título: naty
data de publicação: 20/10/2025
quadro: picolé de limão
hashtag: #naty
personagens: jéssica e nathielly
TRANSCRIÇÃO
[[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]
Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei pra mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — Quem tá aqui comigo hoje é a Marisa. Pra Marisa, o Outubro Rosa é mais do que uma campanha, é um abraço coletivo que lembra a cada mulher o quanto a sua vida é valiosa. O autocuidado é um ato de amor próprio que pode salvar vidas e esse é o momento de se olhar aí com carinho, conversar com seu médico e manter os seus exames em dia. — Gente, é muito importante: mantenha os seus exames em dia. — O diagnóstico precoce abre portas para a cura e para novas histórias cheias de vida. Em prol dessa causa, a Marisa desenvolveu materiais educativos sobre o câncer de mama para ajudar com informações sobre o tratamento.
E, pensando nas mulheres, também desenvolveu um lenço solidário lindo que está sendo vendido nas lojas e no site da Marisa em dois tamanhos diferentes: o lenço pequeno, R$ 9,99 e o lenço grande, R$19,99. — Eu vou postar o lenço que eu ganhei da Marisa nas redes sociais. — Todo o lucro da venda desses lenços solidários será doado para o ICESP. — O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, o Instituto de excelência do SUS, que você tem todo o seu tratamento gratuito. — Adquirindo um lenço solidário, você vai estar ajudando na causa, vai estar doando 100% desse lucro para o ICESP, e você pode usar o seu lenço no cabelo, na bolsa, na cintura, e ele vai ser um lembrete para você dos seus exames.
Essa parceria é uma parceria da Marisa com o Governo do Estado de São Paulo. Bora se cuidar. — Para saber mais sobre prevenção do câncer, é só acessar o link que eu deixei aqui na descrição do episódio. — [cantarolando] De Mulher para Mulher, Marisa… [risos] Eu amo… E hoje eu vou contar para vocês a história da Mirian e da Nathielly. Quem me escreve é a Mirian. Então, vamos lá, vamos de história.
[trilha]Mirian se casou aí quando ela tinha 18 anos e, desde o início, o casamento dela era péssimo. Ele não era agressivo de bater nela, nada, mas o psicológico todo dia, ele fazia questão de falar que a Mirian não era uma mulher bonita, gostava de chamá—la de gorda. Aí se ela emagrecia, chamava de pelancuda, que o cabelo dela era ralo… — Enfim, sabe aquele cara que te bota para baixo todos os dias? Assim era o marido da Mirian. — Como esse cara era o primeiro namorado que a Mirian teve, ela não tinha muita noção, porque a mãe dela tinha sido abandonada muito nova com ela. Ela pensava: se eu não ficar quieta, ele também vai me abandonar. O tempo foi passando, 18, 19, 20, com 21, Mirian engravidou e aí as coisas só pioraram.
Ele falava que Mirian estava horrível, que ela parecia uma porca, que ela estava imensa… Mirian e seu marido com dinheiro, ricos. O marido de Mirian com um cargo de liderança, de prestígio num grande banco, e até então ela tinha 18 anos e ele tinha 39… — É aquilo que eu falo para vocês, gente… Eu, Andréia, sou contra, tá? — Era uma diferença muito grande e como ela era nova, ele falava: “você não precisa de ninguém para te ajudar”, a limpar a casa, essas coisas, né? Porque Mirian queria trabalhar. Ele falava: “não, você fica em casa cuidando da casa, agora você vai ter filho”. Só que a gravidez da Mirian foi se tornando uma gravidez de risco e ele teve que contratar uma pessoa para ajudar a Mirian na casa. Aí chegamos a Nathielly… Nathielly tinha seus 17 anos quando começaram a trabalhar na casa da Mirian. — E qual que era a ideia da Nathielly? — Ela queria juntar um dinheiro para ela poder mudar de cidade e fazer faculdade. Ela tinha uma família muito estruturada, ela tinha muitos carinho, os irmãos, pai, mãe, uma família boa… Só que todo mundo era pobre.
