título: jipe
data de publicação: 09/11/2023
quadro: picolé de limão
hashtag: #jipe
personagens: regiane e um cara
TRANSCRIÇÃO
[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei pra mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii… — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem está aqui comigo hoje é a Hidrabene, a nossa amiga cor de rosinha de sempre. No site da Hidrabene você encontra o Sérum Multicorretivo Clareador, que tem ai uma fórmula leve, rica em ativos que clareiam visivelmente a pele e ainda ele reduz a tonalidade das manchas hiperpigmentadas. O Sérum Multicorretivo Clareador da Hidrabene é o melhor amigo para quem tem melasma e é indicado para todos os tipos de pele. — Eu tenho melasma aqui perto da bochecha, assim, e a Hidrabene tá me ajudando muito. — Acessa: Hidrabene.com.br e confere aí as ofertas da Black Friday. — Eu vou deixar o link certinho aqui na descrição do episódio. —
Aproveita que o site inteiro tá com super desconto, então já vai aí navegando no site. E hoje eu vou contar pra vocês a história da Regiane, então vamos lá, vamos de história.
[trilha]A Regiane é uma moça que tem uma deficiência auditiva — então ela é uma pessoa com deficiência — e ela lida muito bem com isso. Então, ela nasceu assim e cresceu. Então, na escola ela tinha que lutar mais pelas coisas, ela tinha que, por exemplo, sentar lá na frente para poder acompanhar a professora melhor com leitura labial, porque a gente sabe que nas escolas, pelo menos na maioria, não tem libras. E ela foi crescendo assim e se adaptando… E o fato de ter uma deficiência auditiva nunca deixou a Regiane de lado. Tipo, nos grupos de amigos, sei lá, quando a galera ia viajar, ela sempre fez tudo dentro do que era possível, que ela achava possível. O tempo passou, Regiane cresceu, fez faculdade e, nessa época, ela já tinha tido vários namoradinhos, mas nenhum namoro sério.
Até que Regiane começou a trabalhar aí num banco… — Que a gente pode chamar de Pôneidesco? [risos] — Começou a trabalhar no Pôneidesco e lá no Pôneidesco tinha um cara muito interessante… E Regiane às vezes cruzava com ele no elevador, trocava um sorrisinho e tal, mais nada… Até que um dia, no elevador, esse cara entrou e olhou pra ela de uma maneira diferente. — E o que a Regiane me explicou? Quando você tem uma deficiência que não é aparente, no caso dela… Ela me explicou, ela está andando no shopping, sem conversar com ninguém, ninguém sabe ali que ela não tá ouvindo. Então ela passa como uma pessoa sem deficiência, entendeu? E esse cara encontrava com Regiane todo dia no elevador e não sabia que ela tinha uma deficiência e também não tocava nesse assunto, não perguntava nada, não dava bom dia, nada… Que senão ela até responderia, ela costuma responder quando alguém fala bom dia para ela, ela tem a leitura labial e tal e ela costuma responder em libras para a pessoa já sacar que ela tem uma deficiência auditiva, mas nesse caso ele não dava bom dia, nada, eles só trocavam um sorriso. —
Quando ele entrou super diferente no elevador, ela sacou que alguém contou pra ele que ela tinha uma deficiência auditiva, né? E aí ele estava sem jeito ali no elevador. E aí Regiane cutucou o rapaz e falou “oi” em libras. E aí o rapaz deu uma assustada, mas sorriu e tentou reproduzir ali o gesto que ela fez e tal, né? O sinal que ela fez em Libras e ficou nisso… Passou. A partir daquele dia, ele começou a dar bom dia para ela também, replicando ali o sinal, fazendo o sinal em libras. — Foi uma abertura… E, Regiane, como eu disse para vocês, ela se entrosa, não passa vontade. — E Regiane resolveu aí conversar com esse mocinho. Começaram a conversar, existia uma química ali, né? — Era óbvio que tinha uma atração entre os dois e Regiane começou a ficar com esse mocinho. — Só que tinha uma coisa: eles trabalhavam os dois no banco Pôneidesco e eles não queriam que isso ficasse público ali no banco. Regiane também não queria, não era só uma coisa dele. E os dois começaram a sair escondido… — Regiane e esse cara. —
