título: vestido colorido
data de publicação: 20/11/2025
quadro: picolé de limão
hashtag: #vestidocolorido
personagens: marilsa
TRANSCRIÇÃO
Este episódio possui conteúdo sensível e deve ser ouvido com cautela.
[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]Déia Freitas: Oi gente, cheguei, cheguei pra mais um picolé de limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem tá aqui comigo hoje é o Airbnb. Viagem com amigos é muito melhor se todo mundo estiver ali juntinho. O Unidos do Carnaval do Airbnb chegou para facilitar a sua vida. Vai facilitar na escolha da acomodação aí com a galera, vocês vão poder curtir aí essa folia bem juntinhos. No Airbnb, você encontra acomodações com muito espaço, privacidade e conforto, assim, todo mundo pode fazer tudo junto e aproveitar muito mais e ainda curtir várias comodidades incríveis como piscina, uma cozinha grande, churrasqueira, quintal, deixando o seu carnaval aí ainda mais completo.
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[trilha]Marilsa conheceu um cara aí que era legal até pra época, era uma época que as moças se casavam ali com seus 19, 20 anos no máximo. — Depois já ficava meio que, ah, titia, sabe? — Casou ali com 19 anos, não pôde escolher muito, mas o cara até que era ok. A vantagem que a Marilsa tinha nesse casamento é que ela teria ali a sua casa própria. Esse cara tinha dois apartamentos desses prédios antigos — essa história é bem antiga, era uma época que nem tinha tantos prédios, né? Então, assim, era prédinho de escada — e ela morava num apartamento e, colado do lado, porta com porta, a sogra. — Ela teria casa própria, mas teria aí a desvantagem de morar do lado da sogra. — O pai ali da Marilsa, achando que estava fazendo um bom negócio, a filha vai casar com um cara que tem dois apartamentos, enfim, é uma outra condição social… Porque a Marilsa vinha ali de uma família bem pobre. Só que essa sogra não aceitava muito bem que a Marilsa vinha de uma família pobre.
Só que o filho dela já estava com 30 e poucos e estava solteiro e precisava casar e meio que ela aceitou. Casaram no civil apenas, não teve nada, porque seria a família da noiva que teria que pagar e a família da Marilsa não tinha dinheiro nenhum. Já no primeiro dia que ela foi morar, essa sogra fez um inferno da vida dela… O marido disse que Marilsa teria que obedecer a mãe dele — por ser mais velha e tal — e vamos dizer que essa sogra fosse espanhola… Tinha toda uma louça linda, né? Da Espanha e tal, que ela e o filho podiam comer. O prato da Marilsa parecia de barro, tipo uma argila, assim, ela não sabe explicar bem. Ela não comia em pratos iguais, não tomava em copos iguais e tinha apenas uma colher para comer. Ela já percebeu no primeiro dia que ela seria empregada das duas casas. Ela tinha que limpar a casa da sogra, limpar a casa dela, lavar a roupa da sogra, lavar a roupa dela, fazer a comida dela e fazer a comida da sogra do jeito que a sogra gostava de comer na Espanha.
Naquela primeira semana de casamento, a Marilsa percebeu que casar com um cara que tivesse mais condição que ela seria a pior coisa que poderia ter acontecido na vida da menina Marilsa, mas não tinha opção de voltar para casa. — Era uma época que você saía da casa dos seus pais, casada, e você ficava casada, não existia divórcio, enfim, você tinha que ficar casada… Bom, a gente nem precisa dizer que esse marido era péssimo em tudo, né? — Logo nos primeiros meses, a Marilsa engravidou, e aí essa sogra espanhola falava pra ela assim: “Olha, se nascer uma menina, nem na cama você vai poder dormir mais com o meu filho, você vai dormir no chão. Tem que nascer um menino, tem que ser um neto, um herdeiro, o primeiro filho dele tem que ser homem”. Marilsa tinha pânico, porque ela não sabia se ia nascer um menino ou uma menina. Se nascesse uma menina, ela estava ferrada, a vida dela ia ficar pior ainda — e provavelmente a vida da filha dela também seria pior —, porque o cara falava que não queria uma menina. Uma gravidez difícil… Marilsa precisou trabalhar todos os dias, fazer todos os afazeres, mesmo quando ela estava se sentindo mal. E nasceu… [efeito sonoro de bebê chorando]
Para a sorte de Marilsa, nasceu um menino. O parto foi feito em casa com uma parteira e assim que o filho nasceu — olha isso, gente —, essa sogra embrulhou a criança ali numa toalha e levou pra casa dela. A Marilsa não viu o próprio filho assim que ele nasceu… Ela ficou lá, ensanguentada, fazendo as coisas que tinha que fazer agora no pós—parto, sem o filho. Ela escutava o filho chorando no apartamento do lado. Foi muito traumático pra Marilsa… Quando ela viu que eles tomaram o filho dela, por que qual que era a ideia? Marilsa ia continuar sendo a empregada da família e aquele filho ia crescer meio que com a Marilsa como um babá, ela pensou: “Agora eu preciso, de alguma forma, eu preciso reagir”. Marilsa tava ali, recém—parida, fragilizada, mas enfim, ela tinha que ter um plano, alguma coisa… — E aí aqui, a gente vai começar a entrar numa zona que talvez seja um pouco cinza. — Essa sogra espanhola de Marils tinha algumas questões… Ela era um pouco esquecida. Nada que fosse atrapalhar o dia a dia dela.
