título: amoreco
data de publicação: 26/03/2026
quadro: picolé de limão
hashtag: #amoreco
personagens: ellen

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta] 

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem está aqui comigo hoje é o Airbnb. Esse ano o calendário tá lotado de feriados prolongados… E feriado prolongado quer dizer que você tem mais tempo pra descansar. — Ainda mais se você conseguir emendar aí uns dias, hein? Delícia. — Que tal você pegar um feriado e tirar aí uns diazinhos na praia, na serra, ou mesmo um final de semana comum, gente… Vamos pra uma serra, uma prainha, hein? Vamos reservar aí um Airbnb? Dá para você se planejar com antecedência para você descansar, um lazerzinho gostoso. Seja para uma praia a final de semana, prefere campo, montanha? No Airbnb tem. “Prefiro uma cidade histórica, Deia”, tem também. “Não, eu quero ir pra uma grande capital, quero uma muvuca, quero agitação”. 

No Airbnb você encontra as acomodações que você quer, com as comodidades que você precisa, para todos os tipos de bolsos. Se antecipe, faça sua reserva em um Airbnb. Você pode pagar no Pix ou parcelar em até 6x sem juros no cartão. Feriado liberado é no Airbnb, faça sua reserva no Airbnb agora. E hoje eu vou contar pra vocês a história da Ellen. Então, vamos lá, vamos de história. 

[trilha]

Ellen conheceu ali, por meio de amigos em comum, um cara muito incrível… Esse cara estava com 28, na época a Ellen tinha 20 anos. De primeira, rolou uma mega química.  Ellen ficou muito apaixonada, o cara também ficou muito apaixonado e, assim, gente, aquele amor sofrido, sabe? “Ai, a gente se via todo dia e ele fazia declarações pra mim todo dia. Ai, era tão lindo…”. A Ellen morando com os pais e ele morando com a mãe, uma senhora aposentada. A relação deles era tão intensa que com seis meses — com seis meses —, ele falou: “Olha, eu não aguento mais ficar longe de você, Ellen… Você é o amorzinho da minha vida, Ellen. O que você acha dessa ideia? Você sai da casa dos seus pais e vem morar na minha casa, comigo e com a minha mãe… A gente vai ser uma família felizinha”, “mas, meu amorzinho, eu também quero morar com você, mas, será que seria uma boa a gente morar com sua mami? Não seria legal a gente ter um lugar só nosso?”.

Amorzinho de vida respondeu: “Então, minha mãe tem uns problemas de saúde… Eu não posso deixar minha mãe sozinha…”. — Entendo o rapaz? Entendo o rapaz, gente… Mas até aí, não entendo a Ellen ter falado “poxa, que situação bacana, eu topo” em seis meses de namoro. — Elle falou: “Olha, é temporário então? Até a gente se planejar e ver um jeito de a gente ter a nossa casa sem abandonar sua mãe. Pode ser assim?” e o cara falou: “Não, tudo bem, vamos fazer isso agora e a gente vai se planejando pra ter a nossa casa sem mami junto”. Nessa época, Ellen tinha um emprego que pagava razoavelmente bem e o cara tinha um emprego que ele trabalhava muito e pagava mal. — Então veja, nessas horas a gente também tem que fazer essa conta, gente… “Vou pra lá, vai me sobrar dinheiro ou vai me faltar dinheiro?”, uma continha básica. —

Mas aí o cara lançou aquela: “pô, mas a gente não vai pagar aluguel”, mas se a Ellen pensar, ela morava com os pais, ela já não pagava. [risos] — Então, assim, vantagem foi, Ellen? Eu acho que não… Mas é isso, gente, quando a gente tá apaixonado, a gente só pensa no amor e só nas coisas boas. Então, assim, o raciocínio, realmente, quando estamos apaixonados, e isso é todo mundo, fica um pouco prejudicado, sim. — De tudo isso, mãe de Ellen — que a gente pode chamar aqui “Dona Sandra”, falou: “Bom, você quer ir, filha? Vai” e ela não quis dizer, mas ela não ia muito com a cara desse namorado de Ellen, mas ainda assim, os pais da Ellen apoiaram, falou: “vai, filha, vai tentar a vida, né? Vai viver… Se não der certo, casa de mãe tá aqui”. No geral, foi tudo bem ali… As primeiras semanas a Ellen se sentiu muito bem, foi se acostumando com a nova rotina, o cara muito carinhoso, muito atencioso. 

