título: braço
data de publicação: 23/02/2026
quadro: picolé de limão
hashtag: #braco
personagens: débora

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta]

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não estou sozinha, meu publiii. — [efeito sonoro de crianças contentes] Quem está aqui comigo hoje — de novo — é a Petlove. O Fevereiro Roxo Pet ainda está rolando e, se você é tutor de pet sênior, né?, os nossos amados idosinhos  — eu tenho um monte aqui em casa —, você não pode ficar de fora… Pets mais velhos, idosinhos, precisam de um olhar mais apurado nos cuidados… Os sinais de lentidão podem ser sintomas tratáveis e é necessário pelo menos um check-up a cada seis meses. Ter um plano de saúde Petlove para o seu pet é um gesto de amor e a garantia que você vai conseguir cuidar do seu amigo quando ele mais precisar.

Ter um acompanhamento preventivo, principalmente sobre doenças silenciosas, como as doenças renais, cardíacas e articulares, custa muito menos que tratamentos de emergências no futuro. — Então, tem que prevenir… — Pensou em plano de saúde pet? Pensou em Petlove… Contrate agora e garanta aí o bem-estar do seu pet. — Eu vou deixar o link certinho aqui na descrição do episódio e no final tem o nosso cupom de desconto. — E hoje eu vou contar pra vocês a história da Débora. Então vamos lá, vamos de história. 

[trilha]

Débora ralando muito, indo a muitos congressos, conheceu uma outra arquiteta… Foi paixão à primeira vista. De cara, as duas se apaixonaram, começaram a ficar, morando em cidades diferentes, mas assim, não tão longe. Passaram a se ver praticamente todo dia e em quatro meses elas decidiram morar juntas… — Gente, eu sempre vou ficar impactada, tá? — Débora foi morar na cidade da moça, na casa da moça, porque a moça já tinha casa própria. E daí pra frente, só romance… O relacionamento ali dando super certo, morando juntas, a Débora conheceu todas as amigas da sua, então, agora, né? Esposa. Porque eu perguntei para ela: “Mas vocês eram namoradas?”, não, é esposa… Estava morando junto é esposa. E aí a moça também conheceu as amigas da Débora, fizeram um grupão, fizeram viagens juntas e tudo dando muito certo.

Acontece que essa moça tinha uma questão: De quinta a domingo, ela gostava de sair e a Débora não era muito de sair. Débora muito mais caseira. Acontece que a moça, ela achou na Débora a parceira ideal, porque a Débora não bebe. — Então, o que passou a acontecer? — A moça insistia muito para a Débora ir nos encontros, nas baladas, porque ela queria ter o amorzinho da vida dela ali do lado, no caso, a Débora e a Débora era a motorista da vez, porque como ela não bebia, então aí a moça podia encher o caneco, podia beber o quanto ela queria, as amigas também e tinha ali a motorista sempre da vez, que era a Débora, porque a Débora não bebia.  — Só que assim, gente, se você não é uma pessoa acostumada a sair muito, você não vai aguentar essa rotina, né? E foi isso que foi acontecendo. Eu, no caso, não conseguiria nem me relacionar com alguém que sai de quinta a domingo e que quer que eu vou junto. Porque, assim, a pessoa quer ir, ela vai, mas se eu tiver que ir junto, termina. É isso. — 

E aí a Débora começou a ficar de saco cheio disso, a falar: “Poxa, elas me querem junto na balada, no bar, mas é porque eu dirijo para elas, né? Então, elas que peguem um carro de aplicativo. Eu não vou mais, eu não quero ir mais”. A Débora começou a ir vez ou outra, mas não em todos os rolês que a esposa fazia, só que a moça não aceitava muito bem e sempre reclamava quando a Débora não ia, “porque você não sai comigo, porque a gente não faz coisa junto” e a Débora falava: “Poxa, então vamos fazer coisa junto? Vamos ao cinema, um teatro, vamos passear, mas assim, só ficar enfiada em bar e balada eu não gosto, não vou fazer”. Então, a moça já não fazia também os passeios, as coisas que a Débora queria, tinha que ser tudo do jeito dela, da moça. — Então, imagina: Se a moça sai de quinta a domingo, o estresse que era os dias que a Débora não queria ir junto. Porque, assim, vários dias a Débora ia. Então, por exemplo, numa semana, se ela não fosse na quinta e na sexta, no sábado ela ia ou no domingo ela ia. —

