título: táxi
data de publicação: 23/02/2026
quadro: picolé de limão
hashtag: #taxi
personagens: jéssica, mara, milton e kaique

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei pra mais um Picolé de Limão. – E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. – [efeito sonoro de crianças contentes] Quem tá aqui comigo hoje é a Liv Up. – Amo… – Comer bem, para a Liv Up, pode ser simples e fácil, e por isso em todos os produtos você encontra praticidade, muito sabor – gente, a comida é realmente deliciosa – e a certeza de que está comendo comida de verdade. Querer se cuidar para uma estação específica do ano é válido, mas que tal você olhar além da sua meta pontual e cuidar da sua alimentação e da sua saúde de forma contínua? Com a Liv Up, você conta com um cardápio completo de refeições ultracongeladas, feitas com ingredientes de verdade, sem aditivos artificiais e desenvolvidos por chefes e nutricionistas.

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[trilha]

Jéssica trabalhava aí numa lanchonete e ela conheceu um cara… Um dia o cara chegou lá, pediu um sanduíche, uma coisa e Jéssica começou a conversar com esse cara. Nasceu um flerte ali, entre eles e um namoro começou. Jéssica era a gerente dessa lanchonete e às vezes ela servia, né? Porque faltava alguém e tal. – Todo mundo sabe que o gerente, ele tá ali pra fazer tudo… Tá faltando gente pra atender? O gerente atende. Tá faltando gente pra passar pano no chão? O gerente passa pano no chão… É assim. Gerência é isso, você tem que estar ali para fazer o que precisar e para auxiliar todo mundo. – Quando ela começou a namorar com ele, um dos primeiros questionamentos que ele fez foi esse: “Você é gerente, por que você tá servindo mesa?”.- Primeiro que você não tem que dar palpite no serviço dos outros, né? – Aí ela explicou e tal, ele falou: “ah, tá bom”.

Esse cara tinha carro, então geralmente ele ia buscar a Jéssica nessa lanchonete e levava a Jéssica pra casa no carro dele. O carro dele era algo muito importante pra ele… – Sabe homem que o carro é um membro da família? Que o carro é praticamente a segunda esposa? Era isso… – O tempo foi passando, esse namoro foi firmando… Este homem morava sozinho, Jéssica também morava sozinha, mas morava de uma maneira mais precária, a família dela estava toda em outro estado, aquela coisa. O tempo foi passando e ele pediu Jéssica em casamento. “Sim”, Jéssica disse sim… Pra Jéssica, as coisas melhorariam um pouco, porque, por exemplo, ela morava do outro lado da cidade, muito, assim, mais longe que ele e trabalhava na lanchonete quase ali no centro e ele morava mais próximo do centro… Então, ia ser uma vantagem, ela ia morar com ele, ia casar com ele, morar com ele. 

Ele, um homem muito prático, disse: “olha, a gente só vai casar no civil, né?” e Jéssica nunca pensou em festa, mesmo porque a família dela, como eu disse, estava toda em outro estado. Então, não fazia sentido para ela ter uma festa que a família dela, sem grana, não poderia participar. Contou para os familiares, para a mãe dela – que a gente pode chamar aqui de “Dona Rosilda” – todo mundo ficou feliz e Dona Rosilda falou: “Olha, quando vocês vão casar?”, “Daqui seis meses”, “Eu não consigo ir, né? Não tenho dinheiro pra ir, mas eu vou bordar aqui um vestido bonito pra você usar no cartório”. Dona Rosilda, com todo amor, foi lá, pegou um vestido branco, bonito, de passeio – um vestido que a gente usa pra ir no shopping -, bordou ali umas flores coloridinhas, assim, uma graça o vestido… E mandou pelo correio pra Jéssica. A Jéssica tava muito feliz porque ela pensou: “Eu vou comprar uma sapatilhazinha branca de cetim pra usar com meu vestidinho branco bordado, vai ficar lindo”. – Singelo, sabe assim? –

