título: lúpus
data de publicação: 24/11/2025
quadro: alarme
hashtag: #lupus
personagens: débora
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Atenção, Alarme. [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais uma história do nosso quadro Alarme. O quadro onde além de contar histórias, a gente presta aí um serviço à comunidade. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem está aqui comigo hoje é a AstraZeneca e a campanha “A Marca da Coragem”. Lançada há dois anos, a Marca da Coragem é uma campanha voltada para compartilhar de forma acessível informações e histórias reais de paciências que convivem com Lupus Eritematoso Sistêmico — abreviação “LES” —, para ajudar aí outras pessoas a reconhecer, entender e ter conhecimento sobre como enfrentar a doença e viver com muito mais qualidade de vida. O Lúpus Eritematoso Sistêmico é uma doença inflamatória de origem autoimune, os sintomas costumam acometer várias partes do corpo, por vezes avançam de forma lenta e progressiva, levando meses para se manifestar, dificultando assim o diagnóstico.
Em outros casos, os sinais da doença aparecem rapidamente e evoluem em poucas semanas. Os dois tipos mais conhecidos são o lúpus cutâneo, que se manifesta com manchas na pele, especialmente nas áreas que ficam mais expostas à luz solar, como rosto, orelhas, colo, braços… — Mas vale destacar aí que outras partes do corpo também podem ser afetadas, tá? — O outro tipo é o Lúpus Eritematoso Sistêmico, que é caracterizado pela inflamação de um ou mais órgãos, como a pele, assim como no lúpus cutâneo, mas também com inflamação em outros órgãos, como articulações — nas suas juntas ali —, rins, nervos, cérebro, membranas que cobrem o pulmão e o coração e causa múltiplos sintomas. O Lúpus pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, etnia e sexo, mas costuma afetar mais as mulheres jovens, entre 20 e 40 anos, principalmente pessoas de ancestralidade mista e afrodescendentes.
Como a maioria das doenças autoimunes, as causas do lúpus ainda não são totalmente conhecidas pela ciência. Pesquisas apontam a incidência de três fatores no desenvolvimento da doença: Fator genético, fator hormonal e fatores ambientais. E os sinais e sintomas mais comuns do Lúpus são: lesões de pele, dores nas juntas, fadiga, febre baixa, perdas de apetite… Mas os sinais podem variar de pessoa pra pessoa — e variam em intensidade também, tá? — de acordo aí com a fase de atividade ou remissão. Como falando de Lúpus, cada paciente é único, os tratamentos também são… Procure um médico especialista, principalmente um reumatologista diante aí dos primeiros sinais.
Acesse o site: amarcadacoragem.com.br pra saber mais informações sobre a doença, seus sintomas, mitos e verdades. — Eu vou deixar o link certinho aqui na descrição do episódio, tá? — E hoje a gente vai conhecer a história da Débora. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]A rotina da Débora sempre foi muito intensa — apesar de relativamente tranquila — e Débora é uma pessoa muito centrada e sempre traçou os objetivos que ela tinha na vida. Muito organizada, tanto nos estudos quanto no trabalho…. Ela é da região metropolitana de São Paulo. Para trabalhar na capital e voltar todo dia é um trampo, então a Débora se organizou para estar mais próxima do seu trabalho. Para essa mudança, Débora precisou ter uma organização até financeira. Então, ela trabalhou para caramba, fez muita hora extra, dobrou turno, pegou freela, tudo pra poder se mudar e ficar mais próxima aí do seu trabalho. Com o tempo, a Débora conseguiu criar uma rotina mínima ali de trabalho, se organizar melhor depois dessa mudança e, nos raros momentos que ela tinha de descanso, pra desestressar, Débora gostava do quê? Ela gosta, né? Do quê? Esportes radicais. Pelo menos aí, uma vez por mês, Débora saltava de paraquedas, fazia bungee jump, rapel, trilha, escalaminhada… — Gente? Essa palavra pra mim nem existe… “Escalaminhada”, o que é escalaminhada, Déia? É uma escalada leve com caminhada, sério… E você precisa usar as mãos para se apoiar nas pedras, nas rochas, enquanto vai subindo. Misericórdia, hein, Débora? [risos] —