Uma coisa é você é a pessoa que você está se relacionando, que trabalham no mesmo ambiente, querer manter aquilo em sigilo no ambiente. Outra coisa é você querer manter um relacionamento em segredo com uma pessoa que tem uma deficiência. — São coisas diferentes. — Então, Regiane não queria se relacionar com ele ali na frente de todo mundo que trabalha no banco Pôneidesco, mas ela queria sim pegar um cinema, ser apresentada para família, esse tipo de coisa com o cara, né? E ela também queria apresentar o cara para a família dela, enfim… Só que o cara não queria nada. Ele queria que o relacionamento fosse em segredo.. Segredo. Bom, Regiane disse que a parte da atração física, a questão sexual da coisa era boa… Então ela falou: “Bom, eu vou ver até onde isso vai”. — Estava apaixonada? Talvez um pouco, né? Se não, sei lá, não teria levado isso mais pra frente nesses termos. —
Regiane resolveu ali arriscar… — Só que é aquilo que eu falo praticamente todo dia aqui, né? Ninguém manda no coração. — A partir do momento que o tempo foi passando, a Regiane foi se envolvendo mais… Só que era um relacionamento totalmente em segredo, eles só ficavam juntos na casa do cara. Lá no banco passou a acontecer do cara nem bom dia dar mais pra Regiane. Às vezes ele passava por ela duas, três vezes durante o dia dentro do Pôneidesco e não olhava na cara dela e quando dava 18h00 ele estava mandando mensagem [efeito sonoro de mensagem no Whatsapp] para perguntar se ela ia para casa dele. — Então é complicado, né, gente? O cara é um canalha. — Regiane continuou nesse relacionamento… Até que um dia esse cara chegou muito empolgado para ela… — E, olha, eles tinham a seguinte dinâmica: Ele saiam do banco na mesma hora, Regiane fazia que ia para o metrô e ele pegava ela de carro. Então nem assim, tipo, “ah, tô dando carona para uma amiga de trabalho”, nem isso… Ele pegava ela de carro, meio escondido, um lugar escondido. Então assim, totalmente um relacionamento clandestino. —
E ele pegou e chegou muito animado, muito feliz para pegar a Regiane ali perto do metrô, e ela estranhou, né? Ele falou: “Eu fiquei sabendo de uma coisa que vai ser muito legal para a gente”. — “Para a gente”, ele disse, para os dois. Ela falou: “Nossa, o quê?” e aí já pensando: “Será que ele vai me apresentar para família? Será que vai fazer uma festa, alguma coisa?”, sei lá, qualquer coisa… Porque para ser legal para os dois, né? Ele falou: “Quando a gente chegar na minha casa, eu te conto”. E aí ela foi esperando por alguma coisa… O aniversário dela estava chegando, ela falou: “Será que ele vai fazer alguma coisa?” e ela ficou animada. Bom, chegaram na casa aí dessa criatura e ele já falou: “Senta aqui na mesa que hoje eu descobri uma coisa que eu não tinha ideia”. E aí, olha o que ele falou para ela: “Você sabia que você pode comprar um carro sem imposto?”. — O imposto seria o IPI, né? — E lógico que a Regiane sabia, mas ela, na condição de pessoa que não ouve, ela não não pode dirigir, mas ela pode sim comprar um carro para, sei lá, alguém que esteja com ela dirigir para ela, no caso.