A Débora ia em uma balada ou um bar na semana para a esposa não ficar falando no ouvido dela o tempo todo. — Ela ia uma, mas a outra saía quatro vezes na semana, né? — E nisso o tempo foi passando… Três anos de relacionamento nesse pique. Débora me falou: “Andréia, tinha coisas legais? Tinha coisas muito legais, mas assim, insuportável. Toda vez que ela saía, ela bebia, Às vezes, de maneira imprudente, ela ia com o carro. E aí, tomava só uma cerveja..”, mas assim, gente, quem dirige não bebe nem uma cerveja. Nada. Então, assim, a Débora no começo falava também: “Não vai de carro, não sei o quê”, mas é aquela coisa, o carro é da moça, ela é adulta… Você não tem como segurar, você vai amarrar a pessoa? Então, assim, a Débora fazia o que dava e tinha hora que ela via que não dava fazer mais nada, ela ia deitar e dormir enquanto a moça pegava o carro e saía por aí com as amigas. 

Às vezes a moça falava: “Mas eu não vou beber, só vou tomar uma cerveja”, uma cerveja já é beber, a não ser que você beba uma cerveja sem álcool. “Então, ai, Andréia, você está sendo chata”, gente, álcool e direção não combinam, em uma hora dá muito ruim. Sempre dá. — Ou para você ou você vai machucar uma outra pessoa, antes que seja para você, você morra e não atrapalhe mais a vida de ninguém. Agora, e quando um motorista bêbado mata alguém? Acaba com uma família? Então, assim, eu já sou chata… Nesse assunto, eu sou 800 vezes chata e sou desde, sei lá, que eu tinha 15 anos que eu comecei a sair. Eu e minha prima Eliane, se a pessoa que dirigia estava bêbada, a gente já voltava de ônibus. Eu sempre fui muito chata, gente, enfim… — Mas é um assunto sério e a Débora também ficava preocupada, chateada, só que tem hora que você faz alguma coisa e consegue, tem hora que você não consegue fazer nada. 

Até que um dia, Débora está dormindo, quando o seu telefone começa a vibrar… [efeito sonoro de celular vibrando] Vibrou tanto que ela acordou, o celular dela não tinha som, estava no mute, mas vibrava… Débora pegou o telefone, era um número desconhecido e a moça tinha sofrido um acidente. Elas estavam em quatro no carro, a moça passou no farol vermelho, como era de madrugada, ela achou que não vinha ninguém, mas vinha vindo um outro carro e o carro bateu na porta da moça. A moça que estava do lado  — amiga da esposa da Débora — estava de cinto, não aconteceu nada.  A moça que estava atrás da esposa da Débora, estava sem cinto… — E aí vou ser chata de novo: Banco de trás tem que usar cinto também, tá? Não sou eu que estou dizendo, é o Detran, é a polícia, é todo mundo. — Ela foi arremessada para frente e quebrou o nariz… Quem teve os ferimentos mais graves foi aí a esposa da Débora… 

O cara, que era um trabalhador — isso era umas três e meia da manhã, ele estava indo para o trabalho que ele entrava às quatro e trinta e cinco —, não ficou ferido, só que ele pegou a porta do motorista em cheio. E, nisso, a esposa da Débora ficou presa nas ferragens, precisou chamar bombeiro para poder tirar a esposa da Débora das ferragens. Todo mundo socorrido, ocorrência feita, Débora foi avisada ali por uma assistente social do hospital e correu para o hospital para ver ali a sua esposa, não conseguiu ver logo que chegou, porque ela estava passando em cirurgia.  E ficou ali na recepção, avisou alguns amigos, a família da moça morando em outro estado: “Não vou avisar enquanto eu não souber direito a situação, porque senão eu vou deixar todo mundo mal lá, e de repente ela só, sei lá, está fazendo uma cirurgia leve”. 

