título: tristinha
data de publicação: 09/02/2026
quadro: picolé de limão
hashtag: #tristinha
personagens: tamires
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei pra mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — [efeito sonoro de crianças] Quem tá aqui comigo hoje novamente? É o Airbnb. Hoje eu quero começar falando de uma coisa que parece simples, mas muda completamente qualquer viagem de carnaval: Onde você vai ficar? Curtir bloco é ótimo, a gente sabe, amamos um bloquinho, viajar com amigos também, mas ter um lugar bom pra voltar no fim do dia faz toda a diferença… — Sem contar os desencontros, né? Quando tá cada um num lugar, que vocês marcam um ponto, e aí aquele lugar tá cheio, ninguém acha ninguém, é um caos. — O Unidos do Airbnb está na última chamada para quem quer aproveitar aí a folia da melhor forma.
No Airbnb você encontra acomodações ideais para ir com os amigos, com a família, para vocês terem aí um cantinho só de vocês no carnaval. Ah, bom demais… Se você é do time da folia intensa ou do time que prefere descansar — descansar entre um bloquinho e outro ou descansar o tempo todo, né? Tipo eu, deitada [risos] —, no Airbnb dá pra escolher a acomodação que funciona pra todo mundo. E pra você decidir sem estresse, ó, já tamo no limite, hein? É só entrar no aplicativo do Airbnb, salvar as acomodações favoritas e compartilhar no grupo com os seus amigos. E pra facilitar a vida de vocês, dá pra pagar no pix ou parcelar em até 6x sem juros no cartão. — Bom, agora sim, tudo organizado, né? Vamos embora, vamos curtir aí, pular esse bloquinho. — E hoje eu vou contar para vocês a história da Tamires. Então vamos lá, vamos de história.
[trilha]Tamires conheceu aí um moço muito bonito, muito legal… Começaram a namorar e no namoro ali, Tamires já conheceu a mãe do moço. — A sogra… — E a sogra até que era muito ok assim em tudo, assim, só tinha uma questão: ele que a mãe tinha depressão. — A mãe dele nunca quis passar num psicólogo, num psiquiatra, nada… — Às vezes ela estava bem, às vezes não… Mas a mãe não aceitava isso e falava que às vezes ela ficava tristinha. — Então a única questão dessa sogra é que às vezes ela ficava tristinha, aí não levantava, não fazia as coisas, não se cuidava, ficava realmente ali, como ela disse, “tristinha”. E como ela não passou em nenhum médico, a gente também não vai diagnosticar aqui essa sogra, tá? Se ela acha que ela é tristinha, então vamos de tristinha. —
E ela verbalizava isso pra Tamires, por exemplo, tinha dia que ela chamava Tamires pra almoçar lá, aí chegava, não tinha nada pronto, por quê? Ela falava: “Ai, Tamires, hoje eu tô muito tristinha. [risos] Tô tristinha”, e aí não fazia nada. Só essa questão que incomodava… Mas o namoro foi progredindo e eles começaram a falar em casamento. Tamires morando com uma irmã, que a irmã também já estava querendo seguir a vida, mudar, fazer outras coisas, então estava muito feliz da Tamires casar e ter a vida dela, e ele morando com a mãe, tristinha. Começaram a falar em casamento e a única preocupação era deixar a mãe tristinha. — E a gente está falando aqui de uma senhora de uns 65 anos, ativa, lúcida… A gente não tá falando de uma pessoa que precisa de muitos cuidados. —
A Tamires falou: “Olha, a gente pode ver um apartamento por aqui, perto da sua mãe, assim sua mãe não vai ficar tão longe da gente”. — Acho legal a preocupação dele com a mãe? Eu acho… Eu sou uma pessoa muito… [risos] Muito coração, muito família, e eu também, se minha mãe fosse viva, eu ia querer morar perto dela. Isso é um fato. Então, até aí, para mim está de boa, para a Tamires também estava de boa. — A mãe aposentada, a partir dali do casamento do filho, ela teria que pagar o aluguel, se manter e tal. — E se a coisa apertasse também acho muito ok o filho, uma filha, dar uma ajuda aí para os pais, né? — Para a sorte de Tamires e do rapaz, estava na metade um empreendimento ali perto da casa da mãe dele, do Pônei Casa, Pônei Vida. Eles compraram uma unidade para entregar dali um ano e meio. Enquanto isso, eles iam vendo ali como eles iam fazer, né? Para comprar as coisas, porque assim, entrega o apartamento, você tem que mobiliar, você tem que comprar eletrodoméstico, essas coisas…
