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título: perfeito
data de publicação: 05/11/2024
quadro: picolé de limão
hashtag: #perfeito
personagens: adriana, namorado e tio alberto

TRANSCRIÇÃO

Este episódio possui conteúdo sensível e deve ser ouvido com cautela. 

[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii… — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem está aqui comigo hoje é a EBAC, sim, a Escola Britânica de Artes Criativas e Tecnologia, Na EBAC você tem diversas opções de cursos como programação e data audiovisual, marketing, design, arquitetura, games, moda e o curso de roteiro que eu sempre indico aqui. São mais de 150 cursos em uma plataforma própria e mais de 145 mil alunos transformando aí seu futuro e entrando no mercado de trabalho. A EBAC está com uma oferta imperdível de Cyber Monday. — Pra quem quer transformar os sonhos em realidade. — Somente nessa primeira semana de dezembro, o site da EBAC está com uma promoção de compre um e ganhe outro. [efeito sonoro de meme “ui, que delícia”] Comprando dois cursos você ganha o curso de menor valor, entra no site agora e vai lá conferir as condições dessa promoção. 

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[trilha] 

Adriana — quando ela tinha seus 20 e poucos anos — conheceu um cara… Ele era um cara muito doce, muito gentil, ele tinha, assim, um comportamento com a Adriana de que ela era o centro do universo para ele. — E, gente, ele era perfeito… — A Adriana apresentou para a família, todo mundo gostou dele, porque ele era aquele cara, sabe? No churrasco ele toma a frente, ele acende a churrasqueira, ele já vai lá, já ajuda a fazer alguma coisa ou outra… Um cara que estava ali na família da Adriana sempre ajudando todo mundo… E ele gostava de falar para a Adriana que ela realmente era o mundo todo dele e que o relacionamento deles era para sempre. E Adriana achava aquilo muito romântico, assim, muito incrível, eles tinham planos até de se casar, mas assim, a Adriana precisava juntar um dinheiro e ele também não tinha dinheiro, então ficava meio que no campo do sonho isso do casamento. Tinha uma coisa que ele falava que era assim: “Adriana, quando a gente se casar eu vou te dar de tudo, você não vai precisar fazer nada, você não vai precisar sair de casa. Eu vou fazer tudo por você”.

Naquela época, pra Adriana — e a gente não está falando nem de tanto tempo assim, mas muito mais de dez anos —, aquilo soava muito bonito, muito romântico, um cara que queria fazer absolutamente tudo por ela. A meta era se casar com esse cara e ter filhos… Ele falava que ele queria ter muitos filhos e o relacionamento foi seguindo assim, ele muito envolvido na família de Adriana e, ao mesmo tempo, Adriana não sabia absolutamente nada sobre a família dele. Ele dizia que tinha vindo de outro estado e que nesse estado ele tinha vivido com uma tia, porque os pais tinham sumido no mundo e que ele tinha um irmão que também estava sumido no mundo e que essa tia tinha morrido. E quando essa tia morreu ele veio ali para o estado da Adriana, então era isso assim… Ele não tinha família, não tinha ninguém e isso também despertava ainda mais, assim, carinho da Adriana, porque ela falava: “Nossa, coitado, ele não tem ninguém e hoje ele tem a mim”.

E a Adriana realmente muito apaixonada, fazia planos e tinha certeza absoluta que ela aí se casar com esse cara. Passado um ano desse relacionamento, esse cara já tinha juntado algum dinheiro e eles começaram realmente a planejar um casamento. Paralelo a isso, agora a gente vai botar na história um outro parente de Adriana. Tio Alberto na época ele estava aposentado, mas ele tinha trabalhado muitos anos numa dessas companhias de carro forte, sabe? — De carregar malote, de carregar dinheiro. — E ele começou trabalhando em carro forte, dentro do carro forte, que é bem perigoso e depois ele foi subindo de cargo e tal, passou a trabalhar dentro da empresa… — Então era um cara, o Tio Alberto, que não era policial, mas ele tinha aquilo que os policiais chamam de “tirocínio”. — Ele tinha uma coisa que ele estava sempre cabreiro… Porque quando você trabalha movimentando valores e numa época que acontecia muito sequestro de gerentes de banco, enfim, muito sequestro para, sei lá, tirar o dinheiro das pessoas, enfim, uma época mais complicada, o Tio Alberto um dia estava numa dessas festas, num desses churrascos e ele estava lá comentando que tinha um amigo dele que era da polícia e que ia passar lá para comer uma carne e ele notou uma estranheza do namorado de Adriana, uma coisa estranha, assim…

