título: parceria
data de publicação: 12/03/2026
quadro: picolé de limão
hashtag: #parceria
personagens: betina, um cara e manuzinha

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta] 

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não estou sozinha, meu publiii. — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem está aqui comigo hoje é a Hidrabene, a nossa marca cor de rosinha favorita acaba de lançar uma linha de body splashes em edição limitada. São quatro fragrâncias únicas: são três fragrâncias inspiradas em perfumes icônicos que marcaram aí os últimos anos e você não vai encontrar em outros body splashes por aí, tá? E uma fragrância autoral exclusiva, que é um floral aquático, assim, marcante… — Nossa, é bem elegante, assim, feminino. Delicioso, gente… — A Hidrabene selecionou inspirações de perfumes recentes e desejados, trazendo versões sofisticadas e intensas para o seu dia a dia, com identidade própria e uma alta fixação. — Gente, são deliciosos, real. —

É uma edição limitada, corre agora pra garantir aí o seu body splash. — Amo… Cara, a Hidrabene é sensacional, eu ainda não consegui escolher o meu favorito. Tô apaixonada por todos. — E, ó, fica comigo que no final tem cupom. E hoje eu vou contar pra vocês a história da Betina. Então, vamos lá, vamos de história.

[trilha]

Betina conheceu um cara e, logo no início, esse cara falou pra Betina que ele tinha um bebezinho. — A gente vai chamar aqui de Manoela, a Manuzinha. — Que ele nunca tinha tido um relacionamento sério com a mãe da Manuzinha, que eles ficaram algumas vezes, ela engravidou e teve todo esse processo de DNA, Manuzinha realmente era filha dele, então ele assumiu Manuzinha. Manuzinha estava com um ano, ele ainda não ficava diretamente com a filha muito tempo, porque ela estava muito pequena, mas enfim… Ele adorava ser pai, daquele jeito, né? — Pai daquele jeito, pega uma vez a cada 15 dias, ainda nem pegava, né? Só ia lá visitar. — Ele tinha um relacionamento agora meio complicado com a moça, porque teve todo esse DNA, que ele não acreditou e ela ficou com mágoa. 

Betina falou: “Ah, sem problemas, né? Não tenho nenhuma questão com isso de você ter um bebê, né? De você ter uma criança e tal”. Aos poucos, Betina foi checando essa história pra ver se o cara não era um canalha, né? E chegou a falar com mãe de Manuzinha. O tempo foi passando e, a partir do momento que esse namoro foi firmando mais, o cara foi ficando mais seguro pra pegar a Manuzinha. Então, um final de semana sim e um não, estava ele, ela e a Manuzinha. Manuzinha foi acostumando com Betina. O tempo foi passando, esse relacionamento cada vez mais firme, este homem pediu a Betina em casamento… “Nossa, vamos então, né? Fazer um casamento mesmo… É casamentão? É casamentão”. 

Eles compraram um apartamento juntos, dividiram os custos do casamento meio a meio, Manuzinha foi a pajenzinha que entrou com aliança, tudo, foi um festão… Mobiliaram o apartamento, tudo certo… O apartamento de 3 quartos, sendo um quarto da Manuzinha, um quarto para um futuro baby do casal, a sala tinha um espaço pro escritório ótimo, tipo um nicho, que ficou pro cara. Onde era dependência de empregada, Betina fez um escritório para ela, porque ela tem um negócio dela que ela faz vendas online, então ficou perfeito, ela conseguiu botar tudo lá. — Fez o escritório, fez as estantes… Então, assim, ficou ótimo com o banheiro lá, né? Que seria também dessa dependência de empregada. Então, ficou meio que separado uma lojinha, loja virtual da Bettina. Aqui nós não estamos falando de pessoas que têm grana, a gente está falando de pessoas que têm planejamento. E têm o quê? Parcelas, boletos mil, mas em dia, tudo feito parcelado, prestação, é assim, né? E a classe trabalhadora vai conquistando as suas coisinhas. —

Manuzinha agora já estava com seus quatro anos. Casaram em outubro… Quando foi ali no final de janeiro, o marido chegou e contou a novidade para ela, que agora, de segunda a sexta—feira, de manhã, quando a mãe da Manuzinha saísse para trabalhar, mãe da Manuzinha deixaria a Manuzinha lá até dar o horário dela ir para a escolinha à tarde. — Veja bem, gente, não foi uma pergunta… Não foi um acordo, ele apenas comunicou. — A Betina ficou olhando pra cara do marido e falou: “Mas quem que vai cuidar dela, né? Todo esse período da manhã, dar banho e dar comida pra mandar pra escola?” e o marido deu uma risadinha, deu um beijo nela e falou: “você, meu amor”. — “Você, meu amor”? — “Porque agora é parceria, agora nós somos parceiros, a gente tem que fazer tudo junto, assim. Eu entendi que você vai criar a Manuzinha comigo e eu preciso disso”.

