título: bêbado
data de publicação: 23/03/2026
quadro: picolé de limão
hashtag: #bebado
personagens: vanessa, um cara, lúcia, zeca e carlos

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. [vinheta] 

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei. Cheguei para mais um Picolé de Limão. — E hoje eu não tô sozinha, meu publiii. — Quem está aqui comigo hoje é a EBAC. Começar uma carreira nova, dar aquela atualizada aí no seu currículo, ou até mesmo tirar do papel aquele desejo antigo de começar um curso dos sonhos? Na EBAC você consegue… E tudo isso por um preço que você pode pagar. com professores que são profissionais renomados no mercado, estudando onde e quando quiser e ainda com a possibilidade de sair empregado. A EBAC, a Escola Britânica de Artes Criativas e Tecnologia, é uma instituição de ensino inovadora que oferece a oportunidade perfeita para você investir no seu futuro. A EBAC possui mais de 150 cursos, uma plataforma própria de ensino, duas pós-graduações reconhecidas pelo MEC e mais de 145 mil alunos que estudam lá. 

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[trilha]

Vanessa conheceu um cara e ele era realmente muito legal, assim… Começaram a namorar, o cara era um querido. O relacionamento foi seguindo, Vanessa conheceu a família do cara e a família do cara tratava ele como se ele fosse um cristalzinho. Menos uma irmã dele chamada “Lúcia”. Vanessa já viu, assim, que Lúcia era um pouco diferente da galera ali que ficava bajulando este rapaz… Quando Vanessa perguntou para ele, ele contou uma história lá, falou que a Lúcia tinha ciúme, inveja dele, que a Lúcia não queria ver ele bem nunca e que a melhor coisa seria a Vanessa não se aproximar de Lúcia. Vanessa totalmente apaixonada pelo cara: “Bom, Lúcia quer o mal do meu amor, então vou ficar esperta, vou ficar longe de Lúcia”. Uma coisa que a Vanessa já tinha percebido é que quando eles saíam para algum bar, alguma balada ou com amigos, esse cara não bebia…

Ele sempre falava: “ah, não gosto de beber” e não bebia… Um dia, aniversário de um dos amigos do cara — que a gente vai chamar aqui de “Zeca” — e Vanessa foi convidada, porque agora ela já estava meio que parte daquela turma, né? E o cara ficou de passar na casa da Vanessa pra buscar… Vanessa colocou um vestido preto, assim, justo, mas nada, assim, marcante. Até um pouco acima do joelho, o decote tava ok, passou um batom vermelho bonito, cabelo solto… Vanessa tava muito bonita. Quando o cara chegou, ele olhou e falou: “nossa, mas precisava se arrumar tanto assim pra festa do Zeca?”, “Não, não tô arrumada, só tô com esse vestido. Já usei esse vestido com você antes. O cara não falou nada, eles foram para a festa. Chegando lá na festa, a Vanessa conhecia já a turma, e aí você fica conversando ali, né? — Você fica solta na festa, seu namorado solto na festa. —

Daqui a pouco, vem o namorado da Vanessa trançando as pernas de bêbado, pegando ela pelo braço e falando: “Vamos embora, você está vestida como uma puta”, falando horrores, mas assim, caindo de bêbado. Na hora, Zeca apartou ali, foi levando a Vanessa pra fora, falou: “olha, eu vou chamar um táxi pra você, você pega um táxi e vai embora”. O cara ficou lá dentro, os amigos segurando o cara bêbado, né? O táxi chegou, quando ele botou a Vanessa no táxi, ele com a porta aberta do táxi falou: “Vanessa, você não merece esse cara, você merece coisa melhor. Se eu fosse você, terminava com ele”. Zeca, muito amigo do cara… O que Vanessa pensou? “Zeca será que tá dando em cima de mim? Por que ele falaria isso tão assim, né? Foi a primeira vez que ele bebeu, perdeu a cabeça…”. — Vanessa não tava tão “chocada”, acho que é a palavra. —

