título: sandrinha
data de publicação: 25/11/2024
quadro: luz acesa
hashtag: #sandrinha
personagens: sandra, dona palmira e dona vera
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Shhhh… Luz Acesa, história de dar medo. [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei pra mais um Luz Acesa. — Essa história pode ter alguns gatilhos aí em relação a afogamento, então tenham cuidado. — Hoje eu vou contar pra vocês a história da Sandra. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]A Sandra era uma garotinha ali de três anos muito arteira — ela não se lembra dessa história muito bem, assim, quem contou para ela foi a mãe dela, Dona Vera — e a Sandra está agora com 35 anos, piscina sempre foi uma coisa… Hoje eu acho que está mais popular e eu gosto muito disso que as pessoas tenham acesso à piscina, mas na época da Sandra não era muito comum você ter piscina em casa. Só que Dona Vera tinha comprado uma casa e essa casa tinha piscina. Dona Vera, funcionária pública, tinha conseguido financiar essa casa, ela já era viúva, então só era ela e a Sandra e a Dona Palmira — vó da Sandra — que morava ali com as duas. Quando a Dona Palmira viu a casa nova, ela teve uma sensação muito ruim em relação àquela piscina. Dona Vera falou: “Bobagem, mãe, imagina, uma piscina…A gente vai encher…”, porque tava vazia, né? “A gente vai encher a piscina e tudo bem, só tem que tomar cuidado, porque a Sandra ainda é muito pequena”. Eu acho que quem tem piscina, tem criança e tem animais, a piscina tem que ser cercada, é segurança, porque basta dois, três minutos e uma criança sua, um vizinho seu pode perder a vida. Então cerquem suas piscinas, não importa que vai ficar feio… Quem está ligando, gente? Ninguém liga, todo mundo quer nadar, então, cerquem em suas piscinas, por favor.
E aí elas fizeram a mudança, Dona Palmira com muita angústia em relação àquela piscina — a piscina em si, a casa ela achava que tudo bem — e a Sandra ali muito neném, então tinha sempre alguém ali junto. Os dias foram passando, a Dona Palmira foi ficando mais calada e a Vera, mãe da Sandra, perguntou: “O que está acontecendo, mãe? Que a senhora está mais calada e tal, né?”, e aí a Dona Palmira disse que ela via uma mulher saindo daquela piscina. E aí a Dona Vera, mãe da Sandra, falou: “Mas como assim, alguém está pulando aqui pra nadar? É isso?”, “Não, não é uma pessoa viva… Eu vejo uma pessoa que parece que a pele dela, assim, parece até que ela é feita de cera, como se fosse uma boneca de cera e ela sai da água e ela sempre vai em direção a Sandrinha… Eu sempre fecho os olhos e entro na frente da Sandrinha. Seguro a Sandrinha. Eu tenho medo que essa mulher leve a Sandrinha pra piscina”. Dona Vera acha uma bobagem, uma bobagem…
Nessa época, Dona Palmira tinha um problema no coração, tomava remédios, se cuidava super bem, mas foi ficando muito calada, muito angustiada, porque ela sempre via essa mulher e essa mulher estava vestida, assim, como se ela fosse uma dona de casa, sabe? Uma saia de viscose, uma camiseta, mas assim, a pele dela parecia de cera, meio derretida, enfim… Dona Palmira não tinha medo dessa mulher, ela tinha preocupação em relação a Sandrinha. O tempo se passou… Um mês, dois, três, quatro… Um dia a Dona Vera está ali na cozinha, fazendo alguma coisa na pia ali e ela ouve a mãe, Dona Palmira, chamando: “Vera… Vera… Vera…” e às vezes a mãe chamava muito, então ela não deu muita atenção. E aí a Dona Palmira apareceu na porta da cozinha gritando: “Vera, Vera, Vera”, e aí, quando a Vera saiu na direção do quintal ali, ela viu que a Sandrinha estava dentro da água, de bruços, assim, parecia que estava morta.
E aí Dona Vera já pulou na piscina e tirou a Sandrinha… Nem sabia fazer direito a respiração, nada, mas fez e a Sandrinha voltou… Quando ela foi falar: “Mãe, pega uma toalha”, a mãe dela não estava lá. O que a Dona Vera pensou? “Bom, a minha mãe saiu pra rua gritando, pedindo ajuda”. Só que o portão estava trancado — pro quintal tinha uma entrada lateral — e aquele portão tava trancado e continuava trancado… Então, ou a Dona Palmira tinha saído lá pela porta da sala, para a rua, ou onde ela estava? E aí a prioridade ali era socorrer a Sandrinha, então ela pegou a Sandrinha no colo a Dona Vera… As duas ainda muito molhadas e foram pro banheiro tomar um banho quente ali, né? Dona Vera se vestiu, vestiu a Sandrinha e aí foi procurar a mãe. Olhou ali na porta, no portão, porque, assim, não apareceu ninguém também, não tinha ninguém.