Quem ligou para ela foi a mesma mulher que atendeu ela lá no hospital pessoalmente. — Ela não lembra se era uma psicóloga ou uma assistente social, porque estava de madrugada, ela estava de pijama, a esposa dela estava passando cirurgia, enfim, mil coisas. Mas era alguém que estava ali para conversar com as famílias, sabe? Para explicar, levar uma salinha e tal. — E aí ela chamou a Débora numa sala ali, numa salinha, tipo uma sala de triagem, sabe? E ela comunicou à Débora que a sua esposa, neste acidente, tinha perdido inteiramente o braço esquerdo. E foi um baque, porque ela estava em cirurgia, mas ela estava em cirurgia para costurar o ombro dela, porque o braço dela ficou estraçalhado no carro. — Ela perdeu o braço, não tinha como recolocar, não tinha nada. Então, a cirurgia que ela estava passando era para reconstruir os nervos, as coisas do ombro. — 

Aquilo foi um choque para a Débora… — E aqui a gente tem um grande divisor entre mulheres e homens, porque geralmente os homens abandonam as esposas quando elas ficam doentes e as mulheres raramente fazem isso, né? — Então, em nenhum momento passou pela cabeça da Débora deixar a esposa dela, agora que ela estava sem um braço, óbvio. Isso jamais passou pela cabeça dela, mas ela ficou pensando como é que ela ia olhar para a esposa e confortar a esposa, né? Porque não é nem questão de, ah, falar que ela está sem braço, porque ela ia ver… A moça ia acordar da cirurgia e ia ver que estava sem braço. Então, assim, não é nem: “Ah, vou dar uma notícia”, era como ela ia encarar isso, né? E como ela poderia confortar ali a esposa. A esposa que foi pra UTI ali, pra passar algumas horas, depois ia pra um quarto compartilhado. — Viva o SUS. — E aí a Débora começou se dava pra mover ela para um quarto particular do convênio e tal. E nisso que ela estava fazendo as coisas, ela tinha conseguido ver a sua esposa ainda acordando, meio sedada, só assim uma olhadinha rapidinha na UTI e estava do lado de fora da UTI, ali no corredor, tentando essa transferência junto com essa mulher. — Que vamos chamar de “Dalva”? —

Vendo a possibilidade de transferir a esposa, ali junto com a Dalva, né? A Dalva também fazendo as ligações e tal. Só que ali do corredor, a Débora começou a escutar os gritos da esposa… [efeito sonoro de pessoa gritando] E ela gritava onde estava o braço dela, o que tinha acontecido, enfim… — Muito, muito, muito triste, assim. — Ela gritou tanto que ela foi sedada… O hospital ali onde ela foi socorrida não tinha mais o que fazer pela esposa da Débora, porque agora era uma questão de talvez mais uma cirurgia em relação a nervos, a como que seria aquela reconstrução, né? Pela falta ali do membro inteiro e tal, e também reabilitação, fisioterapia, terapia, né? Enfim, um monte de coisa que não seria mais feita ali. A Débora conseguiu a transferência da esposa para um hospital particular, ela também ficou nesse hospital particular seis dias e já teve alta para poder seguir para casa e fazer todo o tratamento, né? Com terapias auxiliares, mas assim, não tinha mais o que fazer também para ela ficar internada. 

Fora o boletim de ocorrência, né? Porque foi aberto um inquérito criminal… Na hora não foi feito o bafômetro porque a esposa da Débora estava inconsciente, foi socorrida, foi tirada das ferragens, mas no hospital foram feitos todos os exames e, sim, ela tinha ingerido bebida alcoólica, no sangue dela tinha dado que ela estava bêbada, dirigindo alcoolizada. O seguro não cobriu nada, ela teve que pagar o carro do rapaz… Ela pagou pela cirurgia da amiga dela também, que teve que fazer depois uma reparadora, né? Ela teve um prejuízo financeiro muito grande, teve que responder na justiça em relação a dirigir embriagada, perdeu a habilitação… E a tudo isso a esposa da Débora atribuiu culpa à Débora — sim —, porque se a Débora tivesse ido na balada com elas, nada disso teria acontecido.  — O fato dela ter bebido e dirigido, causado um acidente, ter perdido o braço, ter que pagar um monte de coisa, de ter tido aí um prejuízo financeiro enorme… Tudo a esposa disse que era culpa da Débora. —