Então, Nathielly estava focada em juntar um dinheiro para ela conseguir alugar um quarto que fosse em uma outra cidade, onde ela queria fazer faculdade, porque ela tinha uma madrinha que ia conseguir uma bolsa para ela. Então, Nathielly tinha foco e tinham um Quando Nathielly foi contratada, o cara não registrou ela… Ela ia trabalhar na casa da Mirian para dormir. No final de semana, ela não trabalhava, ela dormia lá de segunda a sexta. O salário era ok, mas tinha que ser registrado, né, gente? Ele não registrou. Mirian já estava de sete meses, então ela chegou com quase a Mirian parindo. Nathielly foi percebendo esses abusos do marido e ela contava na casa dela o que a Mirian passava e todo mundo fica horrorizado… — Todo mundo ficava, assim, chocado… — O bebezinho nasceu, [efeito sonoro de bebê chorando] Este homem foi na maternidade no primeiro dia e, na frente da Nathielly, disse que não ia mais ver a Miriam porque ela estava cheirando azedo e ele estava com nojo.
Quando ele saiu do quarto, isso ainda é lá no hospital, Nathielly perguntou pra Mirian: “Por que você fica com ele? Vocês têm dinheiro, vocês têm as coisas… Pega agora seu filho que nasceu e vai embora, tá cheio de mãe solteira por aí, sem dinheiro, que se vira, você pode se virar”, Nathielly com 17 anos… “Você pode se virar, pega suas coisas e vai embora” e ela estava levando realmente uma lição de moral de uma menina de 17 anos que tinha total razão. Tinha total razão. E ali, Mirian: “poxa, talvez eu possa fazer isso”.
Ela não tinha tanta força para fazer isso, mas ela queria fazer isso. O tempo passou, esses primeiros quatro dias que ela ficou na maternidade, o cara não foi mais… Ela e a Nathielly tiveram que pegar um táxi pra voltar… Pra ele, a Nathielly era meio que invisível, então a Nathielly olhava feio pra ele e não fazia diferença, porque ele mal notava a Nathielly. Só que a Nathielly era uma moça de 17 anos, muito bonita, dormindo na casa desse homem.
Agora que Mirian já tinha tido filho, o cara falava que tinha nojo dela… Quando o bebezinho estava ali com seus quatro meses, Nathielly pegou o bebezinho, botou lá no berço, que o bebezinho já tinha o próprio quarto. — Vejam, um apartamento grande de quatro quartos, e em um dos quartos quem dormia era Nathielly e agora ela não fazia tanta coisa da casa, mas ajudava mais com o bebezinho, porque a Miriam teve uma depressão pós—parto, enfim, estava meio complicada a situação e esse cara todo dia xingando a Mirian — Nathielly foi para o quarto dela e deitou… Só que Nathielly tinha um sono, assim, dormia pouco… Madrugada ela estava meio acordada, né? E ela estava deitada, não estava mexendo no celular porque o celular dela estava com a bateria ruim, então ela estava esperando carregar um pouco para mexer. E o cara entrou no quarto da Nathielly… — Duas horas da manhã. — E ele tinha nojo dos outros, mas ele tinha um cheiro característico porque ele gostava muito de fumar charuto…
Quando ele abriu a porta, ela sentiu o cheiro de charuto. — Ela sabia que era ele, não a Mirian. — Só que a Nathielly — veja, uma menina de 17 anos —, naquele momento, ela teve um insight ali e bolou um plano, gente… — Deitada enquanto ele entrava no quarto. —Nathielly: “Se eu gritar agora, ele vai falar que ele não fez nada… Eu vou esperar este homem botar a mão em mim”. Dito e feito, conforme ela estava na cama, e era uma cama de solteiro, ela estava virada para a parede, para a janela, e ele deitou atrás da Nathielly, tipo para fazer conchinha. Nathielly estava de bermuda, mais ou menos acima do joelho, de algodão, e uma camiseta. Nesta hora, a própria Nathielly rasgou a sua blusa e começou a gritar… Saiu gritando pela casa e, onde ela passava pelo corredor ali, tinha uns móveis bonitos, umas esculturas… Ela foi derrubando tudo e pedindo socorro. Duas horas da manhã, o prédio inteiro acordou… Veio polícia, ela, uma menor de idade e ele tinha entrado no quarto, obviamente, para abusar dela… — Ele deitou do lado dela, só que ela não deixou nada acontecer. Ela mesma rasgou a própria blusa. Errou? Não acho. Não acho. —