E tudo que eles viam, o cara falava assim: “Ah, eu nunca consegui dar uma geladeira nova para minha mãe”. Tudo bem, as coisas lá da casa dele estavam realmente muito velhas, assim, né? Mas, gente, você concorda que agora não é a hora de você falar um negócio desse? A Tamires ficou chateada, porque tudo que ela via, ele lamentava por não ter conseguido dar para a mãe dele. — Uma geladeira, um fogão novo, esse tipo de coisa… — O prédio da Pônei Casa, Pônei Vida, eram três quarteirões da casa da mãe. Tá perto, né, gente? Dá pra ir a pé, dá pra você ir, passar antes de ir pro trabalho, ver sua mãe, todo dia tomar café com a sua mãe, sabe? — Café com Deus Mãe. [risos] — Foram resolvendo as coisas e, para a felicidade de todos ali, Tamires foi promovida…
Tamires que trabalha na área de vendas, ela era gerente de uma equipe, eles moram em Salvador, ela ia pegar ali Natal, Recife, ela teria ali algumas filiais que ela tinha que cuidar. Tamires agora fazia pequenas viagens, ficava dois, três dias, pelo menos duas vezes no mês e voltava… Agora aqueles móveis planejados que a Tamires queria, voltaram para os planos, porque eles tinham saído, porque é realmente muito caro, muito caro móveis planejados. Então, o que era? A cozinha, que era integrada meio ali com a sala, então já ia um painel da TV com um rackzinho ali, o armarinho do banheiro e o guarda—roupa do quarto. E aí o cara falou, o futuro marido de Tamires: “Vamos botar o guarda—roupa igual nos dois quartos?” e Tamires falou: “Mas por que se a gente não pensa nem em ter filho ainda?”, “Ah, mas no futuro, se a gente for ter filho, já tem um guarda—roupa igual nos dois quartos e tal”. — Faz sentido? Faz sentido. —
Tamires falou: “Tá bom, então vamos aumentar aí um pouco esse orçamento, parcelar um pouco mais de vezes e fazer também guarda—roupa igual nos dois quartos”. Não tinha suíte, era um banheiro só ali para a família. O tempo passou, entregaram o apartamento, demoraram mais um ano mobiliando, decorando e fazendo móveis para ficar pronto para entrar e aí eles casaram… Casaram no civil, fizeram o almoço, a mãe do cara estava super tristinha… Até chorou — e não foi de emoção — de tristeza e ela fez um discurso: “estou perdendo meu filho”. O pessoal ali da mesa do restaurante, familiares de Tamires e até do cara, todo mundo meio constrangido, passou… Tamires começou a viver uma vida com o cara, uma vida ótima. Nessa brincadeirota [risos] de casar e tudo que é envolvido, né? Tamires meio fez uns bem bolados lá na firma e ela agora tinha acumulado três viagens… Então ela ia sair de Salvador, ela ia passar na empresa de Recife, depois ela ia para Natal, depois ela ia para Sergipe.
Agora ela não ia poder fazer aquele bate e volta que ela fazia, tipo, ela vai em um lugar, volta para Salvador, vai em outro lugar, volta para casa em Salvador… Ela não ia poder fazer isso, ela ia ter que ir de um lugar para o outro para deixar as empresas tudo em ordem e seguir ali com o trampo dela. — Problema para a Tamires? Nenhum. — Toda vez que Tamires viajava, ou o marido dela ia lá dormir na casa da mãe dele, ou a mãe dele ia dormir na casa deles. — Algum problema para vocês? Para mim teria, porque eu não gosto de ninguém dormindo na minha casa. [risos] Mas para a Tamires, zero problema. — Ela falou: “Andréia, eu voltava, a roupa dele toda lavada, a casa limpa, ela fazia comida. Então, assim, para mim, pelo menos ele estava aí com a assistência da mãe dele”. Zero problema para a Tamires.