A escola quem paga é a mãe da Manuzinha, se a criança fosse ficar integral, o marido da Betina teria que pagar esse período da manhã, só que agora ele não está com dinheiro — pra pagar —, porque é meio caro. O acordo que ele mesmo fez sozinho, porque ele disse, né? “Agora é parceria”, era que a Betina cuidasse da Manu. — Betina ama Manuzinha? Ama. Já cuida de Manuzinha? Já conhece? Já sabe tudo de Manuzinha? Sim, mas uma coisa é você fazer isso a cada 15 dias, outra coisa é você fazer isso todo dia de segunda a sexta—feira. — A Betina falou: “Bom, tudo bem, eu vou tentar, mas vamos ver como é que isso vai afetar a minha loja também, né? Minhas vendas, minhas coisas”. A Betina teve que mudar a sua rotina porque ela não conseguia trabalhar, ela não conseguia fazer nada no período da manhã. — Apenas cuidar da manuzinha, porque criança demanda, né, gente? Uma criança de 4, 5 anos, demanda muito. —

Betina arrumou um tablet para a menina com jogos, com coisas educativas, só que a mãe reclamou do tempo de tela e Betina falou pra mãe: “Então você pega a sua filha antes, porque eu não tenho como ficar o tempo todo… Eu preciso de pelo menos umas duas horas da minha manhã pra poder organizar as compras que foram feitas na loja, minhas coisas e tal, é o tempo que ela fica jogando, fazendo as coisas. Então você traga ela duas horas mais tarde, combinado?”, aí a mãe ficou quieta… — Porque também não pode, né? Ela precisa entrar no horário dela de trabalho, a mãe da Manuzinha. — Isso, gente, foi no começo de 2025… Então, assim, a rotina toda da Bettina mudou e a Betina me disse que até o humor dela mudou, porque assim, uma coisa é você ter as suas coisas, sua rotina e tal, outra coisa é você, além de você criar, ajudar a criar o filho de duas outras pessoas, muita coisa de que a Betina, sei lá, queria ensinar pra menina, ela não pode, porque ela não tá ali pra educar, ela só tá pra, tipo, pagiar a criança, né? 

Betina é budista, ela fazia os rituais de manhã com a Manuzinha ali e Manuzinha começou a replicar… A mãe também não gostou. Como é uma questão espiritual, a Betina parou de fazer as rotinas dela de manhã — do budismo —, porque a criança estava replicando tudo e a mãe começou a reclamar. E a mãe reclama para o pai… O tempo de trabalho da Betina agora é só meio período, às vezes ela trabalha até a noite e aí acontece isso, o marido dela chega e às vezes a Betina ainda está fazendo as coisas da loja até 9 horas da noite, porque ela não trabalha de manhã, aí ele reclama que ela não tem tempo pra ele. Betina passou esse ano todo fazendo isso e falou agora para o marido: “Não tem como… Pro ano que vem, você se organize, eu não sei como você vai fazer, conversa com a mãe da Manuzinha, coloquem numa escola mais barata, que aí vocês dois conseguem pagar o integral, porque eu não vou mais cuidar da Manuzinha de segunda a sexta—feira”. 

E agora parece que ela é um monstro, porque o cara tá super ofendido. A mãe da Manuzinha disse que não vai trocá—la de escola. Então, assim, a alternativa do pai era o quê? Se ele achar uma escola mais barata pra colocar ela no período da manhã, só recreação, alguma coisa assim, ele vai ter que fazer esse desvio na hora do almoço pra ir buscar, pra trocar de uma escola pra outra, porque a mãe da Manuzinha trabalha longe. Não dá pra ela fazer isso, entendeu? Aí a Bettina falou: “bom, eu posso me comprometer a pegá—la de uma escola e levar pra outra, né?”, mas o marido não quer gastar, sabe aquilo de “já pago a pensão”? O marido pode duas vezes na semana fazer home office e ele parou de fazer… As poucas vezes que ele fez com a Manuzinha em casa, ele disse que não conseguiu trabalhar… E aí a Bettina falou: “Poxa, Andréia, então você percebe que ele menospreza a minha loja, o meu trabalho, porque ele acha que eu dou conta, que por mim tudo bem então ficar sem trabalhar meio período, que não me afeta, sendo que ele não consegue ficar com a própria filha duas vezes por semana de manhã, porque diz que não consegue trabalhar”. 