Eram aí atividades um pouco mais extremas, mas isso fazia a Débora relaxar e começar de novo a semana de trabalho com o gás total. Então, Débora mantinha aí essa rotina. Tudo muito corrido… Ela não tinha quase tempo pra nada e quando tinha tempo, aproveitava para curtir aí os esportes radicais. Débora também dormia muito pouco e foi levando aí essa rotina. Quando a Débora se mudou pra São Paulo, era ali por volta de 2015 e ela pensou: “já vou entrar na faculdade”. O tempo foi passando, Débora trabalhando e estudando… Três anos depois dessa mudança, Débora com 36 anos, era ali 2018, começou a sentir umas dores pelo corpo, assim… E não era uma coisa: “ai, dor de gripe”, era uma dor que era itinerante, às vezes doía um lugar, às vezes doía outro, mas o corpo todo doía, da cabeça às plantas dos pés. Sempre alguma parte do corpo doía mais, às vezes era um lado das costas, às vezes era a sola dos pés, outras vezes uma mão só, outras vezes o peito…
Débora começou a perceber umas mudanças assim ainda mais significativas no sono. Não estava dormindo bem, começou a perder peso e começou do nada uma queda de cabelo. “Será estresse?”. Tinha dia que a Débora dormia quatro horas só por noite, levantava, ia trabalhar, com as dores no corpo, emagrecendo demais, perdendo cabelo e ela não mudou a sua rotina… Continuou trabalhando, continuou estudando, continuou fazendo seus esportes. Umas trilhas ali, escaladas, onde a Débora costumava ficar entre os primeiros da turma, aqueles que vão mais na frente, Débora passou a ficar na turma ali do meio… Começou a ficar mais pra trás nas escaladas… Numa escalada mais difícil, a Débora tava lá atrás, um cansaço que não era comum, sabe? Começou a precisar de ajuda dos instrutores para fazer as subidas. — Coisa que ela nunca tinha precisado. — Débora tava achando tudo muito estranho, mas ela ignorou as dores porque ela pensava: “Ah, sei lá, eu passei dos 30, é dor normal, eu não faço exercício físico e é coisa da idade”.
Essas dores foram ficando cada vez mais fortes… Até que um dia, Débora estava dormindo na casa dos pais e ela acordou com tanta dor que ela não conseguia sequer tirar a coberta de cima dela. — Pensa… — Débora conseguiu gritar ali pela irmã, a irmã tirou as cobertas de cima dela e a Débora estava molhada de suor… — Mas ela não conseguia se mexer, gente, ela estava travada de dor… Imagina. — Débora foi levada imediatamente para o hospital, mas ninguém sabia dizer o que estava acontecendo. Deram uma medicação ali na veia que aliviou um pouco as dores que ela estava sentindo, ela voltou para a casa dos pais como se nada tivesse acontecido. Embora ela tivesse ainda com dificuldade de andar, mas assim, a dor passou. — Débora estava assustada, a família preocupada, mas assim, gente, a dor passou e ela falou: “vou voltar pra São Paulo, pra minha vida normal”. Umas semanas depois aquelas dores voltaram…
Débora tinha uma sensação estranha, que as dores andavam pelo corpo dela… O corpo todo doía, mas alguns lugares ficavam assim, pulsando, latejava, inchava e a Débora começou a pensar: “Poxa, tem alguma coisa errada” e, quando ela foi levada para o hospital — quando ela estava lá na casa dos pais —, o plantonista ali falou para ela: “Olha, Débora, procura um reumatologista para você entender, pesquisar essas dores”. Como as dores tinham voltado, a Débora resolveu marcar o reumatologista. Marcou numa clínica especializada e a médica ali pediu exames, mas falou: “Será que é fibromialgia? Mas eu vou pedir outros exames pra gente descartar outras possibilidades, como lúpus, por exemplo”. Débora tomou um baque… A ideia de que podia ser lúpus ou fibromialgia ficou ali martelando na cabeça da Débora, já que ela estava vivendo um período de muito estresse no trabalho. — Assim, gente, muita correria, muito trabalho, estudando, e ela sempre gostou de fazer tudo certinho, então ela acabava abraçando ainda mais tarefas. Será que aquela rotina tinha sido um gatilho pra alguma coisa? —
Enquanto a Débora aguardava o diagnóstico, a médica instruiu que, se as dores voltassem, ela devia tomar uma injeção específica para aliviar essas dores. Se com a injeção não houvesse melhora, era para a Débora entrar em contato com a clínica para eles buscarem aí uma alternativa até que saísse todos os resultados dos exames. Débora seguiu certinho o protocolo que a médica indicou, ela comprou a injeção — que era bem cara, tá? — e tomou logo no primeiro dia que ela foi trabalhar, assim, que ela tava sentindo dor, né? No dia seguinte, Débora acordou com dor novamente, mesmo com a injeção. Tentou ligar pra médica, mas a médica não atendia, mesmo no horário comercial. Como ninguém atendia, Débora continuou sentindo as dores e emagrecendo demais, gente, demais… Só aí quando saiu os resultados que a médica entrou em contato com a Débora e falou que realmente o que ela tinha era lúpus. Nesse momento, a Débora já estava com ranço…