Ellen amava ver como ele tratava a mãe, realmente o cara tratava a mãe muito bem, ele era super preocupado com a saúde, com bem—estar da mãe. O tempo foi passando e o casal mesmo foi percebendo que não ia dar muito certo aquilo, que eles não tinham nenhuma privacidade… Eles queriam também ter as coisinhas deles, né? Só deles ali. Aquela casa era da mãe do cara, então assim, tudo tinha que ser feito do jeito dela, né? É a casa dela. Fora isso, Ellen ficou sobrecarregada, porque a casa era uma sujeira, era uma bagunça e ninguém limpava. Ninguém fazia nada… E aí ela fazia, passava meia hora e eles sujavam tudo de novo. — Sabe quando você não tem a manutenção da limpeza? Ninguém nem te ajuda a pelo menos deixar limpo. — Ela tinha que trabalhar, ela estava fazendo faculdade, ela tinha que fazer faxina… 

Agora, ela fazia as compras do mês para casa, para os três, com o seu Vale—Alimentação. Ellen já tava sobrecarregada, pensando: “Bom, tô nessa agora, né?”. O cara falou :”Ai, amor, eu entendo que você quer o seu cantinho, o que você acha…. Eu tive uma segunda ideia boa. A primeira ideia boa foi você vir morar aqui com Mami… Olha, estou tendo agora a segunda ideia incrível. A ideia da minha vida… E se a gente construir aqui no quintal de minha mãe? Olha que quintal enorme… Dá pra gente fazer uma casa incrível e a gente vai ter o nosso cantinho”. O cara sempre usando aquela coisa de “ai, a gente vai economizar, não vai pagar aluguel”. Ou seja, Ellen não pagava aluguel, ela morava com os pais, né? Então, sei lá, podiam ter financiado alguma coisa, ela continuava na casa dos pais e ele na casa com a mãe dele. 

Ellen, muito apaixonada, pensando: “É o cara da minha vida”. Nesse ponto, eles já tinham tido todas as conversas importantes, inclusive a conversa que ambos não queriam ter filhos. — Eles não iam ter filho. — “Bom, então vamos construir nosso cantinho aqui?”, porque, gente, é o combo, né? Vocês estão vendo… Morar com a mãe, construir no terreno da mãe… A Ellen naquele ponto pensou bem e falou: “Bom, é um jeito sim da gente ter a nossa privacidade se a gente construir aqui no quintal. É muito mais fácil, a gente não tem dinheiro agora pra comprar um terreno que seja aqui perto da casa da sua mãe, enfim”. — Então, assim, “é o que tem pra hoje”, sabe aquilo? — E eles foram conversar com a mãe do cara, ela topou, porque ela achou bem melhor ter o filho ali do lado, né? Eles estavam juntos há um ano e ela estava certa, assim, que aquele cara era o amor da vida dela, sabe? E que eles iam ficar juntos ali pra sempre. — Então, assim, fazia muito sentido, naquele cenário, construir no terreno da sogra. — 

E aí o casal começou a planejar a obra… Só que tinha um detalhe: O cara ganhava muito pouco. Esse planejamento foi feito em cima dos ganhos de Ellen. Ellen usou o fundo de emergência dela, pagou o que ela conseguia e, de todos os gastos, ela pagou 80% da construção e o cara uns 20%. — Se pagou uns 20, porque duvido muito, hein, Ellen? Se você botar isso no papel, você vai ver que você pagou tudo… Que você pagou é tudo. — Ellen muito feliz ali, investindo no futuro dela, né? Casa pronta, zero móveis. Ellen mobiliou tudo sozinha, parcelou tudo e o cara não ajudou em nada… Com nada dos móveis, nada, nem uma faca ele comprou porque ele estava pagando ainda uns materialzinhos de construção que ele tinha botado na obra. Aí você pensa: “Bom, agora a vida melhorou, a gente tem a nossa casinha, né?”, era assim que a Ellen pensava, tanto que ela estava tão feliz que ela continuava ajudando a sogra mesmo agora tendo a casa dela. 