O cara do apartamento da frente arrombou a porta… — Prédio desses de luxo, de dois por andar. — Este cara era um advogado. Naquele prédio tinha juiz, tinha tudo… Veio polícia… Gente, foi uma confusão… A Mirian acordou completamente atordoada, o bebezinho começou a gritar, também chorar… Estava um caos, um caos. A Nathielly fez um escândalo, um barraco, chamou todo o prédio, saiu do prédio gritando, mesmo com a polícia lá, tudo, ela gritando que ele era um abusador, que ele isso, que aquilo… E foi, ela fez corpo de delito… — Ele tinha tocado nela? Ele tinha encostado nela ali na cama, né? Porque ele deitou na intenção ali, encoxou ela já e sabe lá o que ia acontecer se ela ficasse quieta, né? — Ela falou que ele sim tinha rasgado a blusa, mas foi ela mesma que rasgou. O cara foi indiciado, chamaram a família dela, ela falou que estava bem e aí a Mirian foi na casa dela, porque o cara estava detido ainda, né? Ia ver se ia passar lá por audiência de custódia.
E aí a Nathielly falou: “agora é a hora de você sair de casa, sai de casa”. Só que a Mirian, muito, assim, soronga: “mas será que eu saio? Eu quero sair, mas não sei o que lá”, e aí ela estava na família da Nathielly e os irmãos da Nathielly, a mãe da Nathielly, todo mundo falou: “Não, a gente vai lá, te ajudar a pegar as coisas” e foram, fizeram uma mala da Mirian, uma mala do bebezinho, e voltaram pra casa da Nathielly. Ela ficou uma semana morando na casa da Nathielly até se ajeitar… Ele saiu da cadeia, pra responder em liberdade…. A própria Mirian falou pra Nathielly colocar ele na Justiça, né? — Pra receber, porque ela não era registrada, né? — Depois de uma semana, ela foi para a casa da mãe dela, que era em outro estado, e aquele advogado do apartamento da frente — que a gente pode botar o nome de, sei lá, Seu Pereira — representou a Mirian no divórcio e falou: “Você tem direito a metade de tudo”, aquele apartamento, as coisas todas, eles compraram depois. Eles tinha mudado de um apartamento, enfim, um rolo. No final, ela ficou com um apartamento, uma boa pensão e uma casa ainda na praia.
Nathielly seguiu dom a queixa, mas assim, né, gente? Não sei, a pessoa que tem dinheiro… No final, ele ia cumprir uma sentença lá em liberdade. — Pelo menos ele não era mais réu primário, né? — E aí o advogado chamou a Nathielly como testemunha no dia lá, o divórcio deles estava meio enrolado, teve uma audiência, não dava nada, ele acabava fazendo umas manobras legais lá e Nathielly fez um barraco… [risos] Outro barraco no fórum. E aí, agora aqui a gente vai entrar numa zona um pouco cinza… Nathielly, não satisfeita, porque viu que ele não ia cumprir pena, nada, foi lá no banco, fez um barraco no banco. Ele foi transferido de agência, mas depois ele foi demitido. — Passado, sei lá, três meses que ele foi transferido, ele foi demitido do banco. — Pra Mirian foi bom, porque pra pagar a pensão, ele não dependia disso do emprego, ele tinha dinheiro aplicado, essas coisas, né? E ela pôde pegar uma parte também do fundo de garantia dele. [risos] — Amo… —
A Nathielly, além de conseguir Justiça pra Miriam, ela queria justiça pra si também, porque ele deitou na cama dela. — Se ela fosse uma jovenzinha inocente, o que aconteceria? Ali não aconteceu nada assim, não foi tão pra frente, mas já foi uma violência, né? — Então, ela fez barraco lá no dia, fez barraco no fórum e fez barraco no banco. Podendo ela ser processada? Sim, mas o cara não processou a Nathielly. — Mirian depois que encerrou toda a coisa do divórcio, ela vendeu o imóvel dela na praia e pagou a faculdade de Nathielly. Nathielly fez o donto, se formou e quem pagou a faculdade dela foi a Mirian. A Mirian voltou pro mercado, hoje já fez até doutorado já, mas conseguiu se livrar de um relacionamento abusivo por causa dos barracos de uma garota de 17 anos. Nathielly também ganhou uma ação trabalhista contra o cara. — O título do e—mail que eu recebi com a história da Mirian era: “A garota de 17 anos que mudou a minha vida”.