E ela falou pro cara: “Você me pega em casa, porque eu não quero sujar minha sapatilha na terra, e aí a gente vai junto”. – Ela morava num bairro que as ruas ainda eram de terra, né? – O cara não respondeu nada… Estava marcado para três horas da tarde. Naquele dia, a Jéssica não trabalhou e ela estava toda feliz, estava toda arrumada. Quando foi onze horas da manhã, ela telefonou pra ele pra saber que horas que ele ia passar lá. – Porque ele tinha que passar lá, sei lá, uma hora, um e pouco, né? Pra dar tempo, pra não atrasar. – E aí ele respondeu que ele tinha lavado o carro… As coisas da Jéssica, a maioria já estava tudo lá na casa dele, porque ela ia se mudar pra lá, né? Que a rua era de terra e ele não ia sujar o carro dele. Jéssica falou: “Mas meu vestido é branco… Meu vestido é branco, como é que eu vou fazer? Eu não tenho dinheiro pra pegar um táxi daqui até o cartório. É muito caro”. 

Na época não tinha carro de aplicativo, ele falou: “se vira, vem de ônibus”. – Olha só… – “Bota sua roupa numa sacola e quando você chegar no centro, no cartório, você troca de roupa”. Jéssica tinha ligado pra ele de um telefone fixo da vizinha, que ela não tinha nem telefone. Assim que ela desligou, ela já começou a chorar, mesmo que ela colocasse a roupa numa sacola, ia amassar o vestido de linho, todo bordado que a mãe dela fez pra ela, ia ficar todo amassado, né? E ela ia chegar já com um pouco de poeira, porque assim, eu morava num bairro precário e tal, né? A vizinha ali vendo ela chorar, sabia que ela ia casar, mas pensou: “O rapaz desistiu, né?”, porque ela tava chorando… E aí ela contou para a vizinha. – Vamos dar um nome para essa vizinha? Mara. – E a Mara falou: “Mas que homem é esse que prefere o carro, não sujar o carro dele, do que buscar a própria noiva, a futura esposa? Está pela conta de você desistir, você não assinou nada”.

Só que as coisas da Jéssica já estavam lá, ela gostava dele…  – Tinha toda essa parte emocional, né? – Mara, nervosa, falou: “olha, eu conheço um taxista, vou ligar pra ele e vou perguntar quanto é, qualquer coisa eu boto aí na minha conta e depois você vai me pagando aos poucos”. Pegou o telefone e ligou para Milton. “Milton, tá acontecendo isso e isso aqui, o cabra não é homem e vai deixar a menina aqui pra casar, que não sei o que lá. Quanto que você cobra pra levar ela daqui até o cartório no centro? Eu não consigo te pagar hoje, mas dia 20 eu te pago, depois ela vai me pagando aos poucos”. O Milton falou: “O quê? Uma moça chorando com um vestido bonito? Eu vou levá-la de graça”. Mara começou a rir e falou: “Ê, Milton, não sei o que lá… Então vem pra cá”. Nisso, Mara virou para a Jéssica e falou: “Você devia era casar com o Milton… O Milton é solteiro, trabalhador, tem o próprio táxi e vai te levar de graça para você casar com um homem que não veio aqui te buscar”. 

Jéssica nem deu bola porque, né? Absurdo o que Mara estava dizendo, né? Ela foi tomar seu banho, tranquila, sabendo que teria um taxista pra levá-la até o centro. E ainda ela falou pra Mara, falou: “Mara, não, eu vou ver a corrida com ele, o quanto for, e eu vou te pagar, tá? Se ele cobrar de você ou se ele não te cobrar, eu vou pegar o contato dele e eu vou pagar ele”. Uma hora da tarde, Jéssica já estava pronta, estava bonita, ela arrumou o cabelo assim para o lado, prendeu uma presilha assim de um lado do cabelo, deixou o cabelo solto, meio cacheado do outro lado, com o vestido branco que a mãe dela fez de linho, todo bordado, a sapatilha que ela comprou… Ela estava muito bonita. Chegou Milton. Milton usava sabe essas camisas sociais de manga curta? De taxista, cobrador? Tava com uma dessa, meio abertinha assim no peito, calça social, sapato social, óculos escuros… E ali ela viu que Milton era uma graça. [risos] Ê, Jéssica… [risos] E assim que ela saiu no portão, Milton falou: ‘Ah, é você que é a mocinha chorona? Eu vou te levar pra casar e não vou te cobrar nada”.