Foi a primeira vez… Nada tinha despertado algo no Tio Alberto sobre aquele cara, tanto que eles tomavam cerveja juntos, mas sempre assim, somente em festas de família, somente ali superficialmente, então eles nunca tinham sentado para conversar, por exemplo, era sempre tomando uma cerveja ali entre outras pessoas, dando risada, enfim. E nesse dia ele percebeu que o cara ficou nervoso e o cara foi embora. Inventou uma desculpa lá para Adriana, saiu de boa, mas foi embora. E isso despertou alguma coisa no Tio Alberto, ele falou: “Pô, estranho… O cara nunca vai embora, é sempre o último a sair daqui. De repente eu falo que vem um amigo meu que é policial e ele vai embora?”. Esse amigo passou lá, mas passou assim, muito rápido, comeu uma carne ali e foi embora… E o Tio Alberto não falou nada com esse cara também e algumas semanas se passaram… Enquanto isso, eles planejavam esse casamento, agora esse cara alugando uma casa pequena pra mobiliar, porque ele morava numa pensão, então ele saiu da pensão, alugou uma casa pequena… Ele trabalhava numa lanchonete como segurança. Durante o final de semana as vezes ele fazia algum bico também de segurança. 

A Adriana já pensando em como ela ia fazer para comprar um vestido, mas tinha o vestido da vó, talvez servisse nela, enfim, a cabeça da Adriana era só casamento e os planos que o cara fazia… — Que ela não ia precisar trabalhar, que ela não ia precisar sair de casa pra nada, que ele ia fazer tudo por ela… — E ela estava muito feliz. Um dia este cara pede a Adriana em noivado: “Só uma comemoração íntima, não vamos chamar muita gente para não gastar, só os parentes”, ele não tem parente, né? “Se ele quiser trazer algum amigo e nã nã nã”, ele não quis trazer nenhum amigo e eles fizeram ali uma cerimônia íntima na casa da Adriana, no quintal, colocaram a mesa e tal, uma festinha só ali entre eles. E, nesse dia, esse cara bebeu bastante então precisou de ajuda ali, ele acabou dormindo ali no quarto da Adriana, a Adriana dormiu no quarto dos pais, enfim, tinha todo uma coisa aí pelo menos dentro da casa da Adriana, para manter uma aparência de que “não transamos”. E, neste dia, Tio Alberto aproveitou para mexer na carteira do cara e pegar o RG do cara para anotar todas as informações do RG. 

Primeiro o nome do cara era o nome do cara, era o nome dele, e aí Tio Alberto pegou todos os dados do cara… Ele podia falar com o amigo dele, mas ele sabia que ia colocar o amigo dele numa situação complicada ou ele podia lá na empresa de carro forte puxar os antecedentes do cara. Se não tivesse nada, o documento sairia, se tivesse alguma restrição, o documento não sairia, mas poderia ser alguma inconsistência de informação, como também poderia ser alguma coisa que o cara tinha pendente, não ia dar pra saber. Então, o que ele falou? “Bom, antes de eu falar com meu amigo, eu vou puxar”. — Ilegal? Ilegal, né? — E aí ele tentou puxar lá e não saia nada: “Eu vou dar esse papel com os dados do cara para o meu amigo policial e vou pedir só para ele dar uma olhada”. E aí ele marcou uma cerveja no bar com esse cara e falou: “Olha, minha sobrinha está namorando um cara, ficou noiva dele, estão querendo casar e eu estou cismado, eu queria que você desse uma olhada”. 

