título: metódico
data de publicação: 26/01/2026
quadro: picolé de limão
hashtag: #metodico
personagens: mirella e kleber
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem está aqui comigo hoje é o Airbnb. Chegar em um consenso num grupo grande de amigos pode ser um desafio… Com o carnaval se aproximando, não dá pra deixar pra depois. — Mas eu posso te dar uma dica? — Corre agora e joga no grupo de amigos as acomodações favoritas que você separou lá no Airbnb e já chega com seus argumentos prontos, hein? [risos] No Unidos do Airbnb, viagem de carnaval com amigos é sempre melhor se estiver todo mundo junto. Se tá cada um num lugar diferente, pode rolar desencontro… Facilita, todo mundo juntinho na mesma casa, uma casa cheia de comodidades, bonitona, hein?
Carnaval entre amigos é muito melhor no Airbnb. Entra agora no Airbnb, faz a lista de todas as acomodações que você acha, assim, que são incríveis, favorita todas e já compartilha no grupo. — Vocês podem todos pagar com Pix ou parcelarem em até 6x sem juros no cartão. — E hoje eu vou contar para vocês a história da Mirella. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]A Mirella trabalhando num banco e, acontece que Mirella conseguiu um emprego num banco novo. Quando ela foi cumprir aviso, colocaram a Mirella para cumprir aviso em outro setor e, no aviso prévio dela, ela conheceu o Kleber. Bom, ela estava saindo, indo para outro banco, isso não era um problema, eles começaram a conversar, saíram uma vez… A primeira vez que eles se encontraram foi num parque, ao ar livre e eles se beijaram, foi muito romântico e ali nasceu um namoro. Acontece que o Kleber, ele era muito metódico, acho que é a palavra, tudo era muito certinho… E Kleber também era muito econômico, por exemplo, se você vai comprar um sorvete e o sorvete custa R$11,99… R$11,99 não são R$12, então aquele 1 centavo incomodava muito o Kleber, a ponto dele não pagar as coisas em dinheiro, porque ele falava que as pessoas não devolviam o troco certo. — Quando você paga no cartão ou no Pix, você consegue pagar exatamente o valor… — Se tinha um troco de R$0,10, ele queria os R$0,10.
Isso era um problema para a Mirella? Não era. Ela falou: “Ah, ele é uma pessoa econômica, não tem problema nenhum”, cada um pagava a sua parte, sempre foi assim desde o começo, Mirella não via problema nisso… Mirella ganhava até um pouquinho mais que ele e era tudo dividido assim. O tempo foi passando, o namoro foi firmando e eles resolveram comprar um apartamento. — Os dois trabalhando em banco, sabem as melhores taxas e nã nã nã. — “Vamos comprar junto, vamos somar essa renda e nã nã nã”, no nome dos dois o apartamento… Se a parcela fosse R$2.399, esse quebradinho, a Mirella tinha que dar certinho para ele ou inteirar, sei lá, R$0,50 a mais, sabe? Ele não aceitava receber menos. Detalhes de um cara metódico… “Ah, vamos casar?”, agora a gente já tem um apartamento, mobiliar… Mesma coisa, gente… Tudo que tem dentro da casa deles é comprado meio a meio. — E quando eu falo meio a meio, são os centavos, meio a meio… —
Já estava tudo pago, não tinha nenhuma dívida, só o financiamento mesmo. Eles resolveram que eles não iam fazer festa, e aí casaram, assim, os dois, muito apaixonados, casados… Só que aí começou o drama na vida de Mirella. Por quê? Até então, eles fizeram viagens curtas, mas eles nunca moraram juntos… E eu sempre falo aqui, gente: Às vezes é melhor você fazer um test drive, você morar junto um pouco para ver se vai dar certo. Quando chegou para conviver, que eles voltaram da lua de mel, já começou com a mala da roupa da lua de mel. A Mirella descobriu que ali, ela teria, na casa dela, que ela paga metade das coisas, medida… Por exemplo, o sabão. Ele tem medidor para tudo… Então, você tem que usar aquele tantinho de sabão, aquele tantinho de amaciante. Tudo assim, milimétrico… Papel higiênico ele conta os quadradinhos. E como eles dividem as contas 100%, ele queria que ela contasse os quadradinhos. A Mirella teve que comprar, com o dinheiro dela, separado, o papel higiênico para ela.