E o sorriso de Milton… Que sorriso, hein, Milton? [risos] Parabéns, Milton. Nisso, Milton abriu a porta de trás do carro, todo gentil, para Jéssica entrar. Jéssica, num impulso, falou para Milton: “Não, eu vou na frente”. – Eita… – Jéssica subiu no carro de Milton e eles tinham um tempo ainda, até chegar no centro, era longe, uma poeira… Com as janelas fechadas, um pouco de calor ali pra não entrar poeira no carro, eles foram conversando… Jéssica tinha uns 25, Milton tinha uns 27, namorado, futuro marido de Jéssica tinha uns 28. Era assim todo mundo muito perto a idade, né? Milton não tinha ainda ficado noivo de ninguém, tinha tido uma namorada, tinha terminado, eles foram conversando ali. Jéssica foi lembrando todas as raivinhas, as coisinhas que o futuro marido dela fazia para ela e e tudo, aquela desfeita de não ter ido buscar, né? Na casa e nã nã nã… Uma hora lá que parou um farolzinho, Jéssica, sem pensar, muito levada pelas emoções, tascou um beijo em Milton. – Lembrando: ela estava indo para se casar no civil. – 

Começaram a se beijar, Milton estacionou o carro, eles continuaram a se beijar e Milton falou: “A gente tem tempo, posso te levar a um lugar?”, Jéssica disse que sim e eles foram pra, tipo, uma fábrica abandonada, Milton estacionou o carro e eles transaram. [risos] – No dia do casamento, Jéssica? – Jéssica voltou para o carro, se ajeitou ali, né? E ele deixou Jéssica no cartório. E ela falou que quando ele deixou ela lá no cartório, ele tava com uma cara meio assim, meio, meio chateado, será? Ela não conseguia ler o Milton, porque ela tinha acabado de conhecer o Milton, então ela não sabia, né? Ela falou: “Bom, eu não posso trocar o certo pelo duvidoso, foi um uma zona cinza da minha vida… Foi um erro que eu cometi agora aqui, mas já foi, né? Agora eu vou esquecer e focar no meu casamento com este homem aí do carro”. – O amante de carros. – 

Ela estava bonita… Ela morava, a Jéssica, num quintal que tinha umas 10 casinhas, assim, né? Ela falou: “Andréia, não chegava a ser um cortiço, mas era um lugar que tinha umas 10 casinhas e todo mundo me elogiou… Quando eu saí no portão, Milton me elogiou… O borracheiro que mora do lado me elogiou, todo mundo me elogiou. Quando eu cheguei no cartório, porque era pra entrar numa parte restrita onde acontecem os casamentos, a moça do cartório me elogiou, elogiou o vestido que minha mãe, Dona Rosilda, fez pra mim… Quando o meu futuro esposo me viu, ele não falou nada. Ele só falou; “nossa, tá suada” e lógico que ela tava suada… [risos] Ela tinha trabalhado um pouco. [risos] Ele só falou isso, gente… Ele não elogiou o vestido dela, ele não deu um beijinho nela… Era a hora ali da Jéssica falar: “Poxa, minha caneta tá sem tinta, eu não vou conseguir assinar”, sabe? Qualquer coisa… “Preciso levar meu koala no médico”, qualquer coisa… 

Mas, mesmo assim, ele nem empolgado com ela… Ela estava bonita, gente… Sabe? Era o casamento dela. Transou com o taxista? Sim, mas até aí ele não sabia, né? Casaram… [efeito sonoro de sino soando] Ela achou que ele ia botar ela no carro, ela tinha umas coisinhas ainda pra buscar, né? Ele falou que não, que eles já iam pra casa nova, que depois ela fosse lá de ônibus e fosse buscando as coisas aos poucos, que ele não ia nunca mais levar o carro dele lá naquele lugar com terra que ela morava. Ela foi aos poucos buscando as coisas lá, né? Mesmo porque ela tinha muitos amigos lá, então ela gostava… Por exemplo, ela fazia o cabelo lá naquele bairro, então todo mês ela estava lá, mas não via o Milton, nada. Depois de um mês e pouco, um mês e meio, Jéssica começou a sentir uns enjoos… – Pelo tempo ali, né? – Ela não sabia se ela estava grávida do marido ou se ela estava grávida de Milton. – Porque, gente, podia sim ser de Milton… Detalhe: eu lendo o e-mail dela torcendo para que fosse de Milton. [risos] Aquelas… –