Vida seguiu, Tamires foi lá fazer as viagens e ela passou uns dez dias fora e, quando o Tamires voltava e a sogra tristinha estava lá, elas conversavam um pouco, às vezes almoçavam ou jantavam ali e a sogra ia para a sua casa. — Se tem casa, vai para a sua casa. [risos] — No dia seguinte ela já tinha que trabalhar ali em Salvador — na cidade dela e tal —, mas a sogrinha não ia embora. Deu onze horas, deu onze e meia, de repente a sogra falou assim: “Bom, eu já vou deitar”, “bom, você vai deitar?”, “é”. E a sogrinha foi para o quarto, quarto do futuro filho do casal, né? E aí a Tamires se perguntou: “Mas sua mãe vai dormir aqui?” e eles já tavam uns quatro meses casados, assim, com as coisas e tal… Ele começou a falar que a mãe dele não tinha se adaptado na casa sozinha e que a mãe dele tinha devolvido a casa de aluguel e como eles tinham móveis muito antigos na casa, ela doou as coisas e agora ela estava morando no quarto de hóspede.
Tamires falou: “oi?”, “não, é provisório, eu fiz só porque ela estava muito triste, eu fiquei com medo dela fazer alguma coisa contra si mesma”. — Nunca teve nenhum histórico, tá? — “E é provisório, você vai ver, é provisório, ela vai ficar aqui só um tempo e depois a gente vai ver aqui mesmo no prédio”, porque muita gente compra apartamento para investimento, né? Eu não sei se no Pônei Casa, Pônei Vida pode, mas lá no prédio tinha alguns para alugar já, né? “Dela alugar aqui no prédio pra ficar pertinho da gente”. Onze e pouco da noite, não tinha nem como discutir, um silêncio… Ela ia escutar tudo. Tamires foi deitar revoltada, chorando. E aí no dia seguinte a Tamires foi conversar com a sogra, só que ele estava junto e ele falou: “Não, Tamires, depois a gente fala com a minha mãe, ela sabe que é provisório também” e a mulher já ficou com os olhos ali cheios de lágrima, tipo, tristinha… — “Tô tristeenha”. —
E aí Tamires foi trabalhar, aí contou para as amigas lá do trabalho e as amigas falaram: “olha, ela não vai sair”. A Tamires ela trabalha bastante, ela não fica nem tanto em casa, assim, mas, por exemplo, ela chega e a sogra fez as coisas do jeito dela. Então, assim, a sogra muda as coisas da casa, do ritmo, das coisas que a Tamires gostaria, né? Dizer que a sogra só atrapalha, a Tamires falou: “Andréia, eu vou mentir, porque ela me ajuda também. Por exemplo, a casa está sempre limpa… Ela lava nossa roupa. Ajuda com um real em casa? Não ajuda com nada, mas pelo menos não deixa nada bagunçado”. Só que o que seria provisório, agora já vai dar quase quatro anos. — Quatro anos que a sogra mora com eles. — Tamires já conversou, já brigou, mas não adianta, assim, no final sempre tem uma desculpa e não sai. E aí agora Tamires falou: “Bom, a gente não tinha combinado que a gente ia ter filho? Onde que vai ficar esse filho na hora que nascer? Porque o apartamento já é pequeno, só tem dois quartos, onde que vai ficar esse filho?”.
Olha o papo dele agora…. Que ele só pensa em ter filhos quando a mãe dele morrer. Só que a mãe dele tá novona, né? — 65 hoje é o novo 45. Essa idosa tem mais uns 20 anos, ela vai até 85 fácil. — E aí a Tamires falou: “Andréia, aí na idade que ele vai querer ter filho, eu já não posso ter filho mais… E uma coisa que a gente tinha combinado, que eu casei acreditando que a gente ia fazer nossa família, que a gente ia ter filhos e tal, agora ele não quer mais, pra não tirar a mãe dele de lá”. — Gente… — E aí ele fala que a Tamires está apressando, que ele não quer ter filho agora… Gente? Daqui a pouco a Tamires não vão conseguir mais, ou vai ser muito mais difícil, mas se for esperar a mãe dele morrer, não vai conseguir mesmo, porque 20 anos, pelo menos até 85 ela vai suave. Está com 65, está nova… E mesmo gostando dele, a Tamires está repensando tudo. E aí ela falou para mim: “Andréia, como é que a gente vai fazer? Porque assim, aqui tudo é dividido. A gente comprou os móveis juntos… A única coisa que eu paguei a mais foram os móveis planejados… Eu cheguei ao ponto de sentar com uma moça lá da contabilidade, que tem a cabeça boa para isso, lá da firma”, para ver se ela conseguiria manter o financiamento sozinha.
