título: gêmeos
data de publicação: 09/03/2026
quadro: picolé de limão
hashtag: #gemeos
personagens: irene e isabela
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]
Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei pra mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem tá aqui comigo hoje é a Liv Up. A Liv Up está fazendo aniversário, 10 anos de Liv Up. Lá atrás, quando o saudável era igual a sem gosto e praticidade era igual a produtos com pouco valor nutricional — ultraprocessados, cheios de aditivos —, a Liv Up criou novas possibilidades. — Já lá atrás a Liv Up chegou inovando. — São 10 anos de uma trajetória marcada por refeições de qualidade, com ingredientes selecionados e comida de verdade. A Liv Up é saudável de verdade desde o primeiro dia… Comer bem todos os dias não precisa ser complicado, seja no início de uma semana corrida, no pós—treino, com as linhas performance ou baixa caloria e dia a dia também, né, gente? Aquele almocinho delícia, jantarzinho, tudo prático, delicioso.
Ainda tem os snacks — ai, que delícia, Liv Up é tudo de bom —, eu vou deixar o link certinho aqui na descrição do episódio. — E fica comigo até o final que tem cupom. — Feliz aniversário, Liv Up, dez aninhos… — E hoje eu vou contar para vocês a história da Irene. Então, vamos lá, vamos de história.
[trilha]
Irene, há uns 11 anos, conheceu um cara… Eles se apaixonaram, casaram e, na sequência, Irene engravidou. O casamento, inicialmente, foi ótimo, a vida foi seguindo… Nasceu aí Isabela. [efeito sonoro de bebê chorando] Isabela nasceu, o pai muito… Sabe pai coruja? Então… Pai coruja total. A Isabela não podia pisar no chão sem o sapatinho que o pai estava lá. A Isabela foi criada com muito amor e com o pai muito protetor. — A Irene disse que esse cara foi um grande parceiro dela durante a gravidez e tudo certo, a vida seguiu, e ele sempre muito apegado à Isabela. — Quando a Isabela estava ali com seus cinco, seis aninhos, eles começaram a brigar… A Irene até hoje não sabe se ele arrumou uma amante ou o que foi, que ele começou a mudar. O relacionamento foi ficando insustentável e eles, em comum acordo, resolveram se separar antes que eles virassem inimigos.
Colocaram a Isabela numa psicóloga para a Isabela entender que o relacionamento dela com o pai não ia mudar. Eles tinham um apartamento grande que eles venderam e eles compraram dois apartamentos — bão no mesmo prédio, mas no mesmo bairro —, comprou esse apartamento já perto de onde a Irene quis comprar o dela para ficar perto da Isabela. Com esse apoio psicológico e mais todo esse amor envolvido dos pais, a Isabela, a gente pode dizer que ela passou por esse divórcio até que bem, assim… E foi acostumando com a ideia de ter o pai por perto, mas não tão por perto. — Porque, né? Agora eles estavam separados. — Alguns pais, eles são muito corujas quando tá no relacionamento, quando separa, parece que eles também se separam dos filhos… E isso foi acontecendo um pouquinho com a Isabela.