Ela falou pra ele que tava grávida, ele aparentemente ficou feliz, mas ele era um cara que ele era focado nas coisas dele, assim, no carro dele… Por exemplo, ela foi morar lá com ele, na casa dele, ela não podia, se ela fosse comer um pão, não podia sentar no sofá, nem se tivesse com uma bandejinha, um prato, nada, não podia comer pão no sofá dele… Tinha as coisas que ele fazia muita questão de dizer que tudo que estava ali era só dele, ela se sentia uma hóspede na casa que agora também seria dela, né? O tempo foi passando, a barriga dela foi crescendo… E mais e mais ela ia pensando no Milton. – Podia ser filho do Milton, né? – Descobriu que era um menino, resolveu que ela ia dar o nome de “Kaique”, porque o pai também não fez questão de escolher um nome pro filhom mas o carro dele tinha um apelido… – Deu nome pro carro, mas não deu nome pro filho. –

Durante todo esse tempo, ela ia fazer o cabelo dela lá no bairro que ela morava e não via, não encontrava Milton de jeito nenhum… – Porque Milton era taxista, devia estar trabalhando no centro, né? Fazendo as coisas. Ele não ficava ali pelo bairro, né? Ele foi quebrar um galho ali pra amiga dele, a Mara. – Ao mesmo tempo, ela não tinha coragem de perguntar pra Mara do Milton. – Casada, grávida, como é que você vai perguntar do taxista, né? – Kaique nasceu, o marido dela não estava com ela durante o parto, disse que não ia pedir saída no trabalho… Tá bom pra vocês? É um cara meio frio, né? Seco. O menininho foi crescendo e ele ficava possesso que o menino fizesse qualquer coisa… E, gente, criança… Criança suja a parede, suja o sofá, suja tudo… Criança rasga coisa. Você não pode ter apego quando você tem um filhinho, uma filhinha. 

O tempo passou, Jéssica esqueceu Milton, né? Quando o Kaique estava com 3 anos, um dia ela chegou, nessa época ela já trabalhava em outro lugar, não tava mais na lanchonete, porque ele também encheu o saco pra ela sair daquela lanchonete, e ele tava de cara feia. E aí ela foi perguntar por que ele tava de cara feia – Kaique com três anos – e ele falou :”Esse menino está com pinta de viado”. Três anos a criança tinha… Porque ele estava brincando com um ursinho lá. “Eu não aceito viado nessa casa”. – A criança tinha 3 anos… – Jessica falo: “Você tá de brincadeira comigo”, brigaram feio… No dia seguinte, ela ia fazer o cabelo dela lá, ia ser um sábado e ele ia ficar com o menino… E ela falou: “Quer saber? Eu não vou deixar você com o menino” e levou Kaique lá com ela… Ela ia fazer o cabelo, ia demorar, mas ela falou: “eu dou um jeito dele ficar comigo”. 

Sábado, duas da tarde, quando ela tá lá no salão tentando segurar o Kaique, dando coisa pra ele distrair, quem que entra nesse salão? Tinha visto ela de longe, entrou pra cumprimentar ela… Milton. Assim que a Jéssica viu o Milton, o coração dela, gente, sabe quando dispara? Ela não conseguia nem responder…  Ele: “Oi, tudo bem? Quanto tempo que a gente não se vê, né?”, praticamente quatro anos quase, né? “Ai, que legal que você tá aqui, você voltou a morar aqui? Que não sei o quê”, “Não, né? Eu tô morando ainda no centro, é que eu vim fazer meu cabelo aqui e tal”. De repente, este homem bateu o olho no Kaique e ficou pálido… Ele parou de falar e voltou a olhar para a Jéssica que estava lá falando, falando, questionando, só pelo olhar, assim… Jéssica se ligou e também ficou quieta e ele saiu do cabeleireiro. 