Fazia uma limpeza geral na casa da sogra e fazia a compra do mês para as duas casas com o cartão alimentação dela. — Que era um cartão alimentação de um bom valor. — Agora ela estava bancando as duas casas, limpando as duas casas, mas estava feliz… A convivência dos dois era muito boa, o cara era maravilhoso com ela, carinhoso… O sexo ótimo… O cara levava café na cama. Levava a Ellen pra jantar, numa cidade pequena, então todo mundo via aquele relacionamento… “Nossa, é o príncipe e a princesa” e realmente o cara era um amoreco, amoreco da vida. Eles eram tão, assim, casal perfeito, que os outros casais pediam conselhos de relacionamento pra eles, era nesse nível… Fizeram uma cerimônia ali no quintal mesmo, para oficializar a união e, nisso, o tempo foi passando e eles já estavam aí juntos há uns três anos. 

Até que um dia, Ellen colocando ali as roupas para lavar, caiu algo no bolso do Amoreco. O que caiu? O que era aquilo? Era uma cartela de comprimidos e a cartela estava quase vazia. Elleen pegou o nome daquele medicamento e foi pesquisar e viu que era ali o genérico daquela pilulazinha azul, sabe? — Pra homem subir. [risos] Pra cobra subir. — Ellen ficou cabreira: “Ué, mas tá usando pilulazinha azul? Por quê? A nossa vida sexual era ótima… Nunca soube, né? Que precisou disso”. Ela já ficou bolada, porque se ele fazia muito sexo e um sexo muito bom com ela, será que era por causa da pílula ou ele estava tomando pílula para poder render mais, né? Ela foi perguntar pra ele. “Escuta, o que é isso aqui?”, porque é um relacionamento incrível com diálogo, né? Ele falou: “não, querida, então…” e ficou pálido… — Quando você pega um fodido, a gente sempre põe o cara pra cima… —

Nessa época, ele já estava na faculdade, já estava com a vida melhor do que ele tinha antes de conhecer Ellen, Ellen já estava botando ele para cima… Ele falou que vendia na faculdade para os amigos que tinham vergonha de comprar na farmácia. — Mas, gente, assim não faz sentido, porque são pílulas que não precisam de receita. — Não é uma história estranha, gente? Ellen também achou estranha, falou: “Não colou muito, não”. Aí teve uma briga, ele chorou: “Pelo amor de Deus, acredita em mim”, botou a mãe dele no meio: É, tem que acreditar nele, porque ele é muito honesto”, Ellen falou: “Tudo bem, então vou deixar passar”, não é que acreditou, deixou passar… Tempo passando mais um pouco, o pai desse cara morava em outra cidade e no final de ano estava combinado que Ellen e o Amoreco iam passar as festas com o pai… Ellen ela estava animada, porque assim, pô, férias, né? Ia mudar um pouco de ares, sair ali, né? Da Dona Mogra 2. [risos]

Poucos dias antes do Natal, esse cara acordou, não falou bom dia pra Ellen, foi tomar banho e ele era o cara, aquele cara lá que fazia café da manhã pra Ellen, hein? O Amoreco, ele era o Amoreco… O cara tava frio, totalmente diferente com a Ellen, ele tava estranhíssimo, assim… E ele foi trabalhar, mal falou com a Ellen. A Ellen ficou pensando, né? “O que será que aconteceu?”. E a noite, quando chegou: “Bom, vou conversar com ele” e ele tava frio, estranho… Ela nunca tinha visto ele agir assim, ele era realmente o Amoreco, né? Será que é alguma coisa da faculdade, alguma coisa do trabalho? E aí ela quis puxar um assunto aleatório, que era o final do ano ali, né? Que eles iam pra casa do pai dele e aí a Ellen, falou: “E aí, nosso Natal, hein? Com seu pai, vai ser muito legal e tal, né?”, aí ele falou: “Você quer dizer o meu Natal?”, “Não, o nosso Natal, né? Porque eu também vou estar junto” e ele falou: “Não, eu vou ver o meu pai. Você, eu não sei o que você vai fazer no seu Natal”. — Gente, de amoreco da vida, hein? De amoreco da vida pra isso. —