A partir do momento que essa moça sofreu o acidente, a vida da Débora virou um inferno. No começo, a Débora falou: “Bom, ela está agindo assim porque ela está muito traumatizada”. — Gente, imagina o impacto que é na vida de uma pessoa, né? Perder ali um membro, né? Perder um braço e tal. — E a Débora botou na conta disso do trauma, “mas vamos trabalhar esse trauma, né? Que isso é uma questão de tempo, isso vai melhorar, porque não tem cabimento ela me culpar”. Só que com o tempo as coisas foram piorando.  Ela sempre escovou os dentes com a mão direita, com o braço direito e agora ela reclamava… — Gente, ela estava fazendo toda uma reabilitação e ela destra, né? Então, assim, ela ficou com o braço direito, né? Então, toda a função dela maior ali, mesmo quando ela tinha os dois braços, era com o braço direito. Então, assim, ela teve que fazer algumas adaptações, mas, assim, o braço que ela escrevia, ela não teve que aprender a escrever de novo, porque isso poderia acontecer, né? Se ela fosse canhota, por exemplo. —

Ela obrigava a Débora, por exemplo, a botar a pasta na escova dela e a Débora falava: “Amor, você tem que conseguir fazer sozinha, porque você coloca a escova na pia e com a sua mão, você aperta a pasta na sua escova. Você não precisa de duas mãos, de dois braços para fazer isso” r aí ela gritava e falava: “É culpa sua”. Coisas que ela conseguia fazer sozinha e que, inclusive, a terapeuta falava para ela que o que ela estava fazendo realmente era algo para culpar, para colocar um peso na Débora, ela queria que a Débora fizesse. Então, por exemplo, na arquitetura, ela usava muito computador, antes você digitava com as duas mãos, agora você vai digitar com uma só, você vai aprender, né? Tem coisa que você consegue adaptar e tal, mas ela falava: “Ah, eu gostava muito de desenhar” e, gente, nisso eu tive que rir, porque assim, a pessoa, quando ela quer atormentar a sua vida e fazer da sua vida um inferno, ela faz.

Ela ficou com a mão ali do desenho. E ela… [risos] Não tem como não rir, gente… Ela queria que a Débora ficasse segurando a folha para ela, porque ela falava que ela não conseguia mais segurar a folha. Sendo que ela podia colocar um peso… — Ou que nem a Débora falou: “Andréia, ela podia colocar uma presilha ali no alto da prancheta que prende a folha. Isso tem, isso já existe e a folha fica presa, não solta, mas não… Ela queria ficar desenhando e eu com a mão na folha. Segurando, tipo, ela queria que eu fosse o braço dela”. [risos] Ai, meu Deus… [risos] A Débora falou isso: “Andréia, ela estava me fazendo de braço em todas as coisas”. — E quando alguém perguntava do acidente, ela falava: “Foi a minha esposa Débora que causou o acidente. Foi a minha esposa Débora que fez com que eu perdesse o braço” e as pessoas, não sabendo o contexto, achavam realmente que a culpa era da Débora. 

E a Débora, por outro lado, fazendo tudo para que a adaptação desse certo. Então, por exemplo, ela queria fazer o próprio ovo mexido dela. E ela reclamava o quê? Obviamente, ela não tem o braço para segurar ali a frigideira e mexer o ovo… Então, como é que você vai adaptar isso? A Débora foi lá e comprou uma frigideira pesada, dessas de ferro e tal.  Uma frigideira top, muito melhor do que a frigideira simples que elas tinham, né? — Porque aí essa frigideira ela não vai se mexer no fogão e a moça pode fazer o ovo dela, mexer o ovo dela ali mexido de boa… Então, assim, é questão de adaptação e até pelas terapias que ela tava fazendo, a terapeuta falou pra ela: “Olha, você precisa ter o máximo de autonomia que você conseguir. Então, se você consegue fazer o seu próprio ovo, você vai fazer o seu próprio ovo”. Não pode entrar numa de a pessoa…”.

Ela não aceitou a frigideira de ferro e queria que a Débora, [risos] não tem como, gente… Ficasse segurando a frigideira para ela. E a Débora indo atrás de todas as adaptações, todas as coisas para que ela pudesse ter autonomia, mas todo dia ela xingava muito a Débora. Começou a falar para a Débora que não tinha força no braço e ela era destra, era o braço que ela sempre usou mais, né? E a terapeuta falando ali para a Débora: “É mentira, não é verdade”. Só que aí ela falava que não tinha força no braço e depois tacava as coisas na Débora. — Então, quer dizer, tinha força no braço sim, né? — E aí, óbvio que tinha algumas coisas, por exemplo, você vai num restaurante, se você tiver que cortar uma carne, alguma coisa, né? É mais complicado… Então, ela podia pedir, perguntar, né? Se eles poderiam já trazer a carne cortada ou pegar algum prato ali que ela conseguisse partir com o garfo, tal, né? Enfim, vai adaptando as coisas, né? A rotina delas, mas aí ela não fazia nada disso.