Ele provavelmente ficou por ali, quando Jéssica saiu com o Kaique, ele estava com o táxi ali e ele falou: “Jéssica, esse menino é meu, né?”, “Imagina não, é do meu marido”, “Tenho certeza que esse menino é meu… Ele é a minha cara. Eu era igual ele quando criança. Eu vou em casa pegar uma foto pra você ver… A gente era igual, esse menino é meu” e ele tava super feliz… Milton falou pra Jéssica: “Jéssica, esse menino é meu, eu quero ser o pai do meu filho. [risos] Eu quero DNA, eu quero saber, é meu filho”. Jéssica ficou assustada, porque assim, mano, ela tinha uma vida toda lá com aquele marido… Era um marido meio péssimo? Pra mim totalmente péssimo, mas pra Jéssica meio péssimo, né? Mas ela não queria, tipo, que o Milton, poxa, pedisse um DNA do filho dela com o cara e tal, né? Conseguiu com a Mara o endereço do trabalho da Jéssica e a Jéssica falou: “Andréia, pra mim era um Picolé de Limão, assim… Por mais que meu coração bateu forte de ver o Milton, ele tava querendo destruir a vida que eu tinha, né?”.

Em casa, aquele assunto que o Kaique era gay continuava… Continuava forte. Jéssica foi vendo que talvez fosse até perigoso pro filho, porque o cara lá tava começando a ficar agressivo. Jéssica pensou: “Eu vou fazer esse DNA, de repente, o Kaique é filho do Milton mesmo e eu já saio fora desse casamento”. Com muito medo, foram no laboratório – ela, Milton e bebê Kaique – e fizeram o exame, gente… E aí demora uns dias, né? Pra ficar pronto. Foi super caro, ele pagou, só precisava comprovar um dos pais, né? E ela tinha comprovação, tinha certidão, né? Do Kaique e tudo. Não é que Kaique era filho de Milton? O mundo da Jéssica desabou… Porque Milton falou: Não, e agora que a gente tem um resultado, eu vou procurar um advogado. Eu quero meu filho. É meu filho”. Antes de contar pro marido, porque ela ia ter que acabar contando, porque o Milton ele exigia ser o pai, tipo, mudar a certidão do Kaique, né? Ela resolveu pedir a separação, o cara ficou meio surpreso e ela pediu pra ele ir lá no serviço dela pra ela contar, porque ela ficou com medo, né? Dele, sei lá, ser agressivo com ela. 

Quando ela contou, este homem, falou: “eu tinha certeza que esse moleque viado não era meu filho”. Olha isso, gente… Ele ficou aliviado. A Jéssica falou: “Dali pra frente, ó, ele parecia que ele virou outra pessoa. Tava animado de novo, feliz, queria que eu saísse logo da casa dele, queria me dar o divórcio logo, queria trocar logo o nome na certidão”.

Milton alugou uma casa, primeiro só para a Jéssica ir morar com o Kaique, porque a Jéssica não sabia se ela queria voltar a ter alguma coisa com o Milton, né? Para ela também foi ótimo, porque ela voltou a morar no bairro. Ah, era um bairro periférico? Era, mas ali ela conhecia todo mundo, ali ela tinha rede de apoio… Ela estava mais longe do trabalho dela, mas ela estava mais perto de todo mundo… Ela podia criar o Kaique ali com muitas pessoas da confiança dela, né? E também tinha o Milton, que virou, assim, um paizão. Demorou muito tempo para conseguir mudar a certidão, tirar o nome do outro pai e botar o Milton. 