Só que tem uma coisa: ela teria que devolver a parte dele, então não é só manter o financiamento, ela tem que devolver a parte dele. E aí, pegando empréstimo pra devolver a parte dele, a conta não fecha, saca? Só que também pesa a questão da Tamires gostar ainda desse cara. Só que ele, assim, ele não… Quatro anos, gente, morando com a sogra. Ou seja, a sogra morando na sua casa nova, nas suas coisinhas novas, que você quer. A Tamires falou: “Andréia, eu nunca pude ser noiva, assim, sabe? De ter a casinha. Foram poucos meses… E mesmo assim, ainda, ela sempre tava lá. E agora mora lá, até hoje, assim. Não adianta falar, não adianta brigar, criar estresse, porque a mulher vai ficando, sabe?”. E agora o cara com esse discurso que só vai ter filho quando a mãe dele morrer, ou seja, quando a Tamires estiver com 50 e tantos. — Complicado… — E aí eu fico pensando, né? Quando você casa com alguém que vocês planejam as coisas juntos e vocês têm objetivos juntos, meio que depois a pessoa muda… Tudo bem que a vida vai seguindo, as coisas vão mudando, mas de “vamos ter filhos” para “vou ter filhos daqui 20 anos”, quer dizer, se a mãe dele morrer em 20 anos? É complicado também, né?
A Tamires falou: “Andréia, eu me sinto traída, me sinto enganada” e eu acho que ela tem razão. Só que agora a balança é: Tamires, racionalmente pensa: “eu tenho que separar”, mas no coração ela gosta dele ainda. O que vocês acham?
[trilha]Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, aqui quem fala é Maritza, eu falo de Araxá, Minas Gerais. Tamires, a gente casa com uma ideia e com um plano, mas às vezes durante esse caminho, a gente percebe que aquele plano não vai dar certo. Isso não é culpa de ninguém, simplesmente as coisas vão se organizando e a gente vai conhecendo a outra pessoa e aquela porta que a gente entrou já não cabe mais a gente naquele lugar, né? Eu percebo muito isso. Homens que às vezes estão grudados ainda na mãe, no pai, na família deles, e que eles não conseguem olhar para a própria família que eles se disponibilizaram a constituir… Mas isso eles só percebem ao longo desse casamento, por isso é tão difícil. Fica muito difícil para você, por exemplo, que se disponibilizou a estar nessa relação e ama essa pessoa, porém, a gente tem que olhar para o que é real, para o que é possível e a realidade é essa… Então, a minha sugestão é: Vai amadurecendo a ideia, vai se organizando financeiramente, psicologicamente, para você dar esse passo… Eu sinto muito que isso tenha acontecido, mas é uma porta que a gente abre, entra e, se a gente quiser, a gente sai e fecha. Eu espero que você tenha força. Um grande abraço e até mais.
Assinante 2: Oi, nãoinviabilizers, meu nome é Débora Mendes, eu sou advogada e eu queria dar um conselho pra Tamires, um conselho como advogada agora. Mesmo que você se separe, não necessariamente você vai precisar ressarcir ele desse financiamento desse imóvel que vocês compraram. A depender do regime de bens, vocês vão ter que partilhar isso meio a meio e, nesse caso, vocês podem vender esse bem para um terceiro e dividir o valor ou até mesmo ele comprar a sua parte… Essas são algumas hipóteses que vocês podem trabalhar. Mas a verdade, Tamires, é que quando a gente casa, a gente quer a nossa casa… E, por mais que a sogra seja um amor, a gente não quer ela todo dia vivendo com a gente, a gente quer ter nosso espaço, a nossa privacidade. Pra não arrastar um relacionamento que no final das contas fica falido, às vezes a melhor saída é pôr um ponto final. Espero que eu tenha ajudado um pouquinho. Um beijo e até mais.
[trilha]Déia Freitas: Unidos do Airbnb está na última chamada… No Airbnb você encontra acomodações perfeitas para curtir o carnaval com seus amigos, fazendo tudo juntinho, com mais conforto e mais conexão. No aplicativo da Airbnb, você ainda encontra os preferidos dos hóspedes, que são as acomodações mais bem avaliadas pelos próprios hóspedes. Para deixar sua viagem ainda mais fácil, você pode pagar no pix ou parcelar em até 6x vezes no cartão. Entra agora no aplicativo do Airbnb, salva suas acomodações favoritas e já compartilha com seus amigos aí pra escolher um lugar bacana pra ficar todo mundo junto. — Valeu aí, Airbnb, por essa parceria no carnaval. Eu gostei demais… — Um beijo, gente, e eu volto em breve
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]