Vanessa foi embora pensando: “nossa, que amigo é esse, né?” e, no dia seguinte, o cara foi lá na casa da Vanessa, pediu desculpas, falou que por isso que ele não bebia, porque quando ele bebia, ele ficava muito bêbado, que sentia muito o que tinha acontecido, pediu perdão e nã nã nã… Vanessa falou: “ah, tudo bem, mas então não beba mais, né? Porque você já sabe que quando você bebe, você fica desse jeito”. Vanessa acabou contando pra ele o que o Zeca tinha falado, com medo também que o Zeca fosse falar, sei lá, uma outra versão, né? E aí este namorado falou: “A gente também vai se afastar do Zeca… Porque, olha, o Zeca com certeza tava dando em cima de você… Porque falar isso assim, né? Foi a primeira vez que isso aconteceu, que eu bebi”, “É verdade, então mais uma pessoa pra gente não chegar perto”. — Além de Lúcia, o Zeca. —

O tempo passou, quando a Vanessa conheceu esse cara, ela já tinha dado a grana da formatura, já tinha distribuído os convites dela. Então não tinha convite pro namorado da Vanessa ir na festa de formatura. — Então, assim, ele ia na colação, mas na festa, no baile de formatura, gente, você não achava um convite, assim, era festa muito concorrida. — O cara estava chateado, porque ele queria ir na festa da Vanessa e a Vanessa falou: “Olha, vai ser rápido, é uma noite e tal, né? Vamos pensar assim, amanhã a gente tá junto de novo e tal, né?” e o cara falou: “tá bom”. Vanessa foi, o baile estava incrível… Nessa altura do campeonato, o cara já conhecia a família da Vanessa também, família dela estava toda lá no baile, todo mundo feliz, dançando. Até que uma hora, era mais ou menos, sei lá, meia-noite e pouco, a festa ainda ia longe, gente, ia longe… O irmão da Vanessa — que a gente pode chamar aqui de “Alberto” —, foi fumar numa área externa ali. 

Quem ele viu bêbado? Lá na frente, fazendo meio que um escândalo… O namorado da Vanessa. Alberto estava ali fumando, ficou pensando se contaria ou não, porque o segurança, de jeito nenhum. — Primeiro que não tinha como localizar Vanessa, porque tem mil Vanessas, né? Segundo que o cara estava totalmente bêbado, o segurança nunca ia deixar ele entrar. — Alberto, sem saber do histórico, pensou: “Esse cara bêbado vai estragar o baile de formatura da minha irmã” e Alberto não contou nada. Acontece que de onde o cara estava, ele viu o Alberto e ficou gritando: “Alberto, Alberto…” e o Alberto fingiu que não viu e que não ouviu. Quando acabou o baile, 5 horas da manhã, que eles saíram, o cara não tava mais lá… — Então não sabe se a segurança levou, se Samu levou, se a polícia levou, não se sabia nada e Vanessa não sabia de nada. — Vanessa chegou umas seis horas da manhã em casa, foi tomar banho e ela só acordou lá pelo meio—dia. 

E aí o Alberto contou: “O seu namorado estava bêbado na porta lá do baile e eu resolvi não te contar”. Vanessa ficou o quê? Brava com o irmão, ela falou: “Ele tava sofrendo”. — E aqui a gente já percebe que esse cara, então, tinha um problema com álcool, né? — A hora que ela pegou o celular, tinha um monte de mensagem dele. Um monte de ligação perdida… Vanessa foi encontrar com ele, ele chorou, pediu perdão, disse que lembrava de flashes que ele tinha visto o Alberto, que ele queria pedir desculpa pro Alberto. O Alberto não se sensibilizou muito, porque falou: “Cara, você ia estragar o baile da minha irmã, né? Então, assim, eu te vi, mas eu achei que não me cabia te dar essa abertura pra que você estragasse as coisas pra minha irmã”. Ficou um climão ali, depois ele quis meio que dizer: “será que o Alberto quer a nossa felicidade?”, “Mano, meu irmão… Eu amo meu irmão”. Então assim, né? “Não vou me afastar do meu irmão”. 