Nathielly se formou, foi trabalhar numa clínica popular e, na clínica também, os dentistas parece que eram explorados, ela fez outro barraco lá, denunciou a clínica… Apareceu até na televisão. [risos] Então, Nathielly é do barraco. Gosto… Ela realmente salvou a Mirian de um casamento péssimo, de um marido abusivo. E hoje o menino já tá grande, o filho da Mirian, que a gente pode chamar aqui de “Jorginho”. Jorginho, quando vai ficar com o pai, quando ele volta, sempre tem uma história do pai culpando a mãe, né? E ele culpa a Nathielly por ele ter perdido o emprego. [risos] Então, realmente, o barraco da Nathielly no banco surtiu efeito, porque ela gritava, gritava e contou pra todo mundo. E sabe como que é a fofoca de funcionário, né? Ele é chefe… Então a coisa ficou feia. O que vocês acham?
[trilha]Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, aqui é Priscila, falo de São Paulo. Eu acho que essa história da Naty é apenas a história de que toda mulher tem que saber o seu espaço. Ela, desde que entrou, identificou o relacionamento abusivo que, às vezes, a pessoa que tá nesse relacionamento não consegue se identificar… É uma jovem que traz muita esperança e que as mulheres possam sempre lutar. E adorei, os barracos dela foram todos perfeitos… Eu acho que tá certo mesmo, pessoas que não sabem o seu lugar, homens que não sabem o seu lugar e fazem o que esse senhor fez, têm que ser assim mesmo, é com barraco. Pois eu sou do time Naty Rainha pra sempre, ela é uma menina tão maravilhosa que conseguiu aí seus sonhos, né? E é isso…
Assinante 2: Olá, nãoinviabilizers, aqui quem fala é o Alexandre, aqui na cidade de Ourinhos, sudoeste do oeste do estado de São Paulo. Eu sou professor de um quarto ano e, nesse quarto ano, eu tenho aí vários meninos e meninas na casa dos 10 anos e eu, sim, falo pra todos e com carinho especial pras meninas, que não, elas não devem achar normal ninguém pôr a mão no corpo delas ou fazer alguma coisa que as deixe desconfortáveis em hipótese alguma. E que, se isso acontecer, elas têm que botar a boca no trombone, gritar e fazer escândalos sim. Nathielly, você tá 200% certa, não tem zona cinza nenhuma. Estuprador, abusador, pessoas que usam da sua posição pra poder oprimir mulheres, não pode ter pano nenhum, porque isso só cresce e faz com que a coisa fique ainda pior. Nathielly, palmas pra você e, ó, até a próxima.
[trilha]Déia Freitas: Mantenha seus exames em dia, consulte seu médico e fique cada vez mais informada sobre o câncer de mama. Os exames preventivos estão disponíveis no SUS, e um diagnóstico precoce pode salvar vidas. Estamos no Outubro Rosa e, além de apoiar ações de conscientização para as mulheres se cuidarem, fazerem seus exames, a Marisa lançou lenços solidários com a renda revertida 100% para o ICESP, Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, em apoio e solidariedade às mulheres com câncer de mama. O lenço é lindo, tá disponível em dois tamanhos: pequeno, R$9,99 e o grande, R$19,99. Você pode comprar o seu lenço na loja Marisa ou no site, essa iniciativa é uma parceria entre Marisa e o Governo do Estado de São Paulo. — Então, bora se cuidar todo mundo? Marisa, valeu pela parceria, adorei, espero que venham outras. Eu esperei esse momento, eu gosto desse momento: [cantarolando] De mulher pra mulher, Marisa… — Um beijo, gente, e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]