O cara pegou o papel, botou no bolso, continuaram tomando a cerveja lá e passou… Tio Alberto perguntou uma vez só para o cara se tinha achado alguma coisa, o cara falou: “Ah, eu passei para fulano, se tiver alguma coisa a gente te fala”. Passou aí um mês, um mês e pouco… Tio Alberto deu uma esquecida no assunto porque pensou “se tivesse alguma coisa, né? Alguém já tinha me falado, então o cara deve estar limpo e eu que cismei”. Um mês depois — a família da Adriana sempre teve essa de fazer churrasco — era aniversário de alguém ali e eles estavam num churrasco, que geralmente era feito na casa da Adriana, que tinha um quintal muito grande. Tava todo mundo lá no churrasco, inclusive Tio Alberto, quando lá no portão alguém bate palma… [efeito sonoro de palmas] Dois homens e uma mulher. O pai de Adriana — que a gente pode chamar aqui de “Seu João” —, Seu João foi lá, atendeu, conversou um pouco com os três e os três entraram. Os três entraram como se eles fizessem parte do churrasco, mas tinha uma vibe diferente… Quando deu ali dez minutos que eles estavam na festa, um dos caras se aproximou e algemou o noivo de Adriana. 

Adriana, na hora começou a gritar, a mulher estava ali pra levar a Adriana detida também pra entender sei lá o que estava acontecendo e foram conduzidos pra delegacia a Adriana, o cara e o Tio Alberto foi junto, falou: “Não, eu vou junto, é a minha sobrinha, o que está acontecendo?” e Tio Alberto falou: “Ó, liga nesse número aqui, fala que a gente tá indo pro distrito tal”. Este cara era procurado — sim, ele era procurado da Justiça — por homicídio. A Adriana não sabia de nada, ela estava ali para apenas prestar o depoimento dela. Um cara que ela não sabe se era delegado, se era escrivão, enfim, olhou para  a Adriana e falou: “Olha, moça, você teve muita sorte… Esse cidadão aqui ele é procurado por sequestro e homicídio”. — Por que sequestro? — Este cara era casado, tinha dois filhos, a mulher dele quis terminar o relacionamento, mandou os filhos para o estado da família dela — para a mãe dela cuidar enquanto ela organizava as coisas da mudança — ela mandou a mudança e tudo isso ele muito fofinho, compreensivo… A mudança foi de caminhão, essas coisas e ela foi para rodoviária para voltar para o estado dela ali junto com os filhos.

Este homem sequestrou a ex—mulher na rodoviária, manteve essa mulher em cárcere privado por quase um mês… Enquanto isso ela estava desaparecida, né? E assassinou essa mulher. Por que ele estava sendo procurado por homicídio e não feminicídio? Porque isso tem mais de 20 anos e a lei do feminicídio é de 9 de março de 2015, então, antes disso qualquer assassinato aí que o marido matasse a esposa, namorado matasse, enfim, não existia feminicídio, né? E por que demorou um mês, um mês e pouco do dia que o Tio Alberto deu papel para o policial até que o cara fosse preso? Porque é assim que funciona… Quando existe um mandado de prisão para alguém, não é aquele policial que prendeu ou o policial que investigou, esse processo, esse inquérito segue e existe um departamento, uma equipe… Nessa época não existia ainda nem a equipe de capturas. — Hoje tem uma equipe de capturas. — Aquele policial teve que fazer todo um processo para chegar aquilo na divisão de capturas e aquela divisão teve que botar aquilo em pauta, sei lá, na fila de capturados, enfim, e depois fazer uma campana para ver direito como é que eles iam prender esse cara e esse cara já estava fugindo há alguns anos desse crime.