Mais um tempo se passou, dois anos de namoro e esse cara pediu a Vanessa em casamento. Vanessa foi muito sincera com ele, falou: “Olha, eu tenho muito receio de casar com você e você começar a beber todo dia”, “Não, pelo amor de Deus, porque nunca mais eu vou beber, porque isso, porque aquilo e nã nã nã”, fez ali o show dele e convenceu Vanessa que aqueles episódios tinham chegado ao fim. O casamento aconteceu, Lúcia — irmã do cara — não foi, Zeca — que era tipo o melhor amigo do cara — não foi convidado… Alberto foi porque Vanessa insistiu muito. — Porque nessa altura do campeonato, o Alberto já não ia mais com a cara deste agora marido de Vanessa. — Vanessa trabalhava numa grande financeira, uma área que tinha sigilo… Você chegava na financeira, tinha as mesas ali, sei lá, você vai fazer um empréstimo, você vai fazer alguma coisa e, lá no final desse lugar enorme, tinha uma porta onde você tinha que passar um crachá eletrônico para entrar na parte que Vanessa trabalhava. 

Vanessa tinha um chefe muito bom e o Carlos era, assim, show de bola com Vanessa ali, com a equipe toda e Vanessa sempre falava do Carlos… — Porque, gente, você comenta da sua firma. Lógico que a Vanessa não comentava as coisas sigilosas do trabalho dela, mas comentava: “pô, hoje o Carlos foi legal, fez uma dinâmica lá com a equipe e tal”, esse tipo de coisa, assim, né? E este marido foi pegando ranço de Carlos. — Ele já tinha conhecido o Carlos, sei lá, em happy hour, assim, sabe? — Ele ficava falando: “O Carlos tá dando em cima de você” e a Vanessa falava: “Não, eu sou competente no meu trabalho, o Carlos é meu chefe e ele valoriza o meu trabalho. É isso, ponto” e o marido sempre falando: “Esse cara tá dando em cima de você”. No setor da Vanessa, surgiu a oportunidade de um cargo de gerente e Carlos ia continuar chefe dela, porque o Carlos estava acima dos gerentes, mas agora a Vanessa poderia ser gerente. 

Aplicou pra essa vaga, tinha umas coisas pra fazer, pra ver se ela ia passar e ela estava ali no processo para essa vaga. E o que você faz? Você conta para o seu marido: “Olha, eu vou ser gerente se tudo der certo, né? O Carlos me apoia, porque outras equipes também e outras pessoas aplicaram pra vaga, o Carlos me apoia e vai ser demais, eu vou ganhar mais, a gente vai poder planejar mais coisas e tal”. Gente, você conversando com o seu marido… O cara ficou muito bravo: “Não, porque agora você vai ficar mais perto desse Carlos, que isso e aquilo” e a Vanessa ficou chateada porque, poxa, você tá falando de uma promoção que você vai receber para o seu marido e o cara tá nessa. Vanessa resolveu ignorar, ela falou: “Andréia, era um dia que eu estava feliz, que eu estava muito confiante que eu ia conseguir essa vaga e eu não ia deixar que dessa vez ele ficasse falando da minha orelha”.

Ignorar foi pior… Os dias foram passando, Vanessa foi a escolhida para a vaga, então agora ela seria gerente. O cara ficou quieto, deu um parabéns, assim, pra esposa, bem mais ou menos. — Então, você já viu… Não é um cara que tá somando com você ali, né? Que tão lutando lado a lado, que tá feliz pelas suas conquistas. O cara só falou: “é, parabéns aí”. — Já achando que agora ela seria amante de Carlos. — A Vanessa estava radiante, o pessoal gostava dela, a equipe que ela ia liderar ali gostava dela… Então, assim, era o melhor dos mundos, ela estava muito feliz real. Os dias foram passando, o crachá dela era o mesmo, só que agora tinha mudado a função ali, devolveu aquele crachá e recebeu um crachá novo para passar ali na área restrita, né? Um dia a Vanessa acordou e cadê o crachá? Não achava o crachá, revira a bolsa… Não achou e falou: “bom, eu vou trabalhar, depois eu reporto que eu perdi o crachá, enfim, não sei nem o que vai dar isso, mas assim, depois eu vejo o que eu faço”. 

Foi trabalhar, chegou lá, tinha um colega entrando e ela entrou junto com o colega. — Então, veja, ela não passou o crachá para entrar na área restrita. — O trabalho foi pegando ali e ela esqueceu de avisar o RH que ela estava sem o crachá, porque aí o que eles fazem lá? Eles desmagnetizam o crachá. — Então, assim, ele fica inválido, né? O crachá dela não ia passar mais. — Só que ela esqueceu… Perto da hora do almoço, Vanessa está lá na mesa dela, lá no fundo, onde você via o departamento inteiro, perto do Carlos, está lá trabalhando… Quando ela escutou a voz do marido dela… Ela falou assim para mim: “Parecia uma alucinação, parecia que eu estava ouvindo, mas eu não podia estar ouvindo porque aquela voz não fazia parte daquele contexto… Não podia ser. E ainda me xingando, xingando o Carlos”. 