Tudo ele usa isso de que “somos parceiros, é parceria, você tem que me dar essa força”, mas ele mesmo não aguenta a própria filha. E aí a Bettina, fazendo uma retrospectiva, ela disse: “Andréia, eu cuidei da Manu, minha loja foi afetada… Eu percebi que o meu marido não leva o meu trabalho a sério, que ele também não fica muito com a filha e não gosta de pagar as coisas para a própria filha. Eu repensei a maternidade, que talvez não seja algo para mim, e ele quer mais filhos”. — O cara não cuida nem da Manuzinha e ele quer mais filhos. — “E eu agora estou começando a questionar o meu próprio casamento… Mas a gente tem esse apartamento junto que tem mil anos pra pagar, eu não conseguiria pagar sozinha, então a gente teria que vender, repassar esse financiamento e sair praticamente sem nada e cada um começar do zero, se a gente separar”.

Mas o que a Betina falou: “Andréia, agora eu não tenho dinheiro nem pra fazer terapia… Mas eu voltei, assim que eu deixo a Manuzinha na escola, eu volto e faço a minha meditação e tal… E na minha meditação, eu tô começando a me ver sozinha, em paz, num apartamento pequeno. Sem criança, sem meu marido… Isso tá me dando uma esperança, um conforto, e que não era pra ser isso, né? Eu casei pra ser pra vida toda, casei com planos de ter realmente filhos com este homem e agora eu não estou querendo nem ficar perto dele… Eu amo a Manuzinha, mas assim demanda muito e eu repensei a maternidade cuidando da Manuzinha. E aí minhas amigas falam: ‘ah, mas seu filho ou sua filha pode ser diferente’ e eu falei: ‘não, vai ser igual, porque toda criança demanda igual, pode ter personalidade diferente, mas os cuidados, o tempo, demanda igual’. —

Se o marido vai colocar a Manuzinha numa escola de manhã, já era pra ele ter feito essa matrícula, já era pra ele ter ido atrás… Porque quando ela começou a ir atrás, ele falou: pra parar, porque “poxa, nós não somos parceiros, você está querendo me ferrar? Deixa que eu vou atrás, deixa que eu vou ver o que eu faço”, só que o “eu vou ver o que eu faço” dele, é nada. Ama a Manuzinha? Ama… Mas é o que ela disse: Minha vida está a metade do tempo parada, todas as minhas dinâmicas mudam por conta de uma criança de outras pessoas. — E, gente, ela faz a parte dela de madrasta, ela cuida bem da criança, tudo, mas é diferente isso, né? Ela tá ali num papel de mãe agora, assim, cuidando da criança o tempo todo de manhã, né? Ou de babá. — Por exemplo, um dia que a Manu tava doente, a Manuzinha tava doente, tá, tem que dar os remédios… “Eu tô achando que esse remédio aqui não está fazendo efeito, posso levar a Manuzinha no PS?”, não… Ela nunca pode fazer essas coisas assim, entendeu? “Deixa que a mãe leva”.

Aí a mãe não levou e, no outro dia, a Manuzinha estava pior, aí ela pegou a Manuzinha e levou no PS, porque é criança… Aí trocaram o remédio, aí deu certo, mas aí ela tomou esporro dos dois. — Tanto do marido dela quanto da mãe, tipo, que esse tipo de coisa não é pra ela fazer. — Então eles não dão nem essa autonomia dela cuidar um pouco como mãe também, ela é babá… E aí, gente, vira um círculo, né? Porque ela tá dedicando menos tempo à loja, tá vendendo menos, tá ganhando menos dinheiro, aí o cara fala: “Olha, tá vendo? A gente tem menos dinheiro, eu não vou conseguir pagar a escola de manhã pra Manuzinha”. Ela falou: “Bom, então me deixa trabalhar, você põe ela na escola, você se vira com ela e aqui em casa a gente vai fazendo” e ele não quer arriscar. 

Eu acho que esse cara não quer gastar realmente com a filha, porque se a moça já paga a parte da tarde, ele tem que pagar da manhã se não tem quem fique com essa criança. E aí a Bettina falou: “Olha, se realmente ele não colocar a Manuzinha numa escola, eu vou me separar. Vou me separar gostando do meu marido, mas assim, gostando bem menos, a cada dia eu gosto menos… Mas ainda achando, sabe, que talvez tivesse esperança, mas eu vou separar. Vamos ter que vender o apartamento, eu vou ter que alugar um lugar, ele vai alugar um lugar e é isso… E aí eu quero ver o que ele vai fazer com a Manuzinha de manhã”. Só que aí tem uma coisa: A Betina acha que se ela separar, a moça vai, sei lá, mandar a manuzinha pra mãe… 

Porque às vezes a Manuzinha não vem, assim… “Ah, minha mãe ficou com ela”, por isso que ela acha a moça insuportável, porque a moça não quer tempo de tela, não quer isso, não quer aquilo e, às vezes, deixa na mãe. Então, assim, a mãe também não é obrigada, né, gente? Mas ela acha que meio que a mãe da Manuzinha força… Sei lá, não dá pra saber isso também, né? A Betina escreveu para a gente, porque ela falou: “poxa, às vezes eu me sinto um monstro, porque eu não quero cuidar de uma criança de 5 anos, mas eu cuido, faço tudo, faço tudo certinho, dou amor, dou carinho, mas eu estou exausta e talvez esse seja o fim do meu casamento”. Eu acho que também, se for acabar esse casamento, é bom que ela já sabe que ela, de repente, não quer ser mãe… Ou ela não quer mais essa dinâmica com este homem.

Cara, dá um rumo na vida, é isso, né? Eu acho que quando a gente começa a pensar já em divórcio realmente e até mentalizar que você sozinha vai estar melhor, não sei se tem muita saída dessa alternativa… Porque a criança é filha dele, vai fazer parte do universo dele para sempre, não tem como tirar a criança da equação e ele não quer gastar com ela. Como ele disse, “parceria, você tem que fazer a sua parte na parceria”. O que vocês acham? 

[trilha]

Assinante 1: Aqui é a Sabrina, de Ronanópolis, Mato Grosso. Você percebe que os homens sempre estão delegando a função do cuidado para outras mulheres? Eles nunca assumem essa função completamente… E eles sempre se colocam em primeiro lugar, então eles não querem abrir mão de nada. Não querem abrir mão do tempo deles, da saúde deles, do emprego deles, de nada pra outra pessoa… Então, assim, apartamento resolvível, né? Vende até com dívida, alguém compra isso e assume. Casamento resolvível, né? Termina. Você já viu que o casamento não costuma ficar melhor, o casamento costuma ficar pior, as pessoas costumam dar o melhor de si no início do casamento… Isso não vai melhorar com o tempo. Não abra mão, Betina, da sua vida e da sua paz por nenhuma pessoa, muito menos uma pessoa que está claramente se priorizando e não está ligando para você, nem para a sua vida, nem para a sua comodidade, nem para o seu tempo. Você está sem tempo, você está sendo prejudicada financeiramente e está estressada. 

Assinante 2: Oi, oi, aqui quem fala é a Aline, de Salvador, Bahia. E, Betina, mulher, que parceria do cão é essa em que esses dois estão jogando uma responsabilidade em você que deveria ser deles? Ela não é sua filha, você está sendo colocada como babá nessa história toda, porque nem mesmo dar pitaco na educação ou na criação da menina você não está podendo. Fora que o seu marido já deixou bem claro que ele não respeita o seu tempo e muito menos respeita o seu trabalho, nem mesmo ele quer estar e cuidar da própria filha, então não tem porque você ficar aguentando esse peso que não é seu. Mulher, vamos tá pulando essa fogueira e saindo desse casamento que não vai te trazer nada de futuro na vida? Você mesmo já tem visto nas suas meditações que o seu destino é ficar sozinha. Dor de amor passa, meu amor, se cuide. 

[trilha]

Déia Freitas: Conheça o lançamento de Hidrabene, a linha de Body Splashes em edição limitada. Body Splash da Hidrabene tem alta fixação e zero saída alcoólica… — Isso quer dizer que você não fica com aquele cheirão de álcool, sabe? Quando você usa. — São três fragrâncias intensas, inspiradas em perfumes icônicos e uma fragrância autoral exclusiva, deliciosa. — Hidrabene, como sempre, caprichando em tudo. — Toda a linha foi desenvolvida por perfumistas nacionais. — Eu amo meu Brasil, é isso… — É hora de garantir o seu Body Splash usando o nosso cupom “PONEIBEN15” — [risos] “Poneibene” tudo junto, maiúsculo, sem acento, 15 em numeral —, você ganha 15% de desconto exclusivo no lançamento. — Tá tudo aqui na descrição do episódio, tá? Valeu, Hidrabene, te amo… — Um beijo e eu volto em breve. 

[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]