Às vezes ela cobrava o pai de coisas que o pai fazia antes e tava fazendo menos agora. — Não é que tava deixando de fazer, tava fazendo menos. — A Irene explicava pra Isabela: “É porque o papai agora não tá todo dia aqui, não tem como ele passar todo dia aqui”. O pai praticamente ou levava a Isabela pra escola ou depois ia buscar num balé, numa coisa assim. O pai da Isabela nunca foi esse pai que pega só de final de semana — um final de semana sim, um final de semana não —, pai muito presente e muito coruja mesmo com a Isabela. O tempo passou, Isabela com nove anos… — Então, assim, três anos desse relacionamento já modificado, né? Mas um relacionamento de pai e filha muito bom. — Este pai conheceu uma mulher, começou a namorar e essa mulher tem dois bebês gêmeos. Dois meninos de quatro anos. — Na época que Isabela estava com nove anos, ele começou a namorar essa mulher com gêmeos, dois meninos de quatro anos. —
Sempre foi o sonho da vida deste homem ter filhos meninos, mas ele nunca teve essa questão, Isabela era tudo para ele. A partir do momento que ele começou a namorar essa mulher com esses meninos, Isabela ficou com um pouco de ciúme e esse ciúme foi tratado em terapia. O apartamento que o pai comprou, um apartamento de dois quartos, então um quarto dele, um quarto da Isabela. A partir do momento que os meninos chegaram, o pai pediu para Isabela dividir o quarto com os meninos. Envolvia tirar toda a decoração dela, enfiar uma beliche lá no quarto… — Sendo que ela que teria que dormir na cama de cima do beliche, porque as crianças com quatro anos, né? Muito pequenas. — Isso já deu, assim, uma balançada muito grande no emocional da Isabela e, no começo, ela disse não. E aí esse pai, em vez de levar isso, assim, um pouco mais na maciota, porque, assim, você acabou de conhecer essa mulher…
Um dia ela chegou pra ficar com o pai e ele já tinha feito todas as modificações do quarto. Inclusive, pintou o quarto de azul… Isabela não quis ficar lá, quis vir embora pra casa da mãe, né? E aí a Irene foi conversar com ele: ‘Poxa, deixasse pelo menos o lado dela rosa”, “ai, ia ficar feio, não sei o que lá”. E outra coisa que a Isabela reclamou era que essa nova namorada do pai quase não tinha contato com ela… — Não tratava mal, mas também não tratava bem. Apenas não tratava, sabe? — O tempo foi passando e esse pai resolveu se casar com esta mulher. Agora as crianças já estavam com 5 anos e Isabela com 10 anos. Irene conversou com a filha, ela sempre na terapia, e falou: “agora o papai vai ter uma nova família, mas você continua sendo filha dele, continua sendo família dele e nã nã nã”. Só que aí veio a cerimônia de casamento… — E a gente sabe que a maioria das coisas quem resolve é a mulher, né? —
A mulher quis somente os filhos dela jogando pétalazinhas de rosa e as coisinhas, levando a aliança… Nem convidou a Isabela pra essa abertura. E a Isabela ficou muito mal, porque assim, era o pai dela. A desculpa da madrasta foi que a Isabela já estava com 10 anos, ia ficar enorme ali, né? E os meninos com 5… — Mas ia ficar bonitinho, não é bonitinho entrar todos os filhos? Eu acho. Pra mim, entra cachorro, entra filho, entra tudo. — Ela não queria, era o casamento dela e o pai conversou com a Isabela — veja, aquele pai que era um pai coruja, hein? — de que tinha que ser feito do jeito que a noiva queria, que a Isabela podia ir com um vestido bonito, mas que não ia poder participar daquela abertura. — E a Irene nem foi convidada, né, gente? Então assim… — Com a desculpa de ter um quarto maior e mais um quarto para abrigar a Isabela, o pai vendeu o apartamento dele um pouco antes de casar e comprou outro de três quartos, só que muito longe da casa da Isabela. — Eles moravam no mesmo quarteirão. —
Quando a Isabela foi ver, os meninos agora tinham um quarto só deles e o quarto da Isabela era quarto da Isabela e escritório do casal. — Então não era só o quarto dela, né? Ele mudou pra outro lugar pra ter um quarto dos meninos e um escritório pra ele onde tem uma cama lá que é dessas que você põe na parede, que você puxa e você monta quando a Isabela chega lá. — Agora morando muito longe, a Isabela começou a ir para a casa do pai no sábado de manhã e voltar no domingo, final de tarde. A cada 15 dias… Isabela adoeceu. O tempo foi passando, Isabela foi reparando que realmente agora o pai estava muito mais focado nos menininhos, né? Da madrasta. Isabela, com muita dificuldade pra lidar com tudo, porque o pai dela mudou com ela, deixou de ser aquele pai coruja… Inclusive, teve um dia que ela estava doente e ela pediu especificamente para o pai levá—la no PS — e, assim, a Irene falou: “Andréia, eu sei quando ela faz manha e não era, a garganta dela estava com pus realmente, tanto que eu levei ela no PS — e ela ligou para o pai e o pai estava no parque infantil com os meninos.