Quando ela levantou a cabeça, estava o marido dela lá, trançando as pernas de bêbado, com o crachá dela na mão… Então ele entrou na área restrita com o crachá dela, xingando ela, xingando o Carlos… Carlos estava lá, a segurança foi chamada, tomaram o crachá da mão dele e ele foi botado para fora. Nessa altura do campeonato, a Vanessa já estava aos prantos, foi levada lá pra uma outra sala e as pessoas preocupadas, querendo que ela voltasse pra casa, tipo: “ah, não precisa mais trabalhar hoje”, né? Mas o cara causou, ele chegou até a hora que ele foi segurado pelo segurança. a derrubar uma mesa com o pé… Porque seguraram ele pelos braços, né? E ele derrubou uma mesa de trabalho, caiu o computador, caiu tudo. Um caos. 

Vanessa ficou lá chorando, resolveu ir para a casa dos pais. — O Alberto não estava, estava trabalhando, os pais ali já aposentados. Vamos botar “João” e “Maria”. — Seu João ficou indignado, pegou o telefone ali, ligou na casa dos pais do cara… Porque agora eles já tinham uma certa intimidade, festa de família, essas coisas. “Olha o que seu filho fez, minha filha agora vai perder o emprego e nã nã nã”, rolou uma discussão ali porque os pais do cara protegiam muito o cara. Vanessa foi trabalhar no dia seguinte, ela pegou o crachá de volta ali, só que o crachá dela não passou… Ela foi chamada no RH e ela estava sendo demitida por justa causa e não era por causa do marido, foi por causa do crachá. Ela trabalhava em uma área muito restrita, tinha um protocolo para se seguir quando você perde o crachá. — Não tinha como a empresa saber se ela deu o crachá pro marido dela entrar ou se ele pegou escondido, que era o caso, né? Mas a empresa não tinha como saber, eles tinham regras muito rígidas e ela que tinha sido acabada de ter sido promovida, ela foi mandada embora por justa causa, porque também tinha isso nas regras lá, as coisas que não podia e tal… E assim, gente, justa causa, você sai e você recebe só os seus dias trabalhados, assim, né? O seu FGTS, o Fundo de Garantia, fica preso lá, é seu, mas assim, você não recebe a multa recisória, os 40%, nada. 

Vanessa ficou arrasada. — Arrasada, arrasada, arrasada, mal… — Conversou com o marido e falou pra ele: “Olha, eu preciso de um tempo. Eu preciso pensar se eu quero continuar com você, porque você falou que você nunca mais ia beber e olha o que você fez”, realmente fez ela perder uma vaga boa. Vanessa ainda entrou na justiça, tentou, mas não conseguiu reverter essa justa causa. — A história podia acabar aqui, bem péssima, não podia? Mas não acabou…. — Putz, mandada embora por justa causa… Além de tudo, foi uma vergonha que ela passou ali, né? Perante os colegas e tal. Vanessa ficou com aquilo na cabeça: “Meu Deus do céu, a família toda dele apoia ele, menos a Lúcia. Por que será que a Lúcia não apoia?” e a Vanessa, antes de terminar esse tempo e ver se ia voltar ou não, resolveu procurar a Lúcia. Desde que ela teve aquele contato com a Lúcia, nas festas ela praticamente ignorou a Lúcia de tudo, assim… — Porque, né? A Lúcia era uma pessoa que queria o mal do casal, segundo o cara. —

Quando ela mandou mensagem para a Lúcia, a Lúcia visualizou ali e não respondeu. “Bom, a Lúcia não vai falar comigo, vou ter que ir atrás da Lúcia”. Foi lá ficar na porta do serviço da Lúcia até a Lúcia sair… Ela viu a Lúcia saindo e foi ao encontro da Lúcia. Lúcia continou andando, ignorando a Vanessa como a Vanessa ignorava a Lúcia. Uma hora a Vanessa falou: “Olha, olha o que aconteceu comigo, eu fui mandada embora por justa causa e tal”, Lúcia parou, andando na calçada ali… Vocês estão preparados? Lúcia falou: “Meu irmão nunca botou uma gota de álcool na boca. Ele não gosta de bebida alcoólica, ele tem nojo de bebida alcoólica, ele não toma… Essas bebedeiras dele, ele bêbado, é ele fingindo, porque ele não tem coragem de falar a verdade sóbrio, mas ele tá sóbrio, ele tá fingindo estar bêbado… Então, todas as vezes que ele te humilhou, que ele fez coisas fingindo estar bêbado, ele tava sóbrio”.

