título: dezoito
data de publicação: 23/04/2026
quadro: picolé de limão
hashtag: #dezoito
personagens: pedro e suellen
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]
Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei pra mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem tá aqui comigo hoje é a Petlove. Com o plano de saúde Petlove, você demonstra amor responsável e cuidado preventivo com o seu pet. E se você, assim como eu, tem muitos pets — eu tenho dez, gente, seis gatos e quatro cachorros —, você garante proteção a todos eles com o plano de saúde Petlove. O plano de saúde Petlove é perfeito para famílias grandes, porque ele tem, ó, um desconto progressivo: 10% de desconto no segundo pet, 20% de desconto no terceiro pet e 30% de desconto a partir aí do quarto pet. — Que é o meu caso. [risos] — O acolhimento é igual para todos os pets, o valor cobrado é o mesmo, independente da idade ou da raça do seu bichinho.
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[trilha]
Pedro teve uma infância tumultuada, os pais mudavam muito de casa, abriam e fechavam muitos negócios… Sabe aquela coisa “a gente tem dinheiro ou não tem dinheiro?”, não sabia. A gente vai estar aqui, eu vou estar nessa escola até o final do ano? Eu vou estar em outra? Não sei também. Apesar de ter tido uma infância amorosa, os pais sempre foram carinhosos com o Pedro, era tudo muito instável, principalmente essa questão de onde a gente ia morar, que escola que ia estudar… Os pais estavam sempre mudando, eram sempre casas boas, mas o Pedro tinha essa insegurança de fazer amigos e depois sumir embora. O tempo foi passando, o Pedro cresceu, conseguiu se formar no ensino médio e, assim que ele completou 18 anos, o pai dele falou: “Que bom, agora a gente vai poder ter a nossa empresa familiar”. Nessa época, o pai dele tinha uma empresa — ele e a mãe, né? — que vendia filtros… Todo tipo de filtro pra empresas, assim.
Era uma época que estava começando a moda do galão de água mineral também, era tudo nessa vibe de água mineral, de filtro para empresas. — Nunca para o consumidor final. — Pedro via o pai e a mãe trabalhando nisso e o pai falou: “Olha, agora você vai trabalhar com a gente, né? A gente vai poder expandir, crescer, você tá novo, né? Um sangue novo na empresa. Aí você vai e faz uma faculdade de administração pra ajudar a gente aqui”. Pedro ficou empolgado e começou ali a trabalhar com os pais… O pai dele foi dando ali novas atribuições para ele e também mais responsabilidades. Pedro, com 18, 19 anos, passou a assinar muita coisa da empresa. — Inclusive, assinava os cheques… Nossa, quanta responsabilidade para um garoto, né? —
O tempo foi passando, aquela empresa de filtros não deu muito certo… Foram lá, abriram uma lanchonete, Pedro também continuava muito responsável. O pai sempre passava as coisas para ele fazer, os pagamentos, as coisas, ele que cuidava de tudo. Essa lanchonete, o pai resolveu passar para frente, não deu certo. Abriu um terceiro negócio, agora uma empresa de estética. Nisso, o Pedro já estava terminando a sua faculdade de administração e, ali na faculdade de administração, ele estava vendo umas coisas que ali na dinâmica familiar que ele estava vivendo, estava estranho. E nisso ele já tinha conhecido uma moça na faculdade… — Que a gente vai chamar aqui de “Suellen”. — Nessa terceira empresa, ele falou: “Olha, pai, eu vou ler isso aqui que você tá me dando pra eu assinar, né? Já te devolvo”, o pai ficou muito bravo…
Quando Pedro leu, ele viu que a empresa estava sendo aberta no nome dele, no CPF dele e o Pedro disse não. O pai ficou muito bravo, a mãe ficou muito brava, mas o Pedro não assinou. Começou a conversar com a Suellen sobre isso e a Suellen alertou ele, falou: “Pedro, você me dizia que você assinava tudo para os seus pais das outras empresas… Você não acha que essas empresas que eles fecharam, que faliram, não estão no seu nome?”, “Imagina, eu tinha 18 anos, não tinha renda, não tinha nada… Impossível”, “Dá uma pesquisada”. Ele foi na Pôneirasa, pesquisou… Gente, não é que o nome dele estava muito sujo? De tudo… E o Pedro nunca tinha aceitado ser dono de nenhuma empresa, ele achava que, sei lá, o pai tinha feito procuração e ele que assinava os cheques, assinava as coisas. Pedro tava com uma dívida na praça de meio milhão. Um monte de coisa…