No restaurante era um inferno, a Débora tinha que fazer tudo, mesmo as coisas que ela conseguia fazer…  E coisas que a Débora falou: “Andréia, coisas absurdas do tipo botar sal na comida dela… Poxa, ela pode botar sal na comida dela… Ela fazia com que eu colocasse sal, que eu mexesse a comida dela, sendo que eram coisas que ela conseguia fazer, né? Com a mão dela ali, dominante, que ficou intacta li, né? Que tá com ela”. Então, a Débora tinha… Ela falou: “Andréia, eu parei de ir em restaurante com ela porque ela fazia uma cena, ela fazia um absurdo e ela fazia, tipo…” [risos], gente, não tem como não rir… [risos] Ela queria que a Débora cortasse pra ela um pudim, um flan, sendo que o flan, como que você corta o flan? Com a colher… Corta e já bota na boca. Ela poderia fazer isso, mas ela queria que a Débora cortasse o pudim pra ela. E ela falou pra mim: “Ela me fez de braço dela. De braço mesmo. Ela não me via mais, ela não tinha mais sentimentos por mim, ela só me xingava, só gritava comigo e queria que eu fosse o braço dela”. — Inclusive, ela arrumou uma namorada… Tá bom pra vocês? Um relacionamento que era monogâmico, só as duas… —

Débora, sem saber o que fazer, porque ela falou: “Andréia, eu achei que, sei lá, ela estava meio pirada e tal, né?”, eu fui conversar com a moça que estava namorando a minha esposa e falar que não era um relacionamento aberto, nada… E aí, conversando com a moça, a moça ficou chocada, porque a moça não sabia que ela era casada e tal, né? E a Débora acabou perguntando pra ela essas questões: “Mas e aí e tal?”, você acredita que com ela a moça não pedia ajuda pra nada? Ela falou: “Nossa, não, comigo ela é super independente, faz tudo, tudo certo”, sabe assim? E aí a Débora falou: “Andréia, eu aguentei quatro anos dessa humilhação, dela me traindo, ela tacando coisas em mim, falando que não tinha força no braço”. [risos] Mas aí, um dia eu estava passando na sala e ela me tacou um sapato nas costas, com força. Então, assim, tinha força, né? E ela me culpando a ponto das pessoas realmente, algumas, acharem que eu que estava dirigindo o carro, bêbada… Que eu que bati o carro…”, de tanto que ela falava que a culpa era da Débora. 

Depois de quatro anos, a Débora falou: “Não aguento mais, vou embora”. Ela já estava, assim, totalmente adaptada, só que com a Débora, ela ainda fazia a Débora segurar folha, ela ainda fazia a Débora segurar frigideira, porque a Débora falava: “Andréia, era melhor eu segurar do que aguentar todo o inferno que vinha junto, né?”. Então, assim, ela ainda fazia a Débora de braço para um monte de coisas, mas já tinha uma outra vida, já tinha namoradas… E com as namoradas ela praticamente não pedia ajuda para nada, não exigia nada como ela exigia da Débora. Ela já estava fazendo um curso lá que tinha que fazer para conseguir habilitação de volta, ia conseguir um carro adaptado, enfim, porque não é uma pessoa que a gente está falando aqui que não tem dinheiro, sabe? Ela já tinha casa própria… Então, assim, a Débora falou: “Andréia, depois de quatro anos, eu falei: ‘Quer saber? Eu estou um trapo, eu estou um lixo, eu vou cuidar de mim, eu vou embora'”. 

E aí, quando a Débora falou que ia embora, ela fez um escândalo e começou a postar nas redes sociais que a Débora ia abandonar uma pessoa com deficiência, porque ela não tinha o braço, que isso, que aquilo. Ela fez um inferno na vida da Débora, inclusive entrando na justiça pedindo pensão, sendo que ela ganhava quatro vezes mais que a Débora e foi provado ali que ela estava trabalhando, que ela fazia as coisas dela, ela não ganhou e até hoje ela conta uma história para as pessoas onde a culpa dela ter perdido o braço no acidente foi da Débora. Hoje a ex—esposa da Débora vive em outro país, constituiu família em outro país e só assim deu paz para a Débora, porque enquanto ela estava no Brasil  ela atormentava a Débora de todas as formas. E a Débora pegou trauma, ela falou: “Andréia, se a moça falar pra mim que é baladeira, que gosta de sair, pra mim é não. Eu já, assim, não dá pra mim, sabe? Não namoro, não me envolvo com quem é muito de balada, de festa, de bebida, porque tudo me remete a essa situação que eu passei, onde, uma época sim, eu fui o braço da minha esposa”. 