E aí falou: “A gente acabou de chegar no parque e eu não te chamei porque você já estava doente… Agora eu não posso sair daqui pra te levar em lugar nenhum. Sua mãe tá aí, sua mãe pode te levar… Depois o papai passa aí pra te ver”. — Passou pra ver? Não passou, porque não era o final de semana dela ficar com o pai. — Chegamos a esse ano, Isabela com 12 anos e os meninos com 7 e o pai sempre foi, assim, o louco da festa de aniversário pra Isabela, tipo, tinha que ter tudo na festa dela… Depois que ele casou, ele não se preocupou mais com isso, ele só fez festa para os gêmeos. — Tudo agora é os gêmeos… — Esse ano, coincidência ou não, no aniversário da Isabela, ele fez um pronunciamento: Ele adotou na justiça os gêmeos — Então agora os gêmeos são filhos dele — e para comemorar essa adoção, ele levou os gêmeos para a Disney e não levou Isabela, porque ele disse que foi uma viagem para comemorar essa adoção em família… — E não levou a Isabela. —
O sonho da vida da Isabela era conhecer a Disney, já tem seis anos que ela tem visto… — Então não era nem a desculpa do visto, ele teve o tempo de adotar as crianças, tirar o visto, tirar o visto da madrasta com as crianças que elas não tinham, os meninos, e não incluiu a Isabela em nada… Não levou a Isabela. — A Irene falou que, pra gente ter uma ideia, a Isabela não conseguiu voltar pra escola. Ela tá, assim, mudando até o jeito de ser, porque ela não se conforma do pai dela estar assim agora. Ela foi cobrar o pai e o pai disse que agora parece que o amor da Isabela tá condicionado à pensão, que quando ele paga a pensão em dia, a Irene não fala nada, mas se não paga… — Você vai falar isso pra uma criança de 12 anos, gente? O que ela tem a ver com isso? Sendo que a pensão vai para a escola, vai para as coisas da Isabela, não tem nada a ver com afeto. — E aí a Irene falou: “A situação é: Eu não posso exigir mais que ele more perto, porque ele já comprou um apartamento longe. Ele está cumprindo o que foi determinado na justiça, que é o final de semana dele. Ele não pega a Isabela de sexta-feira porque a Isabela de sexta-feira tem psicóloga quando sai da escol, ela estuda integral hoje em dia. Então eu que levo na psicóloga, e aí fica tarde realmente pro pai pegar. Eu até prefiro que ele pegue no sábado de manhã, mas no domingo, quando é umas seis da tarde, ele já devolve a Isabela”.
E aí, detalhe, ó, ó o que ele faz, gente… No domingo, ele vai com a família toda devolver a Isabela na portaria do prédio, e aí, de lá, eles vão comer pizza, vão no cinema…. Eles deixam a Isabela antes, eles não levam a Isabela. Vocês percebem? E a madrasta posta tudo… Então a Isabela vê. O que custa levar a menina junto no cinema? E não é assim, que a Isabela não quer fazer as coisas, ela é super boazinha, ela se dá bem com as crianças, com os meninos, os meninos adoram ela… Só que o pai agora prefere os gêmeos. E aí a Irene falou: “Como pode um cara que era tão coruja, tão apegado à filha, ir se distanciando dessa forma? Agora tudo é os meninos. Tudo pros meninos, nada pra Isabela. E nas férias a Isabela ficou vendo eles na Disney… Agora os meninos tudo ficam contando da Disney, a Irene não tem como levar. A Isabela pra Disney. — Irene, negra… Isabela, puxou a mãe, nasceu com a pele escura, o pai branco… Madrasta branca, meninos Brancos. —
Isso também é muito tratado em terapia agora da Isabela, porque a Isabela não se sente mais incluída… A madrasta, a gente não sabe, a Irene falou: “Andréia, eu não posso falar se a madrasta é racista ou não é, mas ela não inclui a minha filha em nada, pode ser porque realmente é de outro casamento e não tenha nada a ver com a cor da Isabela. Mas a Isabela sente isso e se ela sente e leva para a terapia, né? Por que ele não levou ela para a Disney? Por que ele não leva ela mais nos passeios? Antes era ela e ele e ele levava de boa, agora que tem a madrasta branca e as crianças brancas, não leva. E essa é uma queixa da Isabela… A Irene já fez esse recorte com o pai, porque isso também já foi tratado em terapia familiar, né? E o pai fala: “meu Deus do céu, nada a ver, é absurdo, a madraça não faz nada”. Ele mesmo se afastou, mas é aquela coisa, o pai quando se separa da mãe, se separa dos filhos. Isso é um fato. A cor do filho que for…
Poucos pais não separam, tá? Não tô falando que aqui são todos, mas a maioria. Então a gente não sabe até que ponto esse recorte afeta toda essa história, mas a questão é o que a Irene estava me falando: “Andréia, ele cumpre, às vezes ele atrasa uns dias a pensão, mas tudo bem, acontece… Mas ele cumpre com as visitas, com as coisas. Eu não tenho como entrar na justiça contra ele pra nada”. O que a Isabela quer é o a mais que seria, pra mim, o normal que ele já dava pra filha e hoje ele não dá. Já tá em terapia, mas a Isabela tá indo mal na escola… Eu falei pra Irene: “Conversa com ela”, porque a Irene falou: “Andréia, eu não tenho como levar… Eu não tenho nem visto, e agora pra tirar? Porque ele tirou, quando ele foi renovar o dele que ele já tinha, ele tirou o visto da Isabela, mas eu não tenho visto. E agora pra tirar, então? Então, assim, não tem a possibilidade de eu levar a Isabela pra Disney, sei lá, até ela fazer 15 anos. Quando ela fizer 15 anos eu dou um jeito e levo, se eu conseguir o visto, né?”.