E aí a Ellen falou: “Ué, mas você não quer que eu vá? É isso que você tá dizendo? O que que tá acontecendo? O que que eu fiz que você tá me tratando assim? Eu não fiz nada”. Gente, foi de um dia café na cama, amoreco da vida, pra esse dia aí, tá? “Gente, mas o que eu fiz? O que aconteceu?”, “Não, você não fez nada, não. Eu só tô refletindo mesmo, pensando se eu ainda te amo… Não sei se eu te amo, Ellen, Desculpa”. Ellen ficou tão chocada, ela começou a gaguejar, não conseguia falar, ficou zonza… E aí ela tentando falar, tentando entender, o cara interrompeu e falou: “Shh, chega, eu vou sair, vou espairecer, tá bom? Não tenho nada para ouvir de você, não”. — Gente, desse jeito… — Ellen ficou sentada no sofá, paralisada, sem entender o que estava acontecendo. O cara ficou um tempão na rua e quando ele voltou, ele disse pra Ellen que era aquilo mesmo. 

Ele falou: “Olha, é isso mesmo… Eu não te amo mais, eu preciso de um tempo, eu vou visitar meu pai… Vou sozinho. E aí, ó, você aproveita esse tempo, Ellen, pra você decidir aí o que você vai fazer da sua vida daqui pra frente”. A Ellen não conseguia nem se recuperar, gente… Foi de um dia amoreco da vida, café na cama, te amo até a morte, pra isso… Tipo: “te vira”. Foi tipo um “quando eu voltar, eu não quero mais você aqui na minha casa”. — Porque, detalhe, casa que ela construiu inteira e mobiliou inteira. Sozinha… Só que estava onde? No terreno da mãe dele”. Ellen queria conversar, queria entender, ele falou: “Olha, eu não quero conversar, não… Vou dormir, chega”. Ellen passou a noite do lado dele, deitada, chorando baixinho e ele dormindo, roncando, feliz, sem nenhum remorso. E aquela noite toda de tristeza deu lugar a uma raiva… 

E aí ela fez uma mala e foi para a casa dos pais para pensar um pouco no que ela ia fazer, né? Ellen estava tão abalada que ela precisou se medicar, ela ficou quatro dias na casa dos pais, ele não entrou em contato nesses quatro dias, não mandou nem mesmo uma mensagem. Ellen tentou conversar com ele, mas ele falou: “Não tem ideia, não… Não gosto mais, não te amo mais, não” e aí ela percebeu que realmente não ia ter jeito, que o casamento dela tinha terminado. Tudo que ela investiu, o dinheiro que ela investiu, tudo tinha ido pelo ralo. A mãe da Ellen falou: “Bom, você tá vendo, não tem mais jeito mesmo? Então vamos lá, vamos pegar todas as suas coisas”. — E, nisso, eles tinham comprado um carro dos pais ali da Ellen, estavam pagando por mês antes de transferir o documento e tal, o documento tava no nome do pai da Ellen. — “Vamos pegar o carro, vamos pegar todas as suas coisas, porque tudo que tem lá dentro é seu. Até o último garfo, sabe? E ele vai ficar com a casa, que você pagou, mas não tem jeito, porque tá no quintal da mãe dele”. — Eu, assim, gente, podia dar polícia, podia dar o que for, eu ia demolir aquela casa, ia pegar uma marreta… —

E aí foi outro baque, ela entendendo ali pelas palavras da mãe que ela tinha perdido todo o dinheiro que ela tinha investido ali. Elas foram lá começar a buscar as coisas… No começo, ele até que ficou quieto, só olhando, mas depois ele percebeu que ela ia levar absolutamente tudo e ele começou a gritar… Que ela morou lá sem pagar aluguel… — Põe na ponta do lápis, filhão. — Ele queria porque queria ficar com a TV — que ela comprou TV  grande — e ele “não, pelo menos a TV, você tem que me deixar a TV”. Gente… E aí a Ellen começou a gritar de volta também que ela não ia deixar nada mesmo, que ela ia ficar no prejuízo, que ela tinha investido na casa e aí o cara foi pra cima da Ellen. — O amoreco, lembra do amoreco da vida? Foi pra cima dela. — A mãe da Ellen teve que se meter ali, falou que ia chamar a polícia e aí eles foram tirando as coisas e a mãe da Ellen pediu pra deixar a TV pro cara. — Eu não deixava, gente… —