Marilsa se recuperou até que rápido do seu parto normal, mas fingiu ainda que estava muito fraca. Essa senhora tinha uma cristaleira cheia de bules, que ela colecionava, trouxe da Espanha, enfim… Marilsa ia lá e trocava todos os bules de lugar e espalhava os bullies pela casa. Essa espanhola, depois de comer, tirava um cochilo ali… A Marisa corria e fazia esse tipo de coisa enquanto a mulher estava cochilando. Quando ela acordava, tinha um bule do lado dela e vários bules espalhados pela casa. Marilsa estava lá no apartamento do lado, e aí ela chamava pela Marilsa e a Marilsa falava: “Nossa, o que aconteceu aqui?”, “Não sei…”. E aí a senhora foi ficando confusa… Só a senhora que costurava as roupas do filho, Marilsa também nessas horas de cochilo, costurava os bolsos das calças e das camisas do marido e botava ali do lado dela… Então ela não lembrava, falava: “Meu Deus, mas eu costurei isso aqui?”. Ao mesmo tempo, Marilsa foi falando pro marido que a mãe tava começando a ficar esquecida e que um dia pegou essa mãe dele na janela, que era melhor colocar uma grade na janela, porque tinha medo que ela fosse pular, alguma coisa assim. — Eles moravam, tipo, no segundo andar. —
E ela foi fazendo a cabeça do marido, falando que ela estava preocupada e, ao mesmo tempo, o marido foi ficando com medo, assim, da mãe louca. Essa senhora arrastava muito chinelo, assim… — Então, todo mundo do prédio ali sabia quando ela tava andando, porque ela arrastava muito chinelo. — Marilsa começou a arrastar muito o chinelo pelo corredor do prédio e a pegar coisas… Pegava uma cebola, duas laranjas, um tomate da casa da senhora, sem ela ver, e botava na porta de outro vizinho. O vizinho só escutava arrastar o chinelo ali e, quando abria a porta, via aquelas coisas no chão. Ou às vezes era o lixo. ..E aí todo mundo começou a falar: “Essa senhora tá doida, tá deixando lixo na minha porta” e Marilsa foi fazendo essas coisinhas. Essa senhora sempre tirava vários cochilos, assim, durante o dia e ficava sempre com o menino. Marilsa só pegava o menino pra amamentar e a idosa ali ficava em cima.
Um dia, Marilsa pegou o próprio filho, colocou no chão, mas colocou numa posição meio tortinha assim. — Ela não jogou o filho no chão… E o bebê tava do lado da mulher na cama enquanto ela tava tirando o cochilo. — E aí ela começou a gritar: “Olha o que a senhora fez, a senhora derrubou meu filho” e a senhora ficou desesperada… Foram pra um hospital pra levar o menino pra ver se tinha acontecido alguma coisa — e assim, a Marisa só tinha colocado no chão — e aí a Marilsa falou: “Sua mãe vai acabar se matando ou matando nosso filho. Os vizinhos estão reclamando, ela tá deixando lixo na porta dos vizinhos”. E aí o marido resolveu internar a própria mãe… — Só quem já estudou sobre como eram os manicômios no Brasil vão imaginar o horror que essa senhora passou internada. — Ela ficou internada por quatro meses… Esses quatro meses foram de paz, mas a senhora já saiu com a cabeça ruim, porque assim, né? Não tinha tratamento nenhum, era um depósito de pessoas.
Quando ela saiu e o marido viu que ela estava pior — que a própria mãe estava pior, o marido da Marilsa —, ele falou: “Olha, é melhor então a minha mãe voltar pra Espanha. Que ela tem as irmãs, que ela pode se cuidar lá”, porque ela tava meio já fora da casinha. E ele foi com ela para a Espanha e foi, assim, uma paz na vida da Marilsa, enquanto ele viajou com a mãe para levar a mãe para a Espanha. Este homem voltou, alugou o apartamento do lado, só que agora com saudade da mãe, ele começou a beber. No começo, a Marilsa tentava fazer com que ele não bebesse… Ele não ficava violento, nada, ele ficava triste, chorando. E aí a Marilsa percebeu que talvez fosse melhor que ele realmente bebesse, talvez as coisas melhorassem pra ela. Esse cara bebia de cair… Eles tinham uma mercearia, foi a época que a Marilsa conseguiu tomar a frente da mercearia. — Porque ele só bebia. — Um dia, este homem bêbado, foi atropelado na rua e morreu. Marilsa ficou com os apartamentos, a mercearia, nunca mais viu a sogra, não mandou notícias para a sogra de que o marido tinha morrido.