Quando a Dona Vera foi até o quarto da mãe porque falou: “De repente, ela passou mal, né? Meu Deus, minha mãe…”, que aí ela foi ver onde estava a mãe dela, ela achou a mãe dela na cama… Deitada, coberta e completamente já fria, gelada, dura. A mãe dela tinha morrido, veio um carro da perícia, foi pro IML e foi liberado como morte natural. Provavelmente ela se deitou nove pouco da noite do dia anterior e morreu… Só que ela veio avisar a Vera que a Sandrinha tava dentro da piscina e, provavelmente, puxada por aquela mulher. Primeiro ela chamou o Corpo de Bombeiros, né? E o bombeiro veio e viu que estava morta, então eles não podem retirar, enfim, todo aquele trâmite… Então a rua ficou ali sabendo, e aí ela começou a pegar amizade com as vizinhas e já estava pensando em aterrar aquela piscina. Só que aí começaram a acontecer algumas coisas dentro daquela casa…
Pra você ir pro quintal tinha esse portão lateral da garagem e a porta da cozinha, enquanto não tinha uma solução, resolveu deixar a porta da cozinha trancada. — Para a Sandrinha não ter acesso mais ao quintal. — Como agora a Vera tinha trancado, várias coisas dentro da casa começaram a se mexer, às vezes ela estava na cozinha e uma panela era jogada tipo de uma parede a outra… Só que ela não via nada, era só essas coisas arrastando e se mexendo. E aí ela começou a falar com a vizinhança e uma das vizinhas falou: “Bom, eu acho que você já sabe, né? Quando você comprou essa casa… Você sabe, né? Existia uma mulher que morava lá naquela casa com o marido e uma filha. Essa filha cresceu e foi estudar fora e esse marido largou ela lá e essa mulher começou a ficar muito amargurada, muito desgostosa da vida e um dia ela foi encontrada morta na piscina”. — Provavelmente então, é a mulher que a Dona Palmira via saindo da piscina e tentando pegar a Sandrinha, era essa mulher que morava na casa. –
E a vizinha falou que ela ficou uma mulher amarga, assim, então ela torcia muito pra que todo mundo se ferrasse… Ela era a única ali da rua que tinha essa casa com piscina, então ela não deixava as crianças brincarem na piscina… Até que uma época ela passou a deixar, só que as crianças começaram a ficar com medo, porque ela entrava na piscina junto e queria segurar as crianças embaixo da água. Então ela foi ficando, assim, muito diferente do que ela era — depois que ela foi abandonada pelo marido e a filha parece que também não tinha mais contato com ela —, até que ela morreu afogada naquela piscina. E aí a Dona Vera resolveu vender aquela casa… Vendeu até por menos do que ela comprou, ela tinha ainda o financiamento para pagar, enfim, um rolo… E aí elas foram para uma casa menor e nunca mais nada aconteceu. A Sandra não lembra da vó porque quando a vó morreu ela tinha uns três aninhos, que foi nesse dia do quase afogamento da Sandra… — Foi no dia anterior, no caso, que a vó dela morreu… — E a mãe dela que conta essa história, falando que a avó voltou ou estava ali… — Morreu e ficou por ali com essa mulher? Estranho, né? — E aí foi ela que foi chamar a Dona Vera pra ver ali a Sandra dentro da piscina, quase já sem vida.
[trilha]Assinante 1: Olá, Deia, olá, nãoinviabilizers, sou Léo, sou daqui do interior de São Paulo. Tô, assim, arrepiada… [risos] Eu amo demais o Luz Acesa e amo demais essas histórias que pegam essa volta, especialmente essa volta em que era para salvar a vida da Sandrinha, né? Como que a presença da avó ela coibia o espírito da mulher lá de fazer qualquer coisa com a Sandrinha, e a partir desse momento que não tinha mais a presença da vó, ela teve que voltar do além pra tentar ainda impedir de algo que acontecesse.
Assinante 2: Oi, nãoinviabilizers, meu nome é Sara, eu sou da cidade de São Paulo. Eu fiquei bastante chocada, ela foi uma história dois em um… Você acha que vai ouvir um Luz Acesa e acaba recebendo dois? Porque além da história da casa, ainda tem o pós história da moça que estava lá e morreu, foi uma história que me deixou com muito medo. Achei tenebrosa. Deus me livre.
[trilha]
Déia Freitas: Um beijo, Deus me livre, eu volto em breve. — Apesar de que Dona Palmira prestou um serviço, então um beijo Dona Palmira aí onde a senhora estiver… Mas não precisa voltar pra agradecer e nem falar “oi”, tá bom? — Então é isso, gente, e eu volto em breve.