Ela nunca quis ter um carro, por causa disso… Ela pega um carro de aplicativo, pega metrô, enfim… E aí o cara disse que aquilo era maravilhoso porque ele estava pensando em trocar de carro, ele queria pegar um JIPE Pôneigade e que ela poderia tirar esse carro no nome dela e colocar ele lá como condutor e tirar esse carro mais barato… — Bem mais barato pra ele. — Que ele já tinha feito até as contas, já tinha até achado a concessionária que vende o Jipe Pôneigade para pessoas com deficiência e que, no caso dela, nem precisa de adaptação que isso e aquilo. Começou a falar, começou a tirar uns papéis como se ela realmente fosse comprar o carro. — Quer dizer, ele que ia pagar, né? Mas como se ela fosse tirar um carro pra ele mais barato. Tipo, o intuito dessa coisa da pessoa com deficiência não ter esse imposto IPI no carro é justamente para melhorar a mobilidade, a circulação nas vias, na cidade e tal das pessoas com deficiência. Não é tipo pro bonito pagar mais barato no carro. —
E aí a Regiane ficou olhando pra cara dele, chocada… Porque, assim, tava na cara que ele sabia que não era para aquilo, né? Que existe essa lei e tudo, mas ele não estava nem aí, ele tava querendo um Jipe Pôneigade e tava, assim, dando pulos de felicidade porque ele ia poder comprar o carro 0 do sonho dele e já estava contando com isso. E aí Regiane esperou ele comemorar sem fim ali e falou pra ele, falou: “Então, eu não vou fazer isso… A finalidade dessa lei é outra, não é pra tirar um carro pra você”. E aí a cara do cara murchou, murchou na hora, ele já ficou… Já virou outra coisa. Ele falou: “Nossa, mas o que custa?”, “Primeiro que eu só posso tirar um carro a cada três anos… E se o ano que vem eu quiser tirar um carro pra mim? Segundo que você não me leva em lugar nenhum, o carro seria pra mim”. “Não, mas você não está sendo egoísta, que isso e aquilo…”. O cara achou que ele tinha direito de ter um carro. Chegou uma hora que ele falou assim para Regiane: “É, mas você tem que levar em consideração que eu estou te namorando, né?”, tipo: “Estou te fazendo um favor”.
Regiane viu que dali não sairia mais nada — porque o cara ficou totalmente revoltado que não teria aí um Jipe Pôneigade mais barato — e ela falou: “Bom, eu vou embora… E vou embora da maneira que eu sempre vou embora, vou embora num carro de aplicativo” e é isso… Esse cara, canalha, queria tirar proveito de uma lei séria e importante que ajuda realmente as pessoas com deficiência a ter um carro decente para poder circular, o carro pode ser adaptado, enfim, é uma coisa muito bacana… Porque ele queria a luxar aí com um Jipe Pôneigade. No dia seguinte, esse cara não olhou na cara da Regiane e nunca mais olhou na cara da Regiane. — E aqui vem uma pequena zona cinza que não sei, talvez aí eu não faria, [risos] mas eu quero saber de vocês. — A Regiane e esse cara eles tinham, em determinado momento aí do relacionamento clandestino deles, eles tinham tirado uma foto, uma selfie, beijando de língua, sabe assim? Meio de lado, mas beijando de língua. Dava para ver que eram os dois.
Como esse cara começou a tratar [risos] a Regiane como se ela não existisse, ela postou a foto no Instagram e marcou ele… Numa sexta feira, 19h00. Aí todo mundo começou a curtir e dar parabéns… — Mas eles já não estavam nem mais juntos, né? — Quando foi 19h15 ela começou a receber mensagem dele e mensagem, mensagem, mensagem… [efeito sonoro de mensagens no Whatsapp] Ela não respondeu. E ela só foi arquivar a foto, porque ela não apagou, na segunda—feira, quando ela chegou no banco… — Que aí todo mundo comentou e tal… — E aí ela arquivou a foto, antes que ele viesse falar alguma coisa e tal. E aí foi um auê no banco, né? Porque ninguém realmente imaginava. E aí ela explicou que foi só um lance só… Mas ela queria mostrar ali pra todo mundo que, sim, ela tinha ficado com ele. Ela achou que foi uma vingança boa, porque ele morria de medo que as pessoas soubessem que ele saía com ela. E ela falou: “Ah, é? Toma”. — Eu não faria… Também acho errado publicar uma foto de alguém sem a autorização da pessoa, né? No caso, ela não tinha autorização dele, mas dizer que lamentei muito, não posso dizer. [risos] —
Então eu deixo esse último ato de Regiane como uma questão da nossa zona cinza e foi por isso que ela escreveu, né? Se vocês concordam, se vocês não concordam com o que ela fez em relação a foto, porque o restante, gente… É aquilo que a gente fala aqui: É a vida seguindo, né? Você vai encontrar um cara canalha, você vai encontrar um cara bacana, uma menina chata, uma menina legal, assim vai, né? Só que aí [risos] ela postou essa foto aí e deixou o cara o final de semana todo mal, passado, sei lá, bravo… Ela nem sabe porque ela nem leu as mensagens. Foi só deletando, deletando, deletando. E na segunda, antes de trabalhar, ela já bloqueou ele. E aí, quando ela chegou lá no banco Pôneidesco que o pessoal começou a falar: “Ê, Regiane…”, [risos] ê, Regiane… E ela ficava rindo só e tudo bem. Eu não sei, eu não faria, mas não quero aqui condenar 100% a Regiane, mas é uma atitude que realmente eu condeno, assim, você publicar uma foto de alguém sem autorização dela, ainda mais uma foto assim, mais íntima, né? Eles tavam, tipo, sabe quando você senta na cama assim e dá aquele beijo de língua? Dava pra ver ali que foi, sei lá, foi um pós sexo. — Eu vi a foto. — Eu não publicaria jamais aquela foto.