A médica só foi atender a Débora depois de uns 10 dias. — Eu ia ter um ranço dessa médica… Porque a médica não atendeu. Por que falou que era para ligar se não ia atender, né? E a Débora, assim como eu, estava com ranço da médica. [risos] — Débora resolveu pegar uma segunda opinião e foi aí num hospital… Débora encontrou um reumatologista, ela refez os exames que confirmaram o lúpus e, por conta das dores frequentes, fortes, a Débora iniciou imediatamente o tratamento. Por alguns dias a Débora ia no hospital para receber a medicação, depois voltava para casa. Com o tempo ela foi realmente melhorando e o médico começou a testar diferentes medicações para descobrir qual medicação o corpo da Débora aceitava melhor. Como a Débora teve que trocar de medicação, né? Porque aquela do começo que o médico passou já não estava mais fazendo efeito, isso resultou numa segunda crise que afetou a audição e um pouco da visão da Débora e ela ficou um pouco apavorada… Principalmente com a audição, porque a Débora trabalha com áudio.
Trocaram a medicação, a resposta foi boa, né? Nessa nova medicação. Só que essa nova medicação pegou o estômago da Débora. Quando a Débora recebeu o diagnóstico, ela estava sozinha e depois ela comunicou ali os pais e a sua irmã — Daniela — e a Daniela lembrou que um integrante de uma boyband aí que elas gostavam também tinha lúpus, que esse integrante fazia campanhas… — Débora achou um barato, porque assim, as duas curtiam muito essa boyband, né? — Débora tranquilizou ali a família, porque segundo o reumatologista, ele disse que seguindo o tratamento, tomando a medicação corretamente, a Débora poderia ter uma vida normal, evitando só pegar muito sol e tal. Débora sabia — agora depois de pesquisar — que era uma doença que ela ia lidar pro resto da vida. Nas pesquisas ali, ela começou a ver quais as mudanças que ela teria que fazer na rotina, os tipos de medicação… Começou a pesquisar mais, né? Sobre tudo. — O problema de se pesquisar doenças no Google, qual é? Você sempre acha que vai morrer, né, gente? —
Débora foi bombardeada na internet por informações negativas sobre o lúpus… E aí, que ela fez? Parou de pesquisar e decidiu confiar ali no médico, que era um médico de referência, pensou: “bom, não vou me descontrolar aqui e botar tudo a perder, vou seguir as coisas que o médico tá falando e não vou mais ficar ouvindo coisa de internet”. A Débora foi muito acolhida pela família, pelos amigos, quando ela contou que ela tinha lúpus, mas a mãe da Débora, a Dona Dorcas, ela achava que lúpus tinha cura, que bastava a filha ter uma boa alimentação, um bom sono, que ela ia ficar curada… Curada não, mas de certa forma. a mãe da Débora tinha razão, porque a doença cobra que você tenha bons hábitos, um bom sono, uma boa alimentação, o medicamento certinho. No trabalho, a galera estava achando a Débora magra demais e quando ela falou que ela tinha lúpus, a galera associou a fatores como estresse… Outros achavam que “ai, isso aí é genético”, o que não é, né? — E aí sempre tem um ignorante, né? — Débora passou por uma situação isolada de uma conhecida dela que tinha filhos e que falou pra Débora não chegar perto, que ela achava que era contagioso, e não é contagioso, gente…
A Débora não ficou chateada, entendeu que a pessoa não pesquisou e estava com receio, com medo e levou a situação até que de boa. Ainda em 2019, a Débora teve algumas crises… Uma das crises ocorreu porque ela precisou trocar de médico, o médico que atendia ela saiu daquele hospital e o novo médico reduziu a dosagem do remédio. E o lúpus voltou a atacar o corpo da Débora, regredindo o quadro que estava minimamente em remissão. E os exames da Débora indicavam que a nova medicação, que tinha além de tudo sido diminuída pelo médico, não tava fazendo efeito. Mesmo não fazendo efeito, não combatendo ali a doença, ela estava deixando a Débora muito enjoada e ainda assim o médico insistia em diminuir a dose, não buscava alternativas, enfim, o caos… Como o que o médico tava fazendo não tava adiantando nada, a Débora teve uma terceira crise. E aí ela teve de novo perda de audição e os olhos da Débora ficaram extremamente vermelhos, e aí ela teve que procurar um novo reumatologista.