“Ah, vamos fazer comida?”, tem que cozinhar quatro batatas, duas para ela, duas para ele… Se cozinhar seis, ele acha que é desperdício. — A Mirella acha ele metódico, eu estou achando o Kleber mesquinho. — As luzes do apartamento só são acesas se ela for, sei lá, ler alguma coisa ou alguma coisa que precise de luz acesa, se não, tudo apagado… — Sério. — Aí eu perguntei para a Mirella: “E água? Ele regula?” e ela falou: “Não, porque já vem no condomínio. Então tanto faz o quanto a gente gastar, que não vai afetar o orçamento, que já está no valor que a gente paga do condomínio”, mas a eletricidade, o gás, tudo que eles têm que dividir, ele vê até os centavos. Papel toalha? Um pedaço de folha. — Um quadrado de papel toalha você usa duas vezes? Não tem condição, gente, não tem condição… —
A Mirella começou a reparar que o Kleber estava falando sozinho, fazendo cálculos sozinho, assim, como se estivesse contando as coisas, sei lá… E ela acha que alguma coisa, algum gatilho, sei lá, alguma coisa aconteceu com esse casamento depois que eles casaram, que mudou o Kleber. Ela já pediu muitas vezes para que ele fosse com ela um psiquiatra, mas ele não quer ir. — Ele não quer ir. — De uns tempos para cá, vocês já viram um aplicativo que é de comida? As coisas que estão no restaurante, que eles não venderam naquele dia, ficam mais baratas no aplicativo e você pede? Mas você não sabe o que vem, você vai ver na hora… Eles começaram a pedir aquilo no aplicativo, porque ele falou que era uma maneira de economizar e ele gostou muito daquilo… Só que o que ele pensou? Se ele fosse direto nas padarias, direto nos restaurantes, ele podia tentar pedir as coisas… — A gente está falando aqui de um cara que trabalha no banco, numa posição muito boa, tá? —
Ele vai nas padarias, nos restaurantes pedir as comidas não foram vendidas pra levar pra casa… Ele começou a trazer coisas da rua, coisas que ele acha que dá para reciclar e vender e ele começou a trazer cacarecos da rua para dentro de casa. Kleber também parou de transar com Mirella… — Não sei, alguma coisa aconteceu, gente… — A Mirella está muito preocupada porque ela acha que é alguma questão psiquiátrica e ela me falou: “Andréia, se ele for no psiquiatra, às vezes tem um remédio, uma terapia que ele faça, que ele volta a ser quem ele era”, mas ele não quer ir, gente, ele não aceita. Mirella foi conversar com os pais do Kleber para saber, gente, se sei lá tinha um histórico, alguma coisa e ela achou que eles foram muito reativos, que eles devem saber de alguma coisa ou ele teve algum episódio, alguma coisa, que eles não querem contar. E eles ficam falando: “Você está falando o quê? Que nosso filho é louco? Ele é normal… O que você está pensando?”, então, assim, eles já não vão ajudar em nada, né?
Aí eu perguntei para a Mirella: “Mas ele não deu algum indício? Mesmo aquela coisa dele querer dividir até os centavos?”, ela falou: “Eu só achei que ele era metódico, ele tinha algumas coisinhas dele, mas nada no ponto de ficar falando sozinho… Parece que ele está contando números nos dedos sozinho… E agora está acumulando coisas, trazendo lixo para dentro de casa, indo nos restaurantes pedir comida, sendo que ele tem um bom cargo no banco”. E aí chegamos ao banco… O chefe do Kleber já afastou ele duas vezes, porque ele tá começando também a ficar estranho no trabalho. Além de toda essa angústia, essas questões da Mirella, o que ela está pensando em fazer? Ela trabalhava no mesmo banco que ele, lembra? Ela conhece todo mundo lá… E ela está querendo falar com o chefe do Kleber, que é um cara que ela conhece bem, para que a empresa peça uma avaliação dele.
Só que ela tem medo disso, sei lá, ficar no histórico dele, sabe? Prejudicar ele no banco. Mas ele já foi afastado duas vezes, né? O chefe já pediu para ele ir embora duas vezes. Então, talvez seja o caminho? Se o banco obrigar ele a fazer uma avaliação… Eu não sei se nem a empresa pode pedir isso, uma avaliação do funcionário? O que a Mirella quer é descobrir o que aconteceu, que gatilho foi esse, o que mudou quando eles voltaram da lua de mel, que ele pisou em casa e ele já começou a ser outra pessoa. “Ah, metódico?”, sim, mas agora com muitas questões, tipo isso do papel higiênico, tipo trazer sucata para casa, as coisas para casa, sair à noite pedindo comida nos restaurantes… Às vezes chegava com um monte de pão velho, sabe? Um monte de coisa. Aí queria que a Mirella fizesse aquela comida, aquelas coisas, sabe? A Mirella não tem apoio da família dele, não quer levar essa questão para a família dela porque acha que a família dela vai falar: “Ah, ele está doido, larga dele” e a Mirella não quer largar dele, ela quer ver o que ele tem para ajudar a tratar e continuar com ele.