Ela fez tudo por aqui no Brasil, não mandou notícia, não mandou nada. Não sabe quando a sogra morreu e, a partir dali, ela viveu tranquila com o seu filho e seus apartamentos e seu negócio. [risos] Marilsa hoje já tem netos adultos e ela nunca mais se envolveu com nenhum homem, pegou realmente trauma, não queria… Viveu a vida dela no seu apartamento, com o inquilino no apartamento do lado, levando seu mercadinho até onde deu, depois se aposentou também. Teve só esse único filho. Depois que o marido morreu, ela conseguiu ajudar a família e ela guardou o luto do marido usando preto por três anos. Depois de três anos, ela comprou um vestido colorido e aí missão cumprida, né, gente? [risos] Vamos esquecer tudo isso aí. É aqui, ó, viver… [risos] Então, a Marilsa disse que de tudo que ela passou, muita coisa ruim, muita mesmo, eles fizeram muita maldade com ela… O que marcou essa virada de chave foi o vestido colorido.
Ela procura não lembrar das coisas ruins. — Ela sabe que enlouqueceu um pouco a sogra… Talvez, né? Ah, não ajudou o marido a parar de beber? Ela falou: “mas eu não incentivava ele a beber, não tinha bebida em casa, ele bebia na mercearia, bebia na rua, mas eu também não fazia nada para ele parar de beber”, né? E aí ela tem, assim, muito viva na memória dela o vestido colorido, de quando ela acabou o luto, ela falou: “vou esquecer tudo isso e agora sim vou viver minha vida com meu filho, fazer minhas coisas, ajudar minha família”. Então o vestido colorido foi um marco aí na vida de Marilsa. O que vocês acham?
[trilha]Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, meu nome é Mara, eu sou de Goiânia, Goiás. Muito intenso o que a Marilsa viveu, mas eu super passo o pano pra ela. Não julgo, acho que foi corretíssima… O feitiço caiu sobre o feiticeiro. Gente, quem merece uma sogra dessa? Que te humilha, que te faz de empregada e o marido conivente com isso… Ai, que coisa horrível. Então, eu acho que ela foi corretíssima… Ela fez o que fez pelo bem dela e pelo filho dela. E como o karma não falha, né, gente? Porque o marido dela ainda entrou aí nesse círculo de bebidas e ficou super mal e eu acho que isso foi o karma voltando. Que bom que tá tudo bem com a Marilsa, que ela tocou em frente com o vestido colorido dela e é isso, as nossas vidas precisam ter cores e muita alegria. Tudo de bom pra ela.
Assinante 2: Oi, meu nome é Mariana, falo de Cruz das Almas na Bahia. Gente, eu achei ela uma grande diva, tá? Pra ser bem honesta, não vi na cinza de: “ai meu Deus”, eu acho que ela foi coerente. Tudo que aconteceu com a sogra e com o marido foram consequências das ações deles. Então, assim, ai, Mona, você não fez nada… Você foi proteger sua criança. Inclusive, acho que você estava muito certa de proteger o seu filho, sabe? Não acredito que você estava errada, não, diva, você estava certíssima. O que aconteceu com eles é um problema deles, infelizmente tem que estar sendo mesmo e cada um lida com isso gente. A mulher estava te tratando igual a empregada, mona, tá doida? Não vi zona cinza nenhuma, arrasou… Ainda bem que você tá vivíssima, vivendo bem plena. Um beijo, diva.
[trilha]Déia Freitas: Carnaval entre amigos é muito muito melhor no Airbnb. Todo mundo faz tudo junto e se curte muito mais. No Airbnb, você encontra os preferidos dos hóspedes, que são as acomodações mais bem avaliadas na plataforma. — De acordo com os próprios hóspedes… Eles votam, eles escolhem. — Entra agora no site ou no aplicativo do Airbnb, faz a sua lista de acomodações favoritas e compartilha o link no grupo com os seus amigos, assim fica muito mais fácil de vocês escolherem a acomodação do próximo carnaval. E, ó, já faz a sua reserva, o carnaval tá aí… Para deixar ainda mais fácil e sem dor de cabeça, você pode pagar no Pix ou parcelar em até seis vezes sem juros no cartão. — Valeu, Airbnb, esse carnaval vai ser incrível. — Um beijo, gente, e eu volto em breve
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]