Lúcia descobriu isso porque, quando eles eram mais jovens, esse irmão acabou com o namoro que ela tinha por que ele não gostava do cara, porque o cara meio que peitava ele, né? Desse jeito… Com bebida, falando um monte pro cara, falando que a Lúcia traía ele, era tudo mentira e o irmão tava fingindo que tava bêbado. E só quem sabia que ele fingia ficar bêbado era o Zeca. Zeca ficou com dó da Lúcia e contou pra Lúcia. E aí a Lúcia foi ligando, todas as vezes que o irmão ficava bêbado, ele fazia isso… Ou falava umas verdades pro pai ou pra mãe, pra alguém da família. Era alguma coisa que ele não tinha coragem de contar e ele fingia… — Gente, ele fingia estar bêbado. — Enquanto isso corria, vocês lembram que eu falei para vocês que ela botou na justiça a questão da justa causa, ela queria a reversão da justa causa para poder receber todos os direitos dessa demissão, né?

A empresa botou as provas ali e uma das provas era do marido da Vanessa passando o crachá dela na porta lá de segurança e entrando… — Esse vídeo foi anexado ao processo, né? — No começo ela não queria, mas agora que ela já tinha essa informação de que talvez o marido dela estivesse fingindo essa bebedeira, porque ela não tava acreditando, gente… Ela falou: “Eu quero ver o vídeo”. No vídeo você via ele entrando totalmente sóbrio, perguntando para alguém ali onde era o setor X, alguém apontando, ele agradecendo, tipo “obrigado”, ele indo até a porta de segurança, passando o crachá, e aí sim ele começou a trançar as pernas e a se fazer de bêbado… — O cara fingi… Quando a gente acha que já viu de tudo nesse podcast, a gente não viu de tudo. O cara se fingia de bêbado porque ele não tinha coragem de fazer as coisas que ele queria fazer. Pra colocar a culpa no que? No álcool que ele nem bebia. — 

Vanessa, como eu disse, não conseguiu reverter essa justa causa, porque ela não recebeu a justa causa porque o cara estava bêbado e causou lá, mas sim porque ela não seguiu o protocolo de segurança, ela tinha que ter chegado na empresa, já ter falado que tinha perdido o crachá… Tinha uma série de coisas que ela tinha que ter feito e ela não fez. Chegou, foi trabalhar, entrou junto com uma outra pessoa, essa outra pessoa que deixou a Vanessa entrar também tomou uma advertência, porque a sua entrada é única com aquele crachá, você não pode abrir a porta e falar: “vamos, galera, vamos entrando”, né? Então, assim, uma série de processos que ela não fez e que ela devia ter feito. Vacilou? Vacilou… Mas se não tivesse acontecido aquilo do cara, ela mais tarde ia lá falar que perdeu o crachá… E aí, se pá, não ia acontecer nada, né? Mas, enfim, agora já era tarde. 

Ela no divórcio queria ficar com mais coisas do que ele, porque assim, ela foi prejudicada. Ela alegou essa questão da bebida, mas ela não tinha como provar, porque agora a ex-empresa não liberou o vídeo para ser usado em outros processos, nada, porque era uma coisa interna deles lá, né? Ela não podia contar com a Lúcia pra ser testemunha, porque a Lúcia também só falou aquilo pra ela na hora da raiva, porque falou: “pô, você me ignorou o tempo todo e agora que você precisa, você veio atrás de mim”. O Zeca também ela acabou nem procurando, acho que ela não tinha o contato… Ela não tinha nenhuma testemunha que o cara fingia ser bêbado, só que ele foi pego de surpresa lá na hora quando ela falou isso, ali tipo numa conciliação — que não rolou conciliação, né? — pra esse divórcio. Ela perdeu o emprego dos sonhos, se divorciou, ficou bem traumatizada, levou um tempo pra se recuperar, teve que voltar pra casa dos pais, assim… — Péssimo, né? Porque também saiu por justa causa. —