Esse novo reumatologista mudou tudo… Ele decidiu que ele ia manter apenas uma das medicações e trocar todas as outras. E nessa transição, a Débora iniciou um tratamento mais forte, felizmente as coisas começaram a estabilizar. Débora que estava até com o cabelo caindo de novo, o cabelo da Débora começou a crescer. Débora começou a se sentir melhor… Era uma rotina pesada, ela tomava oito remédios… Depois baixou pra 5, mas ainda assim, um desses remédios exigia que ela tomasse até 6 comprimidos. — Só de um, hein? — E ela falou: “Bom, eu tô me sentindo bem” e a Débora decidiu diminuir a dose até parar alguns remédios por conta própria. Isso já era 2022 e ela teve aí uma crise. De novo, o Lúpus atacou os olhos… Ficaram vermelhos, ela não conseguia abrir os olhos e também atacou novamente a audição. — Não era uma surdez total, mas ela perdeu muitos sons médios e graves e ficou ouvindo tudo meio agudo. —
Essa crise foi forte, ela avisou o médico e ele falou: “você tem que ir para o hospital e você precisa ser internada”. A Débora ficou quatro dias internada, ela recebeu novamente os medicamentos adequados, a audição estabilizou, voltando quase a 100% e a Débora lembrou que ela estava no ritmo de trabalho, assim, fazendo freela freneticamente e o estresse, sim, contribuiu para aquela vontade que ela teve de largar os remédios, sabe? De dar um tempo. — E assim, gente, os medicamentos que ela tava tomando agora não causavam problemas, assim, né? Não era nada que, poxa, fosse um gatilho pra ela… Mas a quantidade de remédio que ela tinha que tomar por dia incomodava, enchia o saco, sabe? Ai, toda hora, tem que parar, tomar remédio… — Débora foi estabilizada, saiu da internação e voltou à sua rotina de trabalho. Diminuiu o ritmo? Não… Débora voltou a trabalhar freneticamente até que um dia, e o dia era 31 de outubro de 2022, Débora conversou com a sua família ali por telefone e resolveu ir tomar banho. Foi tomar banho porque ela tinha que sair pra trabalhar… E a última coisa que a Débora lembra desse dia é que ela terminou de tomar banho, desligou o chuveiro e caiu… — Bateu a cabeça. —
Débora ficou desmaiada por quatro horas até ser resgatada… E como ela foi resgatada? Porque ela estava sozinha em casa. O pessoal do trabalho estranhou o atraso da Débora… — Olha, ainda bem, hein, gente? Porque ela nunca se atrasava e eles sentiram falta, já fazia quase meio período que ela não aparecia, e aí foi muita sorte, né? — Foram procurar e encontraram ela ali desacordada. Pensa só, ela já tinha acabado de falar com a família dela, então a família dela não ia, logo em seguida, assim, chamá-la de novo, né? Débora foi levada pro hospital, pelo pessoal ali do trabalho e ela não sentia nada do lado esquerdo do corpo. Quando o pessoal ali do trabalho viu a Débora desacordada, eles chamaram os bombeiros e foi o bombeiro que fez o resgate ali, junto com uma colega de trabalho e o síndico. Logo ali o bombeiro já falou pra Débora: “Olha, eu acho que você teve um AVC”. O Corpo de Bombeiros levou a Débora pra uma UPA e depois ela foi internada, enquanto a família dela era localizada, tinha que avisar a família, tudo, né?
O atendimento que ela teve no hospital foi impecável, ela estava com o lado esquerdo dormente, mas a memória da Débora estava intacta e ela conseguiu lembrar a senha do celular para ligar para o reumatologista que fazia o acompanhamento dela. Ali no hospital foram feitos exames para identificar a causa do AVC, suspeitavam de um buraco no coração, mas essa possibilidade foi descartada e a origem do AVC da Débora permaneceu desconhecida… Até que a equipe lembrou que a Débora havia sido internada 30 dias antes, lembra? Com uma crise de lúpus ali super latente. Foi então que foi levantada a hipótese de que o lúpus poderia ter causado coágulos e um desses coágulos migrou para o cérebro. O diagnóstico da Débora foi de um AVC isquêmico, não hemorrágico, e ela teve um leve sangramento cerebral, que se dissipou ali de uma maneira bem rápida. Débora ficou internada por 18 dias, sendo 5 desses dias na UTI. Mas a recuperação dela foi super rápida e Débora saiu do hospital andando com o auxílio de um andador.