Pedro foi confrontar os pais e aí que vem o pior de tudo… Os pais acham que estão certos, que o Pedro devia a eles a vida, porque eles a vida toda sustentaram o Pedro e o Pedro tinha que ter essa contrapartida com eles. E que a empresa não deu certo porque não deu certo… E a dívida agora? Ah, seu pai e sua mãe vão pagar a sua dívida? Não, eles não têm nem como pagar a dívida. A única coisa que o Pedro não devia eram as mensalidades da faculdade, que ele fez uma faculdade particular, que não era tão cara… Porque ele mesmo que fazia os pagamentos, né? Porque se não, se fosse para o pai e a mãe fazer, capaz do último ano também ele estar devendo ali a faculdade. Pedro se viu desesperado, gente… Pensa um rapaz com vinte e pouquinhos anos, cheio de dívida, uma dívida que, assim, você não vai conseguir pagar nessa vida. — E processos judiciais, não era só a dívida… Não era dívida de cartão, gente, é dívida que você faz assim, coisa jurídica, que tem processo e que tem penhora e você não tem bens. Sabe esse tipo de dívida? Esse tipo de dívida judicial. —
Os pais não achando que fizeram nada errado, Pedro quando descobriu, estava trabalhando com eles, parou, mas quem disse que Pedro conseguia empresa? — Eu não sabia que empresa consulta Serasa, SPC, esse tipo de coisa… Eu acho que nem pode, né, gente? Você não pode deixar de contratar uma pessoa porque ela está com dívida na praça, né? Mas, coincidência ou não, ele chegava até uma parte do processo seletivo e depois não passava. Será que havia essa consulta jurídica? — Sem alternativa, os pais já tinham aberto a última empresa deles, que estava funcionando, no nome de uma tia da mãe. — Então, veja, eles já estavam já complicando o nome de uma outra pessoa. — Pedro, sem alternativa, teve que ir trabalhar com eles, agora já pensando em manter o negócio saudável para não ferrar o nome da tia-avó dele e também porque ele não conseguia emprego em lugar nenhum. O relacionamento dele com a Suellen foi firmando, o Pedro muito infeliz naquela empresa, orientou a tia-avó como ela podia dar baixa naquele CNPJ, sem nem que os pais soubessem, porque assim, era tudo no nome dela…
Pedro foi orientando ela a fechar tudo, porque Suellen abriu uma empresa e agora ele ia trabalhar pra Suellen. Suellen falou: “Olha, eu te registro e você trabalha comigo, porque a gente tá praticamente casados”. A Suellen foi consultar uma advogada e foi orientada a casar com ele com separação total de bens… E assim eles casaram. — Porque qualquer penhora, qualquer coisa que acontecesse, não ia recair sobre alguma coisa que eles construíssem juntos ali, né? Então, assim, se o Pedro se separar da Suellen, ele fica sem nada, porque tá tudo no nome dela. — O casamento deles é ótimo.. Os pais consideraram o que ele fez com a tia-avó uma traição, porque de uma hora pra outra, a tia-avó realmente fechou tudo… Fechou conta em banco, fechou tudo, antes que eles fizessem empréstimo, esse tipo de coisa. Pedro conseguiu romper com os pais, os pais acham o Pedro a pessoa mais ingrata desse mundo.
Porque além de não aceitar mais abrir empresas no nome dele para benefício dos pais, ainda fez a tia-avó fechar a empresa que estava aberta, porque ele ia sair, ele sabia que os pais não iam administrar de uma maneira saudável, né? A dívida trabalhista que os pais deixaram em duas empresas abertas no nome do Pedro, ele paga parcelado até hoje. Ele já foi atrás de advogado para ver se compensava processar os pais e não compensa, porque ele assinou tudo e ele já tinha feito 18 anos… Pedro me disse que descobriu nessa saga toda dele de tentar resolver a vida financeira dele, né? Jurídica dele, muita gente que os pais fizeram a mesma coisa… Gente que era até menor de idade, tá? Que ficaram com dívidas milionárias porque os pais abriram empresa no nome de crianças. Como que consegue abrir empresa em nome de criança? Não sei, mas o Pedro disse que tem até grupos, comunidades só de pessoas que passaram por isso que ele está passando até hoje. — Porque isso, gente, é até hoje… O Pedro nunca conseguiu fazer um financiamento de carro, de casa, nunca conseguiu fazer um crediário, ter um cartão de crédito, nada no nome dele. —
Ele tem um cartão adicional que a Suellen deixa com ele e tal, né? Ele não conseguiu, por exemplo, uma coisa que ele queria ter feito, que dava para parcelar: o parto do filho deles. Foi a Suellen que teve que ela parcelar e tal, porque eles estavam sem convênio… Então, assim, é muito frustrante pro Pedro, né? Você iniciar a sua vida, começar a sua família com a sua esposa e você não conseguir fazer nada, tirar nada no seu nome… E não é uma coisa assim que você consegue planejar para limpar, não… Porque são dívidas jurídicas, processos na justiça muito altos. Mais um tempinho ele termina essa dívida trabalhista e as outras dívidas, gente, são valores que não dá nem para ele parcelar, não dá nem para fazer acordo, porque ele não vai ter como pagar… E, como ele é casado em separação total de bens, ainda bem, a Suellen consegue fazer as coisas no nome dela, não tem nenhuma penhora, nada, né? A última empresa que eles abriram em nome do Pedro, eles tinham conseguido um cartão de crédito, que o Pedro não sabia que eles estavam usando e pagando. Era assim que eles iam se mantendo… Eles usavam, mas pagavam, não deixavam virar uma dívida, né?
