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título: monte
data de publicação: 01/01/2026
quadro: especial de férias – 2025
hashtag: #monte
personagens: jane e carlinhos

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Especial de Férias, Não Inviabilize [vinheta]

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei pra mais uma história do nosso Especial de Férias. E hoje eu vou contar pra vocês a história da Jane e do Carlinhos. Então vamos lá, vamos de história.

[trilha]

A Jane e o Carlinhos eles estão casados há muitos anos… Na época dessa história, as crianças estavam ali com seus nove, dez anos, seriam as primeiras férias que as crianças iam passar sozinhas no sítio com os avós. Jane e Carlinhos teriam a oportunidade de fazer uma viagem curta, eles estavam meio sem grana também, mas para ficar sozinhos, enfim, uma viagem mais romântica. E assim eles fizeram… Encontraram uma pousada e Jane e Carlinhos foram aí para essa pousada. A programação basicamente era trilha. [risos] Que ódio. Eles iam fazer algumas trilhas, alguns passeios na natureza e tinha um passeio em especial que Carlinhos queria fazer por conta da mãe dele, que a gente pode pôr aqui o nome de “Dona Dirce”. Dona Dirce, que era da igreja evangélica — aí eu não vou saber que contexto é esse, mas segundo Carlinhos, você pode orar no monte, você vai num monte, num morro, sei lá, numa montanha e ora lá no alto — e, nessa cidade que eles foram, tinha um monte que Dona Dirce falou: “Olha, se você puder, vá nesse monte, faça uma oração pela sua mãe”, então, Carlinhos falou: “Pô, vamos incluir no passeio esse monte”.

Jane topando tudo: “Não, vamos sim, vamos para o monte”. Fizeram uma programação ali e quando deu umas três horas da tarde, na programação era já agora rumo ao monte, né? Porque “ah, não deve ser tão longe, a gente chega lá e faz essa oração para minha mãe, descansa um pouquinho, leva uns lanches, a gente faz tipo um piquenique lá no alto do monte e volta embora”. Foram seguindo ali as indicações, algumas placas, mas uma placa era muito longe da outra, erraram um pedaço do caminho, voltaram, acertaram… Só que quando eles chegaram lá no alto do monte, já era cinco e pouco. — Então, veja, dali a pouco estaria escuro… Carlinhos estava prevenido, ele tinha uma lanterna, mas se eles já estavam se perdendo no claro, [risos] como é que ia ser essa volta? — A Jane falou: “Olha, faz a oração aí rapidinho pra gente voltar”. Tinha esse monte que era maior, tinha um monte que era menor e depois você tinha que seguir a trilha pra voltar, tinha mais ou menos uma hora e meia de trilha. — Então, eles iam, de qualquer forma voltar escuro já, né? —

Jane tava preocupada, mas não querendo preocupar Carlinhos. Não falar nada, assim, né? — E aí a minha maior preocupação, gente, você tá num mato, no escuro, e se aparece um bandido, um maníaco, sabe? Meu maior medo é esse. — Carlinhos fez ali a oração rapidinho pela Dona Dirce, sua mãe, e começaram a voltar… Nem fizeram o piquenique, falaram: “Não, a gente vai comendo aqui o sanduíche andando na volta, porque está já quase escurecendo, né?”, Carlinhos deu uma olhada geral, assim, para ver para que lado eles tinham que voltar, pegou a lanterna, se preparou e Jane ali, né? Já assim com os dois sanduíches na mão, esperando para eles começarem a voltar o caminho até o Carlinhos se organizar. De repente, a Jane começou a sentir um mal—estar… Ela falou: “Andréia, parecia que a minha pele estava repuxando, assim, como, sei lá, se fosse um imã, uma sensação muito ruim, assim, uma dormência, um mal—estar”, a Jane começou a sentir um mal—estar. 

Já Carlinhos falou que começou a sentir a cabeça pesada, bem pesada e ele estava tirando a lanterna da mochila e parecia que ele não conseguia fazer os movimentos, assim, ele estava muito lento e com a cabeça muito pesada. E isso já devia ser quase seis horas da tarde, já estava meio escuro… Quando eles olharam para frente, eles viram um ser… Como era esse ser? Era mais alto que eles, então Carlinhos um metro e oitenta, então, sei lá, uns 2 metros, uma pele muito lisa, escura, um cinza meio verde, olhos bem grandes e ovais, assim… — Palavras de Carlinhos, “parecia dois ovos”. — O olho também quase que da cor da pele, assim. E Carlinhos falou: “Andréia, você sabia que não era uma assombração, que era qualquer outra coisa, mas não era uma assombração, não era um animal”, os dois olhando. Nessa hora, Jane se mijou… A criatura tinha braços igual os nossos, mais ou menos o mesmo comprimento que os nossos, na proporção, só que as mãos eram muito grandes. 