Foi um período que a Débora precisou de muita ajuda… Ela saiu andando ali com um andador, ela precisou usar fraldas, depender de uma cadeira de banho. — Bem desafiador, né? — Os pais da Débora já idosos, né? A Dona Dorcas e o Seu Antônio, ajudaram a Débora em tudo, inclusive nessa troca de fraldas. Débora estava usando só o lado direito do corpo, o lado esquerdo não segurava nada e se mexia ali sem o controle da Débora, o que fazia a Débora derrubar muitas coisas ali pelo caminho. Até hoje o diagnóstico não crava que o lúpus foi causador ali do AVC, mas como não há outra explicação pra formação ali de coágulo e o lúpus está documentado por poder causar isso, é a única explicação provável para o AVC isquêmico que a Débora teve. — E a Débora diz que, como é curioso, né? Que a saúde mental rege tudo na vida… — Ela teve ajuda externa de todos os tipos. A família foi incrível, ela descobriu uma rede de amigos maravilhosos… Tinha gente dormindo no hospital com ela todo dia, as pessoas se organizaram para ajudar a Débora e até as amigas com o filho deixaram os filhos aos cuidados de outras pessoas para ficar com a Débora no hospital. — Então, assim, uma rede de apoio muito boa. —
Primeiro ela usou andador, depois bengala, e pra se manter firme, ela criou ali pequenas metas diárias, semanais e mensais. — O que ajudou muito a Débora a não se perder naquela tristeza, sabe assim? De “por que comigo?” — Aquela coisa, um dia de cada vez, a Débora pensava: “vamos resolver, resolve Débora, faz o que tem que ser feito” e isso ajudava muito, principalmente na fisioterapia, que doía bastante ali, mas que era uma dor positiva, que tava ali aos poucos e ela foi recuperando o lado esquerdo. Débora acredita que nada é em vão e ela foi a primeira pessoa do Brasil a conseguir cobertura integral do plano de saúde para a medicação biológica. E a Débora também foi a primeira mulher operadora de áudio no sistema Globo de Rádio. — Legal, né? — Essas conquistas mostram aí para a Débora que se algo vai acontecer, vai acontecer da melhor forma. Esse ano a Débora conseguiu largar a bengala e ela continua criando metas semanais, mensais, anuais e de 10 anos.
A rotina da Débora voltou aí a todo vapor, mas agora com muito mais cuidado com a saúde. Débora ajustou o trabalho, não faz mais aqueles horários malucos, turnos de madrugada, procura se alimentar melhor, tem sempre ali uma sombrinha pra não ficar tomando sol… Antes do AVC, Débora praticava esportes radicais e depois do AVC, ela teve que diminuir a frequência porque o pé esquerdo ainda tá meio dormente. — Então ela perdeu um pouco a segurança, né? — Ainda assim, depois do AVC, Débora voltou sim a praticar os esportes que ela tanto gostava, não com a mesma intensidade… — Mas Débora, você também é osso, hein? — Ela já tinha saltado de paraquedas seis vezes antes do AVC e depois do AVC ela saltou uma vez. — Gente, até rapel a Débora já fez depois do AVC… Tô passada. — Ser uma paciente crônica de lúpus não é o fim do mundo. Débora acompanha a história de outras pacientes no Instagram e vê que apesar dos perrengues, como a queda de cabelo, manchas, muitas enfrentam situações bem difíceis, mas não é uma doença impossível de lidar e não impede as pessoas de viverem a vida.
O foco deve ser a qualidade de vida, não só na doença ou quando você está bem… O apoio das pessoas próximas é importante, assim como uma boa alimentação, hidratação e tomar a medicação corretamente. Agora a gente vai ouvir a Débora e logo depois a gente vai ouvir o Doutor Henrique Dalmolin, médico reumatologista.