E aí, por que esse pai foi pagar essas duas? Detalhe, a madrasta não trabalha, então ele paga tudo para as crianças também… Escola e tudo, pagou a viagem… Por que não levou a filha? Não aceito, gente… Não mexe com criança. O que vocês acham?
[trilha]
Assinante 1: Olá, nãoinviabilizers, eu sou a Gabriela, eu falo de Curitiba, Paraná. O episódio se encaixa na velha história do cara que quer ser pai de menino… E também na velha e sórdida história das pessoas brancas que, entre aspas, não fazem nada racista, mas também não fazem nada não—racista ou antirracista… Isso aí, pra mim, é machismo e racismo estruturais andando de mãos dadas. Esse pai, que eu acho melhor a gente chamar de “genitor”, na verdade, porque, né? P papel de pai ele não está fazendo. Ele substituiu a filha dele como se ela fosse um objeto de decoração que deixou de fazer sentido com os móveis da casa dele. Um crápula, insensível. E a parte da história de atrasar a pensão um ou dois dias me pareceu bem absurda pra alguém que banca viagem pra Disney pra várias pessoas, né? Pra mim isso é puro descaso. Pode não ser exatamente calculado, mas é intencional, com certeza. Ele não ama a filha, ele tá de saco cheio da responsabilidade afetiva que tem com ela, por isso ele tá dando o mínimo, só porque é obrigação judicial. Até porque acho que se não fosse isso, ele já teria abandonado a Isabela 100%. Eu desejo muita força pra Irene, pra Isabela, e eu desejo também que esse homem pague por tamanha crueldade em algum momento.
Assinante 2: Aqui é a Thailana, falo diretamente de Cachoeira, no Recôncavo da Bahia. Irene, sinto muito que você esteja passando por isso, que a Isabela esteja passando por uma situação de racismo, de abandono, de exclusão, do pai dela com a nova família… Mas seria interessante se você entrasse em contato com um advogado da vara familiar para discutir abandono socioafetivo. Reúna todas essas provas de mensagens que a Isabela manda para o pai visitar quando ela está doente e ele não vai, viagens, passeios que eles fazem sem incluir a Isabela… Conversa com a sua filha sobre isso, sobre essa possível entrada na justiça, dessa ação na justiça, porque ela tem direitos e ela merece viver tudo que os irmãos dela também estão vivendo, espero que vocês fiquem bem, que você consiga se fortalecer e fortalecer a sua filha. Beijo.
[trilha]
Déia Freitas: A Liv Up está completando 10 anos de existência, celebrando o compromisso de oferecer a você escolhas mais conscientes, práticas e saborosas… Refeições que te acompanham aí na busca de constância, bem-estar e equilíbrio. — E, gente, é uma comida deliciosa, sério mesmo… — Para comer bem, de maneira deliciosa, sem abrir mão da qualidade, é só você usar o nosso cupom… O nosso cupom é: “NAOINVIABILIZE” — tudo junto, maiúsculo, sem acento — e você ganha 10% de desconto na primeira compra. Acesse agora o link que eu deixei aqui na descrição do episódio. — Feliz aniversário, Liv Up… — Um beijo, gente, e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]