Conseguiram e a Jéssica nunca escondeu nada do Kaique… Ele cresceu sabendo, inclusive, que ela transou com o Milton no dia do casamento dela. – Babado… [risos] – Conforme Kaique foi crescendo, Kaique realmente foi se entendendo como um garoto gay. – Então aquele salafrário lá estava certo, ele era realmente gay. – Milton não estava nem aí, falou: “Pode ser gay, hétero, é meu filho… É meu filho, não é filho daquele cara, é meu filho”. O Kaique cresceu, assim, com muito amor, com um pai muito presente, que é o Milton, né? O pai dele, o Milton, é vivo, né? Tá todo mundo vivo. Kaique tem 26 anos. Adivinha quem Kaique um dia achou no aplicativo de homens gays? Seu ex-pai… Tá bom pra vocês? Jéssica nunca escondeu quem era o ex pai dele e ele sempre stalkeou também um pouco o ex-pai e um dia encontrou o ex-pai no aplicativo… – Que só tem homens gays… Tava fazendo o que lá? Se odeia gay, né? –

Jéssica, hoje em dia, ela não casou com o Milton, né? Eles ficaram um tempo juntos, mas ela percebeu ali que não tinha um amor mesmo, era uma paixão que passou, mas eles criaram muito bem o Kaique juntos, deu muito certo essa criação, eles são amigos, mas não são um casal… E, gente, eu fiquei pensando, né? Você vê? De um casamento no civil, com um vestido bonito, tivemos DNA, tivemos gay, tivemos tudo, né? O pai gay, sei lá, né? Bi… Homofóbico… Não dá pra entender, né? Tivemos um paizão que é o Milton, tivemos Jéssica fazendo hidratação no cabelo tivemos tudo… [risos] E a Jéssica ela ouve o podcast junto com o Kaique, né? O Kaique também ouve. E aí o Kaique falou pra mim assim: “Andréia, é engraçado, né? O meu ex-pai, com 3 anos, ele falou que eu era viado e eu acho que com 5 anos eu já sabia que eu realmente era viado, eu gostava muito de pegar o batom da minha mãe e fazer maquiagem nos meus ursinhos”. [risos]

Eu amo… [risos] Ele maquiava os ursinhos, ele falou: “Eu não sei se eu fazia isso com três anos, com cinco eu lembro que eu fazia… Mas será que meu pai não me viu maquiando um ursinho, né?”, mas não importa, seu ex-pai tinha que te amar mesmo você maquiando o ursinho, ele era um canalha, um péssimo, né? Pelo menos Milton te amou, seu pai. E, cara, pra você transar com um desconhecido indo assinar o seu casamento… Muito louco, né? [risos] Você teria coragem? [risos] [trilha]

Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, aqui quem fala é o Alberto de São Paulo. Jéssica, eu adorei a sua história… A hipocrisia de um cara que prefere um carro do que a mulher… Por que ele prefere o carro? Porque o carro tem um câmbio… Ver o filho dele com três anos sendo livre incomodou ele, porque ele não era uma pessoa livre. Provavelmente não é até hoje, está escondido no aplicativo de relacionamento. O que ele está fazendo lá? Não precisa nem dizer o que se faz lá dentro, né? Um beijo pra você… Milton, maravilhoso, exemplo de um homem que, ó, atacou de primeira ali [risos] e ainda assumiu… Mesmo sabendo que estava registrado, que estava com outro, “não, eu quero o DNA”, mostrou… É isso aí, Milton, o mundo carece de homens héteros, homens como você. Vocês não precisam estar juntos para mostrar que são uma família. Kaique, um beijo para você e sucesso. 

Assinante 2: Oi, não inviabilizers, aqui é a Vitória, eu falo de Roraima. Jéssica, mulher, que história é essa? Foi uma das melhores histórias que eu já ouvi aqui nesse podcast… Gente do céu, teve um pouco de tudo, né? Teve traição, teve casamento, hidratação no cabelo, teve gay, teve pai ausente, enfim, adorei… achei, assim, o Milton um homão e e eu espero que vocês sejam muito, muito, muito felizes… É aquele ditado, né? Há males que vem para o bem… Embora nesse caso nem tenha sido um mal, né? Eu acho que na verdade foi um livramento, Jéssica. Tô muito feliz, eu ri demais com essa história… Que bom que Kaique cresceu cercado de amor, né? Um beijo. 

[trilha]

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[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]