Eles não estavam nus, nada… Mas sabe um clima? Dava pra perceber que era uma foto pós sexo. Então, assim, eu acho uma atitude condenável, mais fica na minha zona cinza, porque meio que tipo.. [risos]. Regiane, sua loucaa… [risos] Passei um paninho, mas achei errado, achei errado. Não façam isso, não publiquem fotos íntimas suas com a pessoa. Era uma foto íntima porque eles estavam num momento íntimo, mas era do pescoço pra cima, só ali mostrando mesmo a beijoca, mas dava para ver que era uma cabeceira de cama, né? Dava para ver uma nesga do ombro que estava os dois ombros nus… Então ele estava sem camisa e ela tava ou sem camisa ou de top ombro a ombro, né? [risos] Enfim, não vou falar mais que vou continuar me enrolando aqui para querer passar pano para uma coisa que eu acho errado. Foi errado. — É isso, Regiane, foi errado você publicar essa foto e é o que eu acho. Foi errado, né? — E vamos perguntar lá no grupo o que o povo acha aí.
[trilha]Assinante 1: Oi, gente, aqui é a Carol de São Paulo. Eu não condeno a Regiane, acho que eu faria no final alguma coisa também pra me vingar, pra de alguma forma as pessoas ficarem sabendo que eu estava namorando com esse cara em segredo por conta de preconceito dele, claramente… Eu acho que ela foi maravilhosa, muito sábia também na hora de já dar o corte e ir embora e saber que não ia rolar mais nada com esse cara… Ainda bem, achei que poderia ter alguma coisa de ela continuar com ele e tal como a gente está acostumada aqui nos Picolés de Limão. Mas fico muito feliz por você, Regiane e eu acho que arrasou, tinha que postar alguma coisa sim. E é isso, um beijo, gente.
Assinante 2: Oi, Déia, oi, Não Inviabilizers, eu sou Carolina, sou de Aracaju. E, escutando ao longo da história, a gente vai percebendo que, assim, só mais um sem noção, né? Infelizmente não é incomum a gente escutar pessoas que falam sobre isso, sobre essa questão da lei de comprar o carro mais barato por que querem desvirtuar realmente o real sentido, né? Mas até aí a gente tá acostumado a conviver com pessoas sem noção e como Déia disse, é a vida acontecendo, vai desviando aqui… Ela negou, ótimo… [risos] Só que aí, [risos] quando veio a reviravolta, eu fiquei passada. Eu acredito que eu não faria a mesma coisa, mas eu também entendi o lado dela, que ela lutou com a arma que ela tinha para poder se vingar um pouquinho, porque eu acredito que ela não tinha outra coisa pra afetar ele e, na hora da raiva que ela ficou, ela usou essa arma.
[trilha]Déia Freitas: O sérum Multicorretivo Clareador da Hidrabene é o produto ideal pra quem tem melasma, porque ele reduz o tom das manchas hiperpigmentadas e o resultado é a renovação das camadas cutâneas mais superficiais, conferindo aí mais viço e luminosidade pra sua pelelezinha linda. Acesse: hidrabene.com.br, confere aí as ofertas da Black Friday e aproveita que o site inteiro tá com um super desconto de até 40% aí aplicado nos produtos, então corre lá no site. — Hidrabene, te amo, nossa parceira aqui máxima… Amo. — Um beijo, gente, e eu volto em breve.
[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]