Ele foi atrás dela umas vezes, aí ela ameaçou ele e falou: “Olha, eu sei que você finge que você bebe, eu tenho o vídeo lá da empresa onde você entra sóbrio e você só finge estar bêbado quando você entra na minha área de segurança e, se você vier atrás de mim, eu vou mostrar esse vídeo pra todo mundo, inclusive lá no seu trabalho”. — Porque ele já tinha metido essa também de ser bêbado e falar umas verdades pra alguém lá do trabalho dele, sabe? Mas não lá dentro da empresa. Tipo, sei lá, num happy hour, numa festa, alguma coisa assim. — A família dele ficou do lado dele, óbvio, né? Falou que Vanessa devia perdoar, que isso, que aquilo, que empregos existem outros empregos, mas que maridos bons, é raro… E ele é um marido bom, gente? Onde que é um marido bom? E ela nunca mais teve contato com essa família. 

O cara também depois de um tempo parou de ir atrás dela e a Vanessa acha que até hoje ele usa isso de fingir…. Gente, fingir estar bêbado. O cara fingia que tava bêbado pra poder falar as coisas que o covardão não tinha coragem de falar. Quando eu acho que já vi de tudo, tá aí o cara fazendo cosplay de bêbado. O que vocês acham? 

[trilha]

Assinante 1: Oi, nãoinviabilizeiros, Jéssica de Belém do Pará. Meu Deus, fazer cosplay de bêbado é o fim do mundo… Eu realmente fiquei bem chocada quando a irmã veio com a notícia de que ele se fingia de bêbado, porque uma pessoa dessa, pra mim, eleva o nível de mau caratismo com psicopatia, porque, sinceramente, uma pessoa dessa não mede esforço pra ferrar a vida do outro. Vanessa, que bom que você decidiu se divorciar dessa criatura. Eu acredito que foi a melhor decisão que você tomou. Infelizmente, tiveram que acontecer diversas coisas, né? Entre elas, te prejudicar no trabalho, mas é isso, né? Vida que segue, espero que você consiga superar isso, arranjar um bom emprego, tão bom quanto o que você tinha e que tudo dê certo pra você, viu? E na próxima, fique esperta quando o Santinho tentar se pagar de precioso, né? Fique atento aos sinais. Beijão. 

Assinante 2:  Oi, França de Belém do Pará. Mais uma história de Picolé de Limão pra nos deixar alerta, né? Já ouvimos tantos tipos de histórias, tantos tipos de situações que podem acontecer no relacionamento e agora essa, do falso bêbado, o cara que não tem coragem falar as coisas, né? De forma sóbria. Mas uma coisa que eu fiquei pensando é que a gente, quando a gente tá num relacionamento, a gente precisa observar as pessoas à nossa volta… Porque eu não posso nem falar do relacionamento dela, porque o relacionamento dela já tinha vários os sinais vermelhos ali, não digo nem amarelos, vermelhos mesmo, piscando ali, sinais de atenção que ela fez a cega, mas e o comportamento dessas duas pessoas que tentaram alertá-la, né? O Zeca e a irmã? Temos que dar esse crédito, né? Temos que observar, porque no fundo, no fundo, ela achou que: “ah não, ele está a fim de mim” ou “ah não, ela não é a favor da minha felicidade, da nossa felicidade”, porque, na verdade, elas conheciam ele melhor do que ela. Então, a gente precisa dar esse voto de confiança para essas pessoas também. Obviamente, com muito cuidado, não só dando credibilidade para o outro e descredibilizando o nosso parceiro, mas observar tudo… Vanessa, fique bem. Um abraço. 

[trilha]

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E, gente, sempre fique esperto quando o seu namorado, namorada, marido, esposa, quer te afastar de todo mundo… Isso não é normal, isso não é saudável e pode ser que tenha alguma coisa escondida aí que a pessoa não quer que você saiba ou ela quer te isolar porque esse relacionamento vai caminhar aí pra algum tipo de abuso. Então, vamos ficar espertos em relação a isso? Então é isso, um beijo e eu volto em breve.