[trilha]Débora: Olá, eu sou a Débora, tenho 43 anos e convivo com Lúpus há quase 10 anos. As dores do lúpus, ela é muito injusta… As dores que pelo menos eu sentia passavam por várias partes do corpo e algumas partes eram mais latentes. Essa região que ficava latente, inchava demais… Era às vezes as mãos, ou em uma das mãos, às vezes era em um lado das costas, às vezes a planta dos pés, às vezes um lado do abdômen, enfim, não era um ponto simples assim, então doía da ponta da cabeça até a planta dos pés, sempre em alguma parte mais latente. No começo foi um susto, mas logo entendi que com tratamento e acompanhamento médico eu poderia ter uma vida normal. O mais importante foi encontrar um reumatologista de confiança. O lúpus, ele causa muito emagrecimento, então eu cheguei a emagrecer demais. No período em que a doença tava atuando, houve a queda de cabelo também.
E antes de saber dos cuidados que eu tinha com o sol, apareciam as manchas na pele e elas saltavam de uma maneira que parecia mágica e me causava muito estranhamento. Viver com lúpus me ensinou a respeitar a minha mente e o corpo, a desacelerar e a valorizar o simples. A doença não me define, ela só me mostrou o quanto eu sou forte, persistente e grata pela vida.
Henrique Dalmolin: Eu sou o Henrique Dolmolin, médico reumatologista. O lúpus é uma doença autoimune, isso significa que o sistema de defesa do nosso corpo, que normalmente nos protege de infecções, como por vírus e bactérias, passa a atacar tecidos e órgãos saudáveis. Os sintomas variam muito de pessoa para pessoa. Alguns dos mais comuns incluem: cansaço, febre baixa, dor nas articulações, queda de cabelo e o aparecimento de manchas, principalmente no rosto, daquela forma que nós conhecemos como “asa de borboleta”. Nos casos mais graves, o lúpus pode afetar inclusive os órgãos internos, como os rins, os pulmões, o coração e o sistema nervoso. É uma doença complexa e que demanda acompanhamento médico contínuo. A boa notícia é que o lúpus tem tratamento.
Nós hoje dispomos de várias estratégias que permitem controlar a inflamação e evitar os surtos de doenças, permitindo que a maioria dos pacientes leve uma vida praticamente normal. É essencial procurar um especialista, principalmente o reumatologista, porque o tratamento é individualizado, a doença é complexa e precisa de monitoramento regular. O paciente precisa entender que o lúpus não define quem ele é. Com acompanhamento adequado, atividade física, sono regulado, boa alimentação e apoio emocional, é perfeitamente possível manter a rotina de trabalho, estudos e lazer. É claro, o impacto emocional é real, muitas pessoas passam por medo e insegurança no início, por isso é tão importante é importante ter uma equipe multiprofissional também presente, médico, psicólogo, nutricionista, muito alinhados para ajudar o paciente e o portador da doença a recuperar o seu equilíbrio.
Não há bem uma forma de evitar totalmente o lúpus, mas há como a gente reduzir os riscos de sua ativação: Proteger—se do sol, utilizar protetor solar e roupas adequadas quando em exposição, principalmente em horários onde há maior radiação ultravioleta. Evitar o cigarro e o uso de bebidas alcoólicas em excesso. Dormir bem e manter uma rotina saudável e equilibrada. E, naturalmente, seguir corretamente as orientações da equipe multidisciplinar e do médico. O mais importante nesse momento é não se automedicar e, se possível, já buscar ajuda nos primeiros sinais e sintomas. O diagnóstico precoce faz toda a diferença no controle da doença e na qualidade de vida, é muito importante reconhecermos sobre essa doença.
[trilha]Déia Freitas: O Lúpus é uma doença altamente complexa e, por ser uma doença autoimune, suas causas ainda não são totalmente conhecidas pela ciência. A doença é pouco discutida, mas ainda assim a sua condição traz impactos significativos na vida dos pacientes. — Como a gente viu agora na história da Débora. — E como falando de lúpus cada paciente é único, no caso da Débora, a manifestação cutânea da doença, para ela, não teve tanto impacto, mas ainda assim, essa manifestação não deve ser minimizada ou ignorada, porque traz muitos prejuízos para a vida de outros pacientes, incluindo aí graves sequelas e cicatrizes, também um impacto na qualidade de vida. Com acompanhamento médico especializado e tratamento adequado, é possível, sim, ter qualidade de vida. Ao sinal de qualquer sintoma, procure um médico, principalmente um reumatologista. — Valeu, AstraZeneca, por trazer mais um tema importante aqui no podcast. — Um beijo, gente, e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Alarme é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]