Só que agora parece que eles têm um novo cartão… Em nome de quem? O Pedro não sabe. E aí eles foram lá e usaram todo o limite desse cartão, que o Pedro nem sabia que existia, gente… E aí o Pedro começou a receber cobrança de cartão e achou que era de dívida antiga dos pais, até que uma das atendentes falou que as últimas compras tinham sido feitas numa data que não batia… Ele falou: “Bom, então deve ter sido algum cartão clonado, alguma coisa, porque eu não tenho nem nome ainda… Meu nome tá sujo, não tem como alguém ter cartão”. E aí a moça falou que era um cartão que tinha tantos anos e que era um cartão dele, sim. Os pais usaram todo o limite e depois não pagaram, né? Porque já devem estar com outra fonte de renda. E aí me diz, gente, como que os pais dormem de boa assim? Porque primeiro que trambiqueiros, né? Porque desde cedo sempre mudaram… Alguma coisa tinha já.
Antes do Pedro fazer 18 anos, em nome de quem eles colocavam as empresas? Eu falei: “Pedro, e seus parentes?” e ele falou para mim: “Andréia, eu tenho poucos… Essa tia da minha mãe já tá agora bem velhinha, eles nem vão conseguir fazer mais nada e tal, tem as filhas dela que cuidam, mas na época a gente nem comentou com as filhas dela, porque, assim….”. — Ele e a Suellen, né? — Porque senão ia sair uma briga. Pedro descobriu que uma das dívidas trabalhistas que tinha lá é porque além deles não terem registrado um funcionário, eles também abriram uma empresa no nome do funcionário.;; Então eles devem fazer isso, né? Até hoje? Não sei. Eu ainda perguntei pro Pedro: “Na época você não pensou em fazer um BO contra seus pais? Sei lá, né, gente?” e o Pedro falou: “Andréia, eu até pensei, até falei com a advogada amiga da Suellen e tal, mas eu assinei tudo… Não tem como provar que meus pais me obrigaram, porque eles não me obrigaram, eles me iludiram, eles mentiram para mim. Eu achei que eu estava, sei lá, assinando coisas porque eles tinham colocado uma procuração para eu poder responder pela empresa, para facilitar a administração da empresa, não que eu fosse dono da empresa”.
E ele falou para mim: “Andréia, eu também preciso tomar a minha parte de responsabilidade, eu era muito novo, eu tinha 18 anos… E eu, sinceramente, eu não lia, eu só assinava. Eu não lia. Nada. Eu apenas assinava porque era meu pai e minha mãe… Como que eu ia desconfiar do meu pai e da minha mãe? Eu apenas assinava. Eles falavam que era X e Y e eu assinava, sem ler”. Pedro não tem esperança de resolver todas as dívidas, porque são valores, assim, impossíveis dentro da realidade dele, né? Ele toma antidepressivo, tem fases boas e ruins… Porque, além de tudo, é você entender que seu pai e sua mãe sabiam que estavam fazendo isso, que iam ferrar a sua vida, a sua juventude… Você estava começando a sua vida e seus pais estavam te aplicando um golpe. Então, assim, o que dói mais, ainda mais pra tratar isso em terapia do Pedro, é saber que os pais tinham essa consciência de que ele ia sofrer, de que ele não ia conseguir fazer as coisas na vida e que ele estava começando a vida dele.