E não no sentido de apoio, que seria legal, né? Se a esposa dela tivesse visto ela como um apoio, uma ajuda, realmente um braço ali, né? No sentido de uma força, mas não, né? Pensa agora você, a outra ficar lá quatro horas desenhando e você segurando a folha. Ela não podia botar um peso de papel, não podia botar um clipe, um negócio para segurar a folha? Não, você tem que segurar a folha. Ah, ela quer fazer alguma coisa na frigideira, na panela e você tem que ficar segurando a alça da panela, o bracinho da panela lá, porque ela não quer usar uma panela pesada de ferro que não vai se mexer e tal, né? Mas você vê? Depois a gente foi percebendo que ela estava sim adaptada, ela só não queria deixar a Débora fazer parte dessa adaptação e o que ela podia fazer para humilhar, para ofender e até para machucar fisicamente, porque se você está passando, a pessoa está te jogando coisa e depois fala: “Ah, meu braço está fraco”? Não está fraco, né?  O que vocês acham? 

[trilha]

Assinante 1: Oi, nãoinviabilizers, tudo bem? Meu nome é Michelle, eu falo de São Paulo, capital. Débora, eu também sou uma pessoa com deficiência, não é a mesma deficiência da sua ex—esposa, ainda bem que é ex, mas também é uma deficiência, como todas, que me limita em alguns aspectos e que às vezes eu preciso de ajuda, mas eu te garanto que que o desejo maior de toda pessoa com deficiência, ao contrário do que as pessoas sem deficiência acham, não é a nossa deficiência acabar, é a gente conseguir ser independente para não precisar de nada. Se esposa conseguiu isso, fico muito feliz, mas assim, que pena que ela te destruiu nesse caminho, que ela fingia que não conseguia para te humilhar, para ser muito escrota com você… Que bom que você saiu desse relacionamento. Te desejo tudo de melhor, que você encontre alguém que seja igual você, que seja parecida com seus gostos, que faça esse match de fato com o que você merece. Um beijo e até mais. 

Assinante 2: Olá, meu nome é Vivi Zampieri, sou do Rio de Janeiro. Débora, é imensurável o arrependimento e a inveja que essa mulher sente… Materializando em você tudo que ela deixou pra trás por causa de uma bebida. Bebida e direção nunca combinaram, não é apenas um gole… Se você vai dirigir, não beba. São as estatísticas que mostram que bebida e direção não combinam. Você não tem culpa de nada disso, eu espero que você esteja bem, se restabeleça e tenha uma pessoa que seja o seu braço direito no sentido de apoio, de suporte, de amor, que é isso que você merece. Um beijo. 

[trilha]

Déia Freitas: Comece o ano protegendo o futuro do seu pet sênior com um plano de saúde Petlove, proteja o seu idosinho. Se você já nota os primeiros sinais de envelhecimento, como lentidão, pelos branquinhos — ah, eu amo aquele focinho que vai ficando branquinho — e mudanças no sono do seu pet, com o plano de saúde Petlove você garante que no momento que o seu bichinho mais precisa de cuidados, ele tenha acesso a uma rede ampla de tratamentos, onde o cuidado é parte da rotina diária, assim ele tem uma melhor qualidade de vida e você paga um preço fixo, independente da idade dele. — Os preços da Petlove são bem bacanas e não tem essa do pet vai ficando mais idoso, vai aumentando o preço, sabe? Igual o nosso convênio de humanos, não tem isso. – 

Usando o nosso cupom “PONEI50” — “pônei” em maiúsculo, sem acento, e 50 em numeral —, você garante 50% de desconto na primeira mensalidade. — Exceto para o plano leve, tá? Os termos e as condições devem ser consultados aí no site Petlove. — Valeu, Petlove… Cuide bem do seu pet, tenha um plano de saúde da Petlove. Um beijo, gente, e eu volto em breve. 

[vinheta] Quer a sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]