Ela ficou com o carro também, porque eles pagavam a parcela, mas assim, né? O cara pagava daquele jeito… Elllen voltou para a casa dos pais — aquele limbo, gente, porque foi de um dia para o outro que ele virou outra pessoa, né? — e ela voltou para a casa dos pais, ficou lá um mês mais ou menos, alugou um apartamento… Ela tinha todos os móveis, tinha as coisas, né? Nisso ela estava evitando entrar nas redes sociais porque a cidade era muito pequena, todo mundo já estava sabendo que eles estavam separados. — Tava difícil, gente, pra Ellen superar… Porque assim, o cara falava que você era o amor da vida dele e você três, quase quatro anos com o cara, desse amor intenso e, de repente, do dia pra noite, o cara fala: “não te amo mais, sai da minha casa”, da casa que ela construiu? Não é fácil… —

Até que um dia, uma amiga da Ellen ligou pra ela e falou: “Olha, a gente tem que conversar… Eu sei porque que ele terminou com você de maneira repentina, o seu amoreco engravidou a Fulana. Ele tinha caso há meses com Fulana e ela ficou grávida”, e quem é Fulana? Vocês estão sentados? Fulana era uma colega de trabalho de Ellen… Cidade muito pequena, todo mundo se conhecia e essa colega de trabalho tinha a fama de só sair com caras casados. Ellen nunca se meteu na vida da menina e a menina nunca se meteu na vida dela, só que Ellen não sabia que era ela a amante de seu marido. — Por que que ele tinha terminado com a Ellen? — Ela tinha colocado ele na parede e falou: “A Ellen trabalha comigo, se você não contar pra ela que eu tô grávida de você, ela vai chegar aqui na firma e eu vou contar pra ela”. 

O cara, em vez de contar para a esposa Ellen, o que tinha acontecido, ele resolveu terminar com a Ellen, sem contar, sem dar o braço a torcer, sem falar: “Olha, eu fui um canalha, um maldito” e tinha ainda o segundo baque, né? Que, assim, o cara tinha o discurso também que não queria filhos e agora ele tinha engravidado a colega de trabalho da Ellen… A moça também tinha uma vida estabilizada, tinha casa própria e aí eles assumiram o relacionamento nas redes sociais e a moça ficava postando: “Ai, era o meu sonho”, “ai, porque a gravidez”, “ai, porque o Amoreco”… — Porque ele agora era o amoreco dela, né? Imagina na cidade pequena o quanto que a Ellen não sofreu. Porque assim, ela tava exposta, né, gente? Sem contar tudo que aconteceu com ela e agora o cara, o amoreco da vida da colega de trabalho dela, que todo mundo sabia, né? Que elas trabalhavam juntas… Grávida, feliz, com o marido da Hellen. 

Helen parou de sair na rua, tipo, ela só saía pra ir pro trabalho e voltava, não ia mais em nenhum lugar, porque o pessoal realmente comentava, cochichava. O tempo passou e o bebezinho lá nasceu… Quando a criança estava com quase um mês, gente, não tinha completado um mês, anotem aí… Ellen recebeu uma mensagem de um número desconhecido, porque nesse ponto ela já tinha bloqueado o meio mundo, né? Quem que era que tava mandando mensagem? Quem? Vocês adivinham quem que tava mandando mensagem? Era a colega de trabalho de Ellen. — Estava de licença maternidade… — Ela estava desabafando… Olha, quem poderia imaginar? O cara tirou o dinheiro dela, ela pagou um curso pra ele, ele aprontou todas com essa colega de trabalho da Ellen… Pegou o cartão dela, gastou, falou que agora filho era uma preocupação. E aí um dia, essa — que só saía com casados, tá? E agora tinha um filho, né? Do Amoreco — viu no Facebook ele com uma outra menina. Numa festa de família, da família da menina… Tipo assumindo uma outra menina. — O bebê tava com menos de um mês, tá? O bebê do Amoreco. —

Essa colega de trabalho foi ver ali na fatura do cartão, ele pagava até motel com as outras e ela tava escrevendo pra Ellen porque ela queria desabafar e conversar de mulher pra mulher. [risos] As duas sabiam quem ele era, e aí ela queria conversar… — E assim, gente, aqui pra mim era a hora da Ellen massacrar, mas Ellen é muito superior a mim. Primeiro que ela deixou a televisão, então a Ellen já é muito superior a mim, porque ela deixou a televisão pro cara, mas eu tinha pelo menos colocado um “kkkkk, se ferrou”. — Ellen ficou encarando aquele texto ali por um tempo e resolveu responder a moça, sua colega de trabalho, né? E assim, a moça que engravidou sabia que ele era casado, ela trabalhava com a Ellen… — Então, assim, ela não foi enganada em nada. — Ainda assim a Ellen falou: “Poxa, tinha um bebezinho ali naquela equação, né?”, então ela resolveu conversar e contar algumas mentiras do cara, falar ali, assim, mas não entrou nesse quesito de que você é uma… Sabe? 