E eu perguntei para ela: “Mas como era antes? O sexo, o carinho? Era normal?” e ela falou: “Normal… Agora é que assim, não sei, parece que a gente é só amigo e, ainda assim, eu não consigo entender ele. Ele mal fala comigo, a gente tem que ficar no escuro porque, senão, ele vai lá e apaga a luz. Se eu acendo a luz, ele vai e apaga a luz. Então, assim, eu não vou ficar nesse jogo com ele, né? Porque para ele é importante que as luzes estejam apagadas para não gastar”. Às vezes a Mirella quer fazer uma comida e ele fala: “Não, não vamos gastar gás, não, olha o que eu trouxe” e umas coisas que parecem até resto de padaria, de restaurante, sabe? A Mirella está muito preocupada, ela chora muito e ela sabe que o Kleber que está ali é o marido dela, é o amor da vida dela, mas aconteceu alguma coisa… Ele era só metódico e agora ele está com muito mais questões, assim, ela não consegue entender qual foi o gatilho e ele não quer ir ao médico.
Então, a pergunta da Mirella é: Eu devo abrir isso para o chefe dele, que eu conheço, e se a empresa puder pedir essa avaliação dele? Ou não? Eu não devo ir por esse caminho? Eu acho que, como ela conhece todo mundo, porque se fosse uma empresa que ela não conhecesse ninguém, eu ia falar: “Você vai fazer o cara perder o emprego, sei lá”, mas como é uma empresa que ela conhece todo mundo, será que não é mais fácil? Eu não sei também nem se a empresa pode pedir isso, gente… Eu, sinceramente, assim, não sei… Talvez insistir um pouco com ele, combinar: “Olha, se você for no médico comigo, a gente depois passa nas padarias para pedir coisa, eu vou com você”, sei lá, tenta um acordo antes de falar na empresa, não sei. O que vocês acham?
[trilha]Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, aqui é a Vitória, de Boa Vista, Roraima. Mirella, mesmo não te conhecendo, eu consegui sentir daqui um pouquinho da tua angústia. Eu acho que você deve colocar como condicionante talvez pro relacionamento de vocês que ele procure ajuda, porque isso não é normal. Eu acho também que os pais dele devem saber de alguma coisa e não te contaram, porque tiveram uma reação muito exagerada, né? Eu optaria por não levar isso para o trabalho, resolveria com ele em casa para que ele aceitasse ajuda médica e colocaria isso como um condicionante para continuar o relacionamento. Eu sei que é muito triste a gente colocar uma pessoa que provavelmente tá doente, passando por essa situação, mas se você não fizer isso, provavelmente quem vai ficar doente também é você. Então, eu espero que você consiga muito ajudar o Kleber nessa melhora dele, nessa possível melhora dele e que você também fique bem durante o processo, tá bom? Um beijo, se cuida e espero que dê tudo certo.
Assinante 2: Oi, nãoinviabilizers, aqui é a Rafaela e eu falo de Poços de Caldas. Mirella, eu acho que já que seu marido não aceita nenhum tipo de intervenção agora em relação a ele, a primeira pessoa que tem que procurar ajuda então é você… E é uma ajuda de você pra você mesma. Pra você entender até onde vai o seu lugar em relação a interferir, querer ajudar nessa situação que ele está passando. Acredito que seja muito difícil para ele, deve ser muito difícil para você também. Acredito que esses pais saibam sim o que está acontecendo com ele e essa coisa meio reativa deles foi meio que “não queremos ele de volta”, porque, né? Deve ser muito difícil. Então, procura ajuda pra você primeiro, sabe? Pra você entender seus limites, até onde você pode ir, pra que você não sofra ou se afogue nessa situação. Um abraço e tchau, tchau.
[trilha]Déia Freitas: No Airbnb você encontra os preferidos dos hóspedes, que são as acomodações mais bem avaliadas pelos próprios hóspedes. Entre agora no aplicativo da Airbnb, faz já a sua lista de acomodações favoritas e já compartilha a sua lista no grupo de amigos, assim fica muito mais fácil vocês escolherem aí a acomodação para todo mundo passar o carnaval juntinho, então já garante a sua reserva. E não esquece: vocês podem pagar no Pix ou parcelarem até 6x no cartão sem juros. — Quero ver esse bloco unido, hein? No carnaval. — Um beijo, gente, e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]