E ainda assim os pais não se importaram e não pouparam o Pedro e ainda acham que o Pedro sim tinha a obrigação de ajudar eles no negócio, mesmo que fosse falindo e se enchendo de dívida por conta dos pais. Ele e Sullen estão muito bem, com as finanças em dia, o casamento bom, eles têm um filho, mas o Pedro falou: “Andréia, aquela estabilidade que eu tinha quando eu era criança, que eu não sabia se eu conseguia fazer amigos, se eu ia me mudar e tal, hoje, assim, eu amo muito a Suellen, eu sei que ela me ama, mas eu sei que se a gente terminar, eu não sei nem onde que eu vou conseguir emprego… Eu vou sair sem nada e não sei como vai ser a minha vida. Então, assim, mesmo sabendo que o meu relacionamento com ela é muito bom e saudável, eu tenho esse medo”.
Então, olha só, gente, pai e a mãe… Seu pai e sua mãe ferraram a sua vida. A partir do momento que você fez 18 anos, eles já transformaram a sua vida toda numa sucessão de fracassos e de dívidas e sabendo disso, conscientes disso… Eles sabiam que eles não iam pagar. Tiraram todo tipo de empréstimo… Gente, coitado do Pedro. Ele escreveu pra gente pra alertar e ele disse que tem muita gente que passa por isso, que hoje em dia, ainda bem, parece que agora tem algumas leis novas que você não pode colocar a criança como sócio… — Gente, eu achei que isso aí era óbvio, assim, mas antigamente parece que podia, tá? Você botava a criança como sócio ou emancipava sua criança de 14, 15 anos e botava lá com uma parte da empresa, não sei como é isso hoje, mas o Pedro disse que as leis mudaram, assim, que antes era meio solta a coisa. — Mas ainda assim, no caso do Pedro, ele assinou, né, gente?
Então é aquilo, nem se for seu pai, sua mãe, não assina as coisas sem ler. Ainda mais você, jovem, está começando a sua vida e seu pai e sua mãe falar: “ah, vamos fazer isso aqui junto, assina”, você não entende nada de administração, como você vai ser sócio de uma empresa? Você, praticamente, uma criança… Porque 18 anos é criança, gente, é adolescente ainda. O que vocês acham?
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Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, aqui quem fala é a Mariana, de Maringá. Pedro, eu me identifiquei muito com a tua história. Eu passo a mesma situação, hoje eu tenho 27 anos e a 12 anos eu não tenho controle sobre o meu CPF. Eu brinco que eu fiz 18 anos, mas eu nunca fui adulta em relação ao meu CPF e à posse do meu nome, né? Com 13 pra 14 anos, eu ganhei 1% da empresa da minha mãe, ela foi na lábia do ex—marido dela e acabou que ficou muitas dívidas nessa empresa, dívidas trabalhistas, que inclusive foi ele que vez… Se eu comprar uma bala, dessa bala a escritura dela não pode estar no meu nome… Então é uma vida muito instável, assim, falando em relação a esse tipo de segurança. Beijo, fiquem com Deus. Pedro, vai dar tudo certo.
Assinante 2: Oi, aqui é Monique, eu falo de Curitiba. Quando eu entrei na faculdade eu tinha 17 anos e eu não sabia que eu já tinha empresa aberta no meu nome. Quando eu me formei, foi aí que eu descobri que eu tinha dívidas impagáveis. Meus pais nunca me explicaram… Minha mãe faleceu logo depois que eu me formei e meu pai teve um AVC e perdeu parte da memória, então ele nem reconhece essas dívidas, ele fala que isso ele nunca fez. Isso deixa uma marca na gente muito mais do que financeira, sabe? Que a gente só consegue curar com muita terapia. Te desejo sorte, espero que você tenha muita calma, porque é uma vida lutando contra esse problema que deixaram para você.
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Déia Freitas: Você tem muitos pets e quer proteger de forma igual todos eles? O plano de saúde Petlove é perfeito para isso, porque ele tem descontos progressivos para famílias grandes de pet. — Tipo a minha. [risos] — Seus pets são cuidados da mesma forma, com o mesmo respeito, independente da idade ou da raça deles. Seus pets ainda ganham microchipagem grátis e a contratação é prática, rápida, fácil de fazer, 100% online e, com o nosso cupom: “PONEI50” — amo, “pônei” em maiúsculo, 50 em numeral, tudo junto —, você ganha 50% de desconto na primeira mensalidade do plano de saúde Petlove que você escolher. Faça agora a contratação de um plano de saúde Petlove. — O nosso cupom é por tempo limitado, tá? E consulte aí os termos e condições. Valeu, Petlove, parceira, tamo junto… — Um beijo, gente, e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]



