramenta quando ela se viu nessa mesma situação. Que bom que nada de mais grave aconteceu com ela, além do dano psicológico, que obviamente não foi pequeno. Eu fico impressionada com o quanto algumas pessoas são capazes de fazer absolutamente tudo por dinheiro. E que bom que ele não conseguiu o objetivo dele as custas da Leila, né? 

[trilha] 

Déia Freitas: Não esquece: entre os dias 05 e 11 de novembro a Hashtag Treinamentos vai fazer a maior promoção de cursos da história, todos os cursos estarão com mais de 50% de desconto. Essa é a melhor oportunidade que você vai ter aí para adquirir habilidades e aprender as principais ferramentas do mercado de trabalho e também para virar referência aí na sua empresa ou pra se destacar em um processo seletivo. Acessa agora o link que eu deixei aqui na descrição do episódio e vai conferir aí as opções de pagamento e parcelamento. — Valeu, Hashtag Treinamentos. — Um beijo, gente, e eu volto em breve. 


[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]