Contou algumas coisas que ela sabia do cara, a moça também contou algumas, ela informou: “Olha, só tô conversando com você em respeito ao seu bebezinho, enfim, né? Te passando essas informações, mas sua vida não é problema meu, né? O que você tem com ele não é problema meu”. Com o tempo, Ellen descobriu por conhecidos, né? E ali, falatório da cidade, porque aí depois que termina, todo mundo sabe de tudo e ninguém tinha te contado nada, que ele havia traído a Ellen com várias mulheres… — E era por isso que ele tomava a pílulazinha azul, para dar conta de todas as mulheres que ele transava enquanto ele estava com a Ellen. — Ele ficou com várias depois que teve o bebezinho, não ficou com essa colega de trabalho da Ellen, casou com outra, teve outro filho… — Gente, assim, cidade pequena… Mesmo que você não queira saber, você sabe. Hoje a Ellen já tá, faz terapia, tá num outro relacionamento sério, enfim, tocou a vida, mas você fica sabendo de tudo que você tá numa cidade pequena, né? —

Essa que teve o segundo filho dele, paga a pensão para aquela lá do primeiro filho. Ela que paga a pensão do bebê do Amoreco, do primeiro bebê do Amoreco. Como se não bastasse, esse pilantra tentou entrar em contato com a Ellen. Várias vezes, até por e—mail… Porque ele tá bloqueado em tudo, né? — E ela, ainda bem, nunca respondeu e nunca vai responder esse amoreco fajuto. — Ainda bem que a Ellen agora tocou a vida, tá bem, tá num outro relacionamento, mas olha esse cara, gente… O que vocês acham? 

[trilha]

Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, meu nome é Brigida e eu falo de Campo Grande, MS. Eu fico ouvindo essa história da Ellen e fico pensando: Gente, quando que nós, mulheres, vamos parar de achar que pra gente ser uma pessoa, pra gente ser alguém, a gente precisa estar com o homem do lado. Porque você vê, esse cara, nitidamente, ele é um mulherengo, safado, que vive às custas dessas mulheres… E ele arruma uma, duas, três, quatro e casa… Três vezes ele casou, com a Ellen, com a outra do bebezinho e com a terceira. Tem quem faz o golpe e tem quem cai… Vamos prestar atenção, gente. Pra mim é não. Começou a sentir qualquer coisa diferente, gente, sai fora. Pelo amor de Deus, eu fico chocada com essas histórias, tá bom? Ellen, ainda bem que você seguiu a vida. Beijos, fiquem bem. 

Assinante 2: Oi, nãoviabilizers, meu nome é Pedro, falo de Recife. Essa história da Ellen me deu um gatilho enorme… Eu já tive um relacionamento muito parecido, que o cara era extremamente atencioso, extremamente cuidadoso, era também um amoreco… Depois descobri, posteriormente, após o relacionamento, enfim, várias situações, descobri também que me traía com várias pessoas… E é engraçado ver que muita gente demonstra ser a melhor pessoa do mundo, a pessoa mais cuidadosa, pessoa mais atenciosa, mas que por trás é a pior pessoa do mundo. Espero que a Ellen continue aí seguindo bem, fazendo a terapia e que o relacionamento atual dela dê certo. Beijo pra todos e um abraço aí acolhedor pra Ellen também. 

[trilha]

Déia Freitas: Os feriados prolongados já estão se aproximando, é só você reservar e chamar sua galera. Você escolhe aí o seu lugar preferido, pode ser um apartamento na praia, casa no campo, uma acomodação em uma cidade histórica, hein? Faça sua reserva no Airbnb agora… Lá você encontra a melhor acomodação para o seu gosto, com todas as comodidades que você precisa e, ó, preço para todos os tipos de bolsos. Feriado liberado é no Airbnb. — Valeu, Airbnb, pela parceria. — Um beijo, gente, e eu volto em breve.

[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]