A criatura estava com os braços para baixo, assim, e ela olhando, se mijando… Ela estava de shorts e ela falou: “Andréia, eu sentia a minha urina quente descendo pela minha perna”. Esse ser fez um movimento com o braço e aí ela percebeu que não era só um, do lado deles tinha mais uns três, quatro… E aí a Jane só lembra disso, não lembra de mais nada. Carlinhos tinha visto esses outros, mas ele mal conseguia se mexer, porque a cabeça dele estava muito pesada e ele estava tentando se mexer para, sei lá, tacar a lanterna neles, ele falou: “Não sei o que eu ia fazer, mas nem correr eu conseguia, eu não conseguia fazer nada, não conseguia raciocinar… Parecia que a minha cabeça estava vazia e pesada”.  Esse que estava mais perto deles olhou para os outros, parecia que eles estavam conversando, mas eles não tinham boca, e aí Carlinhos também apagou e não viu mais nada. 

Quando eles acordaram — aqui é o que me pega —, eles estavam numa parte da trilha que tinha uma cachoeira, você conseguia ouvir o barulho da água e era de manhã. Estava um do lado do outro, deitado, assim, reto… Sabe a posição quando você morre que você põe a mão no peito? Posição de morte, lado a lado, a mochila estava um pouco mais para lá e e era de manhã… Não bastasse ser de manhã, eles saíram para fazer essa trilha terça, e era quinta de manhã. Eles ficaram fora um dia e meio… — Aquela noite toda da terça à quarta inteira e acordaram quinta de manhã. — Eles voltaram para a pousada e o dono da pousada achou que eles tivessem ido acampar, porque muita gente acampa, aluga barraca e acampa, e aí ele perguntou: “Foi bom o acampamento? Gostaram?” e eles falaram: “Ah, gostamos e tal”. E aí eles entraram para o quarto ali e começaram a conversar e eles não lembram de nada, gente… Depois do que aconteceu nesse intervalo, de um dia e meio… Um dia e meio. 

Eles foram o quê? Abduzidos nessas férias? Eles tinham mais dois dias pra ficar e eles não foram mais fazer trilha, ficaram ali na piscina da pousada e o Carlinhos não sentia mais a dor de cabeça que ele estava, eu falei: “Mas fisicamente, vocês voltaram e estava tudo igual?” e ele falou: “Andréia, tudo igual, só que a gente passou… A gente perdeu um dia. E é impossível que a gente tenha ficado naquela pedra deitado um dia, porque ali é uma trilha, passa gente…”. Então, quando começou a amanhecer de quinta—feira, eles foram na terça, quando foi quinta—feira de manhã, eles acordaram e eles não sabem o que aconteceu, mas alguma coisa aconteceu, né, gente? Alguma coisa aconteceu. Carlinhos e Jane nunca mais voltaram nesse lugar e uma coisa que a Jane falou: Ela estava de tênis e de meia, quando ela voltou, ela só estava de tênis, ela não estava de meia mais… Ela não achou a meia dela em lugar nenhum. — Será que eles pegaram a meia com urina, fazer alguma, sei lá, um experimento, alguma coisa? — O que vocês acham?

[trilha]

Assinante 1: Olá, galera, nãoinviabilizers, meu nome é Bárbara e eu sou de Belém do Pará, mas atualmente estou morando em Lima. E eu fiquei bastante intrigada por conta do período em que eles ficaram fora do ar… Eu não sei se eu amo ou detesto história de E.T, mas o fato é que eu sou curiosa e eu assistia muito Arquivo X quando eu era mais nova. Tem um determinado episódio que uma pessoa foi abduzida, eles fazem exames de sangue e a médica, uma das agentes, fala que a contagem dos glóbulos brancos dela está altíssima e teve uma redução muito grande de linfócitos… E teve uma outra coisa lá que eu não lembro o que, mas o Molden fala assim pra ela: “isso é sinônimo de suspensão prolongada, muitos astronautas sofrem disso”, beleza? Então, eu iria ao médico… Afinal de contas, um dia e meio fora do ar é muita coisa. Seria legal, eu acho, ir no hospital e fazer uns exames aí, ver se tá tudo bem. Eu ficaria curiosa nesse sentido. Beijão.

Assinante 2: Oi, pessoal, eu sou a Giovana, aqui de Mogi das Cruzes. Se acontece isso comigo, eu vou ao médico, faço ressonância e também procuro câmera, sei lá, em entrada de fazenda, entrada de sítio, alguma coisa, um rastro do que aconteceu… Eu ia ficar muito cabreira de só seguir a vida, viu? Um beijo, até mais. 

[trilha]

Déia Freitas: Então é isso, gente… Um beijo e eu volto em breve. 

[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Especial de Férias é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]