A Adriana descobriu tudo ali na delegacia e ela achou que o clima com ela também foi hostil, assim, parecia que eles achavam que ela sabia, mas ela não sabia de nada… Por isso que ele estava lá, por sequestro da ex esposa e pelo assassinato. Isso causou um trauma gigante na Adriana, ela ainda depois de tudo, quis ir até a penitenciária terminar com ele. — Eu jamais iria. — Mas qual era o medo dela? Dele achar que ele ainda tinha uma noiva e ela foi num dia que o advogado ia também, então ela se sentiu um pouco mais segura. — O advogado dele, né? — E aí conversou com ele, ele ficou só olhando para a cara dela e não disse nada, absolutamente nada, nenhuma palavra. E aí, depois que Adriana saiu de lá, ela ficou com tanto medo que ela se mudou da casa dos pais e isso já tem muitos anos… — O Tio Alberto já morreu, os pais de Adriana também já são falecidos. Se ele cumpriu 20 anos ele já saiu, né? — A Adriana já casou, já teve filho, até hoje a Adriana tem medo de encontrar com ele, assim, e de repente esse cara achar… Porque ele falava muito disso, que ela era dele, que era para sempre e era o mesmo discurso… Depois o Tio Alberto foi ler as coisas lá do inquérito, enfim, do processo, porque ele já tinha sido julgado, estava foragido, enfim, foi ler e ele tinha esse mesmo discurso, de que era para sempre, que ela era dele, que ela não podia ter largado ele, enfim, e foi por isso que ele a matou. — Então imagina, né? O que teria acontecido se a Adriana tivesse casado com esse cara. —

Essa é a história da Adriana, até hoje é uma história muito impactante para ela. Ela lembra da cara dele quando ele foi preso no meio da festa e todo mundo também muito assustado, porque pensa, todo mundo amava esse cara, ele era perfeito, gente, ele era perfeito… Só que ele escondia o assassinato da sua primeira esposa. O que vocês acham? 

[trilha] 

Assinante 1: Oi, nãoinvibilizers, aqui é a Carolina, sua advogada, de São Paulo. Vou dar uma dica de utilidade pública que é: Sempre pesquise o nome da pessoa com qual você quer ter um date e, especialmente, a pessoa com qual você quer ter um relacionamento sério. Então, é o seguinte: Comece pela barra de pesquisa do Google, coloque o nome completo da pessoa entre aspas. Isso já vai te dar várias informações, especialmente naquele site Consulta Pônei, no qual você vai ver se a pessoa teve alguma sociedade ou tem, Escava Pônei, PôneiBrasil, no qual você vai ver se a pessoa tem processos judiciais em nome dela. E aí com outros dados como RG, CPF ou data de nascimento dessa pessoa, obtidos de forma lícita, por exemplo, quando pessoa tiver necessidade para você comprar um ingresso para ela, uma passagem, e aí você pode usar esses dados para consultar nos Tribunais de Justiça, registradores que são site de cartórios extrajudiciais, se essa pessoa tem execuções de dívidas, inclusive processos criminais, se essa pessoa já teve casamentos, protestos, etc. Tudo isso são certidões que podem ser obtidas de maneira oficial, muitas delas até gratuitas. Então, se protejam, ninguém é perfeito. 

Assinante 2: Oi, nãoinvibilizers, aqui é a Luiza Sansão, do Rio de Janeiro. Eu acho que uma coisa que a vida ensina é que ser o mundo todo de alguém não existe, né, gente? O que existe é a gente ser prioridade na vida da pessoa. E isso de não precisar fazer nada, nem sair de casa após o casamento também não existe, está mais para cárcere privado dito forma, né? Fazer um noivado e não ter nenhum amigo para convidar é estranhíssimo e acho que talvez tenha sido o sinal mais óbvio de que havia algo errado com esse cara, já que os outros dois elementos podem ter sido encarados romanticamente aí pela Adriana, embora fossem sinalizadores de que tinha algo muito errado, como essa parte é mais óbvia. Tudo isso soa muito doentio, ainda bem que você se livrou desse casamento a tempo, Adriana. Um abraço para você. 

[trilha] 

Déia Freitas: Somente nessa primeira semana de dezembro o site da EBAC está com uma promoção compre um e ganhe outro. — Então, ó, comprando dois cursos você ganha o curso de menor valor. — E pra você começar a estudar agora, você ainda conta com opções de parcelamento em 21 vezes no cartão ou 36 vezes no boleto e com nosso cupom: 300NAOINVIABILIZE — 300 Numeral, sem acento, “não inviabilize” em letras minúsculas —, você ganha R$300 de desconto. O cupom é válido para todos os cursos — e sim, é cumulativo com as ofertas do site. Amo… — Acesse agora: ebaconline.com.br e vai também consultar aí as condições de pagamento. — Valeu, EBAC, mais um ano juntas, te amo… — Um beijo, e